Retornamos.
Temos mais série brasileira, temos as últimas temporadas de algumas e outras estreantes, além de sping-offs. Temos até série mexicana, especialmente, a quem disse que a lista só contava com séries norte-americanas, inglesas e brasileiras. A lista, dessa vez, é majoritariamente coberta por comédias e dramas, mas deu para abrir espaço e citar uma de ficção-científica que não poderia ficar de fora.
Os textos abaixo não possuem spoiler:
30. Fortitude, 03×02: “Episode 2” (13/12/2018) [Sky Atlantic]
Escrito por: Simon Donald // Dirigido por: Kieron Hawles

Por Welson Oliveira
A terceira e última temporada de Fortitude teve uma jornada reduzida, encerrando a saga das personagens em apenas quatro episódios, diferente dos outros anos: 12 na primeira e 10 na segunda. Diferente dos anos anteriores, possivelmente por essa quantidade, não tivemos um caso se estabelecendo para ser resolvido durante as semanas. No primeiro ano, em 2015, tivemos um assassinato, enquanto no segundo, 2017, um assassino em série. Para a temporada final, só temos as personagens principais lidando com as complicações mostradas anteriormente. Ganhamos alguns rostos novos, mas é a saga dos já conhecidos que importa por aqui.
Fortitude é uma série meio esquisita — no bom sentido da coisa. Durante boa parte do primeiro episódio, demoramos para nos acostumar ao clima de estranheza causado pela trama e pelas escolhas de suas personagens. Dan Anderssen (Richard Dormer) é uma das personagens mais emblemáticas da televisão atualmente. Interpretada com um cinismo e quase deboche do ator, mesmo os que odeiam o protagonista devem elogiar como ele é conduzido.
O segundo episódio, destacado aqui, traz as conhecidas cenas bizarras e explorativas do programa, que chegaram a níveis medonhos na segunda temporada, e adiciona tensão em cenas que mexem com nossa respiração. Quando alguém conhecido do enredo é posto em perigo, com um provável terrível destino, passamos a torcer por sua salvação. É quando ocorre uma das lutas mais bem coreografadas de 2018, e que ainda é feita com uma certa desvantagem angustiante de se ver.
Fortitude deixa três temporadas como legado, e aos fãs de dramas que exploram a decadência e o horror dentro e fora do ser humano, a recomendação é certa.
29. 12 Monkeys, 04X10-11: “The Beginning Part1/Part2 (Series Finale)” (06/07/2018) [SyFy]
Escrito por: Terry Matalas // Dirigido por: Terry Matalas

Por: Victor Tourinho
12 Monkeys encerrou sua jornada de maneira apoteótica, aparando qualquer aresta e respondendo qualquer pergunta que tenha ficado aberta durante seus quatro anos de exibição. Como não poderia deixar de ser em uma produção pós-apocalíptica, 12 Monkeys se mostrou desoladora, agonizante e emotiva até seus momentos finais. Aprendemos a criar laços com aqueles desafortunados personagens e torcer para que no final das contas, de alguma maneira, a situação se reverta e tanto eles quanto o tempo saiam incólumes, mesmo após tantos desgastes e idas e vindas.
Na atual era pós-Lost, dramas de ficção científica são pouco valorizados pela audiência televisa (principalmente em canais menos reconhecidos como o Syfy), fazendo com que potenciais nomes fiquem restritos a um nicho muito específico. Porém, desde seus primeiros episódios, 12 Monkeys grita por prestígio, tamanha a genialidade de seu roteiro, a complexidade de seus personagens e a capacidade de nos envolver até o fim. E, aqui, o fim foi o melhor que a série poderia nos entregar.
“Onde você está agora? Em algum lugar seguro? Quente? Próximo a alguém que você ama? Um dia, tudo isso acabará. O tempo passa como deve ser. Tudo o que importa é o agora. Ser feliz agora.”
O encerramento duplo com The Beginning foi um grande aglomerado de todos os aspectos mais marcantes da série. Altos e baixos emocionais, sequências alucinantes e devastadoras, risos e lágrimas, esperança e angústia, reencontros e despedidas. Início, fim e início novamente. 12 Monkeys se transformou em seu tão falado ouroboros e mordeu sua cauda, fechando sua história, sem espaços em branco, mas com muitas reflexões para nos deixar.
(Outros episódios: 04×06 Die Glocke, 04×09: “One Minute More”.)
28. Ozark, 02×05: “Game Day” (31/08/2018)
Escrito por: Paul Kolsby // Dirigido por: Phill Abraham

Por Welson Oliveira
Pouco mais de um ano depois, Ozark voltou. A série, ao contrário de outras como The Americans, por exemplo, acompanha uma família inteira se comprometendo com os empreendimentos ilegais do patriarca. Mesmo em níveis diferentes, todos vão sendo tocados pelas consequências e pela responsabilidade de tal empenho. A segunda temporada, disponível em agosto com, novamente, dez episódios, aprofunda ainda mais as diversas partes implicadas nessa história.
Aos poucos, Ozark vai tomando coragem para fazer algo que poucas séries fazem, porque fazer tal coisa exige um empenho muito grande dos roteiristas. Refiro-me ao fato de como as máscaras das personagens vão caindo entre si, quando as verdades são reveladas e elas deixam de esconder. Assim, o jogo de intriga fica mais interessante, porque são pessoas que conhecem até onde cada um pode ir e o que de errado cada um fez para impedir o outro de alcançar seus objetivos.
O título do episódio Game Day foi traduzido como Cartas Na Mesa por aqui, e nenhum outro poderia transmitir tão bem o que assistimos nessa hora de duração. Temos momentos tensos, nos quais as habilidades de manipulação e as resistências físicas das personagens se colocam diante de forças maiores, dos antagonistas da história, aqueles que em diversos momentos surgem apenas como aliados.
27. The Good Place, 03×09: “Janet(s)” (06/12/2018) [NBC]
Escrito por: Josh Siegal & Dylan Morgan // Dirigido por: Morgan Sackett

Por Victor Tourinho
The Good Place, na maturidade de sua terceira temporada, vem se tornando uma comédia obrigatória para todos os públicos, tamanha é a inteligência de seu roteiro, a originalidade de sua premissa e o talento de seu corpo de atores, formado inclusive pelos renomados Kristen Bell e Ted Danson, indicados aos mais diversos prêmios. No entanto, no sensacional Janet(s), quem rouba a cena é D’arcy Carden, a maravilhosa Janet, em uma performance digna de arrebatar ao menos uma indicação ao Emmy, tanto para a série quanto para a atriz que se desdobra nos mais diversos papeis a fim de incorporar com precisão a versão “janetificada” dos quatro humanos que buscam tão incessantemente um espaço no famigerado lugar bom.
Elogiar a maestria de The Good Place é chover no molhado, afinal, desde seus primeiros episódios a série vem roubando as atenções com seu humor ácido, rápido e atual, sua discussão acerca do comportamento humano e questões profundas sobre filosofia, ética e moral – que em momento algum cai na exaustão – e, claro, suas mirabolantes reviravoltas que só fazem o público ficar perplexo e ansioso pelo o que está por vir. De fato, uma série sem defeitos e que merece estar na grade de qualquer um que se intitule seriador.
(Outros episódios: 03×04: “Jeremy Bearimy”, 03×08: “Don’t Let The Good Life Pass You By”.)
26. Mayans M.C., 01×07: “Cucaracha/K’uruch” (16/10/2018) [FX]
Escrito por: Elgin James // Dirigido por: Rachel Goldberg

Por Welson Oliveira
Chegamos a um dos mencionados spinoff da lista. No mesmo universo ficcional de Sons of Anarchy, série do FX que fez sete temporadas entre 2008 e 2014, Mayans M. C. estreou no mesmo canal em setembro para continuar a explorar outros lados dessa mitologia e seus temas para matar a saudade dos tantos fãs que ficaram quatro anos longe desse mundo. Não lidamos com as mesmas histórias, mas as de novas personagens, apresentadas em uma ótima premiere, que poderia facilmente estar por aqui.
Na seriedade conservada durante a apresentação de uma trama muito complexa e de personagens pouco maleáveis, mas muito bem escritos e atuados, a produção vai colocando seu protagonista cada vez mais dentro de situações bizarras e perigosas. Já no mencionado Perro/Oc, conseguimos fazer uma lista de possibilidades de sua jornada não dar muito certo e das coisas chegarem à tragédia.
Cucaracha/K’uruch faz algo prometido desde os primeiros minutos da estreia: coloca de frente as duas grandes forças enfrentando-se por linhas indiretas enquanto as personagens sofrem as decisões de ambos os lados. É tudo bem elaborado, de forma que podemos perdoar qualquer derrapada que tenha ficado muito marcada durante o caminho. O grande plano dos Rebeldes é revelado, e sua força é provada. Além disso, temos cenas que conseguem extrair momentos climáticos na história, mesmo quando se constroem a partir de “apenas” um diálogo. Carla Baratta, Danny Pino e Edward James Olmos são os protagonistas de tais cenas, prova definitiva de um cast bem escolhido.
Há, por fim, uma cena envolvendo uma banheira que é absolutamente terrível de se assistir. Tem exatamente o peso que precisava ter quando idealizada.
(Outros episódios: 01×01: “Perro/Oc”, 01×06: “Gato/Mis”.)
25. Trial & Error, 02×01: “Chapter 1: The Suitcase” (19/07/2018) [NBC]
Escrito por: Jeff Astrof // Dirigido por: Jeffrey Blitz

Por Welson Oliveira
Uma das minhas comédias favoritas deste ano, a segunda temporada de Trial & Error levou mais além o compromisso com o ridículo. Se a história anterior era consideravelmente pequena, dentro da cidade pequena, a nova mostrava a audácia da série em contar a história mais grandiosa que seus moldes anteriormente estabelecidos pudessem permitir. Assim, a acusada da vez, para o qual o time liderado por Josh Segal (Nicholas D’Agosto) prestaria defesa, é a mulher mais importante da cidade, cuja família dá o nome ao município.
Acusada de assassinar o marido, a mencionada Lavinia Peck-Foster (Kristin Chenoweth) não tem, como já é de se imaginar, o julgamento mais justo e normal da televisão. Fazendo juízes se retirarem e manipulando as personagens com os mais diversos meios, ela é uma das melhores personagens do ano, e Kristin tem uma das performances na comédia mais interessante de 2018. A atriz mostra sua grande experiência na televisão nesse papel, transitando entre os segredos e as reviravoltas da história como se estivesse brincando. E talvez esteja, porque todos os atores parecem estar se divertindo.
The Suitcase nos relembra, nos seus vinte minutos, como estávamos carentes dessa série e como será difícil não a ter em nossa grade este ano, por conta de um cancelamento que, no fundo, fica complicado compreender. Talvez não a decisão da emissora, mas como as pessoas não falaram a respeito desta série como ela merecia.
(Outros episódios: 02×06: “New Case, Old Murder”, 02×10: “Barcelona”.)
24. Kidding, 01×08: “Philliam” (28/10/2018) [Showtime]
Escrito por: Roberto Benabib // Dirigido por: Minkie Spiro

Por Welson Oliveira
Conversando com um amigo esses dias sobre a sequência de abertura de um episódio de Kidding, que eu jurava que tinha sido feita com cortes, e até insisti, deparo-me vendo um vídeo que mostra o making off do plano sequência e relembrando, semanas depois, como a série é sensacional. Estrelada por Jim Carrey, a história fala, estranhamente, sobre um apresentador de um programa infantil. Estranhamente porque não há nada de infantil sobre a história e como ela é exibida. Na verdade, os temas estão todos voltados à vida adulta, à frustração, ao amor e à loucura. Enquanto a personagem de Jim faz uma jornada pelo surto, vemos as formas mais inventivas de se contar essa crise, desde o mencionado plano sequência, passando pela metalinguagem da história e as narrativas não-lineares, entre outros.
Aqui separo aquele que mostra o quão melancólica é a história. Philliam é de difícil debate porque não joga com o que se espera de uma história assim. Ele fala sobre um criminoso e não o inocenta, mesmo que o deixe simpático. Há algo de errado e não dá para ignorar isso. O que dá é, talvez, contornar o fato quando favores são pedidos e, no fim das contas, ser uma boa. pessoa está acima dos julgamentos morais e interesses comerciais que o programa requer. Assim, Jeff, personagem de Jim Carrey, toma diversas decisões esperadas, mas angustiantes, que costuram momentos que vimos anteriormente e fazem um bom retrocesso para que entendamos, de uma vez, como está sua cabeça e o quão sério é seu caso.
(Outros episódios: 01×03: Every Pain Needs a Name, 01×06: “The Cookie”, 01×10: “Some Day”.)
23. Assédio, 01×05: “Daiane” (21/09/2018) [Globoplay]
Escrito por: Maria Camargo, Bianca Ramoneda, Fernando Rebello e Pedro de Barros // Dirigido por: Amora Mautner, Joana Jabace e Guto Arruda Botelho

Por Welson Oliveira
Há de se reconhecer, sim, toda a grande produção norte-americana no que diz respeito à forma como se obtém a reação e a relação com o público. Às vezes o que não se percebe, entretanto, é que os mesmos efeitos e discussões estão disponíveis e podem ser acessados por séries daqui mesmo e que levantam debates nos mesmos parâmetros. Explico: durante minha maratona de Assédio, não pude não lembrar de The Handmaid’s Tale e o caminho entre a crueldade e a necessidade de reportar um assunto ainda tão ausente, mas ainda tão urgente na televisão. Mesmo em universos, fórmulas e mesmo gêneros diferentes, as duas séries tocam na problemática feminina do ponto de vista das mulheres, de suas dores e do trauma que é, no fim das contas, ser uma mulher nessa sociedade. A série da Hulu, assistimos e comentamos, mas e as nossas? Já colocamos Assédio para circular por aí?
Muitos episódios poderiam ser colocados aqui, mas fico com este, no qual há um contato muito direto entre a constante religiosidade do antagonista, desde visualmente, até seu discurso, seus atos. Num país que se crê ainda dentro dos princípios cristãos, é importante e muito verdadeiro que o antagonista da série se revista dessas falas para argumentar sobre si. Faz isso, ainda, não como representante do grande mal, mas como alguém que sequer enxerga onde está errando. Se aqui fora está cada vez mais difícil que pessoas que cometem assédio se responsabilizem e assumam a crueldade e a covardia do ato, na série não poderíamos ter outra coisa.
Assim como os momentos mais angustiantes e desesperançosos de Tale, Assédio tem momentos tenebrosos. Desde maridos que não compreendem o trauma das esposas, passando por todas as diversas consequências que as mulheres da história sofrem. Disponibilizada inteira, a maratona de Assédio se mostra difícil nisso, mas nunca fraca ou covarde. A série tem um bom investimento em seu elenco e história, de modo que as atrizes e o enredo fazem um bom caminho para solucionar as problemáticas que criam — nunca fantasiosos demais, porque é baseada em fatos reais, e a resolução do caso na vida real é deprimente.
Triste, mas talvez porque precise ser triste, Assédio é forte, talvez porque também precise ser forte. A certeza, então, é de que, além de uma recomendação, é uma dos grandes programas produzidos por aqui.
22. Narcos: México, 01×05: “The Colombian Connection” (16/11/2018) [Netflix]
Escrito por: Andy Black // Dirigido por: Amat Escalante

Por Victor Tourinho
Com Narcos, a Netflix passou a trilhar um caminho bem sucedido de produções baseadas em fatos, sendo este primeiro passo ambientado em terras colombianas, na ambiciosa empreitada de Pablo Escobar de se tornar um dos traficantes mais ricos e famosos do mundo. E mesmo após contada a história de Escobar, a série não se deu por vencida, abordando a guerra contra o perigoso Cartel de Cali em sua terceira temporada, e, mais recentemente, dando luz à um spin-off que muda o seu foco da série-mãe, mas não sua essência. Agora temos México, milhares de hectares de maconha e um grande esquema de tráfico comandado por outro nome que se tornaria famoso nos noticiários: Miguel Félix Gallado.
The Colombian Connection trata de um dos capítulos mais emblemáticos na meteórica ascensão de Gallado, que passou a sentir que apenas a maconha não era produto suficiente para que as engrenagens de seu negócio continuassem girando, e para isto, viajou até a Colômbia a fim de uma parceria com o melhor do ramo – exatamente quem você deve estar imaginando. Sendo assim, Narcos: México traz um poderoso crossover com a produção original, resgatando personagens marcantes e amarrando o sangrento e implacável universo do tráfico de drogas que envenena até os dias atuais toda a América. Em suma, uma ótima pedida para quem gosta de encarar a realidade mesmo em uma hora de entretenimento. Narcos, em suas duas espécies, é visceral, angustiante, e perturbadoramente real.
(Outros episódios: 01×07: “Jefe de Jefes”, 01×09: “881 Lope de Veja”.)
21. Succession, 01×06: “Which Side Are You On?” (08/07/2018) [HBO]
Escrito por: Susan Soon He Stanton // Dirigido por: Andrij Parekh

Por Welson Oliveira
Succession pode aparecer na nossa lista apadrinhada por muita gente, mas surpreendendo a muitos outros. Isso porque a recepção do público, pelo menos na internet, não foi tão carinhosa quanto em outras produções da HBO. Talvez porque, depois da primeira hora do episódio piloto, há sim, uma confusão sobre aquilo que se esperava do programa e aquilo que ele realmente trouxe. Longe de um drama sério, empolgado em nos fazer torcer e criarmos laços com as personagens, a série usa todos os recursos possíveis para o contrário — mais um contrário que resulta em uma série, no mínimo, divertida de assistir.
Nesse caso, antes que você corra para conferir essa recomendação, sim, sublinhada, vou dar alguns avisos. Em primeiro lugar, ela foi criada por um comediante. Ele já, inclusive, escreveu roteiro para Veep. Então, de preferência, vá assistir pensando no jogo com as câmeras, na construção das personagens e na exploração de suas vidas ridículas que é feita em Veep — que é uma série que a gente ama, mas cujas personagens são simplesmente deploráveis. Aqui não temos, portanto, um grande drama existencial sobre uma família desmoronando, mesmo que podre de rica.
Succession, defino, é uma sátira ao que hoje chamamos de white people problems — temos até sequências das personagens escovando os dentes embaixo do chuveiro caro com sua escova elétrica, super cara e tecnológica. Os irmão retratados na história são mimados e vivem em um planeta totalmente diferente do público, porque são filhos de um bilionário. É por esse motivo que eles chegam ao hospital pedindo para falar com todo mundo, exigindo que o nome tenha peso no salvamento de uma vida, o que não deixa de ser verdade, e contratam especialistas para vir de onde quer que eles estejam só para ouvir a opinião do médico local. São pessoas detestáveis, e a série quer que você as deteste. Ou melhor: que você sinta pena delas.
Um dos princípios da comédia é esse: rebaixar a pessoa retratada para que o público, de forma superior, ache graça no constrangimento alheio. É muito fácil fazer isso com os pobres, seus apertos e seus conflitos, assim como geeks, pessoas desajeitadas, as que a sociedade consideram “feias”, entre outros tipo. Mas como tirar sarro de rico? Eles não têm esses problemas gerais, eles estão acima de muita coisa. É com esse comprometimento que Succession aborda suas personagens. Se a série consegue te deixar superior a elas e cumprir isso, só assistindo para saber. Mas é preciso deixar claro que o objetivo dela não é te fazer torcer para o filho caçula e sua covardia ou sentir pena do homem velho que está perdendo o legado para os filhos.
O episódio selecionado (o ótimo primeiro, Celebration, foi ao ar no primeiro semestre) é o clímax da temporada, quando o confronto entre pai e filho que assistimos desde o começo chega a seu auge. A desculpa de ambos é o bem da empresa, muito além, pelo que dizem, dos jogos que envolvem a aprovação de um pelo outro. Na verdade, mesmo que envolvam outras pessoas, a trama se resume a esse embate e as consequências dele. Um pouco longe da comédia que é a grande sacada da série, temos momentos de tensão e um desfecho que nos prepara para o final da temporada. Talvez, então, a torcida se estabeleça e não fiquemos tão apáticos.
> SEINFELD, dica de comédia imperdível!
Succession foi, provavelmente, a série que mais me fez gargalhar dessa lista — ao lado de Trial & Error talvez. Vale assistir, nem que seja para estranhar.
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Ficamos por aqui, mas com apenas duas listas faltando, já já encerramos. Ou seja, já falamos sobre oitenta séries diferentes! Eu imagino que as próximas séries são óbvias, mas espero que possa surpreendê-los de forma positiva. Você viu alguma dessas? Alguma apareceu muito cedo? The Good Place está em seu TOP 10? Você conferiu Assédio. Espero sua lista e suas considerações nos comentários.
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MAPA DA LISTA
Primeiro Semestre:
[50-41] [40-31] [30-21] [20-11] [10-01]
Segundo Semestre:
[50-41] [40-31] [30-21] [20-11] [10-01]
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Outros especiais:
Há vinte anos estávamos no Óscar
Os Melhores Episódios de Horror de 2018
As Melhores Personagens do Ano Parte I
As Melhores Personagens do Ano Parte II
Uma Retrospectiva (Série) Maníaca, Parte I: Os Destaques
Uma Retrospectiva (Série) Maníaca, Parte II: Marcos e Polêmicas
















