Retornamos. Dessa vez com os episódios exibidos entre julho e dezembro de 2018, temos mais cinquenta séries sobre as quais conversar. Algumas séries atravessaram os dois semestres porque a temporada terminou depois de julho; outras são exibidas nos dois semestres porque fazem parte da fall season. Ou seja, têm uma temporada acabando no começo do ano e outra começando em setembro-outubro. Nesses dois casos, essas séries podem aparecer por aqui e compensar a estranha ausência nas outras listas. 

Como conversamos sobre as regras há algumas semanas, vale relembrar:  

Apenas um episódio por série; qualquer programa e gênero podem participar, roteirizados ou não, desde que possam ser considerados séries de tevê; será considerada a data em que o episódio foi ao ar na emissora de origem, no país de origem. 

Nas maratonas de férias, percebi que diversas personagens interessantes ficaram de fora nas duas partes da minha lista de melhores do ano. Fiquei muito tentado a fazer uma terceira parte daquela lista, mas talvez seja melhor que a emenda seja feita por aqui, na nossa conversa sobre as melhores séries e episódios do ano.  

Nessa segunda parte, entre os cinquenta episódios escolhidos, temos produções de diversos países, muitas animações, muitas produções brasileiras e mesmo séries não ficcionais — na verdade só uma —, diversos serviços de streaming e modelos. No fim, torna-se uma longa lista recomendações. 

Lembrando que não temos spoilers nos textos dessa lista, aqui continuamos com os 100 melhores episódios de 2018: 

50. Ilha de Ferro, 01×03: “O Labirinto” (14/11/2018) [Globoplay]

Escrito por: Max Mallmann e Adriana Lunardi // Dirigido por: Afonso Poyart, Roberta Richard e Guga Sander 

Ilha de Ferro.

Por Welson Oliveira

Começamos com série brasileira, então começamos bem. Acredite ou não, mesmo o último lugar dessa lista foi muito disputado e tive que repensar diversas vezes antes de fechar de vez. Fiquei com Ilha de Ferro para inaugurar nossa segunda parte dos melhores do ano porque, no fim, a influência que a série exercerá sobre as séries que a sucederem é enorme. Essa é uma das características para se manter por aqui no ranking, porque, mais do que séries boas e bem-feitas, precisamos reconhecer aquelas que abrem caminhos para que a forma como a televisão é feita se altere. A série criada por Max Mallmann e Adriana Lunardi faz esse caminho. Com uma cena envolvendo um helicóptero já no primeiro episódio, percebemos o cuidado na produção, na fotografia e na direção do projeto. Não dá para deixar de celebrar isso por aqui. 

Parte do catálogo para os assinantes da Globoplay, Ilha de Ferro fez, portanto, uma estreia tímida que pode ter passado despercebida. Na história, acompanhamos o dia a dia de uma plataforma petrolífera, seus empregados e a vida pessoal deles. Para o terceiro episódio, sublinhado por aqui, há uma ordem de prisão voltada a um membro da equipe. Decidindo não se entregar, ele se esconde dentro do verdadeiro labirinto que é a plataforma e começa um plano de sabotagem que coloca a vida de todos em risco. Para piorar a situação, uma tempestade ameaça deixá-los abandonados. Bem conduzido, o episódio tem bons momentos de tensão, constrói uma tempestade crível e dá aos atores a oportunidade de se aventurar dentro do drama da situação, passando pelo desgaste e pelo medo na conhecida saga do sobrevivente. 

Se há um problema com as personagens, não há com a produção e fica aqui todos os aplausos que um projeto comprometido com o experimento merece. 

 

49. The Sinner, 02×01: “Part I (Season Premiere)” (01/08/2018) [USA Network] 

Escrito por: Antonio Campos // Dirigido por: Derek Simonds 

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The Sinner.

Por Victor Tourinho

Após uma surpreendente primeira temporada, The Sinner, originalmente tratada como minissérie e renovada graças ao seu sucesso – assim como tantos outros exemplos que vimos ultimamente – retorna com um mistério inédito, com o detetive Ambrose (Bill Pullman) agora incumbido de solucionar o intrigante crime cometido por um adolescente. Sem qualquer razão aparente, o jovem Julian mata os pais ao lhes dar um chá com uma letal planta. É apenas o início de uma intricada investigação que revela muito mais do que nos atrevemos a imaginar logo quando nos é apresentado uma família aparentemente normal em uma viagem para as Cataratas. 

The Sinner não inventa a roda, afinal produções com investigação criminal pipocam quase que semanalmente no cinema e tv, mas sai na frente por deixar claro, desde o começo, seu assassino, aparentemente normal, mas refém de uma série de traumas, distúrbios e experiências perturbadoras que vão sendo revelados ao longo do caminho cheio de curvas que a série propõe. Afinal, ninguém é o que diz ser, e nada é o que parece. Assim sendo, tal como sua história inaugural com a atormentada Cora Tanneti (Jessica Biel), The Sinner nos convida para conhecer Julian (Elisha Henig) e todos os seus demônios. E, uma vez apertado o play no primeiro episódio desta nova leva, torna-se impossível parar de acompanhar essa história que episódio a episódio mergulha cada vez mais em um mundo de relações devastadas, sonhos perdidos, culpa, e, como não poderia deixar de ser, muitos pecados. 

(Outros episódios: 02×04: “Part IV”, 02×07: “Part VII”.) 

 

48. Mr Mercedes, 02×07: “Fell on Black Days” (03/10/2018) [Audience] 

Escrito por: Samantha Stratton, Mike Batistick e Dennis Lehane //  Dirigido por: Jack Bender 

Mr Mercedes.

 Por Welson Oliveira

Em 2017, Mr Mercedes teve um Piloto tão interessante que foi parar lá na nossa lista de melhores episódios de horror do ano (2016-2017). Na segunda temporada, não foi diferente e seu retorno marcou presença, novamente, na lista do ano seguinte (2017-2018). Assim, a adaptação do livro de Stephen King não é tão estranha a nossos rankings. Aqui aparece novamente para celebrar a capacidade dos roteiristas de conseguirem criar uma história crível que poderia facilmente cair para o sobrenatural e nos perder no caminho. Mr Mercedes até faz um pouco disso, mas se apoia na ciência para não perder seu equilíbrio.  

O sétimo episódio está por aqui, basicamente, porque é uma ótima construção de tensão. Depois de consolidar uma empatia muito firme entre o público e as poucas personagens, algo que falha em Ilha de Ferro, por exemplo, e a deixa atrás no ranking, a produção da Audience decide colocá-las em perigo. Antes disso, nos episódios anteriores, as regras foram estabelecidas: sabemos o que Brady (Harry Treadaway) pode fazer e como pode fazer. Provas são dadas durante a temporada, no ritmo ainda estranho da série, das maldades e da falta de limites dele. Assim, não seria difícil que nossas queridas personagens caíssem em suas garras e de lá não voltassem. É assim que temos uma sequência que brinca e manipula o público — e, cá entre nós, se uma série consegue te trazer o desconforto de te fazer sentir medo por alguém para depois gargalhar ao ir por outro caminho, ela está fazendo um bom trabalho. 

Mr Mercedes volta para sua terceira temporada e não será surpresa se aparecer por aqui, novamente, quando recapitularmos os episódios de 2019. 

(Outros episódios: 02×01: “Missed You”, 02×05: “Ándale”.) 

 

47. Steven Universe, 05×23-24: “Reunited” (06/07/2018) [Cartoon Network]

Escrito por: Miki Brewster, Jeff Liu, Katie Mitroff e Paul Villeco //  Dirigido por: Joe Johnston e Liz Artinian (arte)

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Steven Universe.

Por Vitor Souza

Eu sou um romântico por natureza (ao menos na teoria). Cresci assistindo comédias românticas com minha mãe e, como um bom pisciano, idealizando o momento em que, como em um filme, meu olhar também cruzaria o da mulher da minha vida e eu viveria uma épica história de amor. A puberdade chegou e com ela a realização de que não eram as meninas que me chamavam atenção. Eu não entendia direito o que estava acontecendo, mas ao mesmo tempo sabia que não era “normal” e precisava esconder. Me sentia uma aberração. 

Toda aquela idealização infantil foi quebrada. Afinal, não conhecia ninguém gay. Claro que ouvia falar de pessoas assim, porém era como escutar lendas urbanas. Não tinha nenhuma referência, o que me impedia de alimentar esperanças de que um relacionamento estável entre duas pessoas do mesmo sexo fosse possível. 

Sei que há inúmeras histórias semelhantes à minha. Por isso que representatividade não só importa, como é fundamental. Trata-se de dar visibilidade a camadas marginalizadas da sociedade. Não há como explicar racionalmente o que significa para alguém descobrir que sua luta não é apenas sua e que também merece amor. É esse sentimento de pertencimento que Steven Universo proporciona. O desenho como um todo é um grande show de representatividade, mas Reunited fez história por retratar pela primeira vez em uma animação infantil um casamento lésbico. Tudo apresentado da forma mais orgânica possível, mostrando para as crianças – e adultos – que o amor não é apenas a força mais poderosa do universo, como também não discrimina gênero, cor ou cultura. 

Entretanto, não é apenas por este marco que Reunited merece estar na lista de melhores episódios do ano. Rebecca Sugar, criadora da série, passou anos trabalhando no episódio, e é perceptível o cuidado com os detalhes. Chegamos ao clímax da mitologia da gems desenvolvida em cinco temporadas e ele vem desafiando expectativas. O episódio começa com Steven e seus amigos buscando uma fuga da realidade, tentando esquecer uma ameaça iminente e a dor de segredos revelados em episódios anteriores. Assim, o espectador é conduzido a relaxar com o clima descontraído do casamento de duas personagens queridas, o que aumenta o choque quando algo temido pelos fãs da série acontece. O roteiro não deixa de surpreender ainda com o modo que tal conflito é solucionado. São 20 minutos que evocam uma profusão de emoções. 

Como eu queria que na minha infância também houvesse um desenho que ensinasse a importância das diferenças e de ser vulnerável; que você não precisa ser forte e másculo para ser um herói; que ensinasse que os conflitos podem ser resolvidos com empatia – e não violência – e que amor é amor. Simples assim. Teria sofrido bem menos com conflitos internos. Obrigado, Rebbeca Sugar. Eu te venero!

 

46. Doctor Who, 11×01: “The Woman Who Fell to Earth (Season Premiere)” (07/10/2018) [BBC One] 

Escrito por: Chris Chibnall // Dirigido por: Jamie Childs

Sharon D. Clarke, Bradley Walsh, Jodie Whittaker, Tosin Cole, and Mandip Gill in Doctor Who (2005)
Doctor Who.

Por Jeferson Rodrigues

O ano de 2018 trouxe para Doctor Who um dos maiores desafios que a série já precisou enfrentar desde o seu renascimento no ano de 2005. O sentimento de desconfiança que tomou conta de boa parte do fandom devido ao anúncio de que Chris Chibnall assumiria o posto de showrunner trouxe à tona uma série de comentários duvidosos e até agressivos sobre as escolhas e mudanças que ele estava trazendo para o show. A grande maioria desses comentários possuía um alvo muito claro: a escalação de Jodie Whittaker para o papel-título.

Para muitas pessoas era impensável (e até mesmo ultrajante) que uma mulher assumisse um papel tão icônico e que, até então, só havia sido interpretado por homens. E em uma série que sempre teve a metamorfose como fio condutor e como fator responsável pela sua longevidade era, no mínimo, estranho acompanhar esse tipo de comportamento vindo dos fãs. Diante disso, Chibnall e sua equipe precisavam provar para essa parcela de pessoas que as novas escolhas vieram para acrescentar ainda mais conteúdo para o rico e vasto universo do show. 

The Woman Who Fell to Earth é um passo em direção ao novo, com uma fotografia, direção e trilha sonora de encher os olhos e os ouvidos, mas é ainda mais marcante pela coragem de dar uma nova roupagem ao seu lendário protagonista, entregando uma leitura totalmente necessária e defendida com paixão, vigor e extrema competência por uma Jodie Whittaker talentosa e muito carismática, provando que as críticas ao seu (futuro) desempenho eram totalmente infundadas. O episódio ainda abraça a pluralidade humana ao entregar um elenco de coadjuvantes que foge do padrão “jovem branco”, mostrando que a série está disposta a refletir de forma cada vez mais precisa a sociedade atual. Não existe um discurso panfletário, tudo está colocado de forma orgânica e consciente. Afinal, não há nada mais natural que uma série como Doctor Who, que possui mais de cinquenta anos de história, evolua e ecoe as vozes daqueles que a acompanham. 

(Outros episódios: 11×03: Rosa e 11×06: Demons Of The Punjab)

 

45. Samantha!, 01×04: “Episódio 4” (06/07/2018) [Netflix] 

Escrito por: Roberto Vitorino, Patricia Corso, Filipe Valerim Serra e Rafael Lessa // Dirigido por: Julia Jordão

Samantha. Desculpa, quis dizer, Samantha!

Por Vera Tocantins

O filósofo e sociólogo polonês Zygmunt Bauman afirma em uma de suas frases mais icônicas que “as relações escorrem entre os dedos”, ou seja, vivemos tempos líquidos, nada foi feito para durar, desde os equipamentos até as relações, tudo tem um prazo muito curto de validade. Bauman, defende categoricamente a tese da sociedade líquida. A palavra ‘líquida’, nesse caso, é usada no sentido de que as relações, com o passar do tempo, estão ficando cada vez mais superficiais e o contato entre as pessoas é cada vez menor ou quase inexistente. Mesmo assim, insistimos em chamar essas pessoas de amigas, quando na verdade não passam de contatos ou seguidores, gerando laços potencialmente frágeis e vínculos que podem ser quebrados/desfeitos com apenas um clique. 

Em minha opinião o melhor episódio da temporada de estreia da série brasileira Samantha! é o 1×04, em que a protagonista trava um embate com a temperamental influencer Laila, interpretada pela maravilhosa Lorena Comparato, que usa a Internet para ser famosa, conseguir seguidores e patrocinadores. Samantha! (Emanuelle Araújo) faz uma rápida retrospectiva e percebe que, guardadas as devidas proporções, ela fazia, em sua época, o mesmo que Laila faz atualmente, só que através de mídias diferenciadas. Ambas, Samantha! e Laila, estabeleciam/estabelecem as chamadas relações líquidas com os seus ‘amigos’ (seguidores) através da manipulação da informação. Laila é uma jovem digital influencer com quatro milhões de seguidores no Instagram que, por via de regra, não faz praticamente nada de relevante: ela não sabe cantar, não sabe dançar, não é atriz e não domina nenhuma habilidade específica. Contudo, sabe como lançar tendência e ditar regras de comportamento social a partir de vídeos instantâneos, tal qual a própria Samantha! fazia quando era uma criança: não só pedia mimos aos fãs, como recebia até mechas de cabelo de outras crianças em envelopes de cartinhas em seu programa televisivo. 

A premissa do episódio é aparentemente simples: em um encontro casual, Laila se envolve com Dodói (Douglas Silva), pai dos filhos de Samantha!, e vai parar na casa da musa decadente, mudando a rotina ao atrair a atenção dos paparazzo para a casa da antiga estrela mirim. Samantha!, fingindo que estava em Paris, não pode ser vista ao lado da influencer. O que parecia ser apenas um embate entre a antiga e a nova geração de celebridades instantâneas, transforma-se me um soberbo episódio que abre um bom debate sobre o alcance e o poder da mídia; sobre as relações duradouras ou não; sobre o sucesso a todo custo, as chamadas relações líquidas e sobre a manipulação da informação e da imagem somente para conseguir likes e seguidores. Para abrilhantar o episódio ainda tivemos a participação mais que especial da musa Gretchen tentando alavancar a carreira de Samantha! 

(Outros episódios: 01×01: “Episódio 1”, 01×05: “Episódio 5”.)

 

44. American Vandal, 02×01: “The Brownout (Season Premiere)” (14/09/2018) [Netflix] 

Escrito por: Tony Yacenda e Dan Perrault // Dirigido por: Tony Yacenda

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American Vandal.

Por Welson Oliveira

Na segunda e, por enquanto, última temporada de American Vandal, ganhamos um caso diferente para ser investigado por Peter (Tyler Alvarez) e Sam (Griffin Gluck). Dessa vez, lidamos com alguém que resolveu colocar laxante na limonada de um colégio católico e, dessa forma, deixar os colegas de escola desesperados, correndo pelos corredores, procurando qualquer lugar para se aliviar. Sim, é nesse nível, e a coisa só piora. A autoria dos ataques (o mencionado foi apenas o primeiro) foi reclamada por “Merdolino”, na tradução de “Turd Burglar” por aqui. A polícia é chamada, diversos jovens são investigados e acabamos com um suspeito principal, logo responsabilizado por tudo. Nossos investigadores são chamados quando uma ex-amiga do acusado não acredita que a investigação tenha sido conduzida de maneira justa. A partir daí, acompanhamos essa jornada divertida, perfeita para ser aquela série que separamos para a hora do almoço. 

A temporada conta com diversas reviravoltas, muitos momentos absurdos e ridículos, nos quais o elenco se compromete às coisas mais bizarras imagináveis. É nessa seriedade toda, dentro da seriedade que é a própria vida adolescente, que vemos a grande força no humor da produção. É uma comédia que faz esforço para parecer desajeitada e exagerada. Aqui, jogamos com o grotesco, com a comédia que recorre à escatologia, mas sempre com um propósito por trás — nem que este seja nos fazer pausar para rir ou tentar entender o que acabamos de ver.  

Algumas coisas são previsíveis, principalmente a última revelação, mas nada que prejudique a experiência. Afinal, as personagens passam por diversos aprendizados, terminando em uma nota positiva que não deixa a comédia se permitir fugir de seu público. Dos bons momentos que eu poderia mencionar aqui, a seriedade e absurdo do começo, principalmente as cenas gráficas demais, repulsivas demais, são o motivo para separar o primeiro episódio — mas admito que há diversos que assumiriam esta posição.  

(Outros episódios: 02×03: “Leaving a Mark”, 02×07: “Sh*t Storm”, 02×08: “The Dump”.) 

 

43. Atypical, 02×10: “ErnestShackleton’s Rules for Survival (Season Finale)” (07/09/2018) [Netflix] 

Escrito por: Robia Rashid // Dirigido por: Ken Whittingham

Atypical.

Por Welson Oliveira

Pouco mais de um ano depois, a série que conquistou muita gente retornou maior para sua temporada, que estrou em setembro passado com dez episódios. Dessa vez, as consequências do final do ano anterior vieram para trazer turbulência à família Gardner. A principal vítima de tudo é Elsa (Jennifer Jason Leigh), mãe de nosso protagonista, que precisa sofrer a saga da mulher que erra e não tem direito ao perdão que o homem, em seu lugar, espera de imediato. Assim, a segunda temporada é uma saga de perdão e reconstrução dessa família, que precisa encontrar o amor em si para se entender e colocar os laços que a unem acima de tudo. 

No último episódio, temos a formatura de Sam (Keir Gilchrist). Há diversos momentos delicados e emocionantes entre os Gardners, mas também para Sam sozinho. Este enfrenta muitos desafios para se mostrar leal aos amigos, algo que responde ao companheirismo visto nos episódios anteriores. Atypical nem sempre consegue trazer as personagens para o público, mas em momentos de conquista e superação, não importa tanto se apenas vemos as personagens na distância que a televisão coloca. Há um triunfo compartilhado conosco, belo mesmo que à beira da breguice.

Tudo é coroado pelas atuações de Keir Gilchrist e Jennifer Jason Leigh, convincentes e poderosos em seus papéis. 

 

42. Mr Inbetween, 01×06: “Your Mum’s Got a Strongbox (Season Finale)” (09/10/2018) [FX] 

Escrito por: Scott Ryan // Dirigido por: Nash Edgerton

Mr Inbetween.

Por Welson Oliveira

O canal FX aparece pela primeira vez na nossa lista com esta série australiana dramática, mas nem tanto. Com episódios curtos, passando pouco dos vinte minutos, e uma temporada também curta, de apenas seis episódios, seguimos um anti-herói, desses que já estamos ficando acostumados na televisão. Basicamente, temos esse homem (Ray) que se equilibra entre as tarefas como pai, irmão, namorado, amigo e seu trabalho — assassino de aluguel. A graça da produção está no texto que muitas vezes se torna uma comédia de erros, lembrando a colega de canal, Fargo. 

O ator Scott Ryan assume a tarefa de protagonizar a história, e não poderíamos contar com uma escolha melhor. Não é à toa que aqui ele revive a personagem do filme de 2005 no qual a série é baseada, também estrelado por ele. Ray passa por diversas situações de terror e perigo, na qual as coisas não dão certo (e não dão certo de um modo desastroso), mas sem perder a personalidade firme.  

É estranho que estejamos dando tanto foco para personagens como ele, mas já que estamos, podemos começar algumas conversas sobre essas pessoas, refletindo as noções de certo e errado também presentes em quem faz “coisas erradas”. Há um senso de moral e ética em seu trabalho, além de uma lealdade elogiável aos amigos. Pessoas não são simples personificações de seres “do bem” ou “do mal”, e a série trabalha bem isso.  

No episódio escolhido, para fechar a curta temporada, temos Ray lidando com um problema do qual não sabemos direito como e se irá escapar. A inteligência dele o auxilia, mas todo o resto parece não cooperar. Temos bons diálogos, boas participações e personagens bem-vindos dentro da trajetória de nosso protagonista. O roteiro e a personagem guardam um segredo e, quando ele é revelado, não podemos não aplaudir a esperteza de ambos. 

(Outros episódios: 01×03: “Captain Obvious”.)

 

 41. 9-1-1, 02×09: “Hen Begins” (19/11/2018) [FOX]

Escrito por: Aristotle Kousakis // Dirigido por: Jennifer Lynch 

9-1-1.

Por Welson Oliveira

Se não estiver muito enganado, este é o único procedural desta lista do segundo semestre. 9-1-1 fecha nossa primeira dezena, portanto, com muito mérito. A série co-criada por Ryan Murphy, que aliás teve um ano agitadíssimo, estreou em janeiro, fechou sua temporada em março e retornou meses depois para sua segunda. Não dava para não a guardar para esse momento, no entanto, escolhendo Hen Begins como o episódio para representá-la. Temos alguns casos durante o episódio, mas o maior foco é na construção de Hen (Aisha Hinds) como a socorrista que conhecemos. Descontente com o trabalho anterior, ela decide ir aonde acredita que está a felicidade, aonde acha que fará diferença.  

O episódio tem uma estrutura quase clássica, faz acenos para histórias que sabemos onde terminam e como são contadas, mas guarda em si boas surpresas, que nos tornam mais otimistas mesmo diante de uma realidade cruel. Hen passa por muita coisa, mas isso só ajuda a personagem a se reafirmar dentro de suas convicções e a ganhar o público. Dona de discursos fortes, ela também é uma mulher de ação e se prova no gesto, combinando sua inteligência com o que fora aprendido no treinamento.  

> OSCAR MELHOR FILME! Como o Vencedor é Escolhido?

Hen Begins não é só interessante por dar protagonismo a histórias negligenciadas por muito tempo, mas por saber fazer isso. O roteiro constrói alguém por quem podemos torcer e em quem reconhecemos a felicidade, por mais distantes que estejamos de sua pele. É, no fim das contas, não apenas um episódio melancólico que reflete as dificuldades da mulher negra em um ambiente predominado por homens brancos, mas inspirador, cativante e vibrante. É um episódio bonito. 

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Ficamos por aqui por enquanto. Fica o convite, novamente, para que deixem seus tops nos comentários e suas opiniões sobre essas dez séries mencionadas. Alguma apareceu cedo demais? Estaria Atypical em seu TOP? Você conseguiu conferir Ilha de Ferro? Você viu que fantástica aquela cena do helicóptero, aliás? E para os próximos, quem você acha que vem por aí? Quais séries brasileiras deveriam marcar presença por aqui? Qual o único programa não-ficcional teremos daqui a pouco? 

Vale relembrar que as capas lindas do TOP 100 foram feitas pelo André Zuil. Fica novamente meu agradecimento. Agradeço também aos generosos colegas do SM que aceitaram contribuir para o ranking, defendendo os episódios mencionados. 

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MAPA DA LISTA

Primeiro Semestre:

[50-41] [40-31] [30-21] [20-11] [10-01]

Segundo Semestre:

[50-41] [40-31] [30-21] [20-11] [10-01]

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Outros especiais:

Os Melhores Episódios de Horror de 2018

As Melhores Personagens do Ano Parte I

As Melhores Personagens do Ano Parte II

Uma Retrospectiva (Série) Maníaca, Parte I: Os Destaques

Uma Retrospectiva (Série) Maníaca, Parte II: Marcos e Polêmicas

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ps:

O atraso entre as listas se deu por problemas técnicos. Peço desculpas aos que ficaram esperando a continuação da lista. Os especiais e listas aqui do SM, no entanto, são feitos com o objetivo de criar um registro, um catálogo. Assim, a longo prazo, talvez o peso do atraso desapareça e seja mais importante que tenhamos começado essa tradição este ano.

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Welson Oliveira
Ator e escritor. Fascinado por horror, literatura brasileira e conteúdo televisivo.