Em determinado ponto desse quinto episódio da 3ª temporada de Euphoria, um dos personagens fala pra Rue que ela é como alguém que leva desgraça pra todo lugar onde ela vai. É algo que pro público já tinha ficado evidente há muito tempo, tão evidente que nem o próprio roteiro pode ignorar esse fato.
Mas de tanto bater nessa tecla, toda a trama principal da série acabou ficando enfadonha. E This Little Piggy comprova que o que funciona nesse deslocado terceiro ano são as tramas dos personagens coadjuvantes.
Ok, não foram várias tramas, o foco foi claramente em Cassie Howard e sua ascensão para o “estrelato”, mas esse norte narrativo combinou várias outras linhas de desenvolvimento de maneira satisfatória, mostrando um pouco mais de qualidade em comparação ao que foi apresentado na semana passada, por exemplo.
Como já foi bem estabelecido pela série, Cassie é uma personagem que tem uma necessidade patológica pela aprovação alheia. Não importa como seja, ela precisa ser admirada e receber atenção. Ao enveredar no Onlyfans ela se viu na posição extrema de receber essa atenção o tempo todo, só que de uma maneira completamente descontrolada e tóxica.

E isso acaba transformando ela numa espécie de “monstro” (na inspirada sequência inicial da série), repleta de egoísmo e se alimentando desse assédio constante que ela interpreta como devoção. Mas ao mesmo tempo que ela começa a almejar o que tanto queria, ela também vai ficando presa na teia de outros.
De um lado temos Nate, que como previsto em reviews anteriores agora utiliza a mulher como arrimo pra manter um estilo de vida que ele nunca teve como sustentar. Antes ciumento pela posição da mulher, agora ele não só incentiva, mas quase agencia de certa maneira a exploração e humilhação dela.

Se Nate faz isso de maneira “velada”, Maddie faz isso na cara dura. É evidente que ela carrega rancor contra sua antiga amiga e viu na fragilidade e na oportunidade a chance não só de se vingar, ao humilhar sua antiga rival, como também ter lucro em cima disso.
O caminho, contudo, acaba se unindo com o de Alamo Brown, que vê na jovem uma maneira de expandir ainda mais o seus lucros na exploração das mulheres de seu bordel.
Falando em Bordel, o que foi citado no começo da review fica evidente no caminho percorrido por Rue nesse episódio. Ela é como se fosse um veneno que corroi tudo por onde passa, foi assim com a sua vida família, foi assim com suas amizades (ainda que existentes), foi assim com Laurie, está sendo com Alamo e agora com Jules. Não que ela já não tivesse sido tóxica com a antiga namorada, mas ao se infiltrar novamente na vida dela, Rue começa a atrapalhar as outras relações de Jules, incluindo aí a de sugar baby.

Mesmo que tudo indique um destino escabroso pra personagem, duvido muito que Rue morra aqui. Falta a Sam Levinson a coragem de se livrar de Rue como âncora para a desgraça que ele gosta tanto de explorar. Ele é como ela no final das contas, como um veneno que destrói tudo por onde passa. Mais cedo ou mais tarde.












