Ao viajar de ônibus e perceber os tablets no colo ou os smartphones nas mãos reproduzindo episódios baixados na graça do Wi-Fi, reaprendemos algo que nós, que conversamos por aqui durante o ano inteiro, já sabemos: nossa relação com as séries de tevê está mudando; assim como nossa interação, nossa necessidade de suas companhias. Se os leitores psicólogos me perdoarem a ousadia, vejo na televisão quase uma sessão de psicodrama. Isto é, vamos atrás daquilo que nos toca e reagimos pelas redes sociais no ímpeto que se espera quando o problema é de fato nosso. E essa necessidade de querer se ver na tela, cada vez mais urgente, tem justificado a febre comportamental, essa quase irracionalidade nas discussões e nas exigências voltadas aos serviços e canais de tevê.
Destacar isso sem exemplos, sem fatos, parece apenas alguém refletindo sobre uma de suas principais paixões. Sendo assim, nada melhor do que aproveitarmos esse clima de pós-festa, de recomeço do eterno ciclo dezembro-janeiro para avaliarmos melhor como nossa sociedade ocidental (até onde nosso olho alcança) se comportou em relação à televisão nesse ano que passou. De total enigma ou desastre esclarecido, dois mil e dezoito foi um equívoco a muitos. Mesmo os que estão em dúvida sabem que algo aconteceu. O quê? Quem sabe um passeio pela televisão não nos ajude a identificar.
NOVAS MÍDIAS E FORMAS

Nos últimos respiros do ano, fomos alcançados pelo filme interativo derivado da série Black Mirror, Bandersnatch, que atravessou a virada rendendo conversas e acendendo teorias por aí. Se havia uma série capaz de modificar nossa experiência com conteúdo televiso, esta seria a série do inglês Charlie Brooker, a Twilight Zone de nossa época. Mas não só o telefilme dirigido por David Slade fez uma jornada destacável entre o que foi apresentado nos últimos meses:
Tivemos, lá em janeiro, a HBO estreando uma série derivada de um app. Neste, era possível escolher por qual ângulo se via os acontecimentos narrados. Com recepção favorável, Mosaic, estrelada por Sharon Stone investiga o assassinato de sua personagem, uma autora e ilustradora de livros infantis. Diferente da experiência proposta pela Netflix, na minissérie da tevê a cabo vemos tudo na edição dos realizadores, às vezes com ângulos que nos proporcionam a sensação de sermos testemunhas, mas nunca com o recurso de manipularmos, com o controle remoto, a situação.
Em março, a Eko, empresa voltada à tecnologia na produção de vídeos, começou a distribuir em seus aparelhos e aplicativos uma série chamada #WarGames que, em seis episódios, oferece uma experiência interativa aos telespectadores — algo como o app de Mosaic e o episódio de Black Mirror. A história segue um grupo de hackers, e quem assiste pode escolher o ponto de vista, mas não mexerá muito na narrativa, apenas em sua experiência dentro dela.

Essa aproximação me lembra da trajetória que Skam, série norueguesa, fez em seu país de origem. Não é difícil acreditar na criadora que afirmou, no momento de encerrar a série, que esta era um trabalho de vinte e quatro horas: isso porque os fãs iam acompanhando as redes sociais das personagens, montando com trechos de vídeos e mensagens o episódio que logo depois seria apresentado. A internet, então, foi o meio para que a série, hoje tão cultuada, alcançasse sua legião de fãs.
Fora da tela, temos ainda mais envolvimento, como ocorreu com a série The Good Place, que virou atração interativa pela NBC, que reproduziu parte da vizinhança da série na esperança de proporcionar uma experiência imersiva aos fãs da comédia. Não só a série, a Comic-Con de San Diego ofereceu aos fãs a oportunidade de passear por Buffy, Mr Mercedes, Cloak & Dagger, entre outras séries, com atividades relacionadas a criação de cenários, vídeo-games e galerias.
Se antes tínhamos livros sendo escritos para que os mais fanáticos continuassem a acompanhar as personagens e seu universo, agora temos os mais diversos tipos de mídia em desenvolvimento. Para exemplificar: foi criado um app que identifica aquilo que é um cachorro quente e aquilo que não o é. De onde saiu a ideia? A quarta temporada de Silicon Valley, que mostra o aplicativo em funcionamento.

Proporcionar aos telespectadores essa expansão de universo é incentivado há certo tempo. O Emmy, a maior premiação da televisão norte-americana voltada às séries e programas televisivos, possui categorias que celebram esse feito desde o começo dos anos dois mil. Em setembro tivemos a série Westworld vencendo uma das categorias por criar um site no qual é possível navegar pela história.
A interatividade não vai a lugar algum. É nela que aposta o Facebook Watch que começou a produzir conteúdo em 2018. Segundo os desenvolvedores, o objetivo será tornar o serviço um meio de comunicação e interação, em vez de mirar em prêmios e dramas prestigiados — se bem que Skam está aí para provar que dá para fazer ambos. A rede social deu alguns passos ao lançar The Tattoo Shop em março. O reality show segue a vida e o trabalho de tatuadores enquanto eles abrem um novo estúdio. São dois episódios apresentados por semana, sendo em um deles apresentado o quadro Mystery Tatto, no qual um cliente aceita uma tatuagem às cegas e a comunidade do Facebook fica responsável por decidir qual será o desenho (!).
O caminho para se tornar série de tevê tem se tornado dinâmico. Lore, por exemplo, série antológica e documental no estilo horror, foi de podcast para original da Amazon, tendo sua segunda temporada disponibilizada no último outubro. Mas esse não foi o único caso. Homecoming, uma das séries mais elogiadas de 2018, muito comentada meses antes de seu lançamento, passou pelo mesmo processo. Indo ao ar também na Amazon, o que mostra um flerte do serviço com essa mídia, o thriller psicológico é estrelado por Julia Roberts e está garantido para a segunda temporada. A Bravo, emissora da tevê a cabo do grupo NBCUniversal, seguiu o exemplo e transformou o podcast Dirty John em uma antologia cuja primeira temporada foi dividida em seis episódios e tem a atriz Connie Britton no elenco. Será que estamos revivendo a mesma transição que foi feita dos dramas de rádio que passaram para a televisão?

E o caminho contrário? Tivemos notícia disso lá em maio, quando foi anunciado que seria produzida uma série em áudio para dar continuação à The Class, divertida spinoff de Doctor Who que fez uma única temporada lá em 2016.
SPIN-OFFS

Já que esbarramos no assunto, por que não falar dos spin-offs do ano? Alguns deram muito certo, outros deram muito errado — e alguns tiveram que ser criados do nada quando uma polêmica envolveu a série-mãe. Para exemplo dos aclamados, podemos falar de The Good Fight que fez sua segunda temporada como a filha de The Good Wife (2009-2016) — e quem acompanha este site há alguns anos sabe que essa segunda é uma querida entre os membros. Sem fugir do clima político atual, a série sobre advogados tem os títulos dos episódios de seu novo ano nomeados com um dia do governo Trump, fazendo uma cobertura da loucura que se espalhou por lá. Há um episódio, inclusive, que explica não só a tensão nos Estados Unidos como manobras políticas que visualizamos por aqui — quem assistiu vai saber de qual episódio estou falando.
Bem elogiada (na minha opinião impecável), o segundo ano de The Good Fight se distancia da recepção de Mayans M.C., série derivada de Sons of Anarchy (2008-2014), ambas do FX. Os fãs abraçaram a continuação, mas os críticos ainda estão em dúvida sobre sua qualidade. O mesmo oposto foi visto ao percebermos que duas séries derivadas de filmes fizeram caminhos distintos: uma teve sua terceira temporada seguida de um cancelamento e a outra estreou na televisão. No primeiro caso, falamos de Ash Vs Evil Dead, que se despediu com o melhor episódio de horror do ano, que foi ao ar no final de abril. Ironicamente, no começo do mês seguinte ganhamos Cobra Kai, uma continuação direta à franquia The Karate Kid. Uma das boas surpresas do ano, aliás. Narcos também ganhou sua série paralela, Narcos: Mexico. Como o nome já deixa entender, a série muda de foco, mas isso não a impediu de ganhar elogios e mostrar uma elogiada consistência.

Pouca sorte teve os produtores de Supernatural ao investirem em outro spin-off, o que os levou a aceitar que talvez nunca consigam. Wayward Sisters, a última tentativa e que seria protagonizada por mulheres, sequer teve um Piloto que impressionasse os produtores e foi engavetada. O mesmo destino teve uma animação centrada em Deadpool,cujo roteiro seria assinado por Donald Glover, estrela da série-obra-de-arte Atlanta. Com o roteiro em desenvolvimento e até compartilhado na internet para rebater os rumores de que sua agenda lotada seria o grande motivo para a animação não ocorrer, não se sabe muito bem os motivos para que o projeto tenha sido interrompido.
A continuação de The Middle, série da ABC que teve nove temporadas e encerrou sua jornada este ano, foi interrompida passos a frente: no Piloto, assim como Wayward. A nova série seria centrada na vida adulta de Sue, personagem da (ótima) atriz Eden Sher — o que no fim, cá entre a gente, seria uma versão alternativa de Unbreakable Kimmy Schmidt. Os produtores no momento procuram outro canal para exibi-la. Com a mesma premissa, ganhamos Grown-ish na Freeform: a série também investiga o começo da vida adulta da filha de uma família. Esta, no entanto, recebeu o abraço da crítica e estreou há pouco sua segunda temporada.

Chegamos então ao caso mais emblemático do ano: o retorno de Roseanne. A atração dos anos noventa retornou para sua décima temporada depois de quase onze anos graças à onda da nostalgia que tem assolado os telespectadores — e muito aproveitada pelas produtoras. Os novos episódios, exibidos a partir de março, marcaram números fantásticos para a ABC. Para você ter uma ideia, a produção bateu a finale de The Walking Dead, gigante na audiência, e marcou os melhores números de uma sitcom em três anos. Não demorou para que fosse renovada. Tudo isso até um tweet racista.
A criadora, Roseanne Barr, enfrentou uma (merecida) repercussão negativa e teve sua série cancelada em pouco tempo — mesmo a antiga foi prejudicada, com alguns serviços avisando que a removeriam de seu catálogo. Para solucionar o problema, os produtores elaboraram The Conners, que é basicamente a mesma série, mas deixando a protagonista de lado. O esquema funcionou, pois a nova atração teve números sólidos e foi bem recebida, apontada aqui e ali como uma das surpresas do ano.
NOVIDADES

Nosso mundo da ficção, onde passamos tantas horas (ou dias ou semanas) em 2018 sofreu diversas mudanças, principalmente em séries veteranas. Nos primeiros dias do ano fomos noticiados que Gillian Anderson está pouco interessada em voltar para Arquivo X após a décima primeira temporada, exibida entre janeiro e março na Fox depois de uma pausa de dois anos. Com sua negativa (o envolvimento não é muito claro), a própria Fox veio a público dizer que não tinha planos para a décima segunda temporada.
Falando na mencionada, muito se especulou e se temeu do acordo envolvendo a Fox e a Disney, na fusão que foi notícia nos últimos meses de 2017. A grande preocupação estava na mudança que a Disney poderia imprimir nas séries veteranas da Fox. Comunicados tranquilizadores não foram suficientes para que não reflitamos sobre todas as consequências, mesmo que estas não se apresentem em sua totalidade por enquanto. Vale ficarmos atentos nas próximas semanas.

Ainda no começo do ano, acompanhamos a campanha publicitária para promover a nova fase de Doctor Who, pela primeira vez interpretado por uma mulher. Mesmo com todo o ruído que a novidade teve aos fãs mais conservadores (substitua a palavra a gosto), a história de ficção-científica não poderia estar melhor: os números têm sido os melhores desde 2010. Novidade também temos quando foi noticiado que pela primeira vez em cinquenta anos (!) teremos um roteirista negro encabeçando o time de roteiristas.
Em março, ficamos certamente impressionados ao descobrir que a série que se passa no universo de O Senhor dos Anéis pode ter um orçamento de U$500.000.000. A série está em desenvolvimento pelo serviço de streaming da Amazon. Ao que parece, ninguém quer ficar fora da corrida para se tornar uma produtora de conteúdo original: as séries em streaming, segundo notícia do final do ano, já representam um terço do que é produzido no mercado — outras notícias apontam, para complementar, que a tevê a cabo tem perdido assinantes nos últimos tempos. Se pensarmos que serviços como a Hulu oferecem a grande vencedora do Emmy, The Handmaid’s Tale, podemos pensar que há uma migração da tevê a cabo para o streaming. Não é tão simples e não é o suficiente, já que a mencionada empresa fechou o ano com uma perda de U$ 900 milhões.

Mesmo assim, não é tão estranho que a Apple tenha fechado diversos acordos nos últimos meses para lançar sua plataforma. O Youtube não ficou para trás e lançou através de seu Premium, oficialmente YouTube Red, que é um péssimo nome, a já mencionada Cobra Kai em maio e Impulse em junho para entrar na disputa. Também se arriscou o Facebook: em setembro foi lançado, pelo Facebook Watch, a série Sorry For Your Loss. O drama de trinta minutos tem dez episódios e é protagonizado por Elizabeth Olsen, que vem construindo uma interessante carreira. Todas as três séries citadas foram renovadas para suas respectivas segundas temporadas.

Voltando às veteranas, tivemos oportunidade de presenciar um dos mais divertidos e melhores encontros que teve como resultado um ótimo episódio: Scooby-Doo e Supernatural se encontram na décima-terceira temporada da série dos irmãos Winchesters. Cheio de metalinguagem e referências nostálgicas, o episódio foi aclamado pela imprensa e fez bons números para a The CW, provando que Dean e Sam ainda têm fôlego. Enquanto Supernatural virou animação, Riverdale virou musical em um episódio do gênero. Vale relembrar também a participação especial do ator Robert Englund na sitcom The Goldbergs, interpretando Freddy Krueger — nada mal para um episódio de Halloween, não?
PREMIAÇÕES

Puxando o gancho de novidades, tivemos Rupaul’s Drag Race finalmente ganhando o Emmy de melhor reality de competição, algo que merece há alguns anos. Rupaul vem ganhando o prêmio como apresentadora do programa há três anos. Como somente um texto à parte para tocarmos em todas as cerimônias, vou fazer um apanhado geral:
Lá em janeiro tivemos o Globo de Ouro premiando quem já esperávamos: Big Little Lies e The Handmaid’s Tale levaram os prêmios por série e atuação esperados, prestigiando assim as excelentes performances das atrizes Nicole Kidman e Elisabeth Moss. The Marvelous Mrs Maisel, uma das comédias mais elogiadas dos últimos anos e que lançou sua segunda temporada no mês passado, também saiu com o principal prêmio em sua categoria e ainda rendeu o troféu para a atriz Rachel Brosnahan — duas vitórias no mínimo contestáveis, mas este sou eu falando. Sterling K. Brown venceu em drama pelo trabalho em This Is Us, se tornando (pasmem) o primeiro ator negro a ganhar este prêmio, assim como no Screen Actors Guild Awards.
O Critic’s Choice do ano passado, também em janeiro, fez um caminho parecido, premiando os mesmos programas (em comédia e drama) e minissérie, assim como seus atores. Rick and Morty ganhou a categoria de animação por lá, algo que previu sua vitória no Emmy, em setembro, por aquela obra de arte que foi a terceira temporada — tudo isso na primeira indicação do seriado nessas premiações. Surpresa tivemos com Ted Danson (The Good Place) batendo Azis Ansari (Master of None) — talvez porque o ator, no mesmo mês, enfrentou acusações de “comportamento inadequado” durante um encontro.

Fechando com o Emmy, tivemos diversas surpresas na premiação, boas e ruins, e que não favoreceram os favoritos ao prêmio: Game of Thrones levou o maior prêmio da noite em drama com a pior temporada de sua história e The Marvelous Mrs Maisel venceu Atlanta em comédia, mesmo a segunda sendo a comédia mais aclamada do ano. Isso foi a cereja de uma noite já estranha: Bill Hader bateu Donald Glover (!), Rachel Brosnahan bateu (novamente) Pamela Adlon (!!), Claire Foy bateu Elisabeth Moss, Darren Criss bateu Benedict Cumberbatch (!!!), Regina King bateu Laura Dern e Henry Winkler bateu Tituss Burgess (!^n). Ou seja, foi estranho. Mesmo saindo o mais esperado em alguns casos, as categorias mostraram um resultado inusitado, que trouxe certo frescor aos telespectadores, mas que nos deixaram com a sensação de injustiça em muitas.
(Mas estamos falando de premiação, não é como se já não esperássemos).
OUTROS DESTAQUES

Um artigo publicado nos últimos meses afirmava que estar em dia com as séries da Netflix corresponde a uma jornada de trabalho. Quem ousa procurar séries em outros lugares para adicionar à watchlist, então, está tendo pouco descanso. Assim, não é muito fácil escolher o que destacar em um ano que nos deu tanto para assistir e tanto sobre o que discutir.
Alguns nomes, no entanto, ainda circulam nas nossas rodas de conversas e nas listas internacionais, nessa época em que elencamos os melhores. Entra para a categoria a primeira temporada da série de horror A Maldição da Residência Hill que tem um plano sequência de vinte e três minutos inacreditável. Depois de maratonar e aplaudir a sequência, procure os vídeos que mostram como foi feito e se surpreenda novamente com a direção de Mike Flanagan. Passeando pelo horror, mas se comprometendo com o drama e o mistério, tivemos Objetos Cortantes na HBO, minissérie produzida e estrelada por Amy Adams, um dos grandes destaques dentro das séries limitadas, baseada no livro de Gillian Flynn. Há uma sequência durante os créditos, no episódio final, de se arrepiar.

Killing Eve não pode ficar de fora nessa rememoração rápida. Não foi uma grande surpresa seu sucesso e sua qualidade, pois a série foi criada por Phoebe Waller-Bridge, que assinou alguns roteiros. A atriz e roteirista escreveu e estrelou Fleabag, uma das minhas séries favoritas da década. Aqui o protagonismo ficou com Sandra Oh, de volta à tevê, onde ainda é associada à doutora Yang de Grey’s Anatomy. Para quem ainda não viu, na trama temos Eve (Sandra Oh), que é fascinada pela mente de psicopatas, entrando no caminho de Villanelle (Jodie Comer), uma impecável assassina profissional. O que começa como um jogo de gato e rato, no entanto, se transforma em fascinação entre elas.
Vale colocar aqui que duas das séries mais aclamadas dos últimos anos encerraram suas trajetórias, mas de maneiras bem distintas. Depois da onda de escândalos envolvendo seu ator principal, House of Cards voltou para uma curta temporada com o objetivo de finalizar sua história. Dessa vez no comando de Robin Wright, nem todo mundo viu — e quem viu andou reclamando por aí. A atriz continua espetacular e elogiada como tal, mas a recepção e a repercussão nem sequer tocam no que a série da Netflix conseguiu alcançar em anos anteriores. The Americans, por outro lado, terminou ainda com fôlego, brigando para que sua sexta temporada fosse considerada a melhor do ano — e conseguiu em inúmeros veículos importantes.

Atlanta retornou quase dois anos depois, mas fez a espera valer a pena. Criada, escrita e protagonizada por Donald Glover, a comédia tem um humor refinado e aborda diversos temas sociais. Mas não adianta tentar definir a mágica por aqui, é preciso assistir. Os episódios propões diversos experimentos pela televisão, entregando um episódio cômico que mais parece uma road trip pela cidade enquanto uma personagem quer cortar o cabelo, os bastidores de um programa de entrevistas que inclui comerciais bizarros e um episódio de horror que selou a segunda temporada da produção como impecável.
Ganhamos as segundas temporadas das comédias Glow e The Marvelous Mrs Maisel que celebram, cada uma a sua maneira, a independência feminina e a amizade entre mulheres. Nesse tópico, temos a grande última maravilha televisiva de 2018: a chegada de Elena Ferrante à televisão. A escritora italiana teve sua série de livros A Amiga Genial adaptada pela HBO, que começou a exibir My Brilliant Friend em novembro. Debatendo tudo isso, mas cansando parte da sua audiência, The Handmaid’s Tale fez uma temporada estranha, com uma violência quase grosseira e que afastou muitas pessoas.

Segundas temporadas complicadas também tiveram Westworld e Legion, comprometidas em navegar por histórias ainda mais complexas. Ambas continuam impecáveis visualmente e se não é possível estar por dentro de tudo, dá para enaltecermos a grandiosidade que a televisão pode proporcionar a certas histórias — Legion, por exemplo, parece mais um exercício criativo dentro do audiovisual do que uma trama que você precisa compreender.
De transposição da realidade para a televisão, o retorno de American Crime Story comprou briga aqui fora, mas isso falamos logo mais. A antologia criada por Ryan Murphy retornou para os aplausos de um novo ano cobrindo o assassinato de Giani Versace, que rendeu ao elenco o mesmo prestígio da primeira temporada. No lugar de Sarah Paulson brilhando no protagonismo, Darren Criss assumiu o posto e ganhou o maior prêmio de sua carreira. Particularmente, creio que quem assistiu Patrick Melrose vai concordar que a decisão de não premiar Benedict deveria ser algo repensado. O ator, aliás, voltou à televisão na minissérie baseada no livro semi-biográfico escrito por Edward St Aubyn.

É interessante notar que a maioria das séries citadas aqui são baseadas em livros e pouco se tem de conteúdo original na televisão. Outros exemplos: a antologia The Terror, que tem um público pequeno e talvez, injustamente, passe despercebida para muitos; e A Very English Scandal, que adapta a história bizarra do líder de um partido liberal que toma atitudes drásticas para esconder seu relacionamento com outro homem.
> GAME OF THRONES, como vai ser quando ACABAR? ft Arya Stark e Sam Tarly!
Tirando esses poucos destaques de centenas de produções, só posso te assegurar que nossa lista de melhores episódios falará com mais calma do que rolou de bom em 2018. Até lá, que falemos das grandes polêmicas do ano, dos grandes absurdos e do que esperar para os próximos meses. Mas, sabendo que eu falei muito por aqui, vou te deixar recobrar o fôlego, encher a xícara de mais café e te espero na Parte II com estes tópicos.
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Por enquanto, agradeço a companhia e desejo um feliz ano novo aos leitores carinhosos que nos seguiram até aqui. Que em 2019 os plot-twists sejam somente positivos e que ninguém se descubra no bad place.
Sigamos!
ps:
Para a elaboração deste texto, o site Screen Rant foi utilizado como guia, fonte de pesquisa e arquivo.















