Se 2018 tem sido um ano estranho em diversas áreas e para muitas pessoas, de uma coisa não podemos reclamar: a produção de séries voltadas aos gêneros de horror e mistério tem crescido bastante e alcançado um prestígio invejável, tanto do público quanto da crítica. A reflexão nas premiações ainda é tímida, principalmente nas categorias de atuação, mas não dá para não mencionar que tivemos um filme de horror concorrendo ao Oscar e uma série de horror concorrendo pelo segundo ano consecutivo à maior categoria do Emmy. Para fechar nosso terceiro #MêsDoHorror, elegi pela terceira vez os melhores episódios de séries de horror e mistério. Como os gêneros se misturam muito, coloco novamente em destaque as regras para que um episódio se torne elegível ao ranking:

REGRAS: 

É elegível qualquer episódio que foi ao ar entre 01/10/2017 e 30/09/2018, o que justifica o nome do TOP. Ou seja, não me cobrem Hill House, que com certeza estará no topo do ranking do próximo ano. A data válida é sempre a de transmissão de acordo com a emissora original, no país original — não a que a Netflix, como distribuidora, disponibilizou. Se um episódio for adiantado, indo ao ar na internet, vazado, etc, mas a data oficial de sua transmissão for mantida, ainda assim, será considerada ela. Apenas um episódio por série. De cada série será considerado o episódio que mais se aproximar do ideal do ranking, mesmo que haja algum melhor no período de recorte.

Série que tenha qualquer elemento de sobrenatural e horror já se torna elegível SE o enredo se preocupar com os gêneros de horror e mistério.

Série de crime/mistério se torna elegível se sua temporada girar em torno de um mistério único e este for solucionado em seu final. Sendo assim, o que se analisa no momento de classificar a série ou não ao TOP é seu foco. Séries que mantenham foco no drama desenvolvido a partir da morte e nas consequências, e não em responder as perguntas “quem”, “por quê?” e “como” não serão consideradas. Séries procedurais-um-crime-por-semana, que segue a rotina de uma equipe de investigadores, não serão consideradas também. Séries que sigam essa fórmula, mas tenham elementos sobrenaturais na composição de seus casos são, como Supernatural.

Séries tecnicamente de ficção científica e fantasia podem ser classificadas dependendo do modo como se desenvolverem. Caso a história dialogue com horror de alguma forma, a série se torna elegível: Doctor Who e Black Mirror são os melhores exemplos. Qualquer série, mesmo drama ou comédia, pode eleger um episódio ao ranking contanto que siga as demais regras. A série precisa ser ficcional. Ou seja, documentários e biografias não são elegíveis. Séries sobre desaparecimento não são consideradas. Episódios duplos e divididos em mais de uma parte podem ou não ser considerados juntos de acordo com a idealização dos produtores da série e se forem escritos pelas mesmas pessoas.

Há diversas séries que talvez entrariam no post, mas que não tive tempo de assistir. Portanto, fiquem à vontade para elencar o seu ranking nos comentários.

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A partir de mais de quarenta séries e episódios considerados, os 13 melhores episódios de horror e mistério do ano são:

(Os textos abaixo NÃO possuem spoiler.)

13Inside No. 9 04×03: “Once Removed” (16/01/2018) [BBC Two]

Escrito por: Steve Pemberton e Reece Shearsmith

Dirigido por: Jim O’Hanlon

Se Inside No. 9 é uma série de comédia, eu diria que é, na mesma medida, uma série de mistério. Todos os episódios guardam segredos e revelações que tornam narrativas simples em verdadeiras histórias de detetive. Assim, não é uma surpresa muito grande que a produção britânica apareça por aqui pelo segundo ano consecutivo, mas dessa vez alcançando nosso ranking — ano passado ficou em #15.

A quarta temporada nos deu diversos momentos para celebrar o talento inquestionável de Steve Pemberton e Reece Shearsmith, que escrevem e atuam em todos os episódios. Neste, temos uma confusão envolvendo assassinatos numa situação absurda. Para explicar porque essas pessoas estão onde estão, a narrativa volta dez minutos e apresenta o que teria acontecido antes. Assim, de dez em dez minutos, vamos entendendo como todas as personagens se meteram nessa casa e quais os objetivos de cada uma. Além de intrigante, Once Removed é divertido e criativo, usando do ridículo tão bem explorado por seus criadores para apresentar mais um mistério.

12The Alienist 01×06: “Ascension” (26/02/2018) [TNT]

Escrito por: E. Max Frye

Dirigido por: Paco Cabezas

Há muita discordância sobre essa série ser ou não uma recomendação. Enquanto muitos críticos receberam com certa frieza, diversos telespectadores elogiam a condução, mesmo que não aprovem o destino. De qualquer modo, talvez possamos concordar que houve um trabalho sólido durante a temporada, percebido na criação dos momentos de tensão, na boa exploração do grotesco na sociedade e nos crimes cometidos.

O drama de época, portanto, poderia ter diversos episódios ocupando este posto. Além de fazer um bom estudo sobre o assassino de sua trama, a série faz um bom estudo das próprias personagens, caracterizando profundamente o trio protagonista. Esse trabalho pode ser visto aqui quando cada um se direciona às próprias prioridades, mesmo que estejam lutando por um bem comum. Há uma sensação de que algo inevitável está para acontecer e que as personagens não poderão impedir. É por essa atmosfera, explorada em bons diálogos, que The Alienist merece a chance de se redimir de seus erros na nova temporada.

11Black Mirror 04×06: “Black Museum” (28/12/2017) [Netflix]

Escrito por: Charlie Brooker

Dirigido por: Colm McCarthy

Quando uma jovem em viagem aproveita que seu carro está sendo abastecido para passear por um museu de beira de estrada, sabemos que algo acontecerá. O lugar tem como atrações objetos usados em crimes famosos, os quais vão sendo explicados pelo dono do estabelecimento. Assim, ganhamos três contos macabros enquanto a história entre o guia e a visitante vai sendo desdobrada. A estrutura aqui é já tradicional de filmes e séries de horror, no qual uma pessoa desavisada entra em uma loja e estabelece contato com seu dono, que tem diversas histórias para contar.

Black Museum é um novo flerte de Black Mirror com o mistério e o horror, muito presentes na temporada passada, quando ganhamos uma história sobre medo e um thriller que figurou por aqui na lista de melhores episódios. Mesmo voltada à ficção cientifica, a série tem por objetivo investigar a relação entre o homem e o digital. Para isso, não conseguiríamos não esbarrar em narrativas bizarras e cujas reviravoltas nos colocam dentro de um filme de horror sem que percebamos que nos comprometêramos a isso. Vale destacar o trabalho dos dois atores, Douglas Hodge e Letitia Wright. Ela foi indicada ao Emmy pela participação, e ouso dizer que o ator também merecia.

10Supernatural 13×16: “ScoobyNatural” (29/03/2018) [The CW]

Escrito por: Jim Krieg & Jeremy Adams

Dirigido por: Robert Singer

Chegamos ao (possivelmente) mais divertido episódio desta lista. Supernatural já é divertido por si só, então quando houve o anúncio sobre uma fusão com a galera do Scooby-Doo, não dava para esperar menos do que isso. Por um pretexto bobo, os irmãos vão parar no mundo animado da turma de mistérios e se unem a eles para investigarem um fantasma que não parece ser de carne e osso, como tantos que a turma de Salsicha enfrenta. A diferença é que os irmãos Winchesters sabem que estão em um desenho. Assim, ambos apontam as bizarrices deste mundo quase ingênuo, no qual um cachorro medroso acaba resolvendo crimes.

Não só um momento nostálgico para Dean, o episódio o é aos seus telespectadores, seja lá fora ou mesmo no Brasil, onde cresceram vendo as diversas versões dubladas e exibidas na tevê aberta. São quarenta minutos bem-humorados, debochando e homenageando ao mesmo tempo. A expectativa, ao fim, é que a série possa se permitir mais momentos assim, criativos e que provem o quanto, mesmo depois de tantos anos, consegue ser divertida.

9The Woman in White 01×03: “Episode 3” (30/03/2018) [BBC One]

Escrito por: Fiona Seres

Dirigido por: Carl Tibbetts

Definir o horror psicológico não é tão fácil, mas, se o colocarmos como uma saga de desespero pela qual passa as protagonistas da história, The Woman in White é o melhor exemplo esse ano. O drama tem conflitos desesperadores que aos telespectadores parecem insolúveis porque estão ligados aos problemas da época e aos obstáculos que hoje foram vencidos, mas que então se mostravam intransponíveis. Assim, as duas irmãs protagonistas se veem na casa do marido de uma delas, tentando entender qual o grande plano que este senhor tem e qual a participação de seus amigos.

Este episódio é o ápice do clima de intriga instaurado pelas antagonistas, criando uma tensão que não é prejudicada pelo fato de sabermos o destino de uma das protagonistas. Além de boas atuações, vale destacar que a minissérie consegue movimentar a sua história com poucos ambientes e poucas personagens. De começo estranho e com um ritmo não tão agradável, o terceiro episódio resgata a série de se tornar monótona e mostra que, por mais que tenha um desfecho óbvio ao público de hoje, não perde em nada a qualidade de sua narrativa.

8Sharp Objects 01×08: “Milk” (26/08/2018) [HBO]

Escrito por: Marti Noxon & Gillian Flynn

Dirigido por: Jean-Marc Vallée

Sharp Objects já era uma presença provável em nosso ranking quando foi anunciada. Juntando a mesma fonte que nos deu Gone Girl com o diretor de Big Little Lies e produzida e estrela por Amy Adams, era muito difícil que a minissérie não tivesse o mesmo selo creditado às produções da HBO. Assim, acompanhamos por oito episódios a saga de uma filha regressa cujo retorno está associado a desaparecimentos e assassinatos de meninas jovens. Enquanto desvenda os mistérios ao lado das autoridades locais, ela confronta o passado, segredos da família e o mais obscuro da própria personalidade.

Não considero o episódio final o melhor da série, mas para a nossa seleção faz mais sentido conversarmos sobre a resolução, sobre o clima de melancolia e o desfecho macabro, apresentado no meio dos créditos em uma cena bizarra. O elenco está impecável, compensando as deslizadas do roteiro. Diferente de outros episódios, Milk é mais ágil, tem os conflitos que até então pareceram apenas flertes e foge (um pouco) do livro para se manter na própria atmosfera.

7Devilman Crybaby 01×09: “Go To Hell, You Mortals” (05/01/2018) [NETFLIX]

Escrito por: Ichirō Ōkouchi

Dirigido por: Takashi Kojima

Explicar o quanto essa série é bizarra (e divertida) não é tarefa fácil. Após uma maratona, é bem provável que você chegue à conclusão de que a animação é uma das coisas mais bizarras que você já assistiu na Netflix. Sobre a convivência de demônios e humanos, a série cria um cenário apocalíptico para falar (acredite) sobre preconceito e intolerância. Mas ela faz tudo isso utilizando de um humor negro de difícil digestão e com imagens fortes, apoiadas na estética do grotesco. Não deixa de ser visualmente deslumbrante, no entanto.

Conforme caminha para seu final, os demônios deixam de ser um problema de um local e se espalham. A história se torna mais épica, portanto. Aqui, a família que acompanhamos vai encontrando um destino terrível para cada um de seus membros. Assim, isolado e abandonado, nosso (charmoso) anti-herói se vê cada vez mais à beira do limite que separa seu lado humano do lado demônio. Assim como todos os outros seguimentos, Go To Hell é corajoso, melancólico e nojento: a receita perfeita para um público muito específico.

6Castle Rock 01×07: “The Queen” (22/08/2018) [Hulu]

Escrito por: Sam Shaw

Dirigido por: Greg Yaitanes

O grande momento da primeira temporada de Castle Rock não é apenas um dos melhores episódios de horror e mistério do ano, mas um dos melhores desse segundo semestre na categoria geral. A atriz Sissy Spacek, vencedora do Oscar e indicada três vezes ao Emmy, nos prova por que histórias sobre medo rendem boas performances quando entregues às pessoas certas e acompanhadas por uma boa direção. Em The Queen, revisitamos os momentos de sua personagem na série, mas dessa vez tendo-a como foco.

Com o espaço dado a Ruth, exploramos também o potencial da personagem e as consequências que seus conflitos podem trazer à narrativa. Muitas peças se encaixam, enquanto passamos por diversos tipos de medo, seja de um relacionamento terrível, seja de se perder dentro da própria mente ou desse estranho dentro de casa, um antagonista que ainda não entendemos direito. É tenso, cria um clima sufocante e se compromete ao caos — nos faz lembrar de produções atuais, como o polêmico Mother! do diretor Darren Aronofsky. Se Castle Rock foi morno até este momento, The Queen nos surpreende e apresenta os melhores sessenta minutos da série.

5Ordeal By Innocence 01×03: “Episode 3” (15/04/2018) [BBC One]

Escrito por: Sarah Phelps

Dirigido por: Sandra Goldbacher

No primeiro e segundo episódios desta adaptação de um livro de Agatha Christie, conhecemos a rotina de uma família em decadência, formada por uma mulher rica, as cinco crianças que adotou, seu marido e uma governanta. Os jovens cresceram neste lar privilegiado, mas isso não impediu que tivessem diversos problemas pessoais, envolvendo regras sociais, a constante presença materna e as relações com os outros irmãos. Quando a mãe é assassinada, um deles é preso e morre antes do julgamento. No entanto, como é de se esperar em uma história assim, o assassino ainda está entre eles.

O terceiro episódio retorna à noite do assassinato e monta o quebra-cabeça para que entendamos o que aconteceu e por que aconteceu. Entre as diversas qualidades, temos a exploração da decadência já mencionada, pela qual visualizamos uma família cuja fortuna não foi capaz de poupá-la do ódio e do rancor que cresceram consigo. É melancólico porque mostra rompidos esses laços tidos como sagrados. São pessoas terríveis tendo diálogos terríveis sobre as escolhas terríveis que fizeram. Disso se aproveita um roteiro adulto e cruel, que pede licença à autora original para nos contar sua história de um novo modo.

4The Terror 01×05: “First Shot a Winner, Lads” (03/04/2018) [AMC]

Escrito por: Josh Parkinson

Dirigido por: Sergio Mimica-Gezzan

O horror dificilmente vem como gênero único em uma produção. Diversas séries dessa lista misturam muitos elementos para alcançar a atmosfera que se propõe. Assim, The Terror é o encontro perfeito entre o horror, o drama e a aventura. Os três se combinam aqui para, possivelmente, a cena de perseguição mais empolgante do gênero que foi ao ar este ano na televisão norte-americana.

Ficamos os primeiros episódios acompanhando essa tripulação, tendo paciência com a teimosia de seus líderes e confundindo os rostos das personagens e seus nomes. Sabemos desde o começo que a missão desses homens é suicida. Não sabíamos, entretanto, os perigos que enfrentariam — muito menos que o sobrenatural estaria entre eles. Em mais um bom episódio para sua saga impecável, The Terror coloca suas personagens diante da criatura que até então só ouvimos e tememos. Quando isso ocorre, valorizamos as horas de espera, porque o momento se destaca dentro da temporada como um dos mais tensos, angustiantes e divertidos.

3Channel Zero – The Butcher’s Block 03×06: “Sacrifice Zone” (14/03/2018) [Syfy]

Escrito por: Nick Antosca & Harley Peyton & Angela LaManna

Dirigido por: Arkasha Stevenson

As séries American Horror Story, Castle Rock, Lore, Slasher e Channel Zero compõe a categoria de antologias de horror dos últimos anos. Como já disse no título sobre a segunda temporada, esta última se destaca como a melhor dentro desta subcategoria, algo reafirmado pelos seis episódios de sua terceira temporada, The Butcher’s Block. Nas sagas anteriores, falamos sobre a infância e seus traumas (Candle’s Cove) e o luto como sintoma de algo maior (No-End House). Aqui, acompanhamos duas irmãs que tentam reconstruir a vida longe da mãe em uma cidade nova.

Além de boas protagonistas, Butcher’s Block tem momentos bizarros, indo do humor negro ao mais gráfico e macabro. Neste último episódio, a trama das irmãs se conclui, fechando um ciclo que começou lá no primeiro episódio sem que tenhamos percebido. Cada personagem ganha um destino e mesmo que todo o sobrenatural não seja explicado, ganhamos momentos que espetacularizam o horror, tomam-no como aventura ou como forma de ensinamento. Para quem gosta de filmes mais tradicionais do gênero, com muito sangue e muitas sequências medonhas, a temporada parece um filme gigante.

2Ash Vs Evil Dead 03×10: “The Mettle of Man”  (29/04/2018) [Starz]

Escrito por: Rick Jacobson

Dirigido por: Rick Jacobson

Ash vs Evil Dead chegou muito perto deste posto nos anos anteriores, ficando em terceiro lugar no primeiro ano e segundo lugar no ano passado. Eis que chega o ano de reconhecer a série por todos os seus diversos méritos ao gênero. Assim como os filmes originais contribuíram bastante para o gênero trash, a série abriu caminho para se colocar em questão diversos aspectos do horror com os quais a televisão não costuma se comprometer muito. Sem perdoar as personagens, a série debocha de tudo, coloca-as em cenas cômicas (?), constrangedoras e sangrentas com um ritmo de aventura e a diversão de uma boa comédia. Tudo funciona e este terceiro ano é impecável.

Para o último episódio, Ash enfrenta seu desafio final. Não só porque a série foi cancelada, mas o próprio ator disse que se aposentou e não pretende mais voltar a interpretá-lo. Ficamos com as três temporadas para celebrar o horror em seus momentos mais geniais e na torcida para que haja uma influência e outras produções não se acovardem quando decidirem se infiltrar pelo horror. A última missão de Ash encerra em grande estilo, batalhando até o último momento por lá e ficando no topo por aqui.

1Atlanta 02×06: “Teddy Perkins” (05/04/2018) [FX] 

Escrito por: Donald Glover / Dirigido por: Hiro Murai

Há muito de horror para se falar em Atlanta, mesmo quando a série não está abordando a estrutura e linguagem desse gênero. A produção aborda racismo e apropriação nos grandes horrores que esses fenômenos sempre representaram, mas que agora a televisão abre espaço para que suas vítimas falem, em primeira pessoa, sobre eles. A segunda temporada da série trouxe diversas experimentações para o formato da comédia — se é que se pode chamar a produção da FX disso. Isso porque o fenômeno da crítica parece um híbrido de gêneros e linguagens. Aqui, no sexto episódio, esbarramos num thriller.

Teddy Perkins é um dos melhores episódios do ano no geral. Inteligente, o roteiro isola uma de suas personagens mais queridas para lidar com uma situação tensa e que causa estranheza desde o primeiro momento. É o tipo de situação que Darius (Lakeith Stanfield) se meteria, os telespectadores sabem. Mas como sair dela? Será que ele sairá? Como não é o protagonista, nunca temos muita certeza disso. A agilidade do roteiro está, além, por trazer a história como uma grande metáfora da indústria musical e suas consequências na vida do artista negro. É um episódio estranho, incômodo, mas visualmente deslumbrante. Ainda conta com ótimas atuações e personagens.

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MENÇÕES HONROSAS:

The X-Files 11×08: “Familiar” (07/03/2018) [FOX]

Escrito por: Benjamin Van Allen

Dirigido por: Holly Dale

Dois anos depois, nosso conhecido Arquivo X voltou para dez episódios que foram ao ar entre janeiro e março deste ano. O retorno dividiu fãs e críticos, ambos concordando na irregularidade da temporada. Ainda assim, é certo que tivemos momentos divertidos e macabros, relembrando a atmosfera que a série sempre conseguiu trazer para si. Assim como no primeiro ano não consegui deixar de lado Supernatural, uma série que foi tão importante ao gênero na década passada, não poderia este ano começar falando de outra.

Além de seguimentos dedicados a explorar a mitologia da série e o passado de seus protagonistas, tivemos também os famosos casos da semana. Meu caso favorito envolve uma cidade pequena, na qual uma criança desaparece na floresta em circunstâncias misteriosas. Ao assumir o caso, Mulder e Scully se deparam com um mistério que pode envolver bruxaria, intrigas familiares e um senso de justiça que reflete a bipolaridade do mundo fora das telas. Tem dois dedos de crítica escondidos atrás de uma trama sobre uma criança que é chamada para o escuro por um boneco muito esquisito.

[ATUALIZAÇÃO, out-2019: esse episódio estava em 13o lugar; veio para cá depois que Atlanta assumiu o primeiro lugar.]

Sea Oak 01×01: “Pilot” (10/11/2017) [Amazon]

Dirigido por: Hiro Murai

Escrito por: George Saunders

A temporada de pilotos da Amazon, no final do ano passado, trouxe diversos episódios pilotos que não foram aprovados pelo serviço para conquistarem uma temporada completa. Entre eles, uma produção estrelada por Glenn Close, conhecida pelos série-maníacos como a estrela da série Demages, pela qual ganhou dois Emmys — ou conhecida pelo público geral como uma das grandes injustiçadas do Oscar.

Pois bem, a atriz volta a estrelar uma série de televisão após cinco anos, interpretando aqui uma senhora solitária, boazinha e trabalhadora, que mora com alguns parentes em uma zona perigosa. Quando morre de repente, deixa os três jovens com quem convivia desamparados, contemplando as próprias vidas vazias e estúpidas. Mas a tia Bernie não fica nesse estado por muito tempo. Ela retorna pronta para ajudar seus sobrinhos a colocar a vida em ordem. Vemos pouco desse lado, porque o episódio se preocupa mais em apresentar a história, as personagens e o cenário, mas o que vemos mostra um potencial que poderia ter sido explorado caso a série fosse contemplada com a benção da Amazon. Ficamos, no entanto, apenas na expectativa, com momentos engraçados, explorando mais uma vez a negligência voltada aos idosos e o horror que vivem em suas rotinas.

Robot Chicken 09×00: “The Robot Chicken Walking Dead Special: Look Who’s Walking” (08/10/17) [Adult Swim]

Escrito por: Tom Root (roteirista central)

Dirigido por: Tom Sheppard

Em outubro do ano passado, a famosa série do Adult Swim decidiu fazer uma “homenagem” a The Walking Dead e trouxe um episódio que reconta o enredo da série da forma debochada que lhe é costume. A história aqui começa em um museu no futuro, no qual as pessoas visitam para recordarem a praga que assolou a humanidade, mas que fora derrotada por Rick e sua turma. Talvez alfinetando nossa mania de reescrever os fatos através de boatos, o guia não conta tudo como nós conhecemos.

Look Who’s Walking tem o humor do bizarro e do absurdo, tão familiares a quem já acompanha Robot Chicken, então das duas uma: ou você vai se divertir de todo absurdo ou vai achar chato e exagerado. De qualquer forma, dá para concordarmos que a intertextualidade funciona bem para a animação em stop-motion. Para acompanhar as piadas de mal gosto, temos até músicas que ajudam a reescrever os principais fatos da série. Revemos Rick lá no começo, reencontrando a família, e quais os caminhos que o levaram ao então maior vilão do seriado. São vinte minutos engraçados e criativos, a partir de uma série já desgastada, mas sempre disponível para piadas — mesmo que nem todas sejam intencionais.

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COMPLETA O TOP 20:

#14. Stranger Things 02×09: “The Gate” (27/10/2018)

#15. Tabula Rasa 01×05: “V.” (19/11/2017)

#16. Santa Clarita Diet 02×04: “The Queen of England” (23/03/2018)

#17. Mr Mercedes 02×01: “Missed You” (22/08/2018)

#18. Wynonna Earp 01×05: “Jolene” (17/08/2018)

#19. The Frankenstein Chronicles 02×05: “The Marriage of Heaven and Hell” (29/11/2017)

#20. Mosaic 01×05: “The Reckoning” (26/01/2018)

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Séries Assistidas e Consideradas:

American Horror Story, Ash Vs Evil Dead, Black Mirror, Castle Rock, Channel Zero, Creeped Out, Devilman Crybaby, Erased, Freakish, Ghost Wars*, Ghosted, Ghoul, Inside No. 9, Lore, Mosaic, Mr Mercedes, Ordeal By Innocence, Re:Mind, Rellik, Requiem, Riverdale, Santa Clarita Diet, Sharp Objects, Siren*, Slasher, Stan Against Evil, Stranger Things, Supernatural, Superstition, Tabula Rasa, The Alienist, The Exorcist, The Frankenstein Chronicles, The Hollow, The Miniaturist, The Purge,  The Terror, The Walking Dead*, The Woman in White, The X Files, Wolf Creek, Wynonna Earp e Z Nation.

* Abandonei porque a vida é muito curta.

(Há pouquíssimas séries assistidas que não possuem texto por aqui. Ainda pretendo completar com algumas que não tive tempo de elaborar o texto e foquei em primeiras temporadas. Assim, Re:Mind, Stan S2 e Inside S4 podem aparecer por aqui. Se há outras séries que você gostaria de que tivessem texto, comentem.)

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#MêsDoHorror

Encerrando atrasado o projeto este ano, nosso ranking sai no começo de novembro, quando era para ter saído no Dia das Bruxas. De qualquer forma, termino com a mesma satisfação do ano passado, ultrapassando por uma série o número de textos neste mês: 2016 tivemos 16; 2017, 20 e neste 21.

> A Maldição da Residência Hill – QUASE MORRI DE MEDO!!

Além disso, vale indicar o artigo que inaugurou nosso outubro, sobre os vários tipos de monstros que existem em histórias de horror e como caracterizá-los. Você pode ler por aqui. Obrigado a todos que acompanharam! Não esqueça de deixar seu ranking. 

Beware the cannibals.

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[ATUALIZAÇÃO, OUT-2019: depois de muito hesitar, o episódio de Atlanta assumiu o primeiro lugar na lista para fazer justiça ao que, de fato, foi o melhor episódio de horror-mistério de seu ano.]

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Welson Oliveira
Ator e escritor. Fascinado por horror, literatura brasileira e conteúdo televisivo.