Retornamos! Dessa vez, entre as quinze personagens restantes, temos a que me inspirou a elaborar esta lista. Não só ela, como diversas personagens que aqui poderiam conseguir a coroa caso decidíssemos parar para debater aquela que se saiu melhor na televisão este ano ou teve a melhor jornada – isto é evidentemente um convite. Se você perdeu a primeira parte dessa lista, clique aqui agora mesmo.
Lembrando novamente que os textos NÃO possuem spoiler e que SOMENTE foram consideradas personagens que apareceram na televisão este ano e sem outras apresentações para fazer, vamos às quinze (outras) melhores (novas) personagens deste ano:
- Gary Goodspeed (Olan Rogers) — Final Space [TBS / Netflix]
Por: Welson Oliveira

Ou, para ser sincero, todas as personagens de Final Space. A divertida animação da TBS distribuída internacionalmente pela Netflix para a nossa alegria tem o grande mérito de não deixar nenhuma personagem negligenciada. Todas nos fazem rir em algum ponto ou cultivam nossa torcida para que as coisas deem certo. Desde um vilão baixinho até um robô viciado em cookies, mas que não consegue comê-los, vemos o esforço do roteiro em criar uma turma que seja divertida de acompanhar.
Por aqui, destaco nosso (quase) herói e sua habilidade de não se render. Mesmo quando tudo parece perdido, Gary é capaz de impulsionar os amigos a não desistirem. Desajeitado, romântico e muito engraçado, o prisioneiro da Galaxy One nos conquista por conseguir extrair humor e otimismo das situações mais difíceis. Sem humanos por perto no espaço nos últimos anos, Gary se volta à imaginação para lidar com a solidão. Quando encontra companhia, acompanhamos sua forma singular para lidar com o amor, a amizade e os diversos obstáculos de sua jornada pelo espaço.
(Você pode ler uma review da temporada completa de Final Space por aqui).
- Kevin Williams (Alex R. Hibbert) — The Chi [Showtime]
Por: Fernando Coletinha

Kevin Williams é uma criança cujos desejos, assim como outras crianças caminhando para a adolescência, são se divertir com os amigos e flertar com as meninas da escola. Entretanto, Kevin representa milhares de crianças espalhadas pelo mundo que são obrigadas a crescer precocemente e precisam lidar com problemas que ninguém deveria ter a necessidade de lidar.
Embora seja uma criança e a série mostre seu lado brincalhão e extrovertido, o personagem reflete a imagem do jovem negro em situações graves devido ao azar de estar no lugar errado na hora errada e sua cor de pele. Para Kevin, viver cada dia é uma vitória, ir para a casa dos seus amigos e ter como preocupação máxima se a menina que ele tem sentimentos também gosta dele é um luxo, ser criança é um sonho. The Chi narra a história de Kevin em sua forma nua e crua, gerando incômodo e trazendo reflexões em relação a todas as crianças e jovens que a personagem representa, sendo impossível não se simpatizar com o menino e não se preocupar com o possível caminho que ele poderá trilhar, uma vez que a sociedade não lhe dá oportunidades para ser e lhe diminui as chances de até mesmo chegar a crescer.
(Com texto para todos os dez episódios, você pode começar sua jornada lendo nossas primeiras impressões aqui).
- Patrick Melrose (Benedict Cumberbatch) — Patrick Melrose [Showtime / Sky Atlantic]
Por: Welson Oliveira

Interpretado pelo vencedor moral na categoria de atuação masculina em minissérie no Emmy passado, Patrick é um ótimo símbolo para aquela crença de que dinheiro não traz felicidade — e muito menos paz de espírito. Atribulado por um passado que nunca se torna passado de verdade, ele não consegue converter os pesadelos de sua vida em obstáculos superados. O que vemos, então, é uma pessoa sem muita esperança, trilhando uma jornada pelo surto e pelo descontrole, tentando inteirar sua vida como pode para não acabar sozinho.
Nessa melancólica e perturbadora viagem, Patrick ainda consegue espaço para encontrar um humor cínico e cruel, bem elaborado por Benedict. O ator se doa em corpo para a personagem naquilo que no teatro chamamos de “trabalho de corpo”. Não só porque aparece nu, o ator deixa transparecer no corpo a tristeza e o desespero pelos quais está passando. Para que esta série funcionasse, Patrick precisaria ganhar a cumplicidade do público. É o que faz, pois mesmo que o censuremos em algumas coisas, fica difícil não estar na torcida por sua libertação desses fardos.
(Temos textos para todos os episódios da minissérie que você pode conferir aqui).
- Amma Crellin (Eliza Scanlen) — Sharp Objects [HBO]
Por: Welson Oliveira

Nos meus debates infinitos sobre séries, vivo dizendo que você não precisa gostar de uma personagem para reconhecer o quão boa ela é — boa no sentido de bem elaborada, de complexa. No melhor exemplo que eu conheço para dar (e sou repetitivo por sempre dá-lo): você não precisa gostar de Alicia Florrick, a protagonista de The Good Wife, para perceber que sua jornada durante as sete temporadas da série desenham uma mulher que nunca conseguimos decifrar, por mais às vezes que cheguemos tão perto. É nesse sentido que falo que Amma é fascinante. A adolescente tem um comportamento abominável, tem defeitos comuns de sua idade, mas sempre reluz como a rainha a qual se compara no último episódio.
Eliza Scanlen, ouso dizer, é a melhor coisa em Sharp Objects. Amy Adams é uma atriz excelente, já sabemos, já comprovamos em diversas produções, então sua entrega e seu trabalho em deixar a protagonista mais próxima de nós era esperado. Patricia Clarkson também. Nossa Amma, no entanto, tão boba e desajeitada no começo, mostra-se a melhor escolha de casting possível. Manipuladora, frágil e invejosa, Amma é um acúmulo de defeitos que nós juramos todos os dias não possuir. No fundo, ela não escapa de ser a garota carente de cuidados maternos e da atenção da irmã mais velha. A grande inspiradora dessa lista, é a personagem do ano para mim, caso você pergunte.
(Os textos de Sharp Objects / Objetos Cortantes são carinhosamente assinados por mim e você pode começar por aqui).
- The Kid (Bill Skarsgård) – Castle Rock [Hulu]
Por: Henrique Haddefinir

O anúncio de que a obra de Stephen King seria transformada numa série de TV quase como um crossover entre dramaturgias animou e preocupou fãs do autor. King não é conhecido por dar sempre certo na TV, mas algo parecia certo na forma como o mundo de Castle Rock estava sendo abordado. Dado a narrativas de isolamento e a construções de personagem que não são lineares, King também surge não apenas como um escritor de suspense, mas como um maestro de latências humanas. Por isso, os mistérios que envolviam a série já eram irresistíveis.
Bill Skarsgard já tinha vivido esse universo como Pennywise e talvez fosse impossível que pudesse repetir um bom trabalho em outro papel sombrio saído das páginas do autor. Contudo, The Kid (como ficou conhecido na série) passou por uma clássica evolução das obras originais de King: o personagem aparentemente apático que evolui para inesperadas complexidades. The Kid surgiu em duas formas na narrativa bifurcada da temporada e manteve sua mitologia em suspensão depois de um final hermético, bem condizente com o mundo que Stephen King eternizou.
(O universo de Stephen King na tevê em Castle Rock foi coberto por completo no SM e você pode ler os textos aqui).
- 06. Nell Crain (Victoria Pedretti e Violet McGraw) – T[Netflix]
Por: Victor Tourinho

Um dos grandes fenômenos do ano, The Haunting Of Hill House não poderia ficar de fora desta lista, com sua extensa gama de personagens traumatizados por uma mansão mal-assombrada. E dentre estes, merece destaque a jovem Nell, defendida pela pouco conhecida, porém muito talentosa, Victoria Pedretti.
Sem entregar muitos spoilers para quem ainda não teve o sabor de assistir à produção, Nell se apresenta como um dos mais interessantes membros da família Crain de se acompanhar nas linhas temporais da série, haja vista que suas experiências foram muito mais mortificantes (e inacreditáveis!) do que as do restante de sua família. Não havia como não sofrer e se afligir junto com a personagem e desejar que tudo, no final das contas, ficasse bem, mesmo a série mostrando desde seu início que as coisas não seriam tão simples assim. Sendo assim, acabou se tornando quase impossível acompanhar The Haunting Of Hill House e não se passar horas e dias angustiado por tudo o que Nell passou.
(Para conhecer o SM Play e conferir um vídeo sobre a série clique aqui).
- Henrietta “Hen” Wilson (Aisha Hinds) — 9-1-1 [Fox]
Por: Vera Tocantins

Não há dúvidas que a série é um sucesso, tanto é que esse ano 9-1-1 conseguiu emplacar duas temporadas, uma para cada semestre. Boa parte desse sucesso se dá por conta do seu elenco que é bem competente e por conta do seu time de escritores e roteiristas que a cada episódio nos surpreende com peripécias inimagináveis. Mas o que se destaca mesmo são as personagens desse novo drama: elas são humanas, falíveis e incríveis. Henrietta “Hen” Wilson (Aisha Hinds), foco da nossa análise, se enquadra perfeitamente nessa modalidade. É impressionante como Aisha Hinds é uma atriz de muitos recursos e por isso consegue transitar com maestria entre a comédia mais rasgada ao lado do seu colega Shimney e do drama mais denso ao lado da sua esposa. Dessa forma ela humaniza a sua personagem de tal modo que passamos a crer que nada é preto no branco na vida de uma pessoa, que existe uma dualidade, que nem sempre estamos tristes e que às vezes alcançamos um pouquinho de felicidade como recompensa após um dia difícil.
Hen, como a socorrista é chamada carinhosamente pelos colegas de serviço, chegou a ganhar um episódio inteirinho para chamar de seu (Hen Begins, 2×09). Mas o que será que Hen tem de tão especial para figurar em uma lista como essa? Ela é mulher, ela é negra, ela é lésbica e é oriunda da periferia. Se esses fatores parecem desinteressantes ou irrelevantes, posso acrescentar o fato dela ser um grande ser humano, totalmente do bem, que teve que lutar no início da carreira com seus pares sociais contra o machismo, contra o preconceito racial e a lesbofobia para garantir e validar o seu lugar dentro da corporação. O episódio 2×09 nos mostrou quão inspiradora é a personagem Hen, uma mulher que trava as suas lutas até o fim, está sempre disposta a proteger e servir sem distinção e nos passa a mensagem de que não devemos desistir dos nossos sonhos.
(Para começar sua saga por 9-1-1, você pode ler nossas primeira impressões aqui).
- Teddy Perkins (Donald Glover) — Atlanta [FX]
Por: Vera Tocantins

Depois de Teddy Perkins, Atlanta passa a figurar como referencial para a construção de futuras comédias inteligentes que tenham a intenção de aprofundar seus personagens. Hiro Murai, que é parceiro de Donald Glover na direção dos episódios de Atlanta, conduziu de forma magistral o episódio Teddy Perkins, nos forçando a mergulhar em uma atmosfera tóxica e doentia, onde Teddy é uma representação burlesca da visão que Michael Jackson fazia de si mesmo, enquanto Benny (parente da personagem) seria a representação da persona suprimida pelo artista para esquecer todos os abusos sofridos durante a sua infância e a sua adolescência. O personagem Darius é colocado em cena representando a visão do telespectador frente a decadência de um artista que foi considerado um prodígio infantil, um fenômeno juvenil e um rei na idade mais madura, essa estratégia intensifica ainda mais a nossa experiencia imersiva durante a apreciação da jornada de Teddy Perkins.
Esse episódio é simplesmente fantástico porque fala sobre os abusos e traumas sofridos por crianças negras em nome do amor e de um almejado sucesso no futuro. O episódio trabalha com maestria o tema motriz da segunda temporada (Robin’Season – Temporada da Roubalheira), onde não se fala somente do roubo dos bens materiais, mas, primordialmente, fala sobre o roubo da inocência, o roubo da pureza e dos sonhos. E Teddy Perkins é um aglutinado de celebridades negras que tiveram a sua infância roubada ou destruída por que foram forçadas a crer que era necessário se sobressair e fazer sucesso a qualquer custo, já que o fato de ser uma criança negra em um dos países mais racistas do mundo a coloca em uma corrida injusta desde o seu nascimento. Para nossa surpresa, Teddy foi interpretado por um ator muito conhecido nosso, mas que escapa a nossa percepção durante a execução das cenas envolvendo a personagem. Chega a ser inacreditável a plasticidade do ator para dar vida ao irreconhecível Teddy e depois ao Benny. Sem sombra de dúvidas, Teddy Perkins merece e muito figurar nessa lista de personagens memoráveis.
(Você pode ler nossas impressões sobre a impecável segunda temporada de Atlanta aqui).
- Sabrina Spellmann (Kiernan Shipka) – The Chilling Adventures Of Sabrina [Netflix]

A versão da Netflix da famosa bruxa adolescente se mostrou ainda mais resoluta, impetuosa e teimosa que a da série clássica, e isso em nenhum momento foi ruim, apesar de que, por vezes, Sabrina testasse a paciência de seu público.
Kiernan Shipka conseguiu trazer uma Sabrina que reproduziu com naturalidade o drama de uma adolescente que não conseguia se encaixar entre dois mundos e que não se importava em quebrar todas as leis e dogmas possíveis do Senhor das Trevas para fazer o que achasse certo, sem temer as consequências desastrosas que poderiam ocorrer disto. Por isso, mesmo com alguns problemas de ritmo, The Chilling Adventures Of Sabrina em muito encontrou sustento na forte personalidade de sua protagonista que não teve medo de enfrentar nem o próprio Diabo para defender suas rebeldes convicções.
(Sobre a primeira temporada de Sabrina você pode ler aqui).
- Renata Gomes (Fernanda Torres) — Sob Pressão [Globo]
Por: Arthur Barbosa

Tendo sida convidada para fazer uma participação especial na segunda temporada de Sob Pressão, a atriz Fernanda Torres, mais conhecida por ter atuado em comédias (Os Normais e Tapas & Beijos), nos entregou uma excelente personagem dramática. A sua adição foi certeira, uma vez que Renata Gomes – uma gestora vinda do setor privado – mostrou como é feita a corrupção dentro de um hospital, sendo um exemplo do que ocorre, corriqueiramente, no Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil. Ela foi uma mulher ambiciosa, participativa nos esquemas ilícitos e, principalmente, má. Quem acompanhou a temporada, pode perceber que Renata não deixava ninguém para trás, no que diz respeito a conseguir o que desejasse, mesmo que, para isso, tivesse que tomar atitudes drásticas.
A corrupção não só lhe envolveu — ela, a diretora do Hospital Luis Carlos Macedo, mais conhecido como Macedão -, como também um fornecedor de renome, podendo ser uma grande empresa ou várias, na maioria das vezes, de fachadas, e pessoas dispostas a receberem dinheiro ilegal, como médicos. No processo de criação da personagem, Fernanda teve a ajuda do marido Andrucha Waddington (Os Penetras), diretor do seriado da Rede Globo, em parceria com a empresa Conspiração Filmes. Renata foi uma vilã de destaque, sendo, com certeza, odiada por muitos ao representar a podridão do país em relação à saúde pública, bastante precária em muitos municípios brasileiros.
(O Arthur caprichosamente escreveu textos para todos os episódios da segunda temporada de Sob Pressão que você pode ler aqui).
- Joseph Lawrence (Bradley Whitford) — The Handmaid’s Tale [Hulu]
Por: Denis Lira

The Handmaid’s Tale nos surpreendeu aos 45 do segundo tempo em sua mais recente temporada com a adição de uma personagem crucial: Comandante Joseph Lawrence. Defendido de forma brilhantemente ambígua por Bradley Withford, as intenções opacas que vieram com sua aparição deram mais um ingrediente para THT: a incerteza.
Responsável por arquitetar a economia de Gilead como a conhecemos e também pelas Colônias, Lawrence é uma adição importantíssima para a já intrincada trama que se adensa sobre Gilead, colocando em cheque nossas definições sobre a série. Suas decisões e seu poder, mostrados no séries finale, fazem dele uma personagem prismática, marcante e necessária com pouquíssimo tempo de tela. Dádiva concedida a poucos no audiovisual.
(Para The Handmaid’s Tale temos textos para to-dos os episódios aqui).
- Marian Halcombe (Jessie Buckley) — The Woman in White [BBC One]
Por: Welson Oliveira

Já muito adaptada, a obra do escritor inglês Wilkie Collins ganhou uma nova versão pela BBC One este ano. Na história, duas irmãs precisam descobrir as intenções por trás dos planos do marido de uma delas, que é obrigada a se casar como promessa feita por seu pai em seu leito de morte. Na nova casa, lidando com novas personagens, as duas precisam se proteger porque sentem que estão em perigo. Temos, portanto, Laura (Olivia Vinall), a mais frágil, mas nem por isso menos inteligente, e Marian (Jessie Buckley), aquela que é deixada para trás quando a irmã morre — não é um spoiler, é a primeira cena da série.
O que teria acontecido com Laura? Quem, aliás, é a tal mulher de branco? Para que nos interessemos em saber tudo isso mesmo com a minissérie já adiantando o destino de uma das irmãs, precisamos ter empatia pela que ficou. É isso o que ocorre. Marian é uma jovem que gostaria de viajar, mas está presa nas circunstâncias de uma mulher de sua época, tendo que aprender a pintar para passar o tempo. Inteligente e corajosa, ela desafia essas regras, enfrenta o cunhado suspeito e contrata um detetive para descobrir uma verdade oculta pelos antagonistas. A atriz Jessie Buckley lida com todas essas qualidades com sensibilidade e aquela intuição visível em boas performances.
(No #MêsDoHorror deste ano conversamos sobre a ótima The Woman in White e você pode ler mais em um textos sem spoilers aqui).
- Joe Goldberg (Penn Badgley) — You [Lifetime]
Por: Arthur Barbosa

Quem acompanhou Penn Badgley em Gossip Girl ao interpretar o personagem Dan Humphrey provavelmente se surpreenderá com o ator nessa nova série do canal Lifetime. Em You, diferentemente da cara de peixe morto de Dan, Penn incorpora um homem aparentemente gentil, mas que, ao longo dos episódios, vai se mostrando um perseguidor assíduo de sua amada, a personagem Guinevere Beck, ou simplesmente Beck, interpretada pela atriz Elizabeth Lail (Once Upon a Time). Ele faz de tudo para estar ao lado dela, sendo um stalker exagerado, especialista em “ler pessoas”. Ele ainda é um vendedor de livros, ou seja, cativa as pessoas usando belas palavras.
O mais interessante em Joe é a riqueza de detalhes presentes na narração ao longo dos 10 episódios da primeira temporada do seriado. Ele minuciosamente descreve tanto os seus atos quanto os pensamentos e sentimentos daqueles que o rodeiam. Goldberg é bastante persuasivo e convincente, fazendo com que o telespectador, além de não desviar a atenção, torça pelo seu sucesso no final. Isso porque ele não é considerado um vilão, apesar de ter características que o fazem ser visto dessa forma. Joe também possui um bom coração, na medida do possível.
(Para aproveitar a recém-chegada de You a Netflix e ler a respeito: aqui).
- Lyn (Melissa Barrera) e Emma (Mishel Prada) — Vida [Starz]
Por: Welson Oliveira

Estamos finalmente saindo da era da escuridão para personagens já não estereotipados em séries de televisão — ou dando os primeiros passos. As personagens latinas, então, não só estão mais fiéis às realidades vividas por seus telespectadores como têm séries para chamar de suas. Assim, temos séries como a maravilhosa One Day at a Time (falando em personagem, Lydia fica citada aqui) da Netflix. Mas como regras são regras e quero fingir que não as descumpri, preciso citar uma série desvalorizada, mas muito especial. Não só porque coloca protagonistas de origem mexicanas lidando com problemas que lhes são reais, mas porque tem um roteiro divertido.
Em sua primeira temporada, conhecemos as irmãs Lyn e Emma. Uma delas tem a torcida do público, outra o seu desprezo. A verdade, no entanto, é que elas se complementam em diversos sentidos, desde a costumeira dupla de irresponsável + responsável até o olhar voltado às origens, ao idioma de seus ancestrais e a cultura apagada na ida aos Estados Unidos. Vida, aliás, protagonizada por três mulheres, coloca a mulher como dona do próprio destino e louva as atitudes de todas, por mais questionáveis que elas sejam. As irmãs se envolvem em brigas, provocam-se e defendem-se com a ansiedade esperada daquelas que esperaram tempo demais para subirem ao palco e representarem os seus dramas.
(Fique por perto que deixo prometido um texto sobre Vida).
- Andrew Cunanan (Darren Criss) — The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story [FX]
Por: Henrique Haddefinir

Ryan Murphy sempre disse em suas entrevistas que a franquia American Crime Story só colocaria no ar temporadas que tivessem uma função social. People Versus OJ Simpson falava de racismo, machismo e oportunismo midiático. Para sua temporada sobre homofobia, Murphy escolheu o assassinato de Gianni Versace, que em 1997 foi morto por um jovem chamado Andrew Cunanan. Na época, enquanto as manchetes focavam em como a família da vítima se comportaria perante o luto, uma escritora chamada Maureen Orth acompanhava a “vida e obra” de Andrew, que antes de matar Versace já tinha cometido outros 4 crimes, quase todos eles de homens com quem ele se envolvera e dos quais escapava por uma simples e dura razão: ninguém se preocupava com a morte de um monte de “bichas”.
Qualquer mera pesquisa sobre Andrew vai revelar em algum ponto o ser humano sombrio e ao mesmo tempo fascinante que ele era. Uma memória inacreditável, um impressionante traquejo social, uma personalidade moldável ao gosto do freguês. Andrew podia ser quem você quisesse, o que lhe garantia uma lista de amigos dedicados e uma fila de senhores interessados em sustentar seus modos expansivos e caros. Quando criança, o megalômano pai deu ao pequeno caçula o melhor quarto da mansão recém comprada. Cunanan tinha menos de 10 anos. Seu senso de própria importância cresceu descontroladamente e quando as coisas começaram a desabar, ele direcionou sua raiva aos que não o amavam mais e aos que representavam aquilo que ele nunca poderia ser: um talentoso, famoso, respeitado homossexual que todos amam incondicionalmente. Ele não matou apenas Versace, ele matou o exemplo maior de tudo que ele não poderia ser.
> FRIENDS, a série que ajudou no meu INGLÊS!
O escolhido para a empreitada de viver essa pessoa tão complexa foi Darren Cris, o que causou certo espanto na imprensa especializada. Darren tinha vindo de uma residência intensa em Glee, num personagem que tinha uma leveza que nem em mil anos lembraria Cunanan. Ryan apostou certo e muito rápido ficou claro que Darren compreendia muito bem a forma distorcida com a qual a mente do assassino funcionava. Darren mergulhou nas pretensões, nos maneirismos, nas limitações e frustrações do personagem com uma precisão absurda. O resultado foi à altura do trabalho e ele não só venceu o Emmy como é o favorito na disputa pelo Golden Globe. Se houve um grande personagem nesse ano de 2018 ele foi Andrew Cunanan, vivido por um ator igualmente poderoso e que surpreendeu todo o mundo com sua sensibilidade.
(A segunda temporada ACS apareceu por aqui em vídeo, podcast e nove textos que você pode conferir aqui).
MENÇÕES HONROSAS:
*** Gene A Única Coisa Que Presta Em Barry Cousineau (Henry Winkler) — Barry [HBO]
*** Elfo (Nat Faxon) e Princesa Bean (Abbi Jacobson) — Disenchantment [Netflix]
*** Yolanda Rivas (Shakira Barrera) — Glow [Netflix]
*** Sara Howard (Dakota Fanning) — The Alienist [TNT]
*** Erin (Saoirse-Monica Jackson) — Derry Girls [Channel 4]
*** Emily (Juno Temple) — Philip K Dick’s Electric Dreams, Autofac [Channel 4]
*** Samantha Wheeler (Katherine Heighl) — Suits [Usa Network]
*** Tommy (Reece Shearsmith) — Inside No. 9, Bernie Clifton’s Dressing Room [BBC Two]
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Encerramos!
E aí, o que acharam das personagens escolhidas? Pensei em mencionar as veteranas para finalizar, mas mesmo em listinha acabaria chegando às dezenas. Se você assistir a alguma série daqui, não esqueça de voltar para comentar sobre a personagem listada. Já vai separando seus episódios favoritos de 2018 que a gente se vê na nossa tradicional seleção. Te vejo por lá.
















