“Ah, que alegria, gente! Eu preciso falar uma palavrinha com vocês: quando o William levou o tiro, muita gente falou pra mim que ele não iria sobreviver. Mas eu tive muita fé e esperança, e vocês cuidaram dele, cuidaram de mim… E hoje, se meu neto está vivo, eu devo a cada um de vocês: desde o diretor à mocinha da limpeza. E eu saio daqui com uma grande certeza: ninguém morre no seu plantão, meu anjo bom!” – Depoimento de Dona Maria na saída do Hospital Edith de Magalhães Fraenkel, ao lado de seu neto, William.

Sob Pressão sempre foi uma série além da sua proposta inicial, isto é, retratar as mazelas do Sistema Único de Saúde (SUS), mas, infelizmente, nesta 4ª temporada, ela se tornou muito aquém do esperado no que diz respeito ao contexto dos seus protagonistas: Evandro e Carolina. É claro que não foram todos os episódios que se enquadraram nessa frustração, no entanto nem eles conseguiram “dar conta do recado”, principalmente esta season finale, a qual não fez sentido algum com a trama principal apresentada nos 10 episódios anteriores. Pelo menos, no quesito participações especiais, os defeitos dão lugar a vários elogios. Vamos lá:

Tudo começou em uma cena um tanto chocante e, claro, super triste, não só pelo conteúdo em si, ou seja, tiros em escola, como, também, saber que ela é um tanto atual no Brasil: Massacre de Realengo, no Rio de Janeiro (RJ), em 2011; Massacre do Goyases, em Goiânia (GO), em 2017; Massacre de Suzano, em Suzano (SP), em 2019… Desde 2000, de forma bárbara e desumana, várias instituições de ensino do país sofreram ataques de alunos e de ex-alunos em suas instalações físicas, com vários feridos e trágicas mortes de inocentes. Ciúmes, bullying, revolta, vingança, transtornos psíquicos: várias são as razões que nós tentamos buscar para explicar o que não está ao nosso alcance. Será que os psiquiatras, os psicanalistas e os psicólogos conseguem entender? O que estamos fazendo de errado com a nossa juventude que repete várias vezes massacres atrás de massacres? Esse comportamento – muito presente nos Estados Unidos da América (EUA) – tem cura? Pode ser evitável? São muitas as reflexões a respeito da temática e, embora “a arte tenha imitado a vida”, muitas vidas fora da ficção não tiveram a sobrevivência, e sim o falecimento precoce. Triste, muito triste!

Pois bem… No pátio, ao se declarar para Tatiane com um buquê de rosas na mão, Vitor, juntamente aos presentes, foi surpreendido por Marlon (Vinícius Moreno de Gênesis) com uma arma de fogo. Ele, além de ter ameaçado atirar, fez a ação baleando Tatiane e Vitor, em dois tiros à queima-roupa, apavorando os colegas e toda a comunidade escolar. Foi de tirar o fôlego! Enquanto isso, Carolina retorna à sua casa à procura de Evandro, que não foi trabalhar, tampouco atendeu o telefone, tadinho. Ele estava na iminência de uma depressão, juntamente à prática da automedicação excessiva – característica presente em sua sua vida, em temporadas passadas – por conta da ida de Francisco para o interior de Minas Gerais, decisão respaldada pela Justiça, no episódio anterior. Parabéns, Diana! Excelente decisão da sua parte em separar pai e filho a uma longa distância. Sinceramente, eu não entendi, roteiristas, quais foram as reais intenções da personagem, pois ela chegou, bordou, pintou, abalou, fez todo o espetáculo dela e, no final das contas, não mostrou a que veio. Era o que, minha filha? Fala logo! Esclareça, elucida, “joga as cartas na mesa”, sua intragável. Eu esperava mais de vocês, escritores da história! Não teve reviravolta surpreendente, nem nada. 

E, na porta do Hospital Edith de Magalhães Fraenkelcujo nome foi uma homenagem à enfermeira Edith, pioneira da saúde e da enfermagem, que ajudou a combater a Gripe Espanhola (1918-1920), no Brasil -, os jovens baleados receberam os primeiros atendimentos. Inclusive, Marlon, que foi assistido, ao lado do diretor da escola. Nossa, que aflição, minha gente: Tatiane e Vitor – ele duas, na verdade – precisaram passar por uma cirurgia de alto risco, mas, graças à equipe médica, tudo deu certo, amém. Ah, se Lineuzinho tivesse visto aqui tudo isso, Florianinho! O xingo, com certeza, seria certeiro e o castigo, idem, pois não seriam apenas duas costelas quebradas, não. Brincadeiras à parte, acontece o seguinte: o intérprete de Marlon, o ator Vinícius Moreno fez parte do elenco da série A Grande Família (2001-2014), também da Rede Globo, tendo sido o neto de Lineu Silva (Marco Nanini de Êta Mundo Bom!). Aliás, tem como julgar as famílias revoltadas que hostilizaram a mãe de Marlon na recepção do Hospital? Jamais! Não dá pra entender a atitude do jovem e, querendo ou não, a mãe “facilitou” o acesso ao armamento para o filho, venhamos e convenhamos, pessoal.

Em meio a isso, a detestável Diana resolveu “dar o ar da graça” para que pai e filho pudessem se despedir. Todavia, por se mostrar egocêntrica descabida, resolveu não esperar e foi direto para a rodoviária. Eu desisto da personagem, gente! Não dá, não aceito, não entendo! Qual foi o objetivo dela com isso tudo? Se tornar boazinha? Ah, francamente, roteiristas, eu esperava mais de vocês, devo confessar. A criatividade “ficou com Deus”, pelo visto! Cadê a Diana fazendo algo que, de fato, iria abalar significativamente a vida do casal #Cavandro, hein?! Infelizmente, eu não vi isso durante a temporada inteira. Qual foi a intenção da cena na rodoviária para a narrativa da trama principal, leitores? Eu não consegui achar uma explicação plausível, pois, ali, no embarque do ônibus, poderíamos ter tido algo a mais da Diana e não tivemos nada, nada. No entanto, a bela interpretação de choro por parte do Júlio Andrade (1 Contra Todos) e da Marjorie Estiano (Malhação) foi um show à parte, como sempre, afinal de contas ambos são geniais em seus respectivos papéis de médicos humanos. Tivemos, também, o fofucho do Francisco tendo mais afeição pelos dois do que pela mãe biológica. Amei, risos! O garoto é esperto desde cedo, adoro! Porém, ponto negativo para o casal #Cavandro que tirou a máscara dentro da rodoviária, sendo um local público, o qual exige, de forma obrigatória, o uso, né?!

Outra temática que teve a sua finalização e de forma esperançosa, pra lá de positiva, foi a melhora de Wallace, neto da Dona Maria. Ele – no sexto episódio – havia tomado um tiro nas costas e, por conta disso, entre muitas cirurgias, acabou ficando em coma. Contudo, sua avó querida não saiu do seu lado em hipótese alguma, permanecendo, assim, na cadeira, junto ao leito, durante todo o tempo de recuperação do rapaz. O amor dela para com ele foi lindo de se ver – emocionante a cena em que ele acordou, diga-se de passagem! -, mostrando, dessa forma, o carinho que muitas mulheres, mães, avós, tias e por aí vai têm pelos seus parentes. Realmente, Lucas Paraizo (Aos Teus Olhos), a Dona Maria representou “a avó do Brasil”, isto é, uma mulher que não arredou o pé do lado do neto. Era disso que estávamos precisando: esperança e resiliência por dias melhores, que nós, brasileiros, muitas das vezes, esquecemos que temos em nossa essência em virtude dos tempos tenebrosos os quais vivemos. O depoimento dela foi tão lindo, no final, que eu tive que abrir os trabalhos desta minha review com a fala dela. Aliás, seria maravilhoso se ela retornasse ao seriado de alguma forma, talvez sendo voluntária no Hospital – olha que ela de forma inusitada já até esfregou o chão do Centro Cirúrgico sem ninguém pedir, hein?! – ou cuidado do Francisco, quem sabe. Não é à toa que a personagem recebeu muito carinho dos telespectadores nas redes sociais – Alô, Twitter! -, deixando, agora, o sentimento de saudade! Viva a vida do William! Viva a Dona Maria! É assim que deve ser feito, Diana: aclamação, respeito e amor! Dona Maria teve mais destaque do que você, sua chata dissimulada!

Além disso, finalmente, tivemos  a reconciliação do nosso casal #Cavandro, com direito – até mesmo – dos dois relembrando os velhos tempos em que eles olhavam para o céu e falavam sobre as nuvens. Se não me falha a memória, isso ocorreu lá nos tempos da primeira temporada, em 2017, quando eles se conheceram e começaram a namorar. Uns fofos, né?! Embora sejam recheados de defeitos, principalmente o Evandro, eles se amam, e muito. É nítido no olhar que um tem para com o outro, a confiança, o amor e, claro, a cumplicidade. Eles se entendem e é lindo vê-los juntos! E por falar em união, no final, tivemos o retorno de Diana, – ao som deForça Estranha, cantada por Gal Costa – toda cheia de amor pra dar, oferecendo inclusive o nome da Carolina como mãe na Certidão de Nascimento de Francisco. Ah, não! Embora a cena da nova família em um piquenique tenha sido bonita, em um desfecho repleto de positividade para um futuro positivo, soou ridículo, porque não fez sentido com o comportamento da personagem ao logo do quarto ano de Sob Pressão. Repito: quais foram as reais intenções da Diana? Ela não mostrou a que veio, e sim mentiu sobre a paternidade da criança, fazendo com que nem exame de DNA fosse solicitado ou, ao menos, cogitado pelos personagens. Isso foi estranhíssimo! Ah, e, pelo visto, ao contrário do que pensamos no final do quarto episódio, o qual Evandro combinou de encontrar com Diana no Cartório e ela não compareceu, o médico não havia concretizado o registro do nome dele na documentação do pequeno Chiquinho. Ainda bem que esse erro jurídico a série não cometeu, como eu havia pensado. Peço desculpas pela acusação, produção!.

Ademais, por mais que a atitude dela tenha sido nobre, formando uma família longe do padrão do tradicional, eu continuo não gostando da Diana. Ela é “sem sal”, sem emoção e sem história! Seria muito mais interessante se ela tivesse, por exemplo, raptado o menino, não tendo condições de criá-lo, ou se a ex-dependente química tivesse ameaçado em praticar o autoextermínio ao tentar pular do último andar do Hospital Edith, juntamente a uma recaída no uso de drogas ilícitas, por exemplo, e, nos últimos casos, de forma novelesca, armado para separar Carolina e Evandro, na tentativa de fisgar o coração do médico, assim como ela fez lá na terceira temporada. Sem contar o seguinte: a disputa judicial foi um tanto rápida demais, com a não concretização da promessa de um debate profundo sobre o conceito de família, tampouco causou empatia por parte do público para com a trama! O final foi bonito, porém ele tinha que fazer sentido com o restante dos outros episódios, o que não fez. Restou, por fim, o sentimento agridoce de que a narrativa seguiu de forma cansativa e nada espetacular. Uma pena! Agora, é torcer para que a quinta e última temporada, exclusiva do Globoplay, a partir de 2022, conserte essa esquecível leva de episódios e nos apresente um final digno.

BALANÇO DA TEMPORADA:

Em meio a erros e acertos, os 11 episódios da 4ª temporada da série médica de maior sucesso dos últimos tempos da teledramaturgia brasileira – Sob Pressão – apresentou mais equívocos, infelizmente. Gosto, amo e idolatro “com unhas e dentes” a minha série favorita, mas quando apresenta erros, ah… Temos que “dar um puxão de orelha”, sim! Quem ama cuida, não é mesmo?! O primeiro deles e o mais chamativo – digamos assim – foi a inexistência de pelo menos alguém cogitar o bendito exame de DNA entre pai e filho. Eu sei que o Evandro contou que, na infância, apresentou o mesmo problema de saúde que Francisco, mas isso não comprova paternidade alguma, embora tivéssemos cogitado a hipótese de ele não ser filho de Evandro, também. Reforço o que eu já disse nas reviews passadas: até na equivocada novela das nove, Império (2014-2015), que está em sua reta final em sua reprise especial, logo após o Jornal Nacional, nas noites da TV Globo, houve a realização do exame, pessoal. É inadmissível um seriado médico – repleto de responsabilidades sociais para com a realidade – não mostrar isso, ainda mais que o foco da temporada era a questão familiar.

Ah, e por falar nisso, os roteiristas prometeram focar na temática da família, mas a problematização sobre o assunto não foi mostrada. Devo estar parecendo um tanto cansativo com essa repetição, mas não tem como fugir disso: a Diana não apresentou as motivações dela e isso não dá pra entender! O que você queria no final, minha filha? Pensão alimentícia? O amor de Evandro? A guarda compartilhada? A guarda só para você? Qual a razão de você ter retornado e ter  atormentado a vida do nosso casal #Cavandro, hein?! Pasmem: a recuperação da personagem em relação ao seu contexto doentio da depressão foi muito rápido, não tendo saltado ao menos um episódio. Cadê o laudo médico que comprovou que a sua saúde mental estava em pleno estado de funcionamento para criar o Francisco? Isso também ficou no débito, em detrimento da lógica do crédito, que seria ela ter entregado o documento ao Evandro e, principalmente, à juíza, no penúltimo episódio. Ela mentiu sobre a paternidade, usou a Rosa como testemunha desfavorável ao Evandro e, pra piorar, quase separou o nosso casal favorito. E aqui, de forma alguma, eu quero invalidar a maternidade da personagem, e sim não concordar com os caminhos tortuosos que ela utilizou para concretizar isso em sua vida e na de Evandro, também. Dissimulada, desagradável, intragável, inescrupulosa, tóxica e desnecessária! Morre, Diana!

“Depois de tudo que eu e Evandro passamos nessa pandemia, achei que finalmente a gente ia ter um recomeço, uma chance de superar toda a dor que já enfrentamos. Só que, por mais que a gente tente deixar o passado para trás, ele sempre volta… E se, dessa vez, não for apenas sobre salvar vida, mas, sim, sobre cuidar de uma nova?” – Narração dita pela Drª. Carolina no teaser de divulgação da 4ª temporada.

Ademais, outro erro que pra mim foi um dos mais graves foi a questão do uso e do desuso das máscaras por parte dos personagens. Não fez sentido algum eles tirarem as máscaras em locais que seriam de uso obrigatório, como o próprio hospital – paciente pedindo para tirar o utensílio de proteção e médico aprovando foi o cúmulo do absurdo -, ou quando a Carolina andou na rua à procura de Diana, segurando o equipamento de proteção individual nas mãos, sem tampar a boca ou o nariz. Sinceramente, essa liberdade poética de tirar as máscaras para valorizar a interpretação dos atores – nada justa, diga-se de passagem! – foi uma falta de responsabilidade e um desserviço da Rede Globo e da Conspiração Filmes, leitores. Vamos à lógica do problema: a pandemia ainda não cessou e há novas variantes circulando por aí, apesar do avanço da vacinação por todo o território nacional. Logo, é muito desconfortante ver pessoas usando a máscara de forma errada, dá agonia, não é natural, e sim inverossímil. Seria muito mais interessante se eles tivessem colocado um simples salto no tempo como fizeram neste último episódio – 1 Mês Depois – e, no caso, eles poderiam ter colocado 3 Anos Depois, o que resolveria fácil, fácil, sem a necessidade do uso da máscara e a pandemia não seria considerada “pano de fundo”. Vale recordar que os roteiristas não deixaram claro o suficiente quanto tempo a pandemia passou desde o especial exibido em outubro do ano passado – Sob Pressão – Plantão Covid -, o qual houve a retratação exemplar do uso das máscaras. Se tratando de Sob Pressão, quando realidade e ficção chegam a se confundir, justamente pelo fato de o texto ser coeso e orgânico, grande parte das vezes, não é aceitável. E aqui vale lembrar que “pandemia controlada” não significa ser sinônimo de “pano de fundo”, tampouco que ela já inexiste no seriado, como muitas pessoas acreditarem fielmente nisso, nas redes sociais ao longo da exibição da quarta temporada, entre agosto e outubro.

Aliás, chega a ser irônico eles mostrarem a cartilha sobre a Covid-19, no final de todos os episódios, o famoso Serviço de Utilidade Pública da Semana aqui, no Série Maníacos, nos meus textos, a qual eles pedem às pessoas que continuem se cuidando todos os dias. Isso se justifica, pois se eles, tanto a produção, quanto os atores, respeitaram todos os protocolos sanitários – testagem, uso de máscaras e de álcool em gel e distanciamento social – durante a rodagem das cenas, por qual motivo os personagens, não o fizeram, também? Isso não tem lógica! Ao meu ver, a máscara transparente poderia ser uma opção plausível, por exemplo, de modo a  continuar a proteção dos envolvidos e, serviria ainda, como mais um serviço de utilidade pública, já que ajudaria a incluir as pessoas que usam a comunicação labial para entender os diálogos. Além disso, eu achei péssimo eles terem feito os episódios com duração máxima de 35 a 40 minutos, tempo ínfimo para finalizar as histórias das participações especiais, o que prejudicou a narrativa, de certa forma. Uai, se eles seguiram as regras sanitárias para gravar 11 episódios de 40 minutos, por qual motivo não diminuíram a quantidade de capítulos, de forma, assim, a estender a duração? Seria bem melhor ter 8 episódios de 50 a 60 minutos, cada, do que 11 de 40 minutos, apenas.

Sob PressãoPor fim, no que diz respeito aos aspectos prejudiciais, a Rede Globo teve a audácia de mudar o dia de exibição da série, por TRÊS VEZES (aqui, aqui e aqui), valorizando, dessa forma, o futebol às quintas-feiras, o que culminou na baixa audiência. Aliado a isso, a emissora não se prontificou em oferecer ao público propagandas suficientes para chamar a atenção, seja para o lançamento da estreia da quarta temporada, seja para a mudança de horário dos episódios exibidos às quartas-feiras, excepcionalmente. Tanto é que o número de publicações no site oficial do seriado, no Gshow, diminuíram de forma significativa, tendo sido esporádicas e padronizadas, ou seja, apenas referentes ao tema retratado no episódio da semana e mais nada. Olhem só: o resumo do episódio, as entrevistas e a repercussão nas redes sociais foram praticamente inexistentes. Eu senti falta disso tudo, pois tais características me ajudavam a compor as reviews e as notícias. Uma pena a temporada terminar dessa forma: sem emoção! E olha que Sob Pressão sempre foi uma série de tirar a gente do lugar, do nosso senso-comum, não fazendo refletir em várias ocasiões, mas, infelizmente, quem empacou e ficou no lugar, na mesma mesmice, foi a própria série. Lamentável.

É claro que tivemos a parte positiva, também, leitores, e ela se chama participações especiais. Nossa, cada uma delas foi emocionante, sendo até mesmo melhores que a trama insossa dos protagonistas, diga-se de passagem! Espero que a produtora de elenco, Cibele Santa Cruz (Quem Vai Ficar com Mário?), continue nos encantando com essa riqueza, na escalação de atores e de atrizes fantásticos, na última temporada do drama médico. Tivemos, então:

a mãe que passava fome com o filho, mostrando a retratação da violência sistemática aos negros do país, logo na estreia;

o negacionista e violento personagem Guilherme, que atropelou uma mãe de família e saiu preso;

a admirável relação entre Joca e Nivaldo, sendo o primeiro uma Pessoa Com Deficiência (PCD); o casal diagnosticado com HIV, vividos pelos gigantes atores Arlete Salles (Eu, a Vó e a Boi) e Ary Fontoura (Êta Mundo Bom!); e

no quinto episódio, a grande homenagem a dois hospitais da cidade do Rio de Janeiro (RJ), os quais sofreram incêndios estrondosos, em 2019, com a aparição de Tatiana Tibúrcio (Falas Negras), na pele da enfermeira, Elis;

– Inclusive, nesse episódio, tivemos a bela atuação, tanto de Drica Moraes (Verdades Secretas), quanto de Josie Antello (Malhação: Sonhos), desesperadas por conta das consequências do fogo, com Josie também tendo brilhado em seu depoimento na audiência sobre a guarda de Francisco;

– A trama abriu espaço para o debate sobre a importância do combate à homofobia, na bela história de amor entre Décio e Kléber, casal que sofreu um ataque de um motorista de aplicativo;

– a aparição de Leonardo, jovem, filho da Dr.ª Vera, que teve uma overdose em função do consumo excessivo de anfetamina – destaque para a atuação de Drica, juntamente ao João Vitor Silva (Sítio do Picapau Amarelo), ambos em estado de graça;

– o casal adolescente apaixonado, que se conheceu por meio de um aplicativo de relacionamento, sendo o Dr. Evandro, o cupido da relação presencial; por falar em casal, houve a esposa que praticou a eutanásia em seu marido simplesmente pelo fato de amá-lo em demasia, ou seja, não queria vê-lo sofrendo por conta de seu estado terminal;

Ailton Graça (Carcereiros), na pele de um pai, em defesa do filho que sofreu racismo, em um trote violento na calourada da faculdade;

a redenção do Dr. Mauro, por meio da cirurgia feita na personagem Karen, bailarina, na qual os seus pais perdoam o médico pelo erro, no passado;

a excelente retratação da greve dos profissionais da área da saúde, que reivindicaram melhores condições de trabalho e o pagamento de salários atrasados; 

– no penúltimo episódio, a atriz Laura Barreto (Caminho das Índias) mostrou a história de uma jovem que foi abusada pelo próprio avô, dentro de casa, juntamente à tensa audiência na Justiça sobre a guarda de Francisco;

o beijo entre Mauro e Vera, casal que a gente estava sedento para que fosse concretizada a relação, mas ficou só no beijo. Favor arrumem isso aí, roteiristas. #Maureva tem que estar on, e

– o ator Tadeu Melo (A Turma do Didi) estava benevolente na pele de Toniquinho, um senhor em situação de rua, que tinha como fiel companheiro o seu cachorrinho, Felipe, e tantas outras participações de artistas.

Destaco ainda as belíssimas imagens aéreas de encher os olhos de qualquer telespectador. Um encanto à parte mostrando as ruas e os prédios do Centro do Rio de Janeiro (RJ), além da Baía de Guanabara e do Aeroporto Santos Dumont, ao fundo. A fotografia, de cinema, com uma paleta de cores voltada para o pôr do Sol, com um alaranjado espetacular, esteve presente em todos os episódios. Foi um brilho especial: de perto, de longe, focando no rosto dos personagens, na tentativa de capturar ao máximo as expressões repletas de emoções… E pensar que tudo isso começou com o filme homônimo, lançado lá em 2016, hein?! Ficou nítida a evolução, o amadurecimento e a grandiosidade que o projeto Sob Pressão – como os bastidores a intitulam, carinhosamente – se tornou na televisão, sendo um produto de entretenimento e um serviço público – com algumas ressalvas, é claro – para toda a população.

Produzida pela Rede Globo, em parceria com a Conspiração Filmes, Sob Pressão continua sendo escrita por Lucas Paraizo, juntamente aos seus colegas de trabalho: Márcio Alemão (Carrossel: O Filme), André Sirangelo (3%), Flávio Araújo (Onde Nascem Os Fortes) e Pedro Riguetti (Buzum), todos roteiristas. Andrucha Waddington ficará na direção artística, enquanto Mini Kerti (Superbonita), Rebeca Diniz (Arcanjo Renegado), Júlio Andrade (Amor de Mãe) e Pedro Waddington (Gilda, Lúcia e o Bode) compõem a direção, ao lado de Andrucha.

Ademais, Isabela Bellenzani (Segunda Chamada), da TV Globo, e Mariana Vianna (Reality Z), da Conspiração, são membras da produção, juntamente ao José Luiz Villamarim (Onde Nascem os Fortes), que ficou a cargo da direção de gênero. Por fim, o cirurgião torácico Márcio Maranhão, que escreveu a homônima obra-base, concede a consultoria técnica dos procedimentos médicos mostrados ao longo dos episódios.

Sob PressãoPRONTUÁRIO MÉDICO: 

p.s.01: Os roteiristas têm em mãos um material vasto para escrever várias temporadas, já que o Sistema Único de Saúde (SUS), por exemplo, tem mais de 30 anos de existência desde a sua implantação oficial, a partir de 1988, com a promulgação da atual Constituição Federal Brasileira – mais conhecida como a “Constituição Cidadã” -, respaldada no Artigo 196, sobre os Direitos à Saúde, não importa se você é brasileiro ou estrangeiro, vale ressaltar;

p.s.02: Seguindo, então, essa linha de raciocínio, ao longo dos anos, a série apresentou um roteiro coeso e orgânico, baseado em temáticas tristes, sensíveis e veladas na sociedade brasileira. Fico triste dessa escorregada na quarta temporada, pois eles poderiam ter aprofundado mais a questão familiar, ainda mais que receberam uma consultoria especializada, advogada Olívia Fürst, presidente e cofundadora do Instituto Brasileiro de Práticas Colaborativas (IBPC), auxiliou os roteiristas nesse quesito, mais especificamente nos Direitos de Família, conforme noticiamos em abril de 2020;

p.s.03: Aliás, outra temática que ao meu ver não foi bem construída foi o fato de Décio ter questionado o casal #Cavandro se eles queriam voltar a trabalhar no novo Hospital, pois, eles haviam ido embora, mas, agora, estão de volta, com muito desejo em ajudar. Por qual motivo eles foram embora, anteriormente? Aliado a isso, eu achei a trama do Charles, como Chefe da Emergência, mal construída, porque não sabemos, por exemplo, desde quando tempo ele tomou posto do cargo, os motivos que o levaram a ficar soberbo e, claro, o fato de ter durado somente UM episódio. Seria interessante se fosse desenvolvida ao longo da temporada;

p.s.04: Não houve também nenhuma referência ao Hospital São Tomé Apóstolo, unidade de atendimento médico da terceira temporada. A gente sabe que o Evandro passou por uma clínica de tratamento contra a dependência química e, logo em seguida, apareceu lá, na Amazônia, para ficar ao lado de Carolina, no programa Médicos Sem Fronteiras. Recordo, aqui, que o Hospital Luis Carlos Macedo, vulgo, Macedão, foi fechado por conta da corrupção praticada por Renata (Fernanda Torres de Amor e Sorte), no final da segunda temporada. E cadê o São Tomé Apóstolo? “Ficou com Deus”, foi? Estou curioso!;

p.s.05: Não tivemos mais flashbacks da vida passada de Evandro, tampouco dos outros personagens. Isso foi tão divertido de acompanhar na intertemporada que eu senti falta, agora, na atual. Saudades do Ravel Andrade (Reality Z), irmão mais novo de Júlio Andrade, na pele do médico Evandro quando mais novo, juntamente à aparição de sua mãe, Penha (Fabíula Nascimento de Bom Sucesso);

p.s.06: Senti falta da atriz Roberta Rodrigues (Cidade de Deus), que participou exemplarmente dos dois Episódios Especiais, como a enfermeira Marisa. Ela, ao lado do David Júnior (Pega Pega), havia sido confirmada para os novos episódios, segundo informações do site oficial do seriado, no Gshow. No entanto, a atriz foi escalada para trabalhar na novela Nos Tempos do Imperador, a atual do horário das 18h;

p.s.07: Mais um item na lista dos faltantes: cadê a música especial, produção? Tivemos nos anos anteriores, né?! Alô, diretor artístico, Andrucha Waddington (Os Normais)! O senhor não fez o convite neste ano, não?! Poxa!;

p.s.08: Também fiquei estarrecido com a notícia de que, a partir da próxima temporada, a série se tornará um produto original Globoplay, ao lado do cancelamento precoce. Mais um desrespeito ao telespectador da TV Aberta que, inclusive, ajudou a série a ser renovada para mais duas temporadas, em função da grande repercussão nas redes sociais, como no Twitter, em 2019 – #EuFuiEuTava. Globoplay, meu filho, não faz isso com a gente, não, por favor! Dê o devido mérito que a série merece, não custa nada;

p.s.09: Por falar no cancelamento, a falta de histórias não é o problema de jeito nenhum, pois o SUS completou 30 anos de existência, em 2018. Se a “irmã gêmea” já está há quase 20 anos no ar, por qual razão, então finalizar a “Grey’s Anatomy Tupiniquim”, minha gente? Isso não faz sentido. Em julho de 2019, em uma publicação no portal oficial do seriado, no Gshow, Lucas Parizo, o redator final, chegou a afirmar, por exemplo, que ele e a sua equipe, tem um vasto material de apoio, o que poderia render 10 temporadas. Eu desejo muito que quem decidiu isso “morde a língua”, no ano que vem, e volta atrás, renovando o seriado para mais temporadas;

p.s.10: Por outro lado, voltando ao contexto do encerramento precoce da série, o ator Júlio Andrade, o nosso “McDreamy Brasileiro” está envolvido com a produção de Betinho, nova série original Globoplay. Nela, Andrade interpretará Herbert de Souza, sociólogo e escritor brasileiro que combateu a fome no país. Ele, Betinho, como era conhecido, infelizmente, faleceu precocemente aos 61 anos de idade, muito magro e hemofílico, doença que herdou de sua mãe. Ademais, ele também contraiu o vírus da imunodeficiência adquirida, o HIV, durante uma transfusão de sangue, fato que contribuiu para o seu falecimento. E por qual motivo eu estou falando isso tudo? As gravações terão início em maio de 2022, mas até lá, Júlio precisa emagrecer para incorporar o personagem nas gravações, com ele até mesmo ajudando nos bastidores da direção, conforme adiantamos aqui, no Série Maníacos. É meus queridos, não tem jeito: Sob Pressão vai se encerrar na 5ª temporada! Preparem o lenço para as despedidas!;

p.s.11: Além disso, sobre o seriado não ser mais da Rede Globo – estranho dizer isso, né?! -, mas a Globo trata o Globoplay como outra empresa, eu espero, sinceramente, que os episódios sejam lançados semanalmente, pois Sob Pressão tem milhares de camadas profundas. Não dá pra maratonar tudo de uma vez só, não. Por favor, Globoplay, não me decepcione e, claro, não atrapalhe as minhas reviews;

p.s.12: E a fofura que é o Francisco, gente? Durante as minhas pesquisas sobre o seriado, eu descobri que não é apenas uma criança, e sim gêmeos: Anthony e Arthur, que se revezaram na atuação do pequenino. Enquanto um estava dormindo ou sendo alimentado, o outro estava sendo um fofucho em cena. Pois é: um deles, pra variar, tem o mesmo nome de quem vos escreve essa review, e é óbvio que eu apaixonei por ele(s)! Dois fofos de apenas um (1) aninho de idade, tempo no qual condiz com o período em que a Diana ficou sumida, mais ou menos;

p.s.13: Embora a personagem seja intragável – no caso, a Diana – a sua intérprete está maravilhosa. Todos os aplausos para a Ana Flávia Cavalcanti (Onde Está Meu Coração), juntamente ao seu olhar impactante!;

p.s.14: Senti falta de um episódio especial gravado em plano-sequência, ou seja, quando não há cortes. Foi tão lindo a direção lá, na terceira temporada, com a invasão da milícia e a emocionante atuação da Marjorie Estiano;

p.s.15: Como assim não teve a retratação da vacinação? Achei estranho! Mais estranho ainda a não concretização do aprofundamento da história da enfermeira Lívia, interpretada pela atriz Bárbara Reis (Éramos Seis), conforme foi prometido. Kléber, Gustavo, Décio, Charles e Keiko – os últimos três, que estão desde o filme homônimo -, mereciam ter sido mais aproveitáveis com a retratação de suas tramas pessoais. Quem sabe deixar de lado o casal principal e focar nos personagens periféricos seja a solução para que o seriado se reinvente, não é mesmo?!;

p.s.16: No que diz respeito ao contexto da Audiência, Sob Pressão ficou na liderança, mas não bateu o recorde das seasons finales dos anos passados: 20,6, em 2018; 25,0, em 2019; e, agora, em 2021, apenas 18,5 pontos, na Grande São Paulo (SP), segundo dados publicados pelo portal Notícias da TV, do UOL. Uma pena não ter tanta repercussão com era antigamente, apresentado, desse modo, o seu pior desempenho desde a estreia, em 2017;

p.s.17: Gostaria de agradecer, de todo coração, ao leitor Augusto César, que gentilmente me ajudou a escrever essa review, de certa forma, assim como as da série Segunda Chamada, que, ao contrário de Sob Pressão, com a sua segunda temporada, se tornou a melhor série da teledramaturgia nacional, em 2021. Augusto, espero que a parceria continue ao longo da temporada, por favor;

p.s.18: Gostaria de agradecer, imensamente, a todos vocês leitores que me acompanharam nas reviews semanais de Sob Pressão. De nada vale ter escrito, sem a presença de vocês! Muito Obrigado! Espero ver todos em 2022, na quinta temporada. Enquanto isso, ficaremos, é óbvio, com saudades de todos esses personagens cativantes. #xatiado;

p.s.19: Por falar na 5ª temporada, que segue sendo gravada nos Estúdios Globo, as minhas expectativas estão positivas, uma vez que teremos: Marco Nanini vai incorporar o pai do protagonista, o Dr. Evandro (Júlio Andrade de 1 Contra Todos); Lázaro Ramos (Cobras & Lagartos) dará vida a dois gêmeos, com ambos os personagens precisando receber atendimento médico após uma explosão no local onde trabalham e, por fim, Emílio Dantas (A Força do Querer) vai incorporar um médico que trabalhará em um outro hospital da trama. Vão ser participações maravilhosas e tomara que a trama principal também seja assim: esplendorosa, pois, aqui, na quarta temporada deixou a desejar!;

p.s.20: Fome, Trânsito, Deficientes, HIV/AIDS, Incêndio, Automedicação, Depressão, Racismo, SUS e Abuso Sexual. A lista de temáticas pertinentes e atuais, na série médica, só aumenta e não seria diferente nesta semana, sobre a importância do desarmamento, juntamente às consequências da violência urbana, em uma publicação exclusiva no Gshow. É um excelente material de leitura!;

p.s.21: Serviço de Utilidade Pública da Semana 01: “Jovens precisam de futuro, não de armas.” Acesse: gshow.com/sobpressao; e

p.s.22: Serviço de Utilidade Pública da Semana 02: “Mesmo quem já teve Covid-19 pode ser reinfectado e deve manter todos os cuidados.”

REVISÃO GERAL
Nota:
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sob-pressao-4x11-episodio-11-season-finale‘Sob Pressão’ encerra a sua quarta temporada com o engessamento de seus protagonistas, mas, por outro lado, abrilhantou as participações especiais do começo ao fim. Portanto, que venha a 5ª e última temporada, de modo que a despedida seja com chave de ouro!