“(…) Se você não pode se meter como médico, talvez você possa se manifestar como negro.” – Dr.ª Vera.
Antes de falar do oitavo episódio da 4ª temporada de Sob Pressão, eu quero agradecer à Patrícia Kogut, do jornal O Globo, por ser mais uma representante da crítica especializada a estranhar o uso, juntamente ao desuso, errôneo das máscaras ao longo dos episódios do seriado. Desde a season premiere, eu venho reclamando sobre isso e, de certa forma, eu já estava me achando um pedante, mas não: é inverossímil e super desconfortante ver paciente pedindo para retirar a máscara dentro de um hospital, por mais que lá não trate casos de Covid-19, e, pior, mais recentemente, vimos a Dr. Carolina andando pela rua segurando o equipamento nas mãos, sem se preocupar em proteger boca e nariz. Portanto, que façam as suas as minhas palavras, Kogut: “Nota 0 para as cenas de ‘Sob Pressão’ em que médicos e familiares de pacientes conversam sem máscara no hospital e ignorando o distanciamento social. Como a série é realista, fica estranho à beça.”
O episódio começa com Evandro – mais uma vez – sendo super egoísta colocando a culpa na Carolina por ter ajudado Diana às escondidas. Detalhe: ela não tem obrigação nenhuma para com a ex-dependente química, muito menos com o Francisco, “filho” de Evandro. Me surpreende que o médico até agora não tenha pedido um exame de DNA comprobatório sobre a paternidade e isso inclui o Cartório que fez o inserimento do nome do médico na Certidão de Nascimento da criança, lá no final do quarto episódio. Isso não faz sentido, pois a mãe biológica não estava presente, minha gente! Além disso, embora todo mundo tenha os seus defeitos, Evandro consegue extrapolar todos os limites, é impressionante. Eu vou adorar se o Chiquinho não for realmente o seu filho biológico. Querem apostar quanto que ele vai pedir perdão para Carolina? Cansativo demais, roteiristas!
Pois bem… O primeiro paciente da semana se chama Pérsio Nogueira (Luiz Octávio Moraes de O Quinto Macaco), que chega ao Hospital Edith de Magalhães Fraenkel de ambulância, diagnosticado com um tumor abdominal. Estando ao lado de sua esposa, Marilda (Márcia Santos), enfermeira, ele reclama sobre o seu estado, não desejando, dessa forma, mais viver em função de seu grave estado terminal de saúde, juntamente à demasiada dor constante. E, por meio da história desse casal, Sob Pressão abordou a temática da eutanásia, prática que “consiste em provocar a morte de uma pessoa antes do previsto pela evolução natural da doença, um ato misericordioso devido ao sofrimento advindo de uma doença incurável”, de acordo com a definição do portal Consultor Jurídico. Embora aqui, no Brasil, não exista uma Lei específica que tipifica a prática como crime, ela é enquadrada como homicídio. Só por essas características dá pra se ter uma ideia de que o assunto é polêmico, não só no território nacional, como, também, em outros países pelo mundo afora. Uma pessoa tem direito de tirar a vida do outro em função da descrição anteriormente apresentada? É antiético? Mas e o paciente? Ele merece continuar sofrendo de maneira colossal? A eutanásia pode ser considerada autoextermínio? É uma reflexão que não acaba mais, porque envolve a vida, o bem mais precioso que um ser humano pode ter, além de saúde, é claro.

Enquanto isso, na porta da unidade hospitalar, o jovem negro Gian (Isaque Lopes) começou a sentir falta de ar por ter sido pintado com uma tinta branca no trote da faculdade. No caso, ele era alérgico e, por isso, quase perdeu a vida por conta do material aplicado em seu corpo, caracterizando, assim, um perigo imenso. Nossa, que aflição na cena em que o Mauro acudiu o rapaz, hein?! Eu fiquei angustiado! É um absurdo esse comportamento ainda ser considerado “brincadeira” por muitos estudantes veteranos. Em agosto deste ano, aqui, em Minas Gerais, na Universidade Federal do Triângulo Mineira (UFTM), em Uberaba, alunos de Medicina cuspiram bebidas nos novatos, em plena pandemia da Covid-19, a qual exige regras sanitárias de distanciamento social e uso de máscara. As imagens viralizaram nas redes sociais, principalmente no Twitter, e chocou o país com tamanha brutalidade e desrespeito contra os calouros. Expulsão é o mínimo que deveria ocorrer, não é mesmo?! Ainda bem que a Universidade mencionada já recebeu as denúncias e vai prosseguir com a investigação do caso, conforme constatou o portal de notícias G1.
“Falaram que eu não precisava mais ser preto, pois eu já tinha entrado na cota.” Eu não sei vocês, leitores, mas ao ouvir essa fala de Gian em conversa com o seu pai, Seu Genésio, interpretado pelo magnífico Ailton Graça (Império), me doeu, e muito, o coração. Até quando as pessoas vão continuar tendo preconceito? Infelizmente, o racismo ainda está enraizado na sociedade brasileira e ele precisa ser combatido diariamente para que casos, como o de Gian e os da UFTM, não se repitam nunca mais. É triste! revoltante! Mais revoltante ainda é quando o agressor tenta subornar a vítima com dinheiro pelo ocorrido e foi justamente essa a atitude que o pai de Juca, o jovem que jogou a tinta branca, tomou ao ter ido visitar Gian no leito hospitalar. Vergonha na cara o senhor não tem, não, né, Olavo Pena (Antônio Fragoso de Os Farofeiros)? Quem dera se as desculpas fossem realmente sinceras e o seu filho estivesse de fato arrependido. Pra piorar, ele teve a audácia em pedir que todo mundo esquecesse o ocorrido. Vê se pode?! E ainda ameaçou o jovem ao ele ter dito que iria processar, tanto Juca, quanto a faculdade. É um verdadeiro racista inescrupuloso, sim!
“É, dois terços do Planeta é coberto por água e por idiotas!” – Dr.ª Vera.
Se não bastasse isso tudo, Olavo ainda ofereceu dinheiro ao Genésio, que aceitou sem titubear. Contudo, o Dr. Mauro achou isso um absurdo, e com razão, pois, por mais que Genésio precisasse do valor para custear o estudo do filho, por exemplo, como pai, ele estava ferindo a dignidade de Gian. “O senhor colocou preço em uma coisa que não tem preço: que é o respeito pelo seu filho. O respeito por nós, pretos. A gente não vai mais abaixar a cabeça e calar a boca, não. A nossa voz precisa ser ouvida, Seu Genésio!” Não preciso escrever mais nada depois desse alerta do Mauro, né?! Ofereci o espaço para a fala dele para que nós, telespectadores, possamos ler e refletir sobre as agressões que a população preta brasileira sofre todos os dias: o triste racismo. Ele machuca! Ele corrói! E eu fiquei muito feliz com o Seu Genésio ao ele ter rasgado o documento “cala a boca” de Olavo, dizendo ainda que o filho iria entrar na faculdade de cabeça erguida. Ah… O Dr. Mauro até deu pulinhos de orgulho e de alegria!
Em contrapartida, mesmo com as palavras doces da Dona Maria, regadas de muita fé e esperança na forma de Deus, a senhora Marilda resolveu cometer a eutanásia, uma vez que ela se compadeceu com a dor e com o sofrimento de seu companheiro. Ele, há cinco anos, luta para amenizá-la todos os dias, porém Pércio está cansado dessa situação dolorosa. Ele só queria paz, por isso insistiu com a esposa para que ela cometesse o ato, em uma cena de encher os olhos, mostrando o verdadeiro amor entre duas pessoas. Ela poderia ter optado pelos Cuidados Paliativos, voltados para amenizar a dor do paciente e, dessa maneira, melhorar a qualidade de vida de seu marido, por exemplo. No entanto, em seu pensamento, ela não queria mais ficar vivendo aquela espécie de “purgatório”, seja para si própria, seja para o seu marido, em um sofrimento colossal. E a cumplicidade entre o casal era tão forte que Marilda injetou o material no próprio corpo, mas foi salva por Carolina e por Evandro. Acredito que os roteiristas usaram da liberdade poética de não ter ninguém presente no momento do ocorrido, porque como deixaram um quarto sem monitorização, ainda mais com um paciente grave dentro do local? Agonia imensa eu senti com os “pipipi” apitando ininterruptamente sem ninguém aparecer, socorro! E, no final, Marilda, apesar de ainda ter que responder na Justiça – pelo ato considerado criminoso – sentiu-se aliviada com a despedida, ao mesmo tempo em que o seu castigo é continuar viva sentido saudades de Pérsio. Profundo isso, não é mesmo?!
Ah, Charles, nós fãs do casal #Cavandro também estávamos com saudade de vê-los bem e juntos. Todavia, a bendita, a intragável, a purgante da Diana deu o ar da graça de novo querendo a guarda compartilhada de Francisco. Primeiro: eu fiquei chocado com a rápida recuperação da personagem em relação ao contexto da depressão, pois eu acredito que, na trama, o tempo deva ter passado no máximo semanas, e não anos. Logo, para que uma pessoa possa se recuperar da doença mencionada, ela precisa de tempo, sendo um tratamento moroso e complexo. Ao me ver, os roteiristas poderiam ter a menos pulado um episódio para a volta dela para que isso pudesse fazer sentido. Ah, sem contar o atrevimento dela em não mostrar as suas verdadeiras intenções. E aqui, eu não quero, jamais, invalidar a maternidade dela, mas a complexidade da personagem já está irritando. Por um acaso Francisco tem direito de sofrer pela sua ausência, querida? De fato, ele ainda é pequenino e não entende nada, mas Diana o deixa com o “pai”, toma “chá de sumiço”, não fala quais são as suas reais intenções e ainda quer “assentar na janela”? Ah, francamente! Eu tô doido para que ela morra, isso sim. Sendo ficção, não preciso ter remorso algum em desejar tal extremismo, afinal de contas é tudo de mentirinha, risos. Ela só está desestabilizando a vida de todo mundo. Diana é tóxica!
Essa toxicidade se mostrou materializada na ida dela à creche de Francisco. Que eu saiba, nenhum juiz a autorizou fazer isso, por mais que ela seja a mãe biológica, porque a guarda não está com ela, e sim com Evandro. Diana – sem avisar previamente – colocou Carolina em uma “saia justa” pra lá de desagradável, diga-se de passagem. Ela, portanto, vai partir para o caminho da Lei e, pelo visto, a briga judicial vai ser intensa, ainda mais depois da discussão que Evandro teve com Carolina, em casa. Poxa, doutor, ela avisou que queria conversar contigo ainda lá no Hospital. Faltou apenas uma hora propícia para isso, seu idiota, egoísta! A Diana aparece espontaneamente e a culpa é da Carolina? Toma vergonha na sua cara, Evandro!
Ademais, Diana segue perseguindo Evandro e Francisco de uma forma nada agradável. Como ela descobriu que os dois estavam no parquinho? Andou fazendo treinamento no FBI, minha filha? Resta saber como essa história irá acabar! E de novo eu questiono: como assim ninguém ali pediu um exame de DNA, gente? Isso não faz sentido! Além de Evandro ser médico, Diana deveria comprovar a paternidade, caso contrário ela poderia alegar que o filho não era dele e chamar a polícia alegando, por exemplo, sequestro, ou algo do tipo. Faltou inclusive um barraco dos bons, porque esse “chove e não molha” está ficando cansativo de acompanhar! E olha que de barraco a teledramaturgia entende disso, né, Carminha (Avenida Brasil)?!
PRONTUÁRIO MÉDICO:
p.s.01: Verdades Secretas 2 que lute, pois Sob Pressão também pega fogo nas cenas calientes, risos. Eita, Carolina e Evandro!;
p.s.02: Curiosidade 01: Lembrei da então minissérie Justiça (2016-atual), renovada para a segunda temporada, na qual também houve a abordagem da eutanásia, com a personagem Beatriz, interpretada pela Marjorie Estiano (Malhação) tendo a vida finalizada pelo próprio marido, Maurício (Cauã Reymond de Ilha de Ferro);
p.s.03: Curiosidade 02: Pasmem: lembram do Hospital São Tomé Apóstolo, da terceira temporada? O espaço foi usado também como locação para a cena da morte de Beatriz, e olha que a trama se passava em Recife, capital de Pernambuco, mas esse cenário foi no Rio de Janeiro (RJ);
p.s.04: Sob Pressão – Plantão Covid (2020) foi indicada na categoria Melhor Série de Ficção da TV Aberta no 20º Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, premiação feita pela Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais. A cerimônia de revelação dos vencedores será realizada no dia 28 de novembro, domingo, com transmissão ao vivo pela TV Cultura. Vamos assistir e torcer para que a intertemporada vença, é claro;
p.s.05: E que susto foi o acidente da Drica Moraes (Verdades Secretas) durante as gravações da 5ª temporada, hein?! Amém que ela está bem e em casa, se recuperando, apesar do corte no rosto;
p.s.06: Embora a personagem seja intragável – no caso, a Diana – a sua intérprete está maravilhosa. Todos os aplausos para a Ana Flávia Cavalcanti (Onde Está Meu Coração), juntamente ao seu olhar impactante!;
p.s.07: No quesito Audiência, infelizmente, foi ela “ladeira abaixo” no último dia de setembro. A série marcou apenas 17,7 pontos, na Grande São Paulo (SP), embora a Rede Globo tenha mantido a liderança na faixa do horário, segundo dados publicados pelo portal Notícias da TV, do UOL. Eu sinto que a divulgação do seriado está ínfima comparada às outras temporadas, também. Uma pena!;
p.s.08: Fome, Trânsito, Deficientes, HIV/AIDS, Incêndio, Automedicação e Depressão. A lista de temáticas pertinentes e atuais, na série médica, só aumenta e não seria diferente nesta semana, sobre a importância do combate ao racismo, juntamente às orientações de como denunciar casos dessa natureza, em uma publicação exclusiva no Gshow. É um excelente material de leitura!;
p.s.09: Serviço de Utilidade Pública da Semana 01: “Racismo é crime. Denuncie. Pratique o Antirracismo.” Acesse: gshow.com/sobpressao; e
p.s.10: Serviço de Utilidade Pública da Semana 02: “Mesmo quem já teve Covid-19 pode ser reinfectado e deve manter todos os cuidados.”















