“Carolina, eu vou ficar bem, obrigada por tudo.” – Diana.

Pela primeira vez – na história da “Grey’s Anatomy Tupiniquim” – aconteceu algo inédito: a história das tramas paralelas, por meio das participações especiais, foi mais interessante do que a trama do nosso casal #Cavandro, por incrível que pareça, leitores.  No entanto, antes de falarmos sobre isso, voltemos ao contexto do encerramento de Sob Pressão a partir do ano que vem, com a sua quinta e inédita temporada. Vamos lá:

No último domingo, dia 26 de setembro de 2021, me deparei com uma publicação do colunista Flávio Ricco, do portal R7, em que, nela, ele colocou o seguinte título: “Sem fôlego, Globo acerta ao colocar fim na série Sob Pressão”. Aos primeiros olhos, eu levei um susto, afinal de contas eu sou muito fã da série e não desejo o seu encerramento por vários motivos, os quais eu já discorri sobre eles na review passada. E, por mais que eu não concorde com o cancelamento, e, claro, com a publicação do jornalista citado, eu entendo a sua fala que diz que a série “não repercutia como no início”.

Contudo, tal realidade não é culpa do público, e sim da própria emissora, que não se prontifica em divulgar o seriado como deveria, igual acontecia com as temporadas antecessoras. Peguemos, por exemplo, as publicações no site oficial da série, no Gshow: por semana, eram umas cinco postagens, contendo diversos assuntos, seja a repercussão dos episódios nas redes sociais, como no Twitter, seja a presença de entrevistas nos bastidores. Agora, são apenas duas publicações e olhe lá! Destaco – também – o fato de a TV Globo ter mudado o dia de transmissão de Sob Pressão, por duas semanas consecutivas – mais informações aqui e aqui -, em função da transmissão de jogos de futebol. Então, quer dizer que agora o telespectador que tem que adivinhar a data de exibição do seriado? É isso mesmo? De modo a avisar aos fãs sobre as eventuais mudanças na programação, as propagandas estão ínfimas, para não dizer inexistentes, né?! O respeito “ficou com Deus”, é?! Quem aí foi pego de surpresa? Me contem nos comentários, por gentileza, pessoal.

Por outro lado, voltando ao contexto do encerramento precoce da série, o ator Júlio Andrade (1 Contra Todos), o nosso “McDreamy Brasileiro” está envolvido com a produção de Betinho, nova série original Globoplay. Nela, Andrade interpretará Herbert de Souza, sociólogo e escritor brasileiro que combateu a fome no país. Ele, Betinho, como era conhecido, infelizmente, faleceu precocemente aos 61 anos de idade, muito magro e hemofílico, doença que herdou de sua mãe. Ademais, ele também contraiu o vírus da imunodeficiência adquirida, o HIV, durante uma transfusão de sangue, fato que contribuiu para o seu falecimento. E por qual motivo eu estou falando isso tudo? As gravações terão início em maio de 2022, mas até lá, Júlio precisa emagrecer para incorporar o personagem nas gravações, com ele até mesmo ajudando nos bastidores da direção, conforme adiantamos aqui, no Série Maníacos. É meus queridos, não tem jeito: Sob Pressão vai se encerrar na 5ª temporada! Preparem o lenço para as despedidas!

Ufa… Depois desse desabafo, vamos, então, falar do sétimo episódio da quarta temporada, leitores: ele começa com o jovem Emerson, que sofreu um acidente ao cair do patinete ao descer uma rua em um morro, sem capacete, sem proteção, sem nada. Isso tudo, é claro, para se exibir para a “namorada”, Luna (Yasmin Neves), pelo celular. Ah, o amor é cego mesmo, né?! Com isso, ele recebeu atendimento no Hospital Edith de Magalhães Fraenkel, em uma cirurgia de urgência, tendo apresentado tensas complicações. E, para a nossa surpresa, quem “deu o ar da graça” com uma possível solução – com o uso de uma sonda – foi Charles, e não Evandro, considerado o “rei das gambiarras médicas”. Literalmente, o professor ensinou direitinho deu o seu “conhecimento técnico” ao seu aluno, não é mesmo?!

Enquanto isso, Carolina continuou averiguando o estado de saúde de Diana, porém de forma escondida de seu marido. Detalhe: não nos foi revelado o que ela conversou com a “rival”, mesmo ela querendo ajudá-la a sair do estado de depressão. Eu sei que eu posso estar parecendo um tanto insensível, no entanto eu não me compadeci com Diana, não, pessoal. Ela é uma personagem intragável de outros “carnavais” e, pior, não mostrou a que veio até o presente momento. Olhem só: como a pessoa aparece do “nada” – depois de um tempo – e alega que o próprio filho tem parentesco sanguíneo com o protagonista? Isso sem a comprovação comprobatória, no caso, o exame de DNA: único que confirma fielmente uma paternidade. Não me admira a amiga de Diana, a Selma, querer “jogar a toalha” e se preocupar somente com o emprego que estava esperando há um bom tempo. A Diana é muito chata! Carolina também não faz nada: só segue mentindo, criando, assim, um drama desnecessário com o seu cônjuge.

Já o primeiro paciente da semana, Avelino (Osvaldo Mil de A Dona do Pedaço), foi atendido por Mauro e por Vera. Ele chegou à unidade hospitalar alegando fortes dores nas costas, sem conseguir andar direito, por exemplo. Acompanhado de sua namorada, Cátia (Giowana Cambrone), ele recebeu a notícia de que precisaria operar para a retirada de um tumor. E, diante da delicadeza de seu quadro, Avelino decidiu procurar pelo seu filho, Tito (Caio Vegatti de Gênesis), com quem não troca uma só palavra há cinco anos por conta de o segundo não aceitar a sua relação amorosa com Cátia, uma mulher transgênero. Se não bastasse ele achar “errônea” a vida íntima do pai, que não lhe diz respeito – diga-se de passagem -, Tito ainda disse falas homofóbicas e preconceituosas contra Cátia, ou seja, um verdadeiro energúmeno. Ainda bem que tivemos a magnífica dr.ª Vera para dar o xingo, fazendo-o “cair na real” e, assim, perceber que o amor que ele sente pelo pai supera qualquer dificuldade. Isso aí, garoto: comece a desconstruir o seu preconceito, a sua homofobia. O amor é lindo e deve, portanto, ser respeitado! 

“Você não acha que tá na hora de vocês se reconciliarem? Ou vai esperar ele morrer para se arrepender?” – questionamento da Dr.ª Vera ao Tito.

E vocês, leitores, estão lembrados da Dona Maria do episódio passado? Ela continua ao lado de seu neto, William, paciente ainda em coma e internado. Ela é uma fofa e demonstra o seu amor de diversas formas além da companhia: lendo um jornal sobre as notícias do futebol, contando casos e, claro, desejando a sua melhora a cada dia. Enquanto esse momento não chega, ela, juntamente à equipe médica, pôde acompanhar o quase encontro amoroso entre Luna e Emerson, dupla na qual, a princípio, só se conhecia via aplicativo de celular, ficando conhecida como “Romeu e Julieta” do hospital. E quem foi o felizardo em ser o cupido a “dar a flechada de amor”? O Dr. Evandro, é claro! Divertidíssimo ele ser a pessoa que iria autorizar o bate-papo presencial entre os crushes, que odeiam sair, mas amam filmes de terror! A jovem, por exemplo, sabe mais do garoto do que Dona Maria a respeito do marido, risos. 

Por isso, eu reitero o que eu disse no começo desta minha review: o plot dos convidados especiais foi muito mais agradável do que o dos protagonistas, com movimentações e reviravoltas, principalmente na parte do bendito encontro pela primeira vez, na vida real, entre o casal #Lumerson. Peguemos, inclusive, o momento em que Diana passa mal e não acorda: eu já estava esperando uma ambulância levando-a para o hospital, com o Evandro chegando desesperado e, de quebra, culpando a Carolina, não só pela situação, como, também, por esconder a situação. Isso tudo regado, obviamente, com muito barraco, de forma a nos entreter, afinal de contas as produções brasileiras são recheadas de boas brigas entre os personagens, diga-se de passagem. Todavia, infelizmente, nada disso aconteceu no episódio. Sério, leitores: eu quase dormi de tanta preguiça!

Ah, e por falar em preguiça, Carolina teve a audácia de pedir desculpas pra Diana por ter gritado com ela, alegando que ela tem um filho e que deveria, dessa forma, se cuidar. Uai, agora, é proibido dizer a verdade? É óbvio que Diana precisa de ajuda, mas não é escondendo-a que a situação vai melhorar, tampouco fará bem ao Francisco. Na semana passada, eu “brinquei” sobre ela não precisar aparecer, porém ela é mãe do bebê, uai. Nenhuma criança merece não receber o amor da figura materna, por mais que Carolina esteja exercendo esse papel com muita maestria, vale ressaltar. Pra piorar a situação, a ex-afilhada de Evandro dos Narcóticos Anônimo (NA) resolveu tomar um “chá de sumiço” e, agora, sabe lá Deus onde ela se encontra, muito menos se ela está bem física e psicologicamente. Uma hora Carolina teria que contar a verdade e bem feito que foi da pior forma possível. Acredito que aqui, no Série Maníacos, nos meus textos de Sob Pressão, desde 2018, eu nunca defendi o personagem, ou seja, é a primeira vez que eu faço isso: Carolina “pisou na bola”, e muito, ainda mais que Francisco é “filho” de Evandro, e não dela, como ele bem disse no final do episódio.

No que diz respeito ao encontro entre o casal “Romeu e Julieta”, ele não aconteceu, pois Luna – por ter estado um tanto nervosa e sem ar – acabou tendo que passar por mais uma cirurgia. Ela foi diagnosticada com pneumotórax, ou seja, um colapso pulmonar. Graças aos médicos, tudo se saiu bem e, finalmente, o nosso casal mais novo do pedaço, pôde se conhecer, com os dois exalando felicidade em seus sorrisos e em seus olhares. Aí, gente, que gracinha! Até a Dona Maria disse que iria torcer para que o seu neto arrumasse alguém especial na vida dele: “o seu crush, o seu match”. E olha que ela deseja isso há muito tempo, hein?! Por falar em desejo, Carolina foi atrás de Diana no anseio de encontrá-la, é claro, mas não obteve sucesso.

Aqui, vale destacar que a médica estava andando na rua segurando a máscara de proteção na mão, minha gente! Pasmem: sem ter outra no rosto! Ah, não! Isso, não! Não bastasse a imensidão de desserviços do atual (des)governo brasileiros, precisamos de mais péssimos exemplos na ficção, roteiristas? Poxa, vocês exemplificaram tão bem a importância do uso do equipamento de proteção individual no especial Sob Pressão Plantão – Covid. Não faz sentido algum, muito menos mostra respeito para com o telespectador. Chega a ser irônico tal retratação em meio ao repetido Serviço de Utilidade Pública mostrado no final de todos os episódios – vide o p.s.09 no final do texto, por favor -, o qual orienta que as pessoas continuem tomando todos os cuidados preventivos contra a Covid-19, mesmo aqueles já vacinados, caso de Carolina e dos outros profissionais da saúde, na série.

No final, me espantou também o fato de o padre – em conversa com Carolina, na igreja – não ter repreendido-a por ter entrado sem a máscara de proteção.  Acredito que o tempo não passou de forma significativa, no seriado, a ponto de ter cessado a pandemia. Pelo menos, se os roteiristas quiseram mostrar que sim, isso ocorreu, não fizeram da melhor forma possível, tampouco ficou em um tom de naturalidade. Porém, essa “novela” das máscaras, eu já estou reclamando dela tem um tempão, não é de hoje. Pelo visto, a quarta temporada – que caminha para o seu término –  não vai arrumar esse quesito, infelizmente.

Quem aí, assim como quem vos escreve, também, estava esperando o famoso cliffhanger, o famoso gancho – no clímax da trama -, no exato momento em que Carolina contou a verdade para Evandro? Cadê a Diana aparecendo desesperada na porta da casa deles com a polícia, alegando que o filho foi raptado pelo casal de médicos? Cadê o barraco? Cadê eles encontrando Diana desmaiada no meio da rua? Sei lá…  São somente algumas ideias da minha cabeça! Tinha que ter um final que nos obrigasse a assistirmos ao episódio seguinte, porque a graça está no gancho, na maior parte das vezes. Até o passeio que o casal #Lumerson vai fazer, posteriormente eles recebem alta hospitalar, eu tô na expectativa em acompanhar, mesmo sabendo que ele não será mostrado, do que em relação ao atual drama dos protagonistas. Por mais que Marjorie Estiano (Malhação) seja uma excelente atriz, ela – sozinha – não pode e não deve “segurar a série nas costas”, não é mesmo?!

PRONTUÁRIO MÉDICO:

p.s.01: Francisco chamando Carolina de “mamãe” foi o auge da fofura. O “papai” – óbvio – ficou com ciúmes;

p.s.02: E esta morosidade no relacionamento entre Vera e Mauro, hein?! Não é possível que vocês vão fazer com que ele seja apenas sugerido. Cadê o beijo? Olha, olha, hein?! Faltam apenas 4 episódios para o término da temporada. Anda logo, pelo amor de Deus, roteiristas!;

p.s.03: Confesso que eu também esperava um maior aprofundamento no plot da transfobia de Tito. Eles mostraram muito pouco do personagem e de sua família. Inclusive, cadê o prometido aprofundamento na vida da enfermeira Lívia, vivida pela atriz Bárbara Reis (Éramos Seis), hein?! Olha que promessa é dívida!;

p.s.04: Entrevista 01: Aliás, o seu intérprete, o ator Caio Vegatti, em entrevista ao portal Observatório da TV, disse que o seu estômago embrulhou ao viver o personagem. “É uma questão bem séria e delicada. (…) É uma realidade que existe, mas que muitos desconhecem, por isso acho necessário falar sobre isso. Quando você está em cena, se concentra, mas quando ela acaba, dependendo do que se trata, ficamos reflexivos. A cada término de discussão com meu pai na série, eu ficava bastante abalado”, contou;

p.s.05: Entrevista 02: Laura Genta, estudante de Medicina, acredita que ter uma série que busca mostrar a dinâmica da saúde pública no Brasil é de extrema importância. “Muitas pessoas enxergam o SUS de maneira errada, desacreditando e debochando do sistema. O projeto é bem desenhado, mas a prática, infelizmente, ainda fica aquém do esperado. Há um esforço para atender o paciente de forma integral e humanizada e acredito que estamos no caminho certo, mesmo que as barreiras e os desafios sejam imensos”, refletiu a jovem, que está no quinto ano do curso, em entrevista à RPC, afiliada da Rede Globo, em Curitiba, no Paraná;

p.s.06: No que diz respeito à Audiência, Sob Pressão aumentou apenas 0,6 décimos percentuais, tendo atingido 18,8 pontos, na Grande São Paulo (SP), segundo dados do Notícias da TV, do UOL. De novo: vamos melhorar isso aí, poxa!;

p.s.07: Fome, Trânsito, Deficientes, HIV/AIDS, Incêndio e Automedicação. A lista de temáticas pertinentes e atuais, na série médica só aumenta e não seria diferente nesta semana, sobre a importância do cuidado da pessoa com  Depressão, juntamente às formas de procurar apoio, com uma publicação exclusiva no Gshow. É um excelente material de leitura!;

p.s.08: Serviço de Utilidade Pública da Semana 01: “A depressão é uma doença que pode atingir qualquer pessoa. Ligue 188: Centro de Valorização da Vida.” Acesse: gshow.com/sobpressao; e

p.s.09: Serviço de Utilidade Pública da Semana 02: “Mesmo quem já teve Covid-19 pode ser reinfectado e deve manter todos os cuidados.”

REVISÃO GERAL
Nota:
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sob-pressao-4x07-episodio-07De forma inédita, ‘Sob Pressão’ peca em não aprofundar a história de seus protagonistas, ao passo que nos encanta na trama das participações especiais.