Desde o seu lançamento, em 2016, como um filme homônimo, livremente baseado na obra do médico Márcio Maranhão – “Sob Pressão: a Rotina de Guerra de um Médico Brasileiro” – a série Sob Pressão coloca em pauta as principais problemáticas da saúde pública no Brasil. Desse modo, não seria diferente para com o atípico ano de 2020, que foi assolado por um vírus, que de novo só tem o nome, afinal de contas, agora, a Comunidade Científica mundial luta para a descoberta de uma vacina para combater, de fato, a pandemia do novo Coronavírus.
E não é somente os cientistas, juntamente aos profissionais de saúde – médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem -, que estão na “Linha de Frente”, não. A Comunidade Artística, também: todos os profissionais envolvidos nas gravações da “Grey’s Anatomy Tupiniquim”, desde produção até o elenco, “arregaçaram as mangas”, a partir do dia 06 de agosto de 2020 e, em 20 dias, gravaram os dois Episódios Especiais do seriado sobre essa nova e triste realidade do século XXI. Esse não será o primeiro, muito menos o último “pedido de socorro” do Sistema Único de Saúde (SUS), exclusivo do Brasil, pois, desde a sua criação, com a institucionalização da Constituição Cidadã, em 1988, ele é assolado pela corrupção. Tal fato, infelizmente, é materializado pela falta de equipamentos e de estruturas para o atendimento ao público. Contudo, apesar de nós, brasileiros, muitas das vezes, sofrermos nas filas de atendimento de uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA), por exemplo, não fomos educados ao contexto da reflexão e da luta pelo SUS, e sim a banalizar, a criticar e a ofender, principalmente aqueles que, inclusive, são vítimas: os profissionais de saúde mencionados.

Felizmente, para a nossa alegria, de modo a coibir um pouco essa triste realidade, Sob Pressão veio como um alento, por meio de suas mensagens no final de cada episódio, os famosos Serviços de Utilidade Pública, nas minhas reviews. Tais informes servem para que as pessoas procurarem ajuda de um determinado problema social vigente, como o alcoolismo e a violência doméstica. Sem contar, é claro, dos vários episódios emocionantes durante as três primeiras temporadas, não é mesmo?! Então, de modo a relembrar os momentos mais marcantes e, claro, elucidar as minhas expectativas para os Episódios Especiais, vamos matar a saudade? Lembrando que aqui, no Série Maníacos, você, caro leitor, encontra uma cobertura completa do seriado, a partir da segunda temporada, com notícias, reviews, bastidores e novidades, hein?! É só clicar na tag do nome da série, que, inclusive, ganhou mais uma, obviamente – Sob Pressão – Plantão Covid – logo no final dessa publicação e navegar pelo universo médico de Sob Pressão. Sem mais delongas, vamos ao que interessa: responder a pergunta-título da postagem, assim como eu fiz em Segunda Chamada, no Menino Maluquinho – O Filme e, claro, em Sob Pressão, também. Vamos lá: “‘Sob Pressão’ e a sua retrospectiva: o que esperar dos dois episódios especiais sobre o novo Coronavírus?”:
1ª TEMPORADA
De forma tímida, sem muitas expectativas, lá em 2017, fomos apresentados ao seriado Sob Pressão. Há quem disse, na época, que não iria assistir, pois existem muitas séries médicas por aí, como ER – Plantão Médico e House, devendo ser mais um produto batido do mesmo enredo: hospitais, pacientes e superlotação. Soma-se a isso, o nosso histórico enraizamento do famoso “Complexo de Vira-Lata”, expressão criada pelo escritor Nelson Rodrigues, durante a Copa do Mundo, de 1950, quando a Seleção Brasileira de Futebol perdeu para o Uruguai e se colocou “inferior” perante os outros países. O brasileiro, ao invés de chutar o “Complexo” para o gol e levantar a cabeça, de modo a esquecer essa cultura de desvalorização, preferiu materializar esse comportamento em diversas áreas, como na cultura televisiva, infelizmente. Todavia, vieram os roteiristas, que, em um excelente trabalho, mudaram esse cenário de inferioridade para a valorização, colocando toques brasileiros na trama. Eu duvido que alguma série médica americana apresentou um médico, saindo à procura de um pedaço de mangueira, de modo a usá-lo como dreno em uma cirurgia, vamos combinar. Só o Dr. Evandro (Júlio Andrade de 1 Contra Todos) para ter esse tipo de atitude, não sendo uma extrapolação do “bom senso da criatividade” dos roteiristas, não, minha gente, porque no livro-base mencionado, Márcio fez isso na vida real.
A história principal é de uma equipe médica que atende pacientes em um hospital público, no subúrbio da cidade do Rio de Janeiro (RJ). Eles, médicos e enfermeiros, trabalham arduamente para que, na medida do possível, todos possam ter a melhor assistência. E de forma a dar o mais puro realismo para a trama, a produção apostou na fotografia natural, com cenas externas, de modo a pegar a luz solar, juntamente ao figurino simples, de segunda mão, ou seja, discreto. Isso tudo sendo contemplado pela caracterização de cansaço, de sofrimento e de horas trabalhados nos plantões da equipe médica, dentre atendimentos, cirurgias e apelos dos pacientes, que enxergam neles a figura de um amigo naquele momento de sofrimento, de dor, de angústia. E os médicos-protagonistas desse ambiente são: o Dr. Evandro e a Dra. Carolina (Marjorie Estiano de Malhação), com cada um deles tendo as suas mazelas pessoais, sendo a dele, o trauma de ter perdido a esposa, Madalena (Natália Lage de A Divisão), na mesa de cirurgia, juntamente a um processo judicial feito pela sua ex-sogra, Dona Eugênia (Carla Ribas de Reality Z) que o culpabiliza pela morte da filha, e ela, a automutilação, devido ao abuso sexual sofrido pelo seu pai, Jose Luiz Almeida (Luís Melo de O Outro Lado do Paraíso). Aqui, vale ressaltar o seguinte: apesar de serem intitulados os “verdadeiros heróis”, as pessoas focalizam muito na parte “romântica” da profissão médica e acabam se esquecendo que eles são seres humanos, isto é, possuem sentimentos e, obviamente, têm problemas como qualquer outra pessoa.
No primeiro ano da série tivemos o início do embate entre fé e ciência, a partir da relação nada amistosa entre os dois. Isso se dá pelo fato de Carolina acreditar em Deus, na bondade das pessoas, em uma espiritualidade significativa. Em contrapartida, Evandro, cético de natureza, acredita, na ciência, em que a cura advém, exclusivamente, do seu trabalho como médico. É claro que tudo isso serviu como “gatilho” para que ambos se aproximasse e, claro, se apaixonassem depois, pois rolou um clima entre os dois, desde a primeira cirurgia, com a disputa de ego para saber quem estava com a razão. E sabem aquele famoso de “quero mais”? Então, a série, nessa época, tinha e continua tendo potencial, afinal de contas, o SUS, pelo fato de ter 32 anos de existência, tem história para mais 30 temporadas, no mínimo. Não é pra menos que a nossa série médica brasileira garantiu 5 temporadas até agora, com a presença do elenco fixo confirmada.

2ª TEMPORADA
O segundo ano de Sob Pressão inicia-se, em 2018, de forma eletrizante, com tiroteio em uma Comunidade do Rio de Janeiro (RJ), capital. Em virtude disso, um traficante é baleado, sobrando para Evandro tentar salvar a vida do moço. Quem adivinharia que, por conta dessa situação, Carolina iria fazer uma declaração de amor, no final da season premiere, com pedido de casamento feito por ela? Empoderamento feminino que fala! Além disso, tivemos um beijo gay para a desconstrução da família “tradicional” brasileira. Concomitantemente, tivemos os famosos casos semanais, junto aos dramas pessoais de nossos protagonistas. Já no segundo episódio, a “comemoração” do casamento do nosso casal – #Cavandro – foi durante o salvamento de um paciente obeso, o senhor Virgílio (Xando Graça de Filhos da Pátria) por meio de um guindaste, afinal, ele não aguentava descer as escadas de seu prédio.
O personagem novato que poderia ajudar no caso, mas resolveu ser esnobe, não respeitando os horários de trabalho foi o médico Dr. Henrique (Humberto Carrão de Cheias de Charme), profissional vindo de unidades hospitalares particulares. Ele acaba se envolvendo no meio da corrupção, juntamente à Renata Gomes (Fernanda Torres de Amor e Sorte), vinda, também, do setor privado, sendo a nova gestora do hospital público. Intragável, corrupta e megera são um dos vários adjetivos destinados à ela, pois houve superfaturamento do dinheiro estatal, aliado aos trâmites ilícitos, como a falta de transparência. Ademais, houve a aparição do pai de Carolina, com ele querendo o seu perdão. Francamente, né?! Ele acabou levando uma surra na rua e, em meio à sala de cirurgia, acabou falecendo devido complicações dos ferimentos. Finalmente, agora, ela poderia começar a ter um pouco de paz, pois o “fantasma” do trauma do abuso a persegue por toda a vida. Já na metade da temporada, devo destacar o eletrizante quinto episódio, com aquele acidente de trânsito, com o ônibus caindo de uma altura significativa, ferindo muitas pessoas. O motivo? Um bandido invade o coletivo, anuncia o assalto e o motorista acaba perdendo o controle da direção. A adrenalina tomou conta da cenas, já que a emoção faz parte da trama. Sangue, vazamento de óleo e explosão do veículo foram um dos ponto fortes para com a verossimilhança com a realidade.
Outro personagem que teve um destaque maior ao longo da trama foi o Dr. Charles (Pablo Sanábio de Totalmente Demais), médico que aprendeu muito com os seus colegas de trabalho. E nada melhor do que colocar em prática todo o aprendizado, não é mesmo?! Lembrando que ele estava sozinho, sem a ajuda de seus superiores, durante a realização de uma cirurgia. Dedicação, persistência e, claro, uma ajuda dos roteirista, afinal, eles “obrigaram” o rapaz a ficar sozinho, acarretaram a sua evolução. O grito que ele deu no final foi de liberdade, de superação. É tão interessante ver esse tipo de ocorrência, pois a gente fica feliz pelo personagem, como se fizéssemos parte dessa conquista. E por falar em conquista, a vida da pequena Kelly (Giulia Gatti de Detetive do Prédio Azul) foi salva por meio de uma transfusão sanguínea, apesar de toda a negativa do pai, muito religioso e rígido em seus posicionamentos para com a sua família, no sétimo episódio. E adivinhem quem teve a destreza de mudar essa situação de embate entre fé e religião? Ponto pra Drª. Carolina, mais um vez! Em meio a isso, Dr. Evandro estava se entupindo de remédios, pelo fato de ter o hábito da automedicação em sua vida, enquanto a sua esposa realizava a automutilação. Angústia, depressão e sofrimento para com ambos, afinal de contas, são seres humanos com problemas de saúde.

No que diz respeito ao contexto de Renata, a gestora, além de continuar com toda a corrupção, assassinou o Dr. Samuel, culpabilizando Carolina, última pessoa a vê-lo internado. Esse foi um dos maiores embates na temporada, com a médica em busca de respostas, pois estava sendo ameaçada, tendo tudo e todos contra ela. Uma baita de uma injustiça em cena! A luta dela não foi fácil, mas, ao usar toda a sua paciência, inteligência e, óbvio, evolução como pessoa, ela conseguiu as provas e em uma season finale eletrizante, Renata foi atingida por um tiro, sendo internada e, posteriormente, presa e condenada. Infelizmente, o “Macedão”, o Hospital Luíz Carlos Macedo foi fechado e a equipe médica ficou desempregada, afinal de contas, materiais básicos, como um simples fio vascular faltou durante cirurgias, devido ao desvio de verbas. Sobrou, inclusive, para o Dr. Henrique, que foi preso, apesar de contar a verdade sobre os esquemas ilícitos. Já o Dr. Evandro aceita o tratamento e retorna aos Narcóticos Anônimos para se cuidar. Foi lindo esse final, ainda mais com a mensagem forte que ele disse. Relembremos:
“Eu luto todos os dias contra a morte. O Brasil é um país doente. É só olhar! A violência, a corrupção, o motoqueiro sem capacete, a bala perdida…. Mas nenhum desses é problema da saúde. Mas tudo isso leva uma pessoa pro hospital. Nosso hospital tinha muitos problemas, mas a gente nunca deixou nenhum paciente sem atendimento. Era uma luta diária! E agora fechou. Desviaram dinheiro, roubaram tudo. Mas a esperança de ter uma saúde pública digna pra todo mundo ninguém vai tirar da gente. Nunca!” – MOREIRA, Evandro.
Esse segundo ano de Sob Pressão foi muito bem construído, tendo o começo, o meio e o fim bem encaixados no enredo, dando, até mesmo, um ar de series finale. Ainda bem que isso não aconteceu, pois no ano seguinte, em 2019, veio a terceira temporada. Ao longo dos episódios tivemos casos de: mulher com depressão, drogada, que ficou grávida, atropelamento, cirurgia plástica clandestina, intoxicação alimentar, tuberculose, paciente atingido por bala perdida, transfobia, violência doméstica, esquizofrenia, esposa que colocou fogo no próprio marido no leito hospitalar, gravidez na adolescência, tentativa de suicídio e vários tantos outros pacientes nos “casos semanais”. Ufa! É a constatação da realidade brasileira em cena!

3ª TEMPORADA
Apesar de saber que a série sempre mostrou o que ocorre do lado de fora das câmeras, eu não imaginava que a produção pudesse superar as nossas expectativas. Porém, felizmente, isso aconteceu para a nossa alegria. A season premiere começou retratando a Greve dos Caminhoneiros, que assolou o país, no primeiro semestre de 2018, com a crise de abastecimento, enquanto o casal #Cavandro estava trabalhando no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). A aflição tomou conta da tela, pois Carolina não conseguia vaga para uma criança, que precisava de uma cirurgia de urgência, tendo, mais uma vez, Marjorie Estiano entregando um belo trabalho. Porém, ela estava “guardando” a sua atuação para um pouco mais da metade da temporada, afinal, ela e Evandro são convidados a trabalharem no Hospital São Tomé Apóstolo, após serem chamados pelo amigo e colega, o Dr. Décio (Bruno Garcia de Bang Bang), após resolverem o caos e ajudar alguns pacientes, na medida do possível. A participação de Joana Fomm (Vamp), como a Irmã Graça, foi encantadora, nos remetendo à paz e à serenidade.
Já no segundo episódio tivemos o aparecimento de Aristeu (César Ferrario de O Outro Lado do Paraíso), chefe da milícia da Comunidade que ficava ao lado do hospital. Esse momento já foi repleto de tensão e serviu como uma prévia do que teríamos logo mais à frente, com a retratação da violência de assola a capital do Cristo Redentor e os seus moradores. Outro quesito interessante é que a produção consegue retratar vários casos de pacientes, sem nenhum ser cansativo, muito menos insignificante. A história de Charles foi aprofundada e ele, coitado, foi dispensado pela sua ex-namorada, Larissa (Nanda Félix de Baile de Máscaras), atendida por ele, devido à uma inflamação no coração. Em contrapartida, quem teve um amor correspondido foi o Dr. Décio, posteriormente consultar o paciente Kléber (Kelner Macêdo de Todxs Nós), um cara mais jovem e um tanto galanteador. O episódio foi exibido no mesmo dia em que o Supremo Tribunal Federal (STF) equiparou o crime de homofobia com o de racismo, sendo um dia histórico, na luta pelo respeito à diversidade.
Outra constatação feita pelo seriado foi a representação do desabamento de um prédio, com vítimas, de um prédio. Essa fatalidade aconteceu na realidade, no ano passado, na Comunidade de Muzema, da “Cidade Maravilhosa”. Dentre os muitos pacientes feridos tinha uma especial, a cartomante Dona Geralda (Simone Mazzer de Som Brasil), que previu o futuro de Carolina, com uma gravidez. E olha que o embate com o Evandro estava intenso, pois ele queria filhos e ela, não. Porém, o ápice da qualidade da interpretação se deu no décimo episódio, em que a exibição foi dupla, juntamente ao nono, em que a tensão tomou conta das dependências do hospital. Impecabilidade! Essa é a palavra para definir essa obra prima da televisão brasileira que será lembrada com muito respeito e carinho. Tanto é que os Trends, tanto o nacional, quanto o mundial, foram “quebrados”, no Twitter, pessoal. O plano-sequência foi executado com maestria, pelo Júlio Andrade, que, também, trabalhou na direção, ao ter deixado o telespectador imerso na história de violência e de tiros, vindos do Aristeu e de seus comparsas na unidade hospitalar. E o que dizer de Marjorie Estiano e sua belíssima atuação? Não é qualquer atriz que deixa a meleca escorrer das narinas, não. É muito talento em cena, com a aflição da possível perda do bebê, em virtude da maca ter atingido a sua barriga. Eu estava torcendo para que mãe e futuro(a) filho(a) ficasse bem, mas houve a perda do feto e o choque deixou nós fãs bestializados, ainda mais com Evandro, um tanto cético de natureza, rezando na Capela, pedindo a salvação de sua esposa.
Contudo, só foi ela superar o trauma do acidente que ela pediu a separação, porque ele estava muito envolvido com Diana (Ana Flávia Cavalcanti de A Garota da Moto), uma paciente e afilhada nos encontros dos Narcóticos Anônimos. É ciúmes que fala, né?! Ele ainda tem a audácia de dormir junto da outra e Carolina vai se divertir na balada e dormindo, também, com outro moço. Tudo errado, vamos combinar! Um não queria dar o braço a torcer, mas, no final – obrigado, roteiristas -, eles acabam ficando juntos, lá no programa internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF), na Floresta Amazônia. Já a Diana, com cara de enjoamento, volta para o interior. Eu vi uns tempos atrás, pela internet, que a personagem iria voltar para atormentar, de novo, a vida do nosso casal. Haja paciência para aguentá-la, hein?! Tomara que tais rumores não se concretizem, por favor, roteiristas. Ah, não posso me esquecer do dizer do reencontro da Dra. Vera (Drica Moraes de Justiça) com o seu filho, Leonardo Veiga (João Vitor Silva de Rock Story), por intermédio do paciente Seu João (Perfeito Fortuna de Caminhos do Coração). Um cena linda, comovente, do abraço entre mãe e filho!
A torcida agora é que eles estejam juntos na quarta e inédita temporada, apesar da tristeza da perda do Seu João, que acabou falecendo devido ao seu estado de saúde. Não preciso nem dizer que a adição de Drica Moraes ao elenco foi uma riqueza ímpar e peculiar ao enredo. Personagem ríspida e debochada é tudo que a gente estava precisando para movimentar a história! Percebe-se, portanto que a realidade ficou mais evidente e materializada nessa terceira temporada, com casos diversos: violência urbana, violência contra mulher, amor, Infecções Suxualmente Transmissíveis (IST’s), racismo, câncer de mama, vacinação, desvalorização dos professores, aborto espontâneo, cuidados paliativos, câncer de pulmão e a importância da saúde para o indivíduo. Ufa! Podemos seguir adiante!

EPISÓDIOS ESPECIAIS: EXPECTATIVAS
Um dos pontos cruciais do Sob Pressão – considerado não uma série, e sim um projeto pelos atores – é o seu formato de surpreender o telespectador. E essa surpresa, também, foi em relação ao seu cancelamento e, depois, à sua renovação. Estava parecendo uma “novela” essa questão, porque o final do terceiro ano deu a entender que o ciclo se fechou “para sempre”. Contudo, pela grande repercussão nas redes sociais, juntamente ao apelo dos fãs, a série médica brasileira não ganhou uma, mas duas temporadas inéditas. E como a “arte imita a vida”, os roteiristas não deixariam de fora o contexto da pandemia do novo Coronavírus. Tanto é que eles decidiram fazer essa “mini-temporada”, com o título de “Especial”, para abordar o assunto e, claro, homenagear todos os profissionais de saúde que estão na “Linha de Frente” no combate à Covid-19, dentre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, socorristas e por aí vai.
A emoção, com certeza, vai tomar conta, novamente, da tela da Rede Globo, a partir do dia 06 de outubro de 2020, semana que vem, com a exibição do Primeiro Episódio. Na semana seguinte, no dia 13, será transmitido o Segundo e último Episódio. Eu até entendo a dificuldade da logística que foi gravar esses capítulos inéditos, em meio às regras sanitárias de prevenção ao contágio do vírus, com a presença de camarins exclusivos para o elenco, por exemplo. Todavia, a minha expectativa era de um temporada inteira abordando a temática, pois se o SUS tem mais de 30 anos, o Coronavírus, em sete meses do Brasil, já causou transformações significativas na população, como vidas humanas perdidas. Logo, histórias de tristes e de superação estão espalhadas pelo nação afora. E o que esperar desses dois episódios? Muita sensibilidade, amor e respeito para com quem cuida do próximo. O médio Márcio Maranhão, consultor do projeto, desde o filme homônimo, visitou Hospitais de Campanha e conversou com pacientes, médicos, equipes e familiares, de modo a retratar, o mais fiel possível, essa questão da saúde pública. E pelos teasers já lançados, juntamente às chamadas ao longo dos intervalos da programação do “Plim Plim”, médicos, pacientes e enfermeiros terão dificuldades em entender essa nova realidade, um tanto caótica e conturbada para todos os brasileiros, durante os atendimentos.
“Por de trás das máscaras, existe alguém Sob Pressão.” Essa foi uma das frases ditas pelo casal protagonista nas novas imagens e a minha esperança, com isso, é que a população entenda que médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, além de se desdobrar e correr o risco de perderem as suas vidas, em virtude da contaminação, são vítimas como todo o restante da população no aspecto da corrupção. Isso se dá pelo fato de que a falta de leitos, de Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s), a ausência de respiradores nos leitos, e tantos outros utensílios hospitalares, é culpa da corrupção, da inobservância de governantes do país que negligenciam à saúde pública, o SUS. Quem sabe, posteriormente à exibição, as pessoas comecem a refletir e a mudar os seus posicionamentos em relação aos profissionais de saúde, não é mesmo?! É uma classe que merece toda a admiração e, principalmente, o respeito, sem serem agredidos com palavras de baixo calão, muito menos com a violência física. E se depender da “Grey’s Anatomy Tupiniquim” a valorização será oferecida ao pessoal da enfermagem, uma vez que Lucas Paraizo (Aos Teus Olhos), redator final, adiantou que irá homenagear esse pessoal, por intermédio da atriz Roberta Rodrigues (Cidade de Deus), dando vida à enfermeira Marisa.

Seguindo essa linha de raciocínio de novos personagens, deve-se parabenizar a produção que está aumentando a representatividade de negros, sendo um ganho para o seriado. Historicamente, na televisão, atores negros sempre foram inseridos em papéis secundários, mas, agora, eles estão na “Linha de Frente” da representatividade e isso dá um orgulho imenso. Isso se justifica, não só pelo quesito histórico, como, também, servem de ajuda para os movimentos contra o racismo e à injúria racial, que tomam conta do país nos últimos tempos. Então, vamos lá: além da Roberta, já mencionada acima, teremos mais três atores: Marcello Melo Jr. (Arcanjo Renegado), no papel de um jovem acometido pela doença, ao lado de Heslaine Vieira (Malhação – Viva a Diferença), artista que terá a sua personagem como vítima da Covid-19 e David Júnior (Bom Sucesso), na pele no neurocirurgião Mauro. Lembrando que última adição se justifica, pois, desde maio, estamos cientes de quem alguém importante vai falecer, em virtude da contaminação pelo novo vírus, sendo um médico, a vítima.
E por falar em vítima, o Dr. Evandro, teimoso como sempre, também, será vítima do novo Coronavírus. Pelos informes divulgados, ele ficará em coma, enquanto relembrará, mediante um flashback, momentos de quando era mais novo, no início da sua carreira médica, ao lado de sua mãe Penha (Fabíula Nascimento de Bom Sucesso). Ademais, ele vai relembrar conversas com o Dr. Samuel, seu amigo de longa data, com a participação especial de Stepan Nercessian (Chacrinha: O Velho Guerreiro), que teve o seu personagem assassinado na segunda temporada. E a grande novidade é a que o ator Ravel Andrade (Reality Z), irmão de Júlio, interpretará o Evandro nessa época. O laço familiar, obviamente, vai ajudar a compor o personagem, concomitantemente aos traços físicos bem parecidos entre os dois, apesar da diferença de idade entre a dupla. Inimaginável o orgulho que um deve estar sentindo pelo outro por interpretarem o mesmo personagem. Ninguém vai querer perder esse “crossover” entre irmãos, né?! Imperdível! “Como é um episódio voltado para os médicos, nossa homenagem engloba uma metáfora, através do personagem do Evandro, sobre como alguém decide ser médico. O que existe na vida dele que determina essa vocação. É um diferencial”, contou Paraizo.
Por fim, Marcos Caruso (Avenida Brasil) e Kelzy Ecard (Éramos Seis), completam o elenco. Enquanto ele será mais um personagem vítima do novo Coronavírus, ela será a coordenadora de uma casa de repouso, onde residirá Augusto, vivido por Caruso. Ele ficará na “Zona Quente”, local onde os pacientes ficarão nos leitos do Hospital de Campanha, ao lado da “Zona Morna” e da “Zona Fria”. A primeira é onde a equipe de profissionais trocará de roupa, ao vestir toda a paramentação, de modo que fique protegida, como luvas, toucas, máscaras e capas. Em contrapartida, no outro espaço ficará a Administração, juntamente à triagem dos pacientes, com a personagem Rosa (Josie Antello de Amor à Vida), cuidado do local. O restante do elenco são os veteranos: o Dr. Décio, e Dr. Charles e técnica em enfermeira Keiko (Júlia Shimura de Me Chama de Bruna).

4ª TEMPORADA
Aproveitando o momento, é evidente que o novo ano do seriado será alterado em virtude da pandemia. Até agora foram escritos 12 episódios e a menção ao novo Coronavírus vai diminuir nos episódios inéditos, afinal de contas, a problemática já está tendo dois Episódios exclusivos e, até ser gravada e ser exibida, com certeza, a população, muito provavelmente, e a gente torce para isso aconteça, terá sido vacinada, com a pandemia, finalmente, cessada no território nacional e no mundo. Outra novidade da quarta temporada é o fato de a advogada Olívia Fürst, presidente e cofundadora do Instituto Brasileiro de Práticas Colaborativas (IBPC), já ter finalizado a sua consultoria especializada em Direito de Família. Ela poderá voltar, ano que vem, durante o período de filmagens, com o objetivo de prestar eventuais auxílios ainda pendentes.
Para finalizar, teremos a abertura ao som de Sob Pressão, música composta por Gilberto Gil e equipe para a abertura dos Episódios Especiais. O convite foi feito, mais uma vez, por Andrucha Waddington (Os Penetras), o diretor artístico, que havia feito o mesmo pedido, com resposta positiva para com a música Se Eu Quiser Falar Com Deus, um dos embalos da season finale da terceira temporada. “Vamos cantar que a vida é só agora”, diz verso da nova letra, gravada em estúdio, ao lado de seu amigo Caetano Veloso. Já separaram a caixinha de lenços? Quem vai chorar litros comigo, nas reviews, hein? Então, anotem na agenda aí:
A partir do dia 06 de setembro de 2020, terça-feira, à noite, logo após a exibição da reprise de A Forma do Querer (2017), o primeiro Episódio Especial de Sob Pressão – Plantão Covid será exibido. Já o segundo e último, fica para a próxima semana, no dia 13 do mesmo mês, no mesmo horário.
Produzida pela Rede Globo, em parceria com a Conspiração Filmes, Sob Pressão, renovada para mais duas temporadas, a quarta e a quinta, respectivamente, continua sendo escrita por Lucas Paraizo, juntamente aos seus colegas de trabalho: Márcio Alemão (Carrossel: O Filme), André Sirangelo (3%), Flávio Araújo (Onde Nascem Os Fortes) e Pedro Riguetti (Buzum). Já a equipe de direção de fotografia é composta por Fernando Young e Lua Cerri. Por fim, Andrucha Waddington ficará na direção artística.
Sob Pressão obteve bons índices de audiência no Ibope, para a faixa das 23h, horário em que foi exibida. A season finale, da terceira temporada, por exemplo, exibida em julho do ano passado, obteve 25 pontos, na Grande São Paulo (SP), sendo esse o seu melhor desempenho, desde setembro de 2017, ano de sua estreia.

Todos os 34 episódios, das suas três temporadas, estão disponíveis, no catálogo do Globoplay, o serviço de streaming da Rede Globo.
Vale lembrar que nós iremos cobrir os episódios inéditos do drama médico brasileiro, ao trazer, nas reviews, informações extras, como análises técnicas, audiência, bastidores, curiosidades, entrevistas e muito mais. Não percam!
Você pode conferir todas as críticas, de todos os episódios de Sob Pressão, a partir de sua segunda temporada, aqui, no Série Maníacos.
PRONTUÁRIO MÉDICO:
p.s.01: Alô, Emmy Internacional! Que história e essa de não indicar Sob Pressão, muito menos a Marjorie Estiano, na lista deste ano (perdão pelo trocadilho), hein?! Falta de respeito, não só para com ela, como, também, para com todos da equipe de produção do seriado. Imperdoável;
p.s.02: Para dar um “gostinho” do que vem por aí, o ator Marcello Melo Jr., em entrevista à Patrícia Kogut, do O Globo, contou a experiência de gravar esses episódios. “Resumindo em uma palavra: assustador. Queria sair da gravação e não precisar usar os paramentos do personagem. O assustador é ir de máscara, gravar de máscara e sair de máscara para este mundo de pandemia. A minha mão praticamente é um álcool gel. Às vezes, a gente esquece a carteira, o celular, mas o álcool está sempre ali preparado”, contou Marcello;
p.s.03: Quem se lembra do personagem cômico, o médico Amir (Orã Figueiredo de Cidade Proibida), que tinha duas namoradas, lá na primeira temporada. A gente dava boas risadas entre as trabalhadas e escondidas dele para com as duas, né?! Saudades dessa parte humorística da série!;
p.s.: 04: No lançamento da segunda e da terceira temporada, elenco e produção doaram sangue, convidando a todos, ano passado a doarem, inclusive. Será que neste ano teremos algo parecido? Ou devido ao isolamento social nenhuma campanha será promovida? Aguardemos!;
p.s.05: Será que teremos a morte de algum personagem devido à Covid-19? Não estou preparado, psicologicamente, para isso. Socorro!















