Religião versus Saúde! Esse foi o tema central – muito delicado, diga-se de passagem – do episódio da semana. Sob Pressão continua sendo emocionante (já está ficando repetitiva essa palavra, né?! Preciso, urgente, de um sinônimo), nos mostrando, por meio de pequenos detalhes, o amor ao próximo e a importância da saúde na vida das pessoas.
Tudo começa com uma família prestes a realizar um churrasco na laje, como é de praxe em nosso país. Quem não gosta, não é mesmo?! Porém, de repente, Kelly (Giulia Gatti de Detetive do Prédio Azul), de 10 anos, filha do casal Vanessa (Roberta Gualda de Bang Bang) e Hamilton (Pedro Wagner de Justiça), despenca da laje, após tentar pegar uma pipa, e cai em cima do telhado de uma casa abaixo. Rapidamente, ela é socorrida no hospital e os primeiros procedimentos são feitos. Entretanto, a menina necessita realizar uma transfusão de sangue, caso contrário, sua vida ficará em risco, podendo, levar, infelizmente, ao óbito. Isso quase ocorreu, uma vez que a religião dos pais, Testemunha de Jeová – se não me falha a memória – não permite tal ato. Mas até que ponto ocorre em embate?!
Nesse assunto, vale ressaltar alguns pontos importantes: a Constituição Brasileira, também, denominada, Constituição Cidadã, de 1988, assegura, após o país se tornar laico (sem uma religião oficial que representa a nação) a plena liberdade de crença, religião e fé para todas as pessoas. Todavia, para que possamos realizar as nossas manifestações em adoração a um ser superior, muitas vezes intitulado Deus, precisamos estar vivos, correto?! Daí o Direito à Vida prevalece sobre os demais, pois é o bem mais preciso que o ser humano pode ter e, querendo ou não, esse direito acaba sendo “pré-requisito para todos os demais existentes”. Aonde eu estou querendo chegar com tudo isso?! Simples: as religiões devem sim ser respeitadas, mas não têm o direito de colocar a vida de outrem em risco, pois é um direito assegurado por lei.
Aliás, não só nacional! A Declaração Universal dos Direitos Humanos, sancionada pela ONU (Organização das Nações Unidas), em 1948, tem, em seu Artigo 3, a seguinte frase: “Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.” A população, então, está assistida de várias formas e poderá, a qualquer hora realizar uma transfusão sanguínea, ainda mais se for uma criança ou uma pessoa que não está apta a responder pelas suas faculdades mentais. É claro que ocorre, também, outros meios de salvar o paciente, posteriormente, a realização de uma reunião com a junta médica. A transfusão sanguínea é, na maioria das vezes, a última instância, ou seja, quando não há mais nada a ser feito a não ser essa opção. Tudo é conversado, esclarecido e, claro, respeitado, principalmente, quando envolve religião. Em fim, o que deve ser feito é entrar em um consenso, já que existem prós e contras, em relação a esse procedimento médico.
O Dr. Evandro, em grande parte das cenas, ficou bastante nervoso e exaltado. Não era pra menos. Ele tinha uma missão a cumprir: salvar a vida de Kelly, pois poderia ser denunciado por omissão de socorro, já que o Código de Ética Médica assegura o salvamento de um paciente em todas as instâncias da profissão. E pior: caso ela chegasse a falecer, ele carregaria para o resto de sua vida um sentimento de culpa. Vamos lembrar que o Dr. Evandro carregou esse sentimento, em relação a ex-mulher durante muito tempo, né?! Viver isso, de novo, não, coitado! O bom que no final deu tudo certo! Kelly se saiu muito bem na cirurgia e a mãe, desde o princípio, estava querendo o melhor para a sua filha. O pai, também, obviamente. Não deve ser nada fácil ser abalado na fé, mas foi a melhor decisão que ele tomou, ao escolher ficar com a sua família!
Além disso, não podemos deixar de lembrar as belas palavras que saem da boca doce da Dr. Carolina. Que personagem e essa minha gente?! Não sei lidar! Vocês sabem?! Tanto antes quanto depois da cirurgia ela conversou, amorosamente, com os pais, arguindo sobre Deus, religião e, principalmente, medicina. Já disse por aqui e repito: quero muitas premiações para a Marjorie Estiano (Pode ser esse ano! Piadinha velha, mas eu não resisti), afinal, ela é uma ótima atriz e está acima da média. Cadê o Emmy Internacional, hein?! Quero Oscar, Globo de Ouro, Troféu Imprensa…. Isso seria até pouco, pois é muito talento na frente da televisão!

Outro fator interessante que, de certa forma, mostrou a Hamilton que ele tomou a decisão assertiva foi o desenho do Elton. Mas quem é Elton?! Voltemos algumas cenas atrás: chega ao pronto atendimento um morador de rua que fora espancado no estacionamento de um shopping. Ele estava todo ferido e não tinha documentos para a sua identificação. Dr. Charles e a enfermeira Jaqueline tomam conta dele. Foi uma graça ver ela dando banho, cortando os cabelos, fazendo a barba dele… No mundo, ainda há pessoas amorosas igual a ela, com certeza! A medida em que foi conseguindo a confiança de todos, o morador se adaptou ao espaço e em uma de suas andanças pelos corredores fez algo esplendoroso: desenhou em uma parede branca – na parte que está sendo reformada, provavelmente – a família de Kelly, com ela recebendo o sangue e, ao mesmo tempo, de mãos dadas com os pais e o irmãozinho. Há, no desenho, o coração de cada um, representando o amor da família, que supera qualquer dificuldade. Lindo tudo isso, né?! Foi por conta desse desenho, também, que Pedro, irmão de Elton, o desenhista, o encontrou, após Jaqueline postar a imagem nas Redes Sociais. Ele é esquizofrênico e sumiu pelo mundo. Ainda bem que agora será cuidado por uma pessoa que o ama muito.

Já em relação ao plot da corrupção, Renata e Henrique soltaram as asinhas, ou melhor dizendo, o dinheiro. Prestes a realizar uma cirurgia em Elton, Dr. Henrique pede uma prótese mais barata, mas Renata insiste que ele tem que usar a mais cara, já disponível no almoxarifado. Motivo?! Segundo ela, quem usa o material ganha uma comissão extra, pois, dessa forma, irá compensar o salário ruim que eles recebem do governo. Erradíssimo! Além disso, a nova diretora argumenta que o custo do paciente e a demora em chegar a prótese de cimento têm um custo muito maior que a comissão. Resultado?! Dr. Henrique que não é nada bobo aceita e recebe a bolada amarrada em gominhas de borracha. Em meio a isso, temos o Dr. Samuel todo desconfiado, afinal, nunca aconteceu uma coisa dessas enquanto ele era o diretor e Renata ainda joga na cara que ele não é mais o representante supremo do local. Que mulher intragável, hein?! Já tomei ranço desde quando ela apareceu pela primeira vez e ele só aumenta. Por outro lado, está sendo muito importante mostrar essa triste realidade do SUS nos hospitais brasileiros: essa corrupção, que começa nas pequenas atitudes, só vai aumentando, virando uma bola de neve sem fim. Cadê o Evandro para jogar umas verdades na cara dela?! Ele é muito bom nisso!
Por falar em Evandro, o nosso McDreamy brasileiro estava muito ocupado se drogando com remédios, de novo! É comprimido atrás de comprimido. Em uma dessas ele quase desmaia e recebe ajuda de Samuel. O coitado ainda pede para que ele não conte nada a Carolina, mas ela acaba descobrindo, não tem jeito. O pior de tudo foi ele negar, na maior cara de pau, que não está tomando nada e que está bem. Carolina só quer ajudá-lo, pois o ama muito e quer o seu bem. Com toda a certeza essa história ainda vai dar o que falar e quero vê-lo pedindo perdão a ela! Que feio mentir, Dr. Evandro! Para com isso e vá se tratar!

p.s.1: Dr. Samuel está com medo de ser exonerado, ou seja, ele tem medo de que a sua aposentadoria chegue mais cedo. Ainda bem que Evandro irá fazer de tudo para isso não acontecer;
p.s.2: Eu já pedi, mas irei pedir de novo: Alô, Vídeo Show, cadê vocês?! Mostra pra gente os bastidores das cenas com sangue, pois está bem real. Morro de curiosidade para saber como é gravado isso, além de poder conhecer os cenários do seriado. Andem naquele carrinho de golfe por lá, por favor!;
p.s.3: Gostaria de agradecer, imensamente, a minha amiga, Gabriela Pagano, que me ajudou nessa pesquisa sobre transfusão de sangue. Eu estava escrevendo a review e ela me mandou, por acaso. É sintonia que chama?! É sim! #AmoMaisQueSéries;
p.s.4: Marjorie deu mais uma entrevista sobre a série, dizendo, agora, que está muito cansada das gravações, pedindo férias para se recuperar. Ela relata, também, a importância da narrativa social representada em Sob Pressão. “É um heroísmo diário, cotidiano. Todos os personagens são muito reais e acho que isso só agrega”, afirmou a atriz. Confira o vídeo e a matéria, feita pelo Gshow, clicando aqui;
p.s.5: Não posso deixar esquecer do ator Pablo Sanábio, intérprete do Dr. Charles. Vocês se lembram a emoção do episódio da semana passada, né?! Ele disse que ficou, literalmente nervoso com a cirurgia e que está sendo interessante atuar dessa forma. “O grito representa liberdade, realização e a certeza de que ele está no caminho certo”, relata o ator em uma entrevista ao site oficial do seriado;
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p.s.6: Serviço de Utilidade Pública da Semana: Doe sangue e ajude a salvar vidas. Procure o Hemocentro mais próximo.















