20º – “Injured” – New Girl: 1×15 (FOX)
Escrito por J. J. Philbin
Dirigido por Lynn Shelton
New Girl começou como a série da Zooey Deschanel, e pela sua reta inicial, você não estaria errado em pensar assim. Se você gostasse dela, era nada mais que uma comédia tolerável. Se você a odiasse, era um festival de irritações e justa causa para colapsos nervosos e quebras de monitores no chão.
E então, como é de acontecer, tudo clicou. As peças promissoras da série entraram em seus respectivos lugares. A personagem título se remendou com perfeição ao resto do grupo. Tudo ficou melhor por isso, e a nova New Girl se tornou uma das melhores comédias no ar. Ela lança piadas entre seus episódios sem qualquer medo do ridículo e com total convicção – milhares de fobias recorrentes e jogos e relações entre personagens que cresceram a ponto de uma leve, gentil continuidade. Assistir a New Girl virou algo para todos os públicos, mais que isso. Seu elenco fez dela um lugar cheio de pessoas com as quais você quer passar um bom tempo. Se divertir. Cantar músicas ruins. Talvez, só talvez, se emocionar um pouco.
“Injured”, em particular, fala de quando algo sério acontece na vida de uma dessas pessoas. Sucede em ambos os lados: tanto tirando graça do medo de ter que enfrentar uma doença – em uma das melhores cenas do ano, os amigos honram promessas bêbadas ao som da Música Mais Triste do Mundo –, quanto levando com competência toda uma reavaliação própria pela qual Nick passa após o seu diagnóstico. Tem uma leve profundidade aqui, um eficaz drama que a série nunca martela na sua cara.
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19º – “Carnival Time” – Treme: 2×07 (HBO)
Escrito por David Simon & Eric Overmyer
Dirigido por Brad Anderson
Mardi Gras de David Simon em New Orleans. Se você é um dos poucos que assistem a Treme, sabe do que estou falando e sabe que o resto é resto. E se você não faz ideia… Vá correndo pegar a série. Tipo, pra ontem. Prometo que as outras posições vão estar aqui quando você voltar. (Ou não. O nosso servidor curte cosplay de Lone Star).
18º – “Space Race” – Archer: 3×13 (FX)
Escrito por Adam Reed
Dirigido por Adam Reed
ISIS no espaço!
Archer não poderia ter errado com essa premissa. Quer dizer, poderia, poderia. Mas é claro que não errou. Nunca que Sterling Archer tentando convencer Bryan Cranston a falar “danger zone” não seria maravilhoso. Nunca que um culto sexual marciano seria uma péssima piada recorrente. Nunca que cavalgar Cyril na frente de vômito em gravidade zero deixaria de ser exatamente o que parece. Às vezes uma série cria uma premissa tão favorável as suas qualidades que o episódio em questão seria bom mesmo sem tentar. “Space Race” é um desses, e ele se importa o suficiente para fazer muito mais que tentar. SMOKE BOMB!
17º – “Nicknames” – Veep: 1×05 (HBO)
Escrito por Simon Blackwell & Armando Iannucci
Dirigido por Tristram Shapeero
O que Armando Iannucci faz com palavrões é nada menos que uma sinfonia, e a sua habilidade para distribuir fucks and shits and assholes só é comparável, na telinha, aos insultos da Deadwood de David Milch. “Nicknames” continua a tradição de frases icônicas como “That’s like trying to use a croissant as a fucking dildo: it doesn’t work and IT MAKES A FUCKING MESS”, mas é a primeira vez que a série vai além do seu fantástico humor quase musical (embora tenha muito dele) e o primeiro episódio a expandir o âmbito da história além do fator de comédia no local de trabalho (embora continue arrasando nas interações entre os funcionários da VP).
Uma legislação que Selina quer passar fica presa em obstáculos burocráticos, e de alguma maneira, isso quebrou o meu coração tão forte quanto qualquer outra coisa nessa temporada televisiva. Veep é mais brilhante sitcom do que algo que tenta ser grande sátira e fazer críticas profundas aos políticos – todo aquele papo que faz qualquer série chegar perto de soar terrivelmente pedante. Mas aqui mostrou que pode ambos muito, muito bem, e que faz por merecer todo e qualquer cinismo com muito mais que cantoria.
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16º – “A Good Man Goes To War” – Doctor Who: 6×07 (BBC)
Escrito por Steven Moffat
Dirigido por Peter Hoar
A última imagem que esse midseason finale nos deixa é aquela da tão esperada revelação quanto à identidade da arqueóloga, professora e chutadora de bundas profissional mais querida da série. Mas a imagem que realmente ecoa e rebate por toda a temporada é algo que só Steven Moffat poderia ter pintado. O Doctor caminha pelo massacre que causou, e as tantas músicas e poemas e homenagens criadas a ele são colocadas em dúvida. Ele salva vidas, ele sorri, ele é um charmoso e trapaceiro profissional. Vestindo um sorriso e uma gravata borboleta com a mesma velha petulância. E no final, como sempre, o “bom homem” do título corre.
Dessa vez, não são astronautas ou Daleks no seu encalço.
15º – “Blackwater” – Game of Thrones: 2×09 (HBO)
Escrito por George R. R. Martin
Dirigido por Neil Marshall
A coesão narrativa da segunda temporada de ah, sai pra lá. Essa batalha foi do caralho e teve explosões e Tyrion sendo Tyrion e sangue e tripas e zaz e zaz. Culminação de 18 episódios de tensão acumulada. Não decepcionou nem mesmo por um segundo.
14º – “And The Winner Is…” – The Legend of Korra: 1×06 (Nickelodeon)
Escrito por Michael Dante DiMartino & Bryan Konietzko
Dirigido por Joaquim Dos Santos & Ki Hyun Ryu
Se essa fosse uma lista dos melhores filmes de 2010 e eu colocasse Toy Story 3 em uma posição alta, ninguém reclamaria. Então vamos pular a parte chata em que eu qualifico The Legend of Korra como a óbvia televisão válida e sensacional e bem pensada que é, para que possamos ir direto ao que interessa: “And The Winner Is…”, um episódio brusco que aumenta em cada nível possível a escala de consequência e tensão da revolução de Amon. Se 24 Horas foi a primeira série pós-11/9, Korra talvez seja a primeira série animada a pegar essa influência – mas isso pouco importa quando você tem a filha de Toph Bei-Fong bancando o Homem-Aranha com dobra de metal. Se alguém achar algo mais legal que isso, por favor, me avise (sério: [email protected], não hesite em mandar uma mensagem).
13º – “The Weekend” – Homeland: 1×07 (Showtime)
Escrito por Meredith Stiehm
Dirigido por Michael Cuesta
Homeland ganha grandes elogios pelo ritmo e pela trama. Assistir aos seus episódios proporciona aquela mesma coceira de Lost, na qual você PRECISA conversar com alguém sobre o que acabou de acontecer. Teorizar, teorizar, teorizar até as juntas dos dedos doerem. E ela merece cada um desses elogios. Muito mais, até. Só que assim como Lost, Homeland faz momentos humanos que batem mais que qualquer outro drama no ar, e é por isso que se destaca. “The Weekend” traz desenvolvimentos empolgantes na frente conspiratória, sim, mas parece ser apenas uma manhã de segunda. Cada conversa se dá ao seu próprio passo e cada movimento dos personagens se gruda com a trama para formar algo maior e melhor, sem se avexar. É um episódio bem calmo, para todos os efeitos, e quebra tudo por causa disso.
O melhor thriller da atualidade virou isso através de lentas conversas e difíceis verdades. Como não amar?

12º – “The Other Woman” – Mad Men: 5×10 (AMC)
Escrito por Semi Chellas & Matthew Weiner
Dirigido por Phil Abraham
Mad Men faz uma das tramas mais nojentas na história da televisão, uma que põe em cheque a relação da audiência com praticamente todos os personagens homens. E joga ao redor dela um desenlace para o seu melhor relacionamento, um passo para Don e Peggy que vinha sendo construído há cinco anos. A cena final, aqui, é nada menos que emocionalmente devastadora, e o clímax do episódio, lá pela marca dos trinta minutos, atinge o mesmo resultado em condições bem opostas. Como ela faz isso? Coma ela consegue juntar sentimentos tão opostos sem fazer ninguém vomitar?
Porque ela é Mad Men, claro. Mad Men pode.
11º – “Two Prized Colts Go Head-to-Head” – Luck: 1×09 (HBO)
Escrito por Eric Roth
Dirigido por Mimi Leder
“Two Prized Colts Go Head-to-Head” oferece conclusões emocionais justas para os personagens que amamos. E Luck sendo Luck, ela nos teve na mão quanto a isso: com esmero e sem qualquer cinismo, David Milch soube cultivar a gigantesca importância de fazer a audiência se importar. Assim, a série concentra todos os seus esforços na grande corrida, sem tirar nem pôr. E enquanto os cavalos vão e vão e vão, giramos pelas arquibancadas e um mero olhar dos quatro amigos, ou de Ace “Emily Thorne” Bernstein, ou de Gus Demitriou, ou de Mike, ou do Walter Smith de Nick Nolte, contendo as lágrimas na areia, seus dedos sempre cruzados… Enquanto isso tudo rola em um ritmo implacável, temos a melhor conclusão que poderíamos esperar. Fico muito triste que será a única.
Amanhã: linhas do tempo e histórias de desamor encerram a lista.
Imagens: ZuiL
Ilustrações: Cesar Filho























