
Luck fará falta!
Spoilers Abaixo:
“This is the day they’ll take everything from us”. (Marcus)
Mesmo não sendo um final planejado, “Episode Nine” consegue ser um ponto de parada interessante para uma série que provavelmente entrará para a história como uma das melhores, se não a melhor, de temporada única já produzida. Isto pode não ser o suficiente para o que era esperado desde o início, uma trama longa e bem formulada, mas é o melhor que Luck pode ter dada as devidas circunstâncias.
As consequências do plano de vingança de Ace finalmente chegaram ao ponto de ebulição, em um plano que envolve até mesmo a ameaça de seu neto, em meio tempo os outros personagens tentam lidar com as duas corridas finais da temporada, uma protagonizada por Mon Gateau e a tão esperada entre Gettin’ Up Morning e Pint of Plains.
O grande mérito do episódio é fazer com que o espectador torça pelo cavalo de Gus sem se sentir manipulado a realizar isto. São apenas as circunstâncias dos personagens que fazem a vitória ser mais importante para os donos deste cavalo neste dia, Ace com certeza teve um dia muito difícil, Escalante está prestes a perder um filho, os Quatro Amigos estão apostando todas suas fichas nele. Por mais que Walter e Jenkins seja uma dupla simpática, é impossível não torcer contra eles, o que difere de criar uma dicotomia burra como muitas séries o fazem.
Ambas as corridas são incrivelmente orquestradas, com direito a todas as técnicas costumeiras de enquadramento por diversos ângulos e uma trilha sonora que faça jus ao que está sendo mostrado em tela sem ser manipulativa, mas é o momento entre os dois cavalos mais novos que surge como o grande ponto do episódio, ao finalmente interligar todas as tramas e trazer todos os personagens da série em um momento de confraternização em torno do mesmo objeto. De Walter a Ace, tudo finalmente está interligado dentro do microcosmo de Luck em um momento mágico.
Os Quatro Amigos, mesmo não sendo o grande nome do episódio, são com certeza a melhor criação que Luck teve e os personagens pela qual ela será lembrada no futuro. É interessante ver o quanto eles cresceram desde sua primeira aparição, míseras semanas atrás, Marcus finalmente começa a se abrir com as pessoas, Jerry está começando a controlar o seu vício em jogo ao se tornar um apostador mais racional, até mesmo Loonie e Renzo começam a ganhar personalidade próprias e não serem os míseros “outros dois” de antes. A que se deve tudo isto? Com certeza o momento decisivo para essa evolução foi quanto eles decidiram comprar Mon Gateau, criatura que gerou todos esses efeitos positivos.
Por outro lado, a trama principal de Ace, e não se iludam do contrário, foi concretizada quando ele finalmente consegue aprender a se conectar com as pessoas melhor, o que pode ser visto na relação dele com Claire, e faz as pazes com o seu neto Brent. Evidentemente, a trama com os gangsteres poder amadurecer um pouco mais, mas é um pecado perdoado pelo fato de esta servir apenas como um MacGuffin para a exploração do personagem em questão. O foco sempre foi a sua amizade com Gus e a tentativa de ser readaptar à sociedade após anos presos, possuindo um desfecho satisfatório.
Luck é uma série que com certeza deixará saudades, seja das corridas de tirar o fôlego, das confraternizações dos Quatro Amigos, da fofura de Rosie, do sorriso de Dustin Hoffman em pequenos momentos de felicidade, do lado bobo de Gus, do sotaque de Escalante, das resmungadas de Walter, cada um desses pequenos elementos de Luck, que poderiam muito bem ser mais explorados por um tempo, irá fazer falta durante algum tempo. Sendo triste, portanto, ver Walter e Escalante confiantes em uma possível revanche que nunca irá ocorrer. Ou melhor, em tela, pois existe sempre um espaço na imaginação para infinitas corridas.
Outras considerações:
-Roteiro original escrito por Eric Roth, roteirista de Forrest Gump.
-E aquela cena de Jerry e Naomi em uma cama cheia de dinheiro? Uma das coisas mais naturalistas e flertando com o doentio que vi recentemente na televisão.
-Qual o cavalo favorito de vocês no final de tudo? O meu foi o Mon Gateau.
-Por último, mas não menos importante, foi um prazer realizar esta cobertura completa de Luck aqui no Série Maníacos, de longe a maior experiência que tive aqui no Série Maníacos até o momento. Apesar de poucos leitores, isso foi mais do que compensado pelo grau de interesse de cada um pelo objeto de análise tecendo outros comentários. Nos vemos por aí!
E qualquer coisa, pode me perguntar qualquer coisa aqui!



















