
Pão, circo e ação!
Feel the Spoiler!
“Republic City is at War” (Tenzin)
Cinco episódios foi o necessário para uma apresentação completa dos principais elementos da série. Foi apresentada Korra, sua personalidade, como ela se enxerga, com os outros a enxergam, seus “amigos” Mako e Bolin e o esporte do probending, seu mestre Tenzin e os outros membros do conselho (em especial, Tarllok), o vilão Amon, cada peça do tabuleiro foi minimamente orquestrada para o que estava por vir.
Diferente do que o nome sugere, “And The Winner Is…” é um episódio com um grande desenvolvimento pautado principalmente pela tensão, sendo colocados poros de ação em cada cena do episódio, conseguindo alinhar cada uma das subtramas para essa mudança no tabuleiro. A relação conturbada entre Lin e Tenzin, as artimanhas obscuras de Tarllok, a final do probending, cada pequeno detalhe foi explorado com cuidado e utilizado no episódio.
A utilização de um evento de grandes proporções não seja uma novidade no gênero, consegue funcionar adequadamente por ferir o coração da sociedade em Republic City. Em um mundo onde os dobradores, mesmo que sem intenção, parecem de fato estar oprimindo os não-dobradores, era o esporte a forma de união existente entre ambos os lados, quando todos os cidadãos se reuniam apenas para apreciar o esporte e conviver em harmonia. Um pão e circo, mesmo que não friamente premeditado, e que foi destruído pelas tropas de Amon. Qualquer esperança de paz na cidade foi finalmente destruída, sendo a forma ideal para se iniciar uma revolução.
O design de produção do estádio, onde ocorre os principais eventos do episódio, é soberba ao transformá-lo de uma grandiosa e confortável arena para uma locação claustrofóbica logo após a ocorrência do ataque, combinado a uma fotografia que sutilmente começa a escurecer de forma quase imperceptível. Continuando com o bom trabalho nos envolvidos na caracterização visual, ao tentarem adotar uma lógica diferente para cada localidade e momento distinto, conforme seja necessário e sendo orgânico à trama, talvez um dos melhores trabalhos de ambientação da televisão atual.
Uma prova da consistência do roteiro concebido por DiMartino e Konietzko é conseguir transformar a trama envolvendo Tenzin e Lin Beifong, algo que pela própria natureza poderia tender a uma briga adolescente, em apenas mais um aspecto mal-resolvido de suas personalidades e que pôde ser contornado em torno de um bem maior. Como resultado, foi emocionante poder finalmente ser visto a Avatar e Lin lutando lado a lado para tentar derrotar as tropas de Amon, mesmo que o resultado não tenha obtido sucesso.
O vilão continua, mesmo com a sua natureza misteriosa, a ser desenvolvido de uma forma detestável. Ao mesmo tempo em que é notável o motivo de ser tido como um líder por seus subordinados, mas ao mesmo tempo tanto os seus diálogos quanto a composição vocal do dublador Steve Blum não fazem questão de transmitir a menor simpatia para o sujeito, tornando-o um claro oportunista que está se aproveitando do período de insatisfação da população para conseguir adeptos para a sua causa.
Quebrando o clima estabelecido nos primeiros episódios para finalmente fazer uma mudança drástica para uma provável segunda metade da temporada, “And The Winner Is…” aparenta representar para Korra o mesmo que “The Blue Spirit” foi para The Last Airbender, ao ser uma ponte entre o que foi mostrado até então e o que estava por vir, conseguindo se destacar por realizar isto e, simultaneamente, conseguir uma constante de tensão durante todo o episódio.
Outras considerações:
-O que Tarllok planeja exatamente? Pela sua composição vocal, é um personagem de pouca confiança, mas é interessante imaginar qual será o plano para a tomada de poder.
-Até mesmo os três membros figurantes do conselho têm uma personalidade maior que o T-Dog do The Walking Dead. Sério.
-Cada vez estou me perguntando mais sobre o acontecimento tão narrado nos flashbacks envolvendo Avatar Aang e seus amigos.
-Não vimos os Fire Ferrets ganhando, mas ao menos Korra conseguiu derrotar Tahno no 1×1 em uma cena que realizada em dois planos curtos para evidenciar a mediocridade do sujeito. Isso é o que importa!
-Mesmo sem ser um episódio focando muito nesse aspecto, o roteiro aproveita para dar sinais de continuidade ao enfatizar na expressão de Korra ao ver Asami e Mako trocando beijos no ar.
-Pelos Deuses de Kobol: O que foi aquela luta aérea? Pôde ser mostrado todo o poder ofensivo da dobra de metal, algo que sempre vi com restrições na série original por não ter tido muita utilidade prática na maior parte do tempo, Korra tentando ao máximo encontrar um modo de luta para enfrentar os chi blockers, tudo isto acompanhado de um uso da movimentação que demonstra o quão minimalista é a animação da série para os padrões ocidentais.
-Em prol da dramaturgia, vou achar normal que ninguém tenha percebido um dirigível gigante indo em direção a um local onde a maior parte da cidade estava reunida e estava alerta de que ocorreria um ataque. Ou ao menos tentar.














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