Cuidado, o “Homem do Ano” surtou, e ele está armado.

Spoilers Abaixo:

Já virou tradição: season finale de Episodes tem que ter briga ridícula no chão.  Se ano passado a cena já foi constrangedora, nessa temporada essa palavra não seria suficiente para descrever o ocorrido. Mas, antes de comentar a cena, quero expressar minha decepção com o não aparecimento de Diane, que traria consigo o barraco mais esperado da temporada. Afinal, Matt dormiu com sua stalker, de quem deveria manter distância. Mas tudo foi muito civil: a ex ligou para seu advogado, que por sua vez ligou para o advogado de Matt. Daí que Matt pode acabar perdendo o direito de visita dos filhos, e as diferenças serão acertadas pela via judicial – disputa que ficou para uma possível próxima temporada. UAU, que emocionante.

Voltando ao plot que dominou o episódio, tudo começou com a inocente caminhada de Carol e Bev. Na ocasião, esta revela àquela que a Santa Jamie (cof, cof) trai seu marido com LeBlanc. Interessante ver que Bev já aprendeu direitinho a ser uma american bitch, chantageando a amiga a não espalhar o babado. Não adiantou nada, pois Carol contou pro affair que sua mulher o estava traindo. Merc, que dizia não poder se separar porque a esposa é deficiente visual, logo mudou de ideia, assumiu a amante e jogou a maior bomba do episódio: Jamie não é cega! BOOM! Tudo bem que ela só vê algumas formas vagas e sombras, mas mesmo assim.

Aí o Merc ficou injuriado com o Matt, e lógico que ia estourar na cerimônia de premiação do “Homem do Ano”. Após receber o prêmio, Merc se encaminhou ao banheiro e só havia um mictório vazio, ao lado de Matt. E quando o homem viu o tamanho do pênis do ator, surtou: urinou em Matt e partiu, no meio de todo mundo, para a briga mais patética e nojenta que foi ao ar nos últimos tempos (lembre-se que Matt estava encharcado de urina). Tudo foi muito ridículo: socos e “sacoladas” para o meio do nada, xingamentos, revelações das traições mútuas… Sobrou até para a coitada da Bev, atingida pelo cotovelo de Merc. O que faz Sean entrar na briga, por que, né, mexeu com minha mulher, mexeu comigo. Só quando Merc deslocou o ombro de Matt, a briga acaba. Tudo ao som de ópera, para aumentar a dramaticidade (e dos gritos de Jamie, afinal a coitada não podia saber quem estava ganhando a briga). Preciso dizer que adorei a cena?

Depois do arranca-rabo, Matt foi demitido e Pucks! foi cancelada. Ordens do patrão… Isso se ele ainda fosse o chefe, afinal, o Sr. Salada já havia até mandado esvaziar o escritório de Merc. Dada a magnitude dos fatos, Carol tratou logo de contar a ele sobre sua demissão, mas que não se preocupasse, que ela ia ajudá-lo, e que tudo ia dar certo. Mais uma vez Carol se deixa iludir, rejeitando a proposta de trabalho que recebeu da emissora na esperança de poder ter algo sólido com Merc. Coitada. Carol já planejava a casa em que iriam morar juntos quando Merc tratou de dispensá-la, por ter desistido do divórcio (agora que ele está desempregado, não pode dar metade de seu dinheiro a Jamie). Após a rejeição, finalmente Carol abriu os olhos, expulsou o folgado do carro e o deixou sozinho na chuva – espero que definitivamente.

Neste meio tempo, outras indagações que haviam ficado para a season finale foram respondidas. Sean e Bev voltaram (e Rob foi para escanteio), Jamie e Matt fizeram as pazes (ela está caidinha pelo malandro) e o calombo do rosto de Morning sumiu – para tristeza geral da nação…

Este episódio foi, sem dúvida, dedicado a Merc. O executivo, que na primeira temporada era mero coadjuvante, foi ganhando força neste ano, a ponto de ter o final da temporada focado quase exclusivamente no que ocorria ao seu entorno: a premiação, a traição da esposa, a perda do emprego e o romance com Carol (outra personagem que cresceu muito). Talvez tenha sido uma despedida para o personagem (o que não acredito que seja), mas todo o restante ficou meio de lado, meio coadjuvante. “Pucks!”, cuja produção era a premissa da série, foi citado apenas uma vez. Tanto que nem se sabe ao certo seu destino: dependendo do substituto, o seriado pode ser mesmo cancelado – ou não. Fica para a próxima temporada. Também ficou a repercussão da escapadinha de Matt com Labia, tanto em relação à ex e aos filhos (como já comentei acima), quanto em relação a Jamie, que certamente não ficará feliz ao descobrir a situação.

Fechando a ótima segunda temporada, o season finale culmina a tendência de aprofundar o desenvolvimento dos personagens (e não só dos principais), característica menos presente no primeiro ano. Manteve, no entanto, o grande mérito de misturar, acertadamente, a ironia do humor britânico com o ocasional pastelão americano. Embora tropeçando aqui e ali, a temporada foi bem superior à primeira, o que me deixa ansioso em relação a uma longínqua terceira temporada. Até lá, se o mundo não acabar em dezembro!

Observações:

– Espertinho, o seu Lapidus, hein? Para não ter a reputação abalada no mercado, divulgou à imprensa que pedira demissão voluntariamente, pois queria “se dedicar mais à família”. O que foi bom também para a network, que saiu de boazinha, aceitando com a tristeza a decisão do empregado, adicionando ainda que “será difícil imaginar o canal sem ele”. Aham, tá bom.

– Sean realmente é a cara do Wallace, de Wallace & Gromit, só que com cabelos. Eu sabia que ele me parecia familiar, mas não conseguia lembrar quem era o sósia. Diz se não é? Obrigado, Morning!

– Essa história do advogado de Matt foi pura ficção, viu? Quando um advogado vai dizer que não sabe o que fazer? E pior, vai recomendar ao cliente que ache outro advogado? Isso não acontece. Nunca. Jamais. Garanto.

– Repeti várias vezes na review sobre uma próxima temporada de Episodes, até por haver pontos que ainda precisam ser resolvidos, mas não há informações oficiais e os números não são promissores. No Reino Unido, enquanto a primeira temporada registrou uma média de audiência de 1,31 milhões de espectadores por episódio, este segundo ano caiu para 0,9 milhões (até agora, pois ainda não há dados para a season finale), além de o 8º episódio ter registrado o recorde negativo de audiência. Nos Estados Unidos, a segunda temporada acabou de estrear, mas também com uma má notícia: audiência pífia de 0,49 milhões. Entretanto, há esperança, pois a série é exibida em um canal pago (nos EUA). Nesses casos, a audiência não é tão determinante, tendo grande importância a satisfação dos assinantes e o número de gravações em DVR. Também conta o fato de o programa ser um sucesso de licenciamento internacional, já tendo sido vendido para mais de 180 emissoras ao redor do mundo. Assim, acho que a série será renovada, mas é bom ficar de sobreaviso…

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