
Há quase 4 meses eu estava publicando aqui no Série Maníacos a review do episódio 1×10 de FlashForward, que eu tinha certeza de que seria a minha última… Há 2 dias eu estava com sérias dúvidas se deveria ou não baixar o episódio duplo de retorno da série… Há 5 minutos eu estava estupefato, com a qualidade desse episódio que levantou minhas expectativas com FlashForward pela primeira vez desde o Piloto.
Spoilers Abaixo:
O erro que sempre destaquei em FlashForward era um péssimo desenvolvimento de personagens. Sempre focavam em dramas pessoais que não nos importavam nem um pouco, e gastavam grande parte dos episódios tratando desses dramas. Os episódios só não eram fracassos totais por conta das boas cenas de ação e os efeitos especiais usadas nelas. Mas nesse retorno, o combo “ação+efeitos especiais”, que costumava ser o único mérito da série, foi jogado em segundo plano, dando espaço para um roteiro que, pela primeira vez, desenvolveu bem seus personagens.
Acho que o simples fato de aproximarem os personagens da história em torno do Apagão já foi um bom começo. Honestamente, não me importava nem um pouco com problemas como alcoolismo, traição e ter um filho com autismo. E não porque eu seja insensível, mas sim porque esses são problemas pessoais demais para uma série cujo foco é um Apagão Mundial, que é totalmente impessoal. A partir do momento que começaram a nos mostrar os detalhes das personalidades de Mark, Lloyd e Simon até mesmo os seus problemas mais pessoais começaram a nos interessar.
Como eu antecipei no parágrafo anterior, o episódio foi focado nessas três figuras, e fica meio óbvio perceber que toda a trama da Temporada também será focada neles. De um lado temos Mark e Lloyd que estavam conversando ao telefone nos em seus respectivos flashes, tentando impedir que um outro apagão acontecesse. E de outro temos Simon, que não teve flash durante o primeiro apagão porque estava acordado – acabamos descobrindo durante o episódio que ele é o Suspeito Zero – e provavelmente estará direta ou indiretamente envolvido com o possível Segundo Apagão. Pode parecer confuso, mas faz muito mais sentido do que a bagunça que era a história durante a primeira parte da Temporada.
O episódio já começa relembrando o momento do Apagão. As cenas dos acidentes e da destruição causados durante o evento foram muito bem envolvidas pela narração do Timothy, um mero limpador de vidros que, graças ao Apagão, está se tornando o pastor e líder de uma comunidade de pessoas que esperam fortalecer sua fé depois da catástrofe. Mal sabíamos que as palavras de apoio dele viriam a fortalecer a nossa própria fé na série. Se ele realmente é um homem abençoado por Deus ou só mais um vigarista se aproveitando da situação, nós ainda não sabemos, mas é fato que suas palavras mexeram com a Nicole e mais uma multidão de pessoas – inclusive eu mesmo, que comecei a ver sentido no que ele dizia e, ironicamente, aplicar tais palavras à própria experiência de assistir FlashForward.
Logo em seguida, já voltamos ao ponto em que paramos no episódio passado. Mark foi detido após a sua viagem proibida à Hong Kong, Olivia está no FBI depois de ter presenciado o sequestro de Lloyd, e lá o casal se encontra em um dos piores momentos de suas vidas. Ela se sentindo envolvida por Lloyd e ele perdendo tudo o que faz sentido em sua vida ao ser afastado do trabalho. Outro ponto positivo do roteiro que eu não me lembro de ter visto antes: continuidade. Os episódios eram aleatórios e mal tinham ligação com o anterior, mesmo que todos terminassem com um cliffhanger.
Logo pudemos conhecer mais de Mark e, pela primeira vez, o protagonista começa a me agradar. Não por ele em si, mas sim porque comecei a conhecer suas motivações. Graças à sua sessão na psicóloga descobrimos que Mark gosta de ser o centro do universo, isso é a explicação para o seu alcoolismo e sua fixação no Mosaico e tudo o mais que o envolve. É uma explicação simplória, mas é melhor do que a desinformação confusa que tínhamos até alguns meses atrás. É o seu paraíso e a sua ruína, é o que lhe vai fazer voltar a beber e a perder o seu casamento, é o que lhe torna um herói, pois são os defeitos que nos fazem querer redenção, e é na redenção que habita um herói. Com isso, em um único episódio, Mark consegue firmar sua posição de protagonista da série.
O sequestro de Lloyd e Simon e todas as cenas que se sucedem até o momento onde vemos este e Janis com sua família no Canadá servem para conhecermos a personalidade dele que, ao lado de Mark e Lloyd, deve assumir o centro da trama a partir de agora. Ainda sabemos muito pouco sobre ele, mas já o vimos indefeso frente à sua família. E nada melhor do que, já nesse momento, sabermos qual é o ponto fraco do “vilão” da série. Sou da teoria de que todo vilão é também um herói, e acho que Simon também terá sua redenção ate o Season Finale, mas pelo menos já temos a noção de que todos os seus atos, bons ou maus, serão praticados para proteger sua família.
Mesmo depois de assistir a um bom episódio como esse, ainda assim estou com um pé atrás em relação à FlashForward. Não porque eu seja um chato que não gosta de nada e não saiba admitir a melhora da série, mas sim porque eu já tinha visto antes que FlashForward é capaz de fazer um bom episódio. Ela fez um excelente Piloto, que foi sucedido por 9 episódios medíocres. Eu quero continuidade nessa melhora da série. Quando, daqui a 3 ou 4 episódios, a série continuar no mesmo nível ou até mesmo melhor, aí sim eu darei o meu braço a torcer.
P.S.: Os roteiristas realmente parecem querer que tenhamos uma conexão maior com os personagens. Após fazer a gente conhecer melhor Mark e Simon, ainda começaram a introduzir uma história com Nicole e todo o seu problema com a mãe. Depois disso, até mesmo o romance dela com Bryce passou a merecer mais atenção da minha parte.
P.S. 2: Mostraram o Cristo Redentor no começo do episódio. Teria sido mais cool se tivessem feito isso no Piloto… “V” acabou com a graça da cena em FlashForward.
P.S. 3: Só eu que achei super furada essa história de droga que te ajuda a lembrar melhor do flash do seu futuro que você viu? Achei uma coisa tão sem noção.












