
Olhe bem de perto. Dê um passo para trás, contemplando a imagem. Afaste-se mais ainda, para apreciar todo o conjunto da obra. No terceiro episódio do Aprendiz Universitário, assistimos ao trabalho de duas equipes bem meia-boca. E por sobre uma tarefa antiga, a gente bem que esperava performances dignas de nota… E uma demão ou duas de qualidade.
Entre tantas críticas que eu faço ao programa, é preciso ressaltar: estou me acostumando aos poucos com o João Dória Jr. e com o ritmo da edição. Os pontos negativos levantados nas reviews do primeiro e do segundo episódio continuam lá, mas a audiência parece ter despertado nessa quinta-feira. Se esse voto de confiança dos telespectadores vai se sustentar durante a temporada, é difícil dizer – vejo, ainda e para além dos comentários em posts anteriores, dois tropeços que podem incomodar muita gente.
O primeiro é a ausência completa de cenas de brainstorming, e eu já tinha percebido isso antes. Fiquei na expectativa pra ver se seria uma constante, e por três episódios a edição se manteve assim: a tarefa é lançada aos candidatos, há um momento de briefing e, logo em seguida, os membros das equipes já vão fazendo ligações, visitando lugares, contribuindo com sound bites pra câmera de quando em quando. Gostaria de ver uma pausa em que líder e assistente presidem uma mesa oval com o propósito único de lançar idéias e de levantar possíveis vias de ação. Eu SEI que isso acontece em toda tarefa, mas a Record escolhe não nos mostrar. Talvez achem tedioso.
Em segundo lugar, vem uma implicância minha. Mas tinha que ser assim mesmo, afinal de contas eu estou aqui para triplicar a exigência que impera sobre o programa hoje. Que raio de gosma verde é aquela que se joga por cima dos demitidos na abertura? Sério, vamos organizar uma “promoção ao mercado” dos profissionais que trabalharam em Os Mutantes. Em The Apprentice nenhum do mundo tem coisa parecida: somos privilegiados.
Vamos agora conversar detidamente sobre a tarefa. Pegue um chocolate quente e umas bolachas. Melhor deixar as bolachas de lado. Incitar a violência é bad publicity. Mas dizem por aí que… Deixa pra lá.
Qual era a tarefa? Depois de muito lenga-lenga na mudança dos times e no passa ou repassa do microfone, deu pra ouvir por cima do rabiscado de giz que os concorrentes teriam de projetar uma campanha que fizesse diferença na cidade. Um programa local com o uso das tintas da Lukscolor, para promoção da marca em dois municípios de São Paulo.
A proposta rima com mobilização popular. É mais que apenas umas barraquinhas, e certamente mais que um portão, um letreiro e um acabamento tupiniquim numa escolinha próxima. Queria eu ter visto grandes faixas, candidatos indo a empresas locais, a casas de mil e uma pessoas, com o discurso da melhor tinta, do melhor acabamento, da qualidade insuperável. Gostaria de assistir a um vendedor, a alguém que de cima de um tablado soubesse seduzir toda uma população ao uso indiscriminado dos produtos Lukscolor. Imagino agora no quê vocês estão pensando. Talvez achem que eu quero demais de um programinha B como o Aprendiz na Record. Mas eu era universitário há pouquinho tempo e ainda estou no auge dos meus 23 anos. Com um microfone ou mesmo na linha de frente de um stand, eu laçaria o público em três tempos. Esses aí não são os acadêmicos mais-mais do Brasil?
Pausa para risadas e um café. Vamos às análises da performance de cada grupo:
AVANT
Como líder, o Ramon não fez nada além da obrigação. Conversou com a prefeitura e organizou a pintura da fachada com as tintas da Lukscolor, e isso seria o mínimo a se esperar de alguém que ao menos tivesse acompanhado a última edição brasileira do Aprendiz. Em todo o resto, a equipe não fez absolutamente NADA de mais: montaram umas barracas, botaram gente pra pintar com as tintas e só. Eu fico meio em cima do muro com relação ao pintor com o boné da Sol Vinil. Tenho a impressão de que ele estava meramente de passagem, testando as tintas – não como no grupo adversário, que contratou uma profissional exclusivamennte para fazer demonstrações. Ainda assim, quem atenta para os riscos brancos no material publicitário deveria ter olhos de águia para esse tipo de coisa.
UP
A “revitalização” de um ambiente do município foi o que faltou à equipe para empatar com a adversária. Mais do que uma liderança inexpressiva, os candidatos também bateram cabeças durante boa parte do planejamento e da execução, com destaque para as chateações do Caio e para os entreveros entre a Aimée e o Conrado. Por fim, o que mais saltou aos olhos no resultado foi a carência de uma obra e de um serviço deixados como recordação para Porto Feliz. A movimentação dos transeuntes nos faz pensar que alguma coisa aconteceu, que geraram um rebuliço. E é a mágica da televisão, não é mesmo?
A quinta-feira nos trouxe uma sala de reuniões um pouco mais viva, ainda bem. Em primeiro lugar, demos as boas vindas a David Barioni, que acompanhou toda a prova no conforto de sua casa e permaneceu em silêncio durante a maior parte desse bloco. Logo a seguir, começou um tiroteio sem mais tamanho entre o Caio e a “até-então-quietinha” líder Gabriela. É incrível o que alguns candidatos fazem na mira da demissão, e a peteca ficou pulando de um pro outro. Ou, como diz uma colega minha do curso de francês, “eles ficaram jogando badminton”.
O quê? Sim, a review.
Bem alheio às discussões e certamente pensando que seu nome jamais emergiria como possível demitido da noite, o Pan deve ter tomado um susto quando as atenções repentinamente se voltaram pra ele. Desde antes do começo dessa temporada, eu venho dizendo que o Pan não é um candidato sério ao posto de Aprendiz: aquela vitória na primeira tarefa não se deu em razão da liderança – os erros do time adversário e uma escolha acertada pela equipe Up tinham dado a ele uma folga no início. Mas o lugar do rapaz é mesmo no setor criativo da engenharia elétrica. O sucesso que está reservado a ele, na minha opinião, não combina com a estrutura ou com o espírito desse reality show. Sua saída do programa é o primeiro passo para a descoberta de seu “eu” profissional.
Terminou o vídeo de auto-ajuda. Mas o que vocês acharam do episódio? Quero saber. Comentem aqui e me sigam no Twitter, ça va?
P.S.: Hoje só tem um post scriptum. Tem semblante mais cômico que o do Ramon ou o da Natália Nohra ilhados no Sheraton e impedidos de curtir a recompensa em Miami? “É uma vitória mesmo assim”. Claro. E haja Dorflex.












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