No auge de suas 1.500 cilindradas, o segundo episódio da saga do Aprendiz Universitário nos trouxe uma tarefa cheia de boas intenções. E outro desempenho pastelão dos nossos amáveis candidatos.

Sigam-me os bons.

Os comentários sobre a estréia do programa incluíram, numa análise preliminar, críticas à “abertura” – no melhor estilo Alf: o ETeimoso – e às queridas contribuições de um giz e de uma locutora que nada acrescentam ao desenrolar do episódio. Não dá pra se iludir: as duas idéias geniais ocuparão cada terça e cada quinta até o fim da temporada. Em duas oportunidades por semana, você vai se sentir numa aula do Telecurso 2000 e com um minitelevisor ligado no Nick At Nite.

Eu insisto, contudo, na correção do nome do criador da franquia O Aprendiz, Mark Burnett. Você diria que é uma grande bobagem, não? Quem se incomoda com um “t” a menos no nome? Talvez um Túlio, um Taumaturgo ou uma Tereza. Ou quem sabe a mente por trás de sucessos como Survivor e Rockstar: Supernova. Vou fazer o possível para que a Record ao menos escreva, em Times New Roman tamanho 12, uma letrinha a mais no nome do sujeito.

Chegou a hora de conversarmos sobre o episódio em si. Pegue um pacote de jujubas e um refrigerante estupidamente gelado – mas mantenha seu QI em ordem para os comentários a seguir.

A sequência inicial foi completamente desnecessária. Vinte segundos de imagens que nos mostravam apenas o corpo de bombeiros, e eu imaginando um telespectador qualquer, passeando pelos canais com seu controle remoto. Ele teria disposição suficiente para ver metade das cenas, pensaria que é uma reapresentação do Hoje Em Dia e, como cidadão sensato e equilibrado, desligaria a TV. É novamente o assunto de edição e direção – o episódio de terça não segmentou a transmissão em quatro ou cinco quadros simultâneos, mas pecou em outras oportunidades. Dar à tarefa apenas 12 minutos e 29 segundos de exibição (contra vinte minutos em tudo que é The Apprentice ao redor do mundo) deixa a audiência com aquela cara de “Já? Mas o que aconteceu?” na hora dos resultados. Com o tempo reduzido para mostrar o trabalho das equipes, as quatorze mudanças entre cenas da Up e da Avant na telinha vêm para confirmar o mais novo patrocinador do Aprendiz Universitário: Dorflex.

Qual era a tarefa? Desenvolver um “programa preventivo de educação pública”, exibido em um “evento emblemático” para a população. Tudo bem, a proposta é louvável. Mas fico me perguntando se o que eu vi na equipe vencedora é realmente o melhor exemplo de consecução desse trabalho. Não vi o apoio de qualquer das entidades representativas de motoboys e mototaxistas em São Paulo (tais quais a ABRAM, a SINDIMOTOSP ou mesmo grupos privados), nem vi nas cartilhas qualquer menção à Lei Municipal 14.491/07, ou à sua aplicação analógica para benefício e segurança dos motoqueiros em geral. Vamos, mesmo assim, à análise do desempenho de ambas as equipes.

UP

Profundamente arrependidos do projeto de escola apresentado no episódio anterior, os candidatos se empenharam na obediência aos parâmetros da tarefa e na criação de um material arrojado e bem explicativo sobre acidentes de trânsito e prevenção. É um tanto quanto engraçado ver o que as pessoas chamam de flash mob hoje em dia, mas eu diria que a Up fez um trabalho 80% adequado. Com isso quero destacar que não vi absolutamente nada de excepcional no desempenho da equipe, mas alguns acertos e a postura profissional deram a eles uma vitória tranquila.

AVANT

O título para o segundo episódio do Aprendiz Universitário tinha que ser a brilhante criação publicitária do “Moto Dia Legal!”. Você jamais imaginaria que um evento (evento?) com essa alcunha seria dedicado a maiores de seis anos. Toda a execução do trabalho foi marcada por erros, descuido e falta de criatividade embora sejam falhas o atraso de uma hora no começo dos trabalhos e os erros de português no folder, o golpe de misericórdia na execução de qualquer projeto é a carência de estalos, de grandes idéias. E quando a gente vê pessoas causando vergonha alheia no meio da rua e apontadores de lápis como brinde, dá pra sacar que as lampadinhas não acenderam durante o brainstorming.

Na sala de reuniões, candidatos e conselheiros distribuíram a responsabilidade pela derrota entre a líder Marília, a Natália Nohra (também conhecida como “toda-vez-que-eu-a-vejo-eu-tomo-um-susto”) e o Ailton. Para ser bem sincero, eu gostaria de ver os três e a Aimée fora da competição pra ontem. Nenhum me parece sequer remotamente interessante, nem consigo imaginar qualquer deles dando um verdadeiro banho nos adversários. Saíram a Marília e o Ailton, mas nem a Natália, nem a Aimée, nem ninguém mais dentre os concorrentes me chama a atenção. Ainda estou esperando por um Bill Rancic. E por favor não digam que a Aimée lembra a Omarosa.

E você, caro leitor?
O que achou do segundo episódio do Aprendiz Universitário com o João Dória Jr.? Gostou de alguém em particular? Concorda comigo ou discorda de mim? Comente, s’il vous plaît.

P.S.: Algumas pessoas mencionaram que a Cristiana Arcangeli deu umas risadas “ferinas” na sala de reuniões. Não deu. Ela apenas riu de algo que disse, o que é perfeitamente normal. O David Barioni, por outro lado, passa a impressão de estar forçando uma postura rígida perante os candidatos. Até agora, tudo muito artificial.

P.S.2: Nós tivemos uma penca de frases memoráveis nessa terça-feira, a exemplo das pérolas da Aimée, que queria ver o Ailton eliminado “porque ele é chato” e que disse que “o vídeo é apenas um detalhe”. Também o João Dória Jr. me surpreendeu quando perguntou se as equipes pretendiam manter os líderes. O Conrado, no entanto, foi o que mais despertou o meu lado Sir Alan Sugar. Quando ele disse que a Samara faz Direito e ele é do “quarto ano de publicidade”, quis deixar claro que ELE sabe o que está fazendo – universitários de outras áreas, não. Dá pra ver que criatividade é prerrogativa sui generis da Publicidade e Propaganda.

P.S.3: Para quem quiser se manter atualizado sobre a cobertura do Série Maníacos ao programa Aprendiz Universitário, siga o meu perfil no Twitter.

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