Finalistas definidas. E agora, por quem torcer?
Renata e Melina. Melina e Renata. Dois nomes que nenhum de nós queria ver acidentalmente por aí. Não porque não gostemos delas, muito pelo contrário – é notável ver que há uma torcida significativa para ambos os lados. Mas esses foram os dois nomes que vinham circulando há meses pela internet, os nomes das finalistas do programa. Agora, todos sabemos.
É interessante fazer um retrospecto: Renata e Melina foram o primeiríssimo sinal de desentendimento na Sinergia, logo na primeira prova após a mistura de homens e mulheres nas equipes. Durante o evento da Smart Fit, foi justamente um desentendimento a respeito da realização de sorteios (que este ano foram proibidos sem autorização prévia da Caixa) que ceifou o destino dessas duas mulheres desde o início, abrindo as portas para outros desentendimentos em provas como a do Pecado Mortal, a da Peugeot (que foi a prova que tirou Karine do lado de Melina e a levou para o lado de Renata), a do Kit Kat. Isso pensando, claro, que, como disse Roberto Justus várias vezes ao longo desses anos de Aprendiz, brigar é bom. É bom porque gera argumentação, gera ideias, gera preparação para uma possível adversidade. E não acredito muito em uma Sinergia bem sucedida se não fossem as brigas de Melina (essa já naturalmente disposta a brigar e a trabalhar duro pra realizar tudo o que for necessário) e Renata (que parece até meio ingênua às vezes, mas nunca deixou de ser firme quando achou importante).
Mas, afinal, o que aconteceu para levar as finalistas – que começaram a semana ainda como uma dupla – à posição que estão hoje? Veremos.
9×13: Cão e Gato
“Faltou cão e gato.” Com esse feedback extremamente sábio e construtivo, podemos resumir a participação de Anna Hickmann no Aprendiz, em uma prova que era a cara da fofura: divulgar a empresa Brazilian Pet Foods, marca de ração animal da qual a ex-modelo é embaixadora. Como? Liberdade total. Tudo poderia ser feito, com direito a orçamento triplicado em relação ao das demais tarefas, e o mais interessante foi ver como as duas equipes seguiram caminhos completamente opostos.
SINERGIA (Líder: Melina)
A Sinergia, mais uma vez, optou pelo pesadelo de Maytê Carvalho: um evento standard em um shopping. Aqui, as divergências entre Mel e Renata foram bastante evidenciadas pela edição, principalmente em razão da liderança centralizadora e controladora da primeira. Mas, se Mel tem dificuldade em dar espaço a seus liderados, ela também tem a firmeza para tomar decisões sem pensar duas vezes, e achei sábio da parte dela não tentar abraçar o mundo como Renata queria fazer. Ou faz o shopping ou faz o vídeo, seria realmente muito difícil fazer as duas coisas bem feitas. E eu entendo Mel quando ela diz que o número de pessoas assistindo a um vídeo não necessariamente seria maior, em tão pouco tempo, do que o número de pessoas abordadas por elas, com direito a contato direto com o produto.
O evento em si foi realmente padrão, com um espaço para conversar com as pessoas sobre a marca e sobre os benefícios de seus produtos. Renata e Melina pareciam afiadas nas características de cada tipo de ração, e mais uma vez preciso elogiar a maneira como Renata aborda as pessoas. É sempre chatíssimo parar para ouvir pessoas fazendo propaganda quando você está passeando em algum lugar, e Renata parece ter consciência disso e se esforçar para tornar a experiência agradável dentro do possível.
Com duas pessoas em cada time, acho bobagem falar em destaques e âncoras das equipes. No caso da Sinergia, por mais que a ideia tenha sido standard, gostei demais de ver a dinâmica de suas integrantes. Renata entrou com a energia, com as várias ideias, com a claríssima vontade de realizar. Melina entrou com mais ideias e com a firmeza para saber extrair o melhor delas e brecar a parceira quando necessário. A meu ver, em termos do tipo de parceria, sucesso absoluto!
FLECHA (Líder: Solano)
Maytê e Solano sempre se deram muito bem e se elogiaram bastante ao longo do programa. E, sem Guilherme na equipe, a verdade é que ninguém ficaria no caminho de Maytê e da realização de tudo da maneira que a moça queria. Solano estava em sintonia com ela e parecia estar mesmo embarcado na ideia do vídeo emocionante (influência da tarefa da Smiles, certamente). Particularmente, achei a ideia de Maytê MUITO melhor do que a de Melina e de Renata, ao menos em termos de ambição e de criatividade. Fazer vídeos com histórias comoventes de pessoas com seus animais de estimação e ligar essas histórias à marca é uma maneira interessante e sábia de divulgação.
O problema é que, mais uma vez, Maytê decidiu entregar um tomatão enorme, lindo e bem cuidado, sem perceber que a tarefa pedia um caqui. O briefing (e aqui não estou falando do pedaço de papel que os aprendizes recebem, já que não sei exatamente o conteúdo dele, e sim das pequenas palestras que a própria empresa deu aos quatro) havia deixado muito claro: “Nossa concorrência não explica os nutrientes e benefícios dos produtos que eles têm no mercado.” Independentemente de outras orientações que eles possam ter recebido, será que precisava mesmo dizer “PORTANTO, FAÇAM ISSO!”? Acho que não, né? E foi justamente nisso que Maytê e Solano pecaram.
Seus vídeos pareciam bacanérrimos, algo que eu, que sempre tive animais de estimação durante toda a vida, realmente assistiria, curtiria e compartilharia. Mas onde estava a marca? Onde estavam os benefícios? Ok, ela existia, mas não havia nem um pouco da ênfase no produto que a outra equipe claramente dava – Mel e Renata chegaram, elas mesmas, a treinar contratados para que eles soubessem falar sobre as rações. Maytê e Solano sequer pareciam saber que havia tais benefícios e, a meu ver, desperdiçaram uma ótima ideia. Assim, na guerra entre o standard com foco na marca e o criativo sem esse foco, a vencedora foi a Sinergia, embora toda a equipe avaliadora tenha deixado claro que ambas entregaram resultados extremamente aquém do esperado.
Na sala de reunião, Justus e seus conselheiros deixaram claro que o problema foi a falta de cuidado com a marca, mas ressaltaram também o fato de que a equipe sequer procurou aproveitar os recursos que o cliente tinha a oferecer, como os quilos disponibilizados em amostras de ração para distribuição grátis. E concordo com Justus: mil visualizações é muito pouco para que os dois achassem que poderiam se vangloriar disso.
Na segunda parte da sala, partimos para uma análise de perfil, e Justus fez um exercício que eu considerei interessantíssimo: deixar cada um dos participantes no lugar dele próprio, questionando e entrevistando o rival.
A meu ver, Maytê foi absurdamente melhor do que Solano, apontando seus defeitos com mais firmeza e encurralando o rapaz como pôde. Na vez dele, antes mesmo que Justus dissesse isso, a sensação que prevaleceu em mim foi realmente de que a discussão lado a lado foi apenas mudada de posição – e, ainda assim, Maytê seguiu dominando o “apresentador”.
É claro que seria impossível que um deles decidisse demitir o outro ali de repente e Justus só disse que premiaria uma atitude assim porque sabia que ninguém ousaria tanto. Por isso, achei essa história uma conversa meio fiada, e acabei a sala bastante dividido: pelo histórico, era óbvio que Justus deveria demitir Maytê. Pela tarefa e por aquela sala de reunião, Solano era quem deveria rodar. Mas o que realmente me fez decidir torcer por Maytê (choquem-se!) foi uma revelação de Solano que considerei preocupante: para tentar limpar sua barra como líder, o rapaz decidiu assumir que também agiu contra a lei e a ética na prova da Itaipava, quando foi cúmplice de Evandro. Ora, a meu ver, esse tipo de declaração deveria gerar demissão imediata, já que Evandro foi tão maltratado por ter cometido esse erro.
Dando um banho de incoerência, porém, Justus acabou optando por finalmente demitir sua queridinha (em uma das poucas vezes em que achei que isso não deveria ser feito, vejam que ironia!). Só não vi grandes problemas nisso porque ele já a havia poupado por muitas e muitas salas, e a moça realmente já estava fazendo hora extra no programa. Ainda assim, eu teria demitido Solano pela declaração que comentei.
Não vou mentir, sentirei falta de Maytê Carvalho. Nunca admirei sua postura arrogante nas salas de reunião, postura que eu sempre enxerguei desde o Aprendiz 6 e que não foi novidade nenhuma aqui. Mas respeito sua gana e sua vontade de vencer o programa. Maytê se entregou de corpo e alma àquilo, e é justamente por isso que conseguiu sair do programa como a melhor personagem da temporada. Ela pode ter ficado em quarto lugar (colocação que, a meu ver, foi consideravelmente melhor do que merecia), mas nesse retorno, nada foi mais assunto do que Maytê Carvalho. Isso é boa TV, e por isso, devemos sim, um “obrigado” a essa moça. Agora que acabou, resta desejar sucesso na carreira dela. Com uma personalidade daquele tamanho, certamente não será difícil.
9×14: O Quiz Tardio
A décima-quarta tarefa da nona temporada do Aprendiz certamente pegou todos os espectadores (e provavelmente todos os participantes) de surpresa. Se em temporadas anteriores estávamos acostumados com a clássica tarefa do “Vou largá-los só com o documento em algum lugar onde não se fala português e vocês vão ter que se virar pra sair de lá” (aconteceu, sem exceção, entre as temporadas 4 e 7, e é realmente uma ideia muito bacana e emocionante de prova para a semifinal), desta vez tivemos de nos contentar com um mero e chinfrim quiz, que também é uma tarefa clássica do Aprendiz de Roberto Justus, mas que é muito mais interessante quando há mais concorrentes no jogo, e eu já estava considerando esse tipo de tarefa coberto no episódio da Universal.
A verdade é que há muito pouco para dizer sobre a tarefa. Senti falta de ver Maytê e Karine participando dela, e posso até estar enganado, mas acho que as duas elevariam o nível da competição e disputariam acirradamente a vitória, deixando a tarefa bem mais emocionante. Por outro lado, fiquei feliz ao ver que Maytê foi demitida antes dessa tarefa. Se tivesse saído Solano, a moça certamente venceria essa prova com alguma tranquilidade e se tornaria finalista, o que eu não acho justo de forma alguma dado o histórico dos quatro.
Infelizmente, tivemos de nos contentar com o Saturno de Melina, o Iron Maiden de Renata (que dó que dó que dó que fiquei!!!) e o Peter Gabriel de Solano. Particularmente, houve apenas um momento de indignação: perceber que nenhum dos três tinha noção de quem era Júlio Verne. Nossa, achei isso mais revoltante do que todos os erros deles somados!
Ainda assim, houve acertos consideráveis de todas as partes. As perguntas da Vivo eram chatíssimas, mas patrocinador é patrocinador, e o programa precisou cumprir esse protocolo (mas era divertido acertar as que tinham opções, porque SEMPRE a resposta de algum serviço da Vivo era a opção de número mais alto! Ah, mensagens subliminares!).
No fim das contas, não estava tão fácil prever o vencedor, mas acabei apostando mesmo em Mel. Mesmo não tendo certeza de que ela acertou mais, fiquei com a sensação de que ela errou menos. E, assim, sem grandes emoções, a moça realmente foi a vencedora e a primeira finalista do grupo.
Na sala de reunião mais pacífica da temporada, Renata e Solano, como bons discípulos de João Dória, eram pura cordialidade um com o outro. Como comentei assim que a Sinergia foi formada, era muito provável que João Dória, o elo entre eles, os transformasse em amigos, e essa foi justamente a impressão passada durante toda a sala.
Justus decidiu repetir a tarefa que usou na final do Aprendiz 6, com Marina versus Karina, e pediu para que Solano e Renata vendessem um ao outro para ele. Dando um banho de honestidade, o rapaz disse que já sabia a resposta, e encontrou uma saída que considerei bacana para responder: venderia Renata mesmo sabendo que não deveria, porque, retirado o contexto de uma competição direta, Renata certamente é uma pessoa “vendável”. Acho impossível não concordar com Solano em sua declaração.
Mas, se tinha alguma chance antes disso (e eu acho que não tinha), Solano certamente perdeu o jogo nesse momento, porque Renata foi bem mais inteligente do que ele sem abandonar a diplomacia. Renata fez elogios mil a Solano, mas foi enfática ao dizer que, devido à sua postura excessivamente conciliadora que muitas vezes o deixava sem pulso firme, só conseguiria realmente vender Renata para ser contratada. Apenas genial!
E, depois de uma unanimidade entre os conselheiros e de uma sala de reunião que, com exceção desse episódio que descrevi, não teve realmente momentos que pudessem ajudar numa decisão, Justus optou pelo caminho mais previsível (e mais correto, a meu ver) e elegeu Renata como sua segunda finalista, demitindo Rodrigo Solano.
Muitos disseram, e eu sou um deles até hoje, que Rodrigo Solano, na temporada de João Dória, foi “salvo por um coração gigante”. Eu ainda acho que isso é parcialmente verdade, mas fiquei muito satisfeito por ver Solano calando a boca de muita gente e terminando em um respeitável Top 3 mesmo nas mãos do supostamente implacável Roberto Justus – de quebra, Solano eliminou, no processo, um sem número de favoritos de ambas as temporadas das quais participaram. Por isso, acho que o mínimo que devemos a esse rapaz, que pode ser verde em muitos aspectos, mas parece ser o cara mais bacana que já passou pelo Aprendiz, é o nosso respeito.
Mas vamos falar de coisa boa? Vamos falar de final? E aí, quem leva? Melina ou Renata? Ao longo da temporada, já fiz várias análises bastante detalhadas sobre ambas as concorrentes neste espaço, por isso não falarei muito.
Melina e Renata trabalharam juntas em absolutamente todas as tarefas, o que lhes dá um número idêntico de vitórias em equipes, com Melina tomando à frente no último momento, na tarefa do quiz. Renata, porém, tem uma vantagem considerável que precisa ser usada: seu histórico perfeito de lideranças nesta temporada: 3 vitórias em 3 tarefas, contra 2 vitórias e 1 empate nas 4 tarefas lideradas por Melina.
No fim das contas, o que vai contar são as pequenas coisas. Por perfil, acredito que Melina tenha tudo pra vencer. É mais firme, mais decidida, mais implacável, e muito mais parecida com Roberto Justus. Melina não foi ao Aprendiz para fazer amigos, foi para ganhar o programa, e isso eu respeito. Mas, além do perfil agressivo que certamente será explorado por Justus na final, uma coisa pode assombrar Mel e pôr sua vitória em risco: a famigerada visita da mãe e de Porcel na tarefa da Smart Fit. Duvido muito que Justus tenha se esquecido disso. Eu não esqueci.
Do lado de Renata, temos alguém com lideranças mais bem sucedidas e com mais simpatia e menos disposição para fazer inimigos sem que essa característica prejudique o seu trabalho, o que eu considero uma qualidade enorme. Mas esses anos de Aprendiz me ensinaram que Roberto Justus não pensa assim, e ser legalzinho demais acaba pesando contra você. Por outro lado, tivemos mais casos de finais “bonzinho versus malvado” em que o bonzinho ganhou: Porcel versus Tatiana, Anselmo versus Bia e Clodoaldo versus Henrique, por exemplo. Só mesmo o duelo Marina versus Karina teve um resultado em que quem fez mais inimigos venceu, e ainda assim, Marina é um anjo de candura perto de uma Bia ou de um Henrique. Talvez, no fim das contas, as chances estejam a favor de Renata. Isso, claro, se Justus não for orgulhoso demais para dispensar uma de suas grandes pupilas para contratar uma dispensada por João Dória. Apostas?
No fim das contas, minha torcida é todinha da Renata, muito mais porque ela conseguiu se redimir de uma oitava temporada em que eu não suportei vê-la indo tão longe depois de sérios problemas éticos do que por qualquer outra coisa. Nesta temporada, Renata conseguiu trabalhar ainda melhor do que na oitava (na qual também teve saldo positivo como líder, mas não ficou invicta como agora) sem manchar seu currículo. E não despertou a antipatia das pessoas no processo. Por isso, quem for #TeamRenata, mandemos boas vibrações e torçamos para que ela tenha vencido Melina na tarefa final para já sair em vantagem!
Em tempo: o pessoal bacana do blog Coelhocratas, que fez um trabalho muito legal de cobertura do programa nesta temporada, tem contato com a produção do programa e conseguiu dois ingressos para serem distribuídos em seu grupo no Facebook, mediante tarefa que envolvia muitas curtidas. Assim, anuncio com muita satisfação de que, com essa ponte da equipe do blog, o reviewer do Série Maníacos estará em pessoa assistindo à final do programa nos estúdios da Record. Eu não teria conseguido isso se não fosse a equipe de colaboradores do SM e o sem número de leitores que se disponibilizou a ir ajudar e curtir meu post no grupo! Muito obrigado pela confiança e pelo trabalho. Gostaria de agradecer nominalmente a um por um, mas 75 nomes é gente demais pra citar neste espaço, rs. Sintam-se abraçados, e até a final, pessoal!














