Olá, Heckmaníacos! Essa semana cumpro a difícil tarefa de substituir o nosso colega Gustavo Nagipe, que escreve ótimas leituras sobre a nossa querida The Middle. Bora lá!
The Convention, a meu ver, foi um episódio que manteve a regularidade do episódio anterior, com seus erros e acertos. Nessa semana, as subnarrativas se organizaram entre Frankie e Mike (com a volta do Dr. Goodwin!), Sue e Axl, e Brick com o seu avô paterno. Infelizmente, esse último plot não deu muito certo, tendo piadas sem graça e uma condução previsível da história sobre ”quem iria cuidar de quem”.
Gostei muito de ter o Dr. Goodwin de volta, apesar de achar que ele foi um tanto subaproveitado no episódio. Mas é sempre bom vê-lo contracenando com Frankie, já que os dois aparentam se complementar em suas maluquices. A sua visão contestável de gestão de negócios é uma marca que sempre vale ser tocada. Ri muito com a cena em que Frankie reclama por sua cadeira no consultório e depois justifica dizendo que sente falta dos biscoitos. A implantação do sistema Smile Superstar veio para reforçar o perfil de Frankie em acreditar em coisas do senso comum, apoiada sempre numa fé cega em mudar de vida. Esse misto de ingenuidade e inocência dá uma doçura cômica para o comportamento dela. Dr. Goodwin, dentro do seu próprio mundo, compara a mudança drástica de estilo de trabalho com a sua adaptação à comida indiana. Que bom empreendedor, não, rsrs?
Mike é convencido a ir à convenção dos dentistas com uma única condição: não participar de nada. Ele sempre se mantém nesse lugar confortável de “não me tirem daqui, estou bem”. O legal é que os roteiristas não ficaram nessa zona de conforto durante todo o episódio. A estadia de Axl na casa dos pais é comparada como uma praga, já que, por mais que ele tenha amadurecido, continua mantendo certas características. Ri muito quando ele reclamou de Frankie andando de sutiã pela casa. Axl não sai, a meu ver, do posto da personagem que solta as melhores tiradas. A ideia de se mudar para o quarto de Sue me pegou um tanto de surpresa, apesar de a relação entre os dois irmãos ter ganho mais notoriedade nessa sétima temporada. Todos os Heck’s, em algum momento, querem Axl a uma certa distância por conta de seus hábitos domésticos, contudo, sua ausência é sempre muito sentida (e logo sua presença é reclamada!).
O deslumbramento de Frankie ao chegar no quarto de hotel expôs bem o comportamento de pessoas que não estão acostumadas ao luxo, nem que seja o mínimo. A participação na convenção teve os seus momentos engraçados, mas se tornou um tanto repetitivo ver a nossa matriarca em sucessivas cenas babando pela mulher que lhe deu, ainda que de forma pouco consistente, esperança de um futuro melhor. Gostei muito quando os roteiristas usaram essa situação como mote para dar um “esquenta” na relação entre Frankie e Mike, que quase sempre são tomados pelo cansaço de comer fast food e dormir em frente a televisão. A cena do Dr. Goodwin dançando foi engraçada: ele e aquelas caras e bocas. Vocês já imaginaram como poderia ser o encontro desse dentista aloprado com o Brad? São personagens um tanto parecidas.
É de conhecimento geral que tudo que se consome dentro de um quarto de hotel, ou se pede como serviço externo, gera uma conta extra. Porém, a alegria de estar em um lugar limpo, bonito e com boa comida fez Mike e Frankie esquecerem completamente da necessidade do pagamento. A cena da surpresa e da incredulidade com a conta chegando foi divertida. Foi bem engraçado ver Frankie levando tudo que era de graça do quarto do hotel. Quem nunca? Por isso amo tanto os Heck’s: gente como a gente.
Ainda falando sobre a convenção, todo o discurso da palestra era motivado por uma fundamentação de livros de autoajuda, sem nunca discutir, diretamente, sobre o mundo dos dentistas. Mesmo assim, todos no salão ficaram ensandecidos. A resposta da Dra. Samuelson quando Frankie pede para que ela pague as contas extras do quarto é a melhor: “é esse tipo de determinação pelo qual estamos procurando. Imaginando o impossível e pensando que isso pode acontecer”. Frankie vai ao céu até ela dizer: “nesse caso, não pode”. E todo aquele discurso se torna meio amargo agora, pois quando se fala em desembolsar dinheiro, todo mundo corre léguas em segundos.
O melhor plot, na minha opinião, foi o de Axl e Sue. As provocações do irmão para irmã são sempre hilárias. A série tem aprofundado de modo crescente e maduro o relacionamento dos dois, introduzindo uma cumplicidade e fofura que nunca perde o passo da comédia. Quando nós poderíamos imaginar Axl ajudando Sue a ser popular? Ele fazia exatamente o contrário. A série soube evoluir bem a trama de ambos, utilizando essa nova trama da faculdade como espaço de construção de novas (e interessantes) situações. Por outro lado, como estamos falando de Sue, algo tinha que dar errado. Nesse caso, foi perder a prova. Todavia, a admissão na “Universidade do Axl” a fez reverter a cilada em que ela se meteu, mantendo, ainda, a coerência de sua personalidade e suas ações. Axl ensinou Sue a criar uma boa mentira para ter uma nova chance de fazer a prova. Ela pareceu aprender bem o que o irmão ensinou, só que, na hora H, vomitou, mostrando que essa praia não é realmente a sua. As caras de bocas de Axl avaliando a mentira da irmã foi um dos pontos altos do episódio.
A saída de Axl do quarto de Sue rendeu a melhor fala de The convention: “Sou como Mary Poppins. Ajudei você. Agora é hora de seguir em frente e ajudar os outros”. Só Axl para dizer uma coisa dessas. Os roteiristas, novamente, acertando nas citações a filmes clássicos, incluindo-as de maneira apropriada. Podemos esperar uma volta de Axl quando ele se sentir atraído por comida novamente, nesse caso, o doce da vovó, rsrs. Foi muito bom ver Sue se sentir importante sem a presença do irmão, mostrando que ela pode ser valorizada pelos outros pelo seu jeito singular de ser. Aos poucos, nossa querida atrapalhada ganha a sua independência.
O plot de Brick foi bem desinteressante. No geral, acho que ele é vítima de uma certa irregularidade na construção de sua personagem: ora o vemos sair do local de criança nerd, ora ele retorna e fica nesse local o episódio inteiro. Acho que precisamos que algumas características dele retornem (como a frequência dos sussurros e dos “whopies”) e que outras sejam mais desenvolvidas, como a sua vida amorosa e o novo contexto familiar de ser o único Heck filho que mora fixo em casa. O episódio foi bacana, mas, por tudo que The Middle já nos apresentou em temporadas anteriores (reforçando o que já foi dito na review anterior), penso que a série tem potencial para mais. E vocês, o que acharam da boa vida de hotel de Frankie e Mike? E essa dobradinha entre Axl e Sue, podemos esperar mais coisa boa vindo aí, não? Agora, passo a bola para Gustavo, que retoma o seu devido posto na próxima semana! Até mais, Heckmaníacos 🙂














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