Nem Alicent e nem os filhos dela… O maior inimigo de Rhaenyra agora é outro dos Hightower. 

Abrimos o quarto episódio dessa terceira temporada de Casa do Dragão com a chegada das tropas de Ormund Hightower na cidade de Tembleton; uma cidade que nem a própria Rhaenyra entendeu porque estava sendo invadida. Sem grandes defesas e majoritariamente mercantil, a cidade era um ponto de parada comum entre todos os que estavam a caminho de Porto Real; e justamente por ter comércios e estalagens, foi escolhida por Ormund como “sede” de sua nova empreitada. 

Vimos que os soldados de seu exército ocuparam as casas dos moradores como hóspedes; e em uma dessas casas estava a mulher de Hugh, que havia saído de Porto Real no meio daquela crise toda da fome. De fato, os roteiristas encontraram uma maneira bem inteligente de convergir as mudanças feitas para a série com o que possivelmente não mudará do livro: a ida de Hugh para a cidade é importante, mas seus motivos no livro são outros. Sua esposa estar lá aprofunda o personagem e abre caminho para entendermos um pouco mais que tipo de homem Ormund é. 

Mas, vamos chegar lá. 

É preciso avaliar: dá para vencer essa guerra sem dragões? A chegada de Ormund em Templeton traz consigo esse questionamento justamente porque o primeiro movimento dele foi tentar enganar Rhaenyra com um Daeron falso. Não foi lá muito inteligente, mas sinalizou um método sorrateiro, que pode não ter a eloquência de um dragão voando pelo céu, mas pode causar muitos estragos. 

Diante da farsa, Rhaenyra foi cobrar explicações de Alicent e esse momento trouxe mais um ponto no qual precisamos nos debruçar. Ao ser questionada sobre o motivo de ter enviado Daeron para longe, Alicent disse que “deu a Viserys TRÊS Targaryens, mas que o último ela queria que fosse um Hightower”. Junte isso ao fato de que Daeron não tem os mesmos cabelos platinados dos irmãos e é quase como se fosse uma confissão de que Daeron é tão bastardo quanto os filhos de Rhaenyra são. 

Seria uma virada interessante… Todos os argumentos de Alicent sobre a falta de direito ao trono se concentravam no fato de que Rhaenyra tinha filhos bastardos. Se Daeron não for mesmo filho de Viserys, as duas entram em um curioso pé de igualdade. Ainda mais se o pai de Daeron for Criston Cole; já que o pai dos meninos mais velhos de Rhaenyra também era da guarda real. Seria uma ousadia da série, já que no livro essa tensão não existe: o jovem Daeron tem os mesmos cabelos platinados dos irmãos. 

E falando em irmãos Targaryen, Aegon II e Larys foram parar em Pouso de Gralhas. Vocês devem se lembrar que Pouso de Gralhas é aquela cidade onde aconteceu a batalha que matou Rhaenys e terminou com o dragão dela caindo por cima da vila; enquanto o próprio Aegon acabou sendo parcialmente queimado e seu bichano, Sunfyre, também foi abatido.

Os roteiristas resolveram voltar à cidade; e isso foi importante para o público ter um vislumbre exato do que acontece depois que os dragões vão embora. Entregue à fome e à destruição, Pouso das Gralhas ainda convive com o corpo pútrido do dragão de Rhaenys. De certa forma, também convive com o de Sunfyre. Entretanto, considerando que no livro o dragão sobrevive, é seguro dizer que a certeza de Aegon II a respeito pode sim ter algum fundamento. 

Larys e Aegon II são uma dupla difícil de engolir. Os filhos de Alicent, na verdade, são todos um pouco monotemáticos. Tanto Aegon II quanto Aemond estão sempre trabalhando na mesma frequência; entre a prepotência e o tédio. O texto em si também não ajuda, entregando aos dois poucas oportunidades de trabalhar com outro tipo de impulso ou interesse. 

Vejam a diferença para Daemon. Além de demonstrar ternura com Rhaenyra, nesse episódio, Daemon reencontrou a filha Rhaena nas montanhas. Num raro momento em que tentou exercer seu papel como pai, Daemon matou um pastor de ovelhas para oferecer sua cabeça como verdadeiro montador do dragão Roubovelhas, que Rhaenyra acredita ter sido responsável pela morte de Jace. Aquela foi uma oportunidade dada ao personagem de explorar outras frequências. 

Ainda é cedo para dizer que Ormund também ocupará seu lugar no hall dos líderes excêntricos e monotemáticos, mas uma coisa já sabemos: ele exerce a mesma crueldade. Parte do processo de “educação” de Daeron é obrigá-lo a matar gente inocente. Ainda que Aegon II e Aemond estejam vivos, Ormund quer que seu pupilo seja o novo Rei. 

Como? Ele vai passar por cima da própria linhagem? 

Os Targaryens nunca foram sutis, mas a convivência com Alicent e Otto nos mostrou que os Hightowers agem na espreita; por trás das paredes e entre frestas. 

No fim das contas, toda a preocupação com dragões pode esconder uma ameaça muito maior: a que implode as coisas de dentro para fora.

 

Dragonotes: 

  • Ormund cita a falta das tropas de Borros Baratheon, lembram? Então, Borros apareceu na primeira temporada recebendo as visitas de Aemond e Lucearys, que buscavam apoio cada um para seu lado da guerra. Foi na volta dessa reunião que Vaghar devorou Lucearys com dragão e tudo. 
  • E Lady Jeyne, que ainda está chateada porque os Pretos lhe prometeram um dragão e entregaram um filhote. Ela está certíssima. 
  • Torheen virou Mestre das Moedas. O personagem no livro é bem diferente, mas vamos esperar para ver o que está preparado para ele. 
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