O melhor de “Clone Wars” em “Rebels”.

Dave Filoni além de um dos criadores e produtores executivos de “Rebels” também teve posição importante no desenvolvimento, ao lado de George Lucas, de “Star Wars: The Clone Wars”. Dessa forma, podemos notar não só o carinho que ele tem com personagens como Rex e Ahsoka Tano, mas a maneira como ele consegue trazer esses personagens de uma série para outra respeitando suas personalidades e características. Assim, se em “Stealth Strike” tivemos a oportunidade de ver o capitão Rex de volta a ação ao lado de um Jedi, em “The Future of the Force” fomos presenteados com um show dado por Ahsoka.

A trama do episódio traz Ahsoka de volta após monitorar comunicações vindas de Mustafar em busca de informações sobre o Lorde Sith (Darth Vader). Sem notícias sobre ele, ela acaba descobrindo uma missão secundária dos Inquisidores. Sem saber exatamente o que eles buscam, ela consegue duas coordenadas de locais para onde eles se dirigiam e passa uma delas para Kanan, Ezra e Zeb verifiquem, enquanto ela segue para a segunda localização.

O melhor momento do episódio ficou por conta do duelo entre Ahsoka e os Inquisidores. A maneira como ela lutou demonstrou a diferença de poder entre uma “Jedi” praticamente formada (Ahsoka), e um Padawan que teve o seu treinamento interrompido (Kanan). Gostei de ver como a sua evolução e maturidade fez reflexo ao seu estilo de luta, já que a adolescente impulsiva de “Clone Wars” deu lugar a uma adulta poderosa, mas em total controle de suas habilidades.

As cenas de ação desse episódio estão entre as melhores da temporada. A perseguição dos Inquisidores aos Rebeldes na torre foi muito bem pensada, com boas reviravoltas e Ezra voltando a mostrar que está desenvolvendo a sua conexão com a Força ao conseguir acalmar o bebê depois de algumas tentativas. E não podemos esquecer o confronto de Kanan e Zeb contra os Inquisidores. Gosto de ver que Kanan também parece estar crescendo como Jedi, e não tem sido tão inferior nos combates com os Inquisidores quanto na primeira temporada.

Gostei muito de ver Zeb ter destaque nesse episódio, uma vez que ele teve participações bem reduzidas nos últimos três. Foi uma surpresa muito divertida ver que ele tem jeito com crianças apesar de seu jeito durão. Saber que Ahsoka o recomendou para essa missão com Kanan e Ezra também é algo a ser lembrado, afinal não é qualquer um que consegue enfrentar um Inquisidor.

Esse excelente episódio teve apenas dois pontos negativos. O primeiro foi a maneira forçada utilizada pelos roteiristas para que os Inquisidores tivessem acesso à localização da célula da Rebelião de Kanan e companhia. Achei meio sem sentido vermos Ezra conversar com o bebê em voz alta revelando a localização atual da base de sua equipe bem onde ele havia visto a sonda da Inquisidora antes de entrar na torre. O segundo ponto, o mais grave a meu ver, foi Kanan ter abandonado Ahsoka lutando com os Inquisidores. Por mais que ela estivesse em vantagem, não é da natureza do personagem deixa-la para trás.

Eu acredito que muitas histórias de “Clone Wars” foram prejudicadas por ter como pano de fundo os jogos políticos insuportáveis dos Prequels. No entanto, Dave Filone tem se mostrando brilhante em trazer os personagens e o cânone desenvolvido em “Clone Wars” para enriquecer “Rebels” sem que essa série seja contaminada pelo clima da outra. A cada episódio que passa a minha admiração por ele sua equipe cresce e fico muito feliz por estar assistindo algo tão fiel às ideias que George Lucas criou na trilogia original.

Observações finais:

1 – Como Ahsoka bem lembrou: a trama desse episódio faz um paralelo com o terceiro episódio da segunda temporada de “Clone Wars”, no qual o caçador de recompensas Cad Bane, usa um holocron roubado do Templo Jedi em Coruscant para localizar e sequestrar crianças com conexão com a Força para entregar à Darth Sidious.

2 – Confesso que Chopper me assustou um pouco nesse episódio ao sugerir explodir a nave dos Inquisidores como o bebê dentro. Esse droid está se revelando um psicopata.

3 – Segundo Filoni, a cor branca dos sabres de luz de Ahsoka é um reflexo da sua saída da Ordem Jedi, sendo uma forma de demonstrar sua neutralidade. Essa mesma neutralidade justifica a sua resposta a Kanan ao dizer que ele é mais qualificado que ela para lidar com os “negócios Jedi” que ela veio tratar com ele.

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