Às vezes boas histórias não são as principais, mas estão nos detalhes.

Foi apenas o terceiro episódio da série e a sensação que eu tive era de que a série já está rolando faz um bom tempo. Não consegui me apaixonar somente por dois ou três personagens e sim por quase todos e espero não morrer do coração se algo acontecer a qualquer um deles (menos o Will – of course). Fallback não teve emoções fortíssimas como no primeiro episódio, mas encheu a mão no carisma dos personagens e se tratando da trupe de Dick Wolf isso é um feito e tanto.

O primeiro caso foi o do amigo de infância do Connor e devo dizer que na hora que o lustre caiu no cara eu soltei um “uhh” e foi a única emoção em relação ao caso. Com isso fomos apresentados melhor à família Rhodes e se eu senti falta de um antagonista, ele apareceu da melhor maneira possível, mostrando como é possível ser uma pessoa desprezível somente porque acha que manda em tudo e todos com seu dinheiro. O pai do Connor ainda será responsável por muita dor de cabeça do filho, mas acho que a reaproximação com a irmã possa acontecer aos poucos. Dr. Rhodes tem consciência de que é um profissional competente, mas com tanta ironia e menosprezo do pai até eu sentiria o peso nas costas. A tensão familiar acabou rendendo uma tensão sexual entre ele e a Dra. Zanetti, mas como tudo ainda é uma descoberta deixarei essa pauta em aberto.

O caso do ranger foi um daqueles casos desnecessários, mas que só foi salvo pela aparição e toda a sabedoria que Dr. Charles traz consigo. A maleabilidade que o personagem tem é algo admirável. E se por um lado todos correm para ele na hora de pedir um help, outra personagem que tem se mostrado uma mãezona é Maggie, com uma dosagem equilibrada de carisma, responsabilidade e proteção para com os seus. Achei bonito ela se dispor à Sarah para que a interna perdesse o medo das agulhas. Falando em Sarah, comecei a assistir Grey’s Anatomy e a insegurança que Meredith e sua galera sentia no início da série é algo em comum com a pupila de Med, afinal treinar em cadáver é fácil e não tem pressão alguma.

Mas a personagem que roubou minha atenção durante o episódio foi a Natalie. Já sabemos que o momento não é fácil para a gravidíssima, mas vê-la envolvida no caso da musicista foi lindo demais. Lindo pela sensibilidade que às vezes falta aos médicos que muitas vezes enxergam a pessoa como um caso a ser resolvido e esquecem que por mais que o procedimento salve a vida do paciente poderá ocasionar em danos colaterais. Não estou dizendo que o Will foi errado, mas fica sempre a impressão que o salvamento do paciente é mais pro ego dele do que pelo paciente mesmo. Então, o momento em que Dra. Manning disse à paciente que por mais que ela perdesse a audição, o corpo se lembraria como tocar foi muito legal, e ainda mais quando as duas tocaram juntas. Torrey Devitto que já me fez odiar a Nanny Carrie em OTH, ou suspeitar de Melissa Hastings e PLL, está me fazendo amar a Natalie.

PS: Will se redimiu com a caixa de chocolate, mas ainda falta muito para ele cair no meu gosto.

Observações do Aurelio.

Se semana passada eu falei com empolgação sobre a possibilidade de CM se tornar a herdeira de ER, essa semana as semelhanças que me fizeram pensar assim começaram a me preocupar.

O meu destaque negativo vai para a semelhança que notei entre Rhodes e Carter, um dos maiores personagens de ER. Carter, assim como Sarah, foi apresentado na primeira temporada de ER como um estudante de medicina inseguro e que durante a evolução da série foi crescendo como médico. Ele, assim como Rhodes, vinha de uma família rica e influente de Chicago com quem tinha alguns desentendimentos, o maior deles era pela sua escolha em praticar medicina no lugar de assumir o seu posto nos negócios da família. Sinceramente, o meu maior medo é que os produtores e roteiristas se “inspirem” demais nele para as tramas familiares de Rhodes. Adoraria assistir a uma série com a mesma qualidade de ER, não uma cópia mal feita.

O meu destaque positivo desse episódio vai para uma trama paralela. Gostei da maneira como Maggie notou a dificuldade de Sarah em lidar com agulhas em pequenas situações durante o episódio e ao final do mesmo se tornar voluntária para ajudar a novata a superar o trauma. Às vezes boas histórias não são as principais, mas estão nos detalhes.

Artigo anteriorDa Vinci’s Demons 3×07/08: Alis Volat Proplis/La Confessione Della Machina
Próximo artigoStar Wars Rebels 2×09: The Future of the Force