Guerra não começa com violência. Começa com desentendimentos e preconceito. Se você disser que é a favor de um mundo cheio de paz, precisa entender porque os outros agem do jeito que agem. Tem que aceitar que nem todo mundo pensa do mesmo jeito que você. – Sana Bakkoush 

Como conheci Skam:

Há alguns anos atrás a Noruega entrou no mapa da minha vida para nunca mais sair. Inicialmente me senti em um universo paralelo e o espanto foi grande por perceber que estava no país com o maior IDH do mundo. Oi? Como assim, gente? A Noruega realmente é o país com o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no mundo. Trocando em miúdos, o IDH é um indicador que, entre outros fatores, avalia o bem-estar da população, sobretudo o bem-estar infantil, a partir de uma medida comparativa sobre riqueza, alfabetização, educação, expectativa de vida e taxa de natalidade. Em seguida o assombro tomou conta de mim por perceber tantas discrepâncias em relação ao Brasil, como o simples fato de poder beber água da torneira, pois a água é de alto teor de pureza e com baixo teor mineral e sódio, ou seja muito leve e limpa; ou o fato de que o combustível é um dos mais caros do mundo, contudo, isso é feito para incentivar a população a usar o transporte público, tanto a estratégia como o transporte público funcionam de verdade, e, olha, que o país do Caminho para o Norte (significado da palavra Noruega) é referência na área petrolífera. Com o passar do tempo eu entendi que o cumprimento das leis contidas na Constituição Nacional, o respeito ao cidadão (mesmo o estrangeiro) e a tolerância são situações que tornam a Noruega realmente um país diametralmente oposto ao Brasil, mesmo assim o país do canarinho tem os seus encantos e o seu próprio charme, que me fazem amá-lo desmedidamente. Para além das diferenças climáticas, dos costumes pitorescos, da alimentação diferenciada e da cultura peculiar, a questão ética é o que mais me atrai nesse país e anseio para que um dia o nosso país verde e amarelo olhe para os seus patrícios com esse olhar mais humano e cuidadoso que encontrei nesse país nórdico. Mas, afinal, como conheci Skam?

Conheci à série Skam, em 2016, através de alguns estudantes do Hartvig Nissens Skole através daquela dinâmica do ‘você assiste a minha série, que eu assisto a sua’. Já tinha ouvido falar dessa série teen por causa de alguns comerciais apresentados na NRK (emissora estatal norueguesa), mas não fazia ideia de como funcionava a sua construção narrativa, a sua produção ou a forma como ela era divulgada através das diversas plataformas de mídia digital. Por isso a deixei na minha ‘geladeira’ de maratonas por um longo período. Depois de algum tempo, como amo um drama adolescente, decidi dar uma chance e tal série famosinha entre a garotada de Oslo. Confesso, foi amor à primeira vista! Em seguida percebi que precisava espalhar a palavra de Skam e decidi, em 2017, fazer a cobertura dessa preciosidade aqui no SM (amém que o Michel Arouca aceitou a proposta!). Naquela ocasião eu não imaginava que a série teria uma repercussão tão grande ou que teria um alcance mundial, resultando no surgimento de diversos remakes espalhados pelo mundo. Quando escrevi o meu primeiro textão sobre Skam aqui no SM (você pode lê-lo aqui https://seriemaniacos.tv/skam-retrata-forma-fiel-noruega/), tentei sintetizar de forma pouco usual o que me fez gostar da Noruega e o que me levou a adotar esse país como minha segunda referência de moradia – o Brasil ainda ganha na fila do meu coração -, para ajudar as pessoas a compreenderem melhor a realidade do jovem norueguês com a sua rica cultura e para que a série fosse assimilada na sua integralidade.

 Skam Noruega:

Atualmente se convencionou chamar a série Skam de Skam Noruega ou Skam original, acho interessante essa nomenclatura porque simplesmente sempre chamei a série de Skam e ponto final, porém, diante de tantas outras versões, começo a refletir que doravante nesse texto terei que passar a chamar a série nórdica acrescentando o nome do país de origem. Contamos nesse momento com sete versões ativas de Skam Noruega: Skam França, Skam Espanha, Skam Holanda, Skam USA (Austin), Skam Alemanha (Druck), Skam Bélgica (WTFock) e Skam Itália, mas não me surpreenderei se entre a escrita e a publicação desse texto, um novo remake surja de surpresa. Nunca, até então, eu havia tido notícia de uma série adolescente com tantos remakes quanto Skam Noruega. Contudo, eu não pretendo com esse texto tentar elucidar ou fazer um ranking da melhor versão da série nórdica. Para inicio de conversa, todas as versões têm a sua relevância dentro do seu contexto, embora eu até possa, em um texto futuro, tecer comentários alhures sobre as decisões criativas adotadas por esse ou aquele diretor, sobre a atuação de um ou outro interprete dos diversos personagens ou sobre a existência ou não de química entre os emparelhamentos, mas nesse texto eu não posso perder o foco das propostas fundamentais lançadas em Skam: aceitação, autodescobrimento, tolerância, amizade e amor. Acho muito estranho quando vejo pessoas no fandom se digladiando e sendo ofensivas umas com as outras na tentativa de decidir qual remake já conseguiu superar a série original ou qual contraparte está sendo melhor que a sua análoga nórdica; essas pessoas claramente não entenderam a proposta da série do país dos vikings.

Skam Noruega foi um sopro de dignidade dentro do universo adolescente, já tão saturado das fórmulas repetitivas, sem conteúdo e previsíveis apresentadas para esse público alvo. Dito isso, fica claro que nesse momento e nesse texto, não importam o idioma, as limitações orçamentarias ou a qualidade técnica do elenco dessas várias versões, tudo que importa é a mensagem que a série encerra em si. Julie Andem está de parabéns por ter conduzido tão bem o seu jovem elenco para nos apresentar as mensagens que Eva, Noora, Isak e Sana tinham para nos contar. Quais os pontos altos e baixos de cada temporada de Skam Noruega? Qual o legado de cada temporada dessa série que já se tornou um divisor de águas no tocante as produções dramáticas voltadas para o público adolescente? É o que veremos a partir de agora!

Eva Mohn (Lisa Teige)

A primeira temporada de Skam Noruega é imprescindível na mitologia da série por nos apresentar a jornada de Eva, a formação do squad das garotas, a rica cultura norueguesa e as principais motivações que vão impulsionar as demais temporadas. Algumas pessoas não gostam da primeira temporada, até entendo e classifico a ausência da relação familiar de Eva como o ponto baixo dessa trama, mas afirmo sem medo de errar que a trajetória de Eva é linda, rica e cheia de pequenos detalhes. Acho tão incrível quando Eva, em um momento de total lucidez e controle da sua própria vida, faz o seu discurso de final de relacionamento dizendo para Jonas ‘quando você disse que eu só faço aquilo que os outros acham legal e que não tenho opinião própria, foi muito injusto. Porque não é verdade. Eu escolhi você. E essa foi uma escolha estúpida…”. A estudante teve que passar por diversas situações difíceis até entender que precisava se encontrar, se conhecer melhor e que isso não aconteceria enquanto ela estivesse atrelada ao namorado, cercada por fragilidades, inseguranças, receios e mentiras. A cena que Eva pede desculpas para Ingrid é infinitamente importante para o desenvolvimento da personagem. Reconhecer um erro é algo muito difícil, mas pedir perdão é um ato de extrema coragem e de desprendimento. A forma como Eva tenta se explicar para Sana e Noora sobre a sua história com Ingrid mostra como a garota refletiu sobre os seus atos e percebeu que não podia continuar vivendo daquele jeito.

A temporada pode não ter sido tão envolvente quanto algumas pessoas imaginavam que seria, mas acompanhar as reviravoltas na história de uma jovem que se anulava propositalmente só para estar em um relacionamento, que de certa forma a transformava em uma pessoa que ela não reconhecia e não gostava, foi uma experiência intensa e muito boa. Além do mais, Lisa Teige (Eva) é uma atriz de muitos recursos, com um grande potencial dramático e soube defender muito bem a sua personagem. Ela contou com um emparelhamento igualmente talentoso do ator Marlon Valdés, que interpretou Jonas, seu namorado. Foi muito importante ter acompanhado a formação do Squad das garotas, passando a conhecer uma por uma das amigas de Eva, como também foi precioso entender um pouco sobre a cultura juvenil norueguesa – aliás, quem já tinha ouvido falar do Russ Bus antes de Skam Noruega?

Legado de Primeira temporada – A temporada de Eva nos proporcionou uma profunda reflexão sobre aceitação e o amadurecimento, porém, o ponto mais importante foi o foco no poder transformador da amizade.  Posso falar com total certeza que a amizade verdadeira desenvolvida entre as garotas do Squad salvou Eva de tantas formas que nem conseguiria enumerar aqui e esse, sem sombra de dúvidas, foi o ponto mais alto da temporada inaugural de Skam Noruega.

Noora Sætre (Josefine Frida Pettersen)

A segunda temporada de Skam Noruega foi imprescindível ao decidir abordar questões sociais, éticas e políticas a partir do debate sobre feminismo, sexualidade, o tabu da virgindade, a cultura do estupro e a liberdade juvenil com responsabilidade. Como pano de fundo para esse importante debate a série nos apresentou a controversa história de Noora, interpretada pela talentosa e estonteante Josefine Frida Pettersen, a garota de batom vermelho. Uma personagem com muitas camadas. Noora falando espanhol lindamente. Noora fã de Suits. Noora cantando Justin Bibier. Noora dando um pisão em William. Noora sendo linda e dando os melhores conselhos para as amigas. Noora sendo feminista e defendendo Eva. Noora aceitando convite de amizade em rede social. Porque tão perfeita, Noora? Mas nem só de perfeição vive o mundo e a polêmica foi semeada nos corações dos fãs da protagonista a partir do momento em que, para o deleite de alguns e o ódio de outros, Noora saiu de cena para dar espaço para o shipp Noorhelm. Alguns acusaram a moça de ter se anulado, deixado de lado o seu eu feminista para se submeter a um relacionamento abusivo, outros destacaram a pretensa ambiguidade entre o seu discurso e as suas ações. É claro que não concordo com nada disso e posso me justificar melhor evocando aqui um argumento que usei nos idos de 2017 para explicar a complexidade dessa personagem: ‘…estamos falando de uma adolescente de 17 anos no ápice das suas emoções e na efervescência das suas experimentações e isso já é motivo suficiente para acolhermos as suas decisões levando em conta a transitoriedade e o imediatismo que circundam as decisões e convicções dos jovens dessa faixa etária. Um outro aspecto a ser avaliado, é que a nossa protagonista manteve relações precocemente, aos 13 anos, de um jeito não muito interessante e isso a amadureceu de alguma forma, criando intimamente o ideal de respeito pelo seu corpo de mulher e de devoção pelas causas feministas, contudo, ela meio que foi pega de surpresa por uma paixão repentina por um improvável pretendente. Diante de tantas variáveis, Noora ficou acuada e sem saber imediatamente como agir. Será que teríamos uma atitude diferente da dela em tais circunstâncias e na mesma idade que ela? Será que olharíamos para William como um embuste ou teríamos a necessidade de conhecê-lo um pouco mais? Será que conseguiríamos sublimar essa paixão súbita de adolescente? São perguntas difíceis de serem respondidas.

Legado da Segunda Temporada – A cumplicidade desenvolvida entre Noora e Sana foi algo refrescante, inclusive a frase que abre esse texto é um fragmento da conversa travada entre essas duas amigas em um dos momentos mais confusos vividos pela protagonista. Um outro ponto alto dessa temporada, além de todo o debate relevante apresentado, foi a resiliência que Noora encontrou ao lado de Eskild mostrando quão importante é a presença de amigos verdadeiros em nossas vidas. Mas foi o texto escrito por William referente ao Dia da Constituição norueguesa que nos mostrou realmente o maior legado dessa temporada, em um dos seus trechos tem escrito: “Vivemos em uma sociedade porque precisamos uns dos outros. As pessoas precisam de pessoas. Pode ser cansativo lidar com os outros. Principalmente com aqueles com quem você discorda. Aqueles que pensam diferente de você…” Para além das diferenças, é preciso aprender a respeitar e aceitar o outro.

Isak Valtersen (Tarjei Sandvik Moe)

É inegável que a terceira temporada é uma das queridinhas dos seguidores de Skam Noruega, quer seja pelo bom trabalho do jovem ator Tarjei Sandvik Moe, pela fulgurante química do casal Evak ou pela jornada de autodescobrimento do protagonista, onde muitos jovens acabam se identificando com o drama vivenciado pelo rapaz. Tarjei se entregou de corpo e alma na construção do seu personagem ao ponto de nos esquecermos do comportamento reprovável que Isak apresentou durante a primeira temporada e embarcamos de cabeça no processo de aceitação do estudante. Claro que Tarjei não foi o único a brilhar durante a terceira temporada, tivemos os competentes Carl Martin (Eskild), Henrik Holm (Even), Marlon Valdés (Jonas) e Iman Meskini (Sana) enriquecendo essa história cada qual da sua maneira.

Quem nunca se sentiu diferente ou incompatível com o resto do mundo? Essa sensação de inadequação que permeava o inconsciente de Isak, provavelmente já povoou o imaginário de milhares de jovens em busca de autodescobrimento e aceitação. A terceira temporada de Skam Noruega nos mostrou que é preciso se aceitar do jeito que você é. Não adianta fugir ou mascarar a realidade, em algum momento a pessoa vai precisar desse auto confronto, ela vai precisar se ver como ela realmente é, isso é fato! A temporada de Isak foi linda de diversas formas, retratou muito bem o transtorno de personalidade de Even, nos apresentou o lado amigo verdadeiro de Jonas, nos presenteou com a amizade em construção entre Sana e Isak e ainda nos deu cenas tocantes, emocionantes – as vezes quentes – entre o shipp Evak. Acho que teria sido interessante se tivéssemos visto um pouco mais da relação entre Isak e os seus pais, mas isso não é algo que tenha comprometido o andamento da narrativa. Um outro importante ponto a se destacar foi a ascensão do squad dos garotos durante toda a temporada, eles formaram uma rede de apoio muito importante para Isak e mostraram respeito ao ficarem cientes sobre a orientação sexual do amigo. Esse fato foi tão significativo que mais adiante Isak criou uma rede semelhante para apoiar Even, ao deixar o amado aos cuidados de Eskild e Linn.

Legado da Terceira Temporada:Preciso te dizer uma coisa sobre essas pessoas que você não quer se associar, Isak. Sobre os que usaram rímel, calças justas e saíram para lutar pelo direito de serem quem são. São pessoas que escolheram suportar abuso e ódio, que apanharam e foram mortas e não porque querem muito ser diferentes. Porque preferiram morrer do que fingir ser quem não são. Isso requer coragem em um nível que a maioria dos seres humanos não entenderiam (…) então você pode sentar aí e pensar no que eu disse.’ Esse fragmento da conversa de Eskild com Isak resume muito bem a proposta dessa terceira temporada. Autodescobrimento e aceitação foram o foco da trama. As pessoas não se percebem gays porque querem receber ódio gratuito, porque querem apanhar nas ruas ou porque querem suportar abusos, as pessoas são o que são e isso é um ponto pacífico. Não sabemos nada sobe o amanhã ou sobre o futuro, mas precisamos viver minuto por minuto lembrando que tudo é amor.

Sana Bakkoush (Iman Meskini)

Quando eu descobri que a quarta temporada de Skam Noruega teria Sana como protagonista fiquei muito feliz por diversos motivos, mas o principal deles foi o fato de uma série adolescente do eixo europeu colocar uma garota muçulmana como protagonista. Tudo bem que atualmente temos Nádia (Mina El Hammani) da série Elite que também é estudante e muçulmana, porém, ela não é a protagonista da série da Netflix. Já vimos outras jovens muçulmanas em variadas séries, mas Sana passou de coadjuvante para protagonista e ganhou uma temporada para chamar de sua e isso foi muito importante para milhares de adolescentes muçulmanas que são julgadas apenas por professarem uma filosofia religiosa ou por usarem um hijab, assunto muito controverso e delicado na Europa. Sana teve uma trajetória muito significativa em Skam Noruega, na primeira temporada, com a sua visão prática e pragmática, ela transformou o squad das garotas assim que entrou para o grupo, mostrando perspicácia, lealdade e companheirismo; na segunda temporada a estudante foi imprescindível para Noora, lhe oferecendo amparo, conselhos e empatia; na terceira temporada ela foi a amiga que Isak precisava, uma pessoa lúcida, desprovida de preconceitos e com maturidade para compreender os dilemas do amigo. Mas foi somente na quarta temporada que pudemos conhecer outras camadas dessa interessante personagem.

Apresar da figura de Yousef permear a trama, a grandiosidade da narrativa envolvendo essa personagem incrível não foi reduzida a uma trama de romance, muito pelo contrário, o que vimos foi Sana tentando manter as habituais orações, honrando o voto de confiança da sua mãe,  interagindo livremente com as suas amigas, se apaixonando por um garoto ‘sem fé’, perdendo um pouco do seu autocontrole e mostrando uma vulnerabilidade necessária para o seu processo de amadurecimento. E que amadurecimento! Sana sempre foi uma incógnita para o público; acolhida pela maravilhosa Chris, considerada rude e grossa por Vilde inicialmente, mais tarde se mostrou a mais leal e empática do squad, a ponto de ser resgatada pela van das los losers em um dos piores momentos da sua vida, no entanto, ainda não tínhamos mergulhado tão profundamente nos sentimentos da personagem como fizemos nessa temporada. O casal Yousana foi lindo e discordo das pessoas que até hoje reclamam porque não houve interação física entre eles, não precisava!

Legado da Quarta Temporada: Skam Noruega em sua quarta temporada fez história pelo simples fato de uma série do eixo europeu ter tido a coragem de colocar uma estudante muçulmana como protagonista, levando em conta como esse tema ainda é sensível nos principais países da Europa, isso foi um desafio e tanto. Como abordar essa temática sem ser ofensivo ou desrespeitoso? Ou como não estereotipar a figura do muçulmano que vive na Europa? Foram questões que tiveram a justa resposta nas mãos habilidosas de Julie Andem. A amizade entre Sana e Isak, iniciada na terceira temporada, foi um ponto altíssimo dessa história e as conversas travadas entre ambos foram de uma profundidade dificilmente vista em uma série teen. A relação de respeito desenvolvida entre Sana e suas amigas desde a primeira temporada culminaram na festa do Eid al-Fitr da estudante. Muitos podem nem ter se dado conta, mas a festa promovida no último episódio de Skam Noruega apresenta uma mensagem muito poderosa sobre inclusão e diversidade e o cenário não poderia ser melhor escolhido do que uma festa em uma casa muçulmana.

O Legado de Skam Noruega: Com histórias aparentemente simples, que nos fizeram repensar os nossos valores; nos levaram à reflexão sobre o verdadeiro sentido da vida; nos conduziram a uma detalhada revisão dos nossos preconceitos e nos relembraram a cada capítulo que a amizade verdadeira é o combustível mais poderoso para movimentar a grande roda do mundo, Skam Noruega finalizou a sua trajetória após quatro bem sucedidas temporadas. Através dessa série norueguesa passamos a entender que não importam quais sejam as nossas especificidades, precisamos nos aceitar, precisamos amar o outro independente de qualquer condição e necessitamos de amigos verdadeiros para suportar a tempestade, mas também para celebrar os dias mais amenos. Eu espero que as histórias desses estudantes do Hartvig Nissens Skole possam alcançar todos os adolescentes pelo mundo a fora que são expostos as intempéries da vida cotidiana (preconceito, homofobia, racismo, bullying…) e que por isso deixam de se amar, passam a sentir solidão e medo do ódio que é direcionado para eles. Quando você começa a procurar por ódio, você encontra. E quando você encontra ódio, começa a odiar a si mesmo. Por isso não podemos sair por aí procurando ódio, reproduzindo a cultura de ódio ou semeando ódio.  Skam Noruega nos mostrou que por mais que o medo se espalhe… felizmente o amor também!

Takk for Kjærligheten!

Bem, turminha, essa é a minha singela homenagem a essa série que é um divisor de águas no mundo das séries adolescentes. Existe o antes e o depois de Skam Noruega para quem pensa atualmente em produzir uma série teen. Minha gratidão às pessoas que me pediram para escrever esse texto, sei que realmente amamos essa série. Agora me responda, qual foi o legado que Skam Noruega deixou em sua vida? Quais reflexões você fez a cada temporada? Qual mensagem foi mais marcante para você? Qual personagem causou mais impacto na sua vida? 

Outras Informações:

Skam França: Na semana passada, estive conversando com Edouard Eftimakis (Mickael), via Messenger e ele confirmou que tanto a terceira temporada do remake francês, que é a do Lucas/Isak, quanto a quarta temporada, que é da Imane/Sana, vão sofrer pequenas mudanças. Claro que ele não me disse quais serão essas pequenas mudanças, mas fiquemos atentos para conferir tudinho. Na ocasião ele agradeceu o apoio dos fãs brasileiros lembrando que esse feedback é muito importante para o elenco.

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Skam Alemanha/Druck: Para quem tinha dúvidas (eu tinha) a Mia Winter/Noora da atriz Milena Tscharntke vem se consolidando como uma excelente versão de Noora.

Skam Holanda: Zoë Love Smith, a Liv/Noora é uma fofura nas redes sociais. Tenho achado bem bonitinha a interação dela com os fãs brasileiros, inclusive arriscando até algumas palavras em português. Só vem, Liv & Noah!

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