A versão holandesa de Skam é uma produção da NTR, em parceria com a Bela Film, sob a supervisão da NPO3, emissora de televisão holandesa com programação voltada para o público infantil e juvenil. O drama adolescente holandês foi criado por Ashgan El-Hamus e contou em sua segunda temporada com 10 episódios. O squad das garotas é fundamentalmente composto por Suus de Nies como Isa Keijser/Eva; pela  atriz e cantora Zoë Love Smith como Liv/(Noora, protagonista da segunda temporada; Sara Awin como Imaan/Sana, que não retornou para a série nessa segunda temporada por questões pessoais;  Bo van Borssum Waalkes como Engel Beekman/Vilde e Sara Calmeijer Meijburg como Jana/Chris. Dividindo o protagonismo com Zoë, temos Monk Dagelet interpretando Noah/William.

Início da Temporada:

Inicialmente vimos que as investidas de Noah se intensificaram em relação a Liv, a ponto dele a esperar na porta da sua casa pela manhã, na tentativa de levá-la para a escola. Alguns podem ter achado a estratégia do rapaz fofa e romântica, mas eu sou do time que considerei a insistência dele invasiva e pedante.  Sempre acho que não é não! Se Liv disse não, está dado o recado, era necessário que ele compreendesse claramente a mensagem da estudante e recuasse, mas essa não foi a atitude dele ao mandar mensagens elogiando o cabelo da garota. Sempre acho esse plot muito preocupante, ele sempre vai estar a um passo de distância entre o flerte consensual e o assédio. Mas não sejamos tão dramáticos, eles são adolescentes ainda! Engel permaneceu durante todo esse processo inicial cega em seu interesse unilateral por Noah e o meu pensamento sobre essa situação foi: será que ela não consegue perceber que ele não está interessado? Também vimos a insegurança de Liv em relação a gravadora, creio que a pressão exercida por seu pai sobre esse assunto foi uma fonte de estresse para a estudante. Esses primeiros episódios não atenderam as minhas expectativas plenamente em relação ao retorno desse remake, talvez por não apresentar nenhum plot consistente ou diferenciado, ao menos serviu para nos mostrar em que ponto estava a estranha relação colorida de Isa e Kes e em que ponto estava a relação de Liv e Noah. Também nos situou sobre a primeira baixa no squad das garotas, que perdeu Imaan (a atriz não retornou para a série por conta de demandas pessoais), essa saída possibilitou a visibilidade da personagem Esra, que indiretamente acabou sendo uma nova Imaan. Esse início de temporada nos mostrou Lucas no seu arquétipo de hétero tentando se enganar e, na sequência, tentando ludibriar os demais. A presença mais constante de Ralph na vida de Liv também foi um ponto significativo desse início de temporada.  Algumas coisas foram bem providenciais nesses episódios iniciais, como o fato de Noah ter ido à casa de Liv (apesar da insistência invasiva) e ter lhe perguntado cara a cara se ela gostaria de ir em um encontro com ele ao invés da reciclagem do plot da chantagem por mensagem de texto; o fato de Liv ter cantado lindamente durante o terceiro episódio ou o primeiro encontro em uma igreja abandonada, foram situações interessantes e bem construídas. Foi um início de temporada lento, porém, soube construir sua base sólida ao trazer para a cena o plot da morte da mãe de Noah como forma de nos apresentar o personagem em seu ambiente doméstico e introduzir Morris, seu irmão mais velho na trama.

 

Meio da Temporada:

O meio da temporada foi mais agitado e dinâmico, mostrando que Skam NL tem sim lenha para queimar. Por conta do advento da morte da mãe de Noah, Liv dormiu na casa do garoto, mesmo que nada mais íntimo tenha acontecido entre ela e o rapaz, ficou claro que ambos estavam se movendo na mesma direção. Logo pela manhã Liv acabou conhecendo Morris, irmão mais velho de Noah, que estava na cozinha preparando o café da manhã. O estranho da situação foi que quando Noah avistou os dois interagindo na cozinha foi frio com Liv, a tratou de forma rude e praticamente a expulsou da casa. Sei que Noah a procurou mais tarde na escola na tentativa de justificar os seus atos perante o seu irmão, ele alertou Liv sobre a natureza de Morris e meio que tentou deixar claro que a queria como namorada. Mas a garota estava confusa e brava com a atitude do rapaz. Esse é aquele tipo de episódio que eu sempre sei que Liv teve muitas oportunidades de se abrir com Engel sobre o seu relacionamento com Noah, mas não o fez; também sei que a festa para arrecadar fundos serviu de cenário para que Engel visse Liv e Noah se beijando na rua. Apesar de saber de tudo isso, gostei muito da construção narrativa até o grande momento do first kiss de Liv e Noah. A cena em si foi bem simples, porém carregada de paixão e entrega. Gostei muito do trabalho honesto de Zoë e Monk nessa cena que é um divisor de águas para o início do romance desse novo casal. Aliás, por falar em casal, impressionante como Isa ainda não superou Kes, por mais embuste que ele tenha sido com ela na temporada passada. Senta que lá vem história! Todo esse momento romântico entre Noah e Liv, foi visto por Engel enquanto ela ajudava Isa no outro lado da rua.

O bom de se ter uma atriz que também é cantora é que teremos em cena muitos bons momentos musicais. O episódio seis nos entregou um desses belos momentos musicais protagonizados por Liv enquanto acordava Noah. Achei muito fofo o sorriso de Noah depois que Liv saiu da sua casa, ele parecia realmente um adolescente apaixonado. Adorei que muito do episódio foi utilizado mostrando cenas das garotas juntas, fazendo compras, se divertindo e conversando. Skam NL meio que fez uma substituição de Imaan por Esra, outra personagem muçulmana na trama. Terem reunido parte do elenco no boliche foi realmente interessante, uma forma de dinamizar as cenas sem polarizar esse ou aquele personagem. É uma pena que Liv e Engel não tenham tido uma conversa sincera ainda nesse episódio, creio que evitaria muito drama futuro. Somente no episódio sete, durante a aula de yoga é que Liv se abriu com Engel. Isso foi muito interessante porque minimizou a quantidade de drama que poderia ter sido gerado pelas loucuras românticas de Engel. O que dizer sobre o menino Lucas com perfil no aplicativo de namoro? Ralph sabe das coisas e não pensou duas vezes para expor o garoto. O momento em que Noah convidou Liv para calçar os sapatos e o acompanhar foi muito refrescante. Ambos possuem uma química incrível, Monk é muito atraente e Zoë é muito bonita e carismática, além desses atributos os dois ainda conseguem entregar um bom trabalho.  É uma pena que toda a delicadeza do momento soft tenha acabado em uma briga tão violenta no estacionamento. Noah agrediu e foi agredido. Naquele momento não ficou muito claro qual a real motivação para ele se meter naquela briga, mas Liv ficou muito impactada com o extremo de violência praticado por Noah, que minutos antes parecia tão calmo e carinhoso.

O desentendimento entre Liv e Noah, gerado pela briga, já era o esperado. Liv ficou muito impactada com toda aquela cena de violência, consequentemente, julgou Noah severamente. Esra a ajudou a construir uma outra perspectiva diante do ocorrido e, por essa razão, Liv decidiu procurar Noah em sua casa na tentativa de solucionar essa situação. O problema é que Noah não estava em casa, Morris, seu irmão, estava na casa dando uma festa para amigos. E aí começou o plot que eu menos gosto na temporada de Noora/Liv… 

Morris se mostrou muito hábil com as palavras, um manipulador. O irmão de Noah se aproveitou de um momento de vulnerabilidade de Liv – ela e Noah estavam brigados – para, através do artificio do argumento manipulativo, fazer crer que a garota estava lidando com um namorado difícil e agressivo. Liv foi induzida a crer que Noah não tem controle sobre a sua própria raiva e por isso teve atitudes violentas recentemente. Aos poucos ele foi envolvendo Liv na sua intricada teia, a garota encontrou na taça de vinho uma saída escapista para o turbilhão de sentimentos e indagações que a assaltavam naquele momento. Ela jamais poderia imaginar que estava diante de um predador sexual. Não adianta usar o argumento de ‘Noah a avisou’ ou ‘nossa como ela acreditou nele?’, volto a dizer, ela estava em um momento de vulnerabilidade, baixou a guarda por seu interlocutor ser o irmão do seu namorado e onde está o crime dela? Onde está o seu erro? O que ela fez para que Morris tivesse tal atitude? Nada! Absolutamente nada!

Nenhuma mulher jamais (JAMAIS!!!) deveria passar pelo que Liv passou, ter seu corpo mexido e violado de forma tão vil e inescrupulosa. Os relatos de abusos contra jovens mulheres são constantes, os números, índices e marcadores estão aí para comprovar. Existem predadores entre nós que se comprazem nesse tipo de prática, não só a perversão do sexo não consensual, como o terrorismo psicológico de atormentar as suas vítimas com chantagens e contundentes ameaças de trazer a público um momento humilhante de vulnerabilidade e de agressão contra a sua intimidade. Denunciar ainda é o melhor caminho, mas para que isso ocorra é preciso que não se trate a pessoa vitimizada como coparticipe da violação. Não se pode julgar e condenar uma mulher que foi violada, não se pode transformar a mulher vitimizada em autora da sua própria agressão. Não existe um fundamento sequer que valide a culpabilidade de uma mulher que teve a sua integridade física mais intima corrompida por alguém doente/criminoso o suficiente para sentir prazer nesse tipo de ato. Me coloquei no lugar de Liv, sei que um borrão passou pela sua cabeça ao não se lembrar do que aconteceu na noite anterior, meus olhos percorreram a tela do computador da estudante da mesma forma ágil com que os seus olhos percorriam as várias abas de pesquisa na internet buscando informações e indícios de que sofreu um abuso ou de que foi drogada. Foi desolador para Liv ter ouvido a voz de Noah do lado de fora de casa chamando-a pelo seu nome. O que se deve dizer ao namorado em uma hora como essas? Deve-se dizer que o seu irmão a drogou e a violou? Ou o silêncio, a distância e o tempo se encarregarão de curar essa ferida? Essa foi a primeira versão de Noora onde um abuso aparentemente mais físico realmente aconteceu – ele tocou nela a deixando desnuda, sem consentimento, enquanto ela estava adormecida e produziu um vídeo -, a cena foi forte e gatilho para muitas pessoas que já passaram por situações semelhantes. Apesar da crueza da situação, percebi que o remake tratou o assunto com extremo apuro e muito cuidado, o plot do assédio/abuso não estava ali somente à serviço da trama, mas serviu também de alerta e denúncia para os incontáveis casos semelhantes que acontecem com diversas garotas pelo mundo a fora. Nem mesmo Ralph conseguiu arrancar Liv do estado de prostração desolador. Um banho? Mil banhos? Como tirar do seu corpo as marcas indeléveis de uma agressão não guardada na memória, mas impressa no coração? Independente de Liv ter tido ou não algum contato mais íntimo com Morris, o que devemos ter em mente é que ela não estava em condições de anuir tal contato, portanto, o rapaz agiu de má fé, mostrando o quão criminoso ele é.

Final de Temporada:

Apesar de ter ficado bastante feliz com o pisão que Liv deu em Morris, a decepção veio logo em seguida e, infelizmente, Noah não era o príncipe que imaginávamos e, apesar de toda aquela aparência desconstruída e rebelde – cabelos despenteados, unhas pintadas e gastas -, o rapaz se mostrou tão machista e conservador quanto qualquer outra versão de Willian. Ele nem sequer se deu ao trabalho de escutar a versão de Liv sobre a tal imagem encaminhada. Quem em sã consciência não repararia que a moça estava quase inconsciente quando foi molestada covardemente pelo algoz? Custava ter o mínimo de empatia e escutar o que Liv tinha a dizer sobre essa situação que, claramente, não poderia ser explicada usando o binômio sim ou não. Fiquei bastante triste ao ver Liv caída ao chão após ter corrido atrás de Noah pelo pátio da escola na tentativa de lhe oferecer algum tipo de explicação, sei que o rapaz, para além do ciúme gratuito, estava frustrada e decepcionado, perdido e sem saber o que realmente teria acontecido. Sei que Noah havia perdido a sua mãe recentemente e cultivava uma relação muito ruim com o seu irmão, mas esperava (torcia) por uma reação diferenciada da parte dele. Esse, de fato, é o plot que menos gosto na temporada de Noora, que por si só já é bastante controversa. Ao menos Liv teve a comprovação através de Marie que nada mais íntimo aconteceu entre ela e Morris durante a festa, apesar de ele ainda ter tocado nela sem consentimento e de ter produzido o vídeo. A única coisa boa que tiramos de toda essa história foi o apoio incondicional que Liv recebeu das amigas, especialmente de Engel, que foi até a sua casa cozinhar para ela como demonstração de carinho. Aliás, não tem como não exaltar esse squad de garotas, elas sempre se apoiam e estão dispostas a se ajudarem mutuamente. Mostrando que, acima de tudo, a amizade vem em primeiro lugar.

O que vimos no penúltimo episódio da segunda temporada de Skam NL foi a desconstrução e o ‘desempoderamento’ de Liv, uma garota que iniciou a sua jornada em Skam NL como uma força da natureza e finalizou esse episódio como uma pessoa sem a devida autoconfiança e sem o poder de decisão que todo mulher deveria ter. Se formos olhar por esse lado, Noah não fez o bem que poderia fazer a Liv nesse momento, muito pelo contrário, ele a enfraqueceu e tirou dela o controle da sua própria narrativa. Será que estar apaixonado lhe deixa dessa forma? Será que se jogar de cabeça em uma relação é também perder os seus principais traços de personalidade? Sei que muita gente achou fofa a cena de Liv vestida de noiva indo encontrar Noah, na tentativa de convencê-lo de que não houve nada íntimo entre ela e o embuste do irmão dele, mas eu não considerei essa cena fofa não. Para início de conversa, eu acho que Noah nem precisaria ser convencido de nada se ele ao menos confiasse em Liv, creio que mesmo sabendo que Morris é um monstro inescrupuloso, Noah ao menos teria que ter dado o benefício da dúvida para Liv. Mesmo sendo manipulado covardemente pelo irmão, mesmo estando abatido pela morte da mãe e mesmo que alguns indícios apontassem para a veracidade da situação exposta na imagem, acho que Noah deveria ao menos ter sentado com Liv para conversar sobre o acontecido.

Noah teve uma atitude desproporcional na frente de todo mundo na escola quando, mesmo que involuntariamente, provocou a queda de Liv no chão no episódio oito. Mesmo chateado, eu esperava que ele se virasse para a moça e a ajudasse, mas eu estava enganada, a raiva explosiva e o ego ferido falaram mais alto que os bons costumes do rapaz. Mais adiante quando Liv foi até a sua casa vestida de noiva, dando sequência ao plano de convencimento do rapaz, ele foi grosseiro com ela, não lhe dando a chance de mais uma vez tentar explicar a situação (explicação essa que eu julgo desnecessário), virou as costas e, de certa forma, ao dizer para Liv que havia lhe avisado que o irmão não era uma boa pessoa, ele meio que a responsabilizou pelo episódio de assédio. Infelizmente, Noah agiu como muito rapazes que responsabilizam as garotas por episódios de assédio, por abusos ou mesmo pela violação mais contundente dos seus corpos. Ver Liv correndo atrás de Noah e ele a tratando como se ela não fosse importante, me deu a impressão de que eu estava vendo uma outra personagem em cena, não a Liv que nos foi apresentada na primeira temporada e no início da atual temporada. Fiquei extremamente decepcionada com a condução que os roteiristas de Skam NL deram para Liv nesse episódio. Como assim se vestir de noiva e ainda pedir desculpas para o cara que nem quis ouvir o seu lado da história, garota? Uma representação cafona de um hipotético ‘sim’ para um pedido de casamento feito em tom de brincadeira em um momento mais soft. O remake holandês, nesse plot, conseguiu se superar no quesito falta de coerência narrativa. Fiquei tão decepcionada com a proposta apresentada no episódio nove, que nem a presença agradável do squad das garotas ajudando e incentivando Liv me animaram a reconsiderar o meu sentimento em relação ao capítulo apresentado.

Todos nós que acompanhamos Skam desde as suas origens norueguesas sabemos que esse casal e extremamente problemático, que ele teve um início envolto em mentiras, manipulações e situações duvidosas, então não adianta romantizar algo que já teve o seu início equivocado. A Noora original também foi desconstruída e perdeu boa parte da sua força diante de um relacionamento problemático. O William original era invasivo, manipulador e chantagista. Ele também não confiou em Noora quando ela mais necessitou. Nada de novo sobre o sol! Mas o problema de Skam NL não foi a repetição do plot do casal problemático, isso até já esperávamos, o grande problema foi o de não aproveitar a oportunidade para mostrar outras camadas de Noah (como Druck fez muitíssimo bem com Alex, a sua versão de William), talvez dessa forma poderíamos ao menos tentar entender o seu ponto de vista diante dos fatos. Noah retornou, beijou Liv, mas não havia profundidade nisso tudo. A sequência perdeu a força e o impacto que deveria ter. Sei que ambos são muito jovens, compreendo que Liv se deixou levar pela paixão para tomar certas decisões (para alguns humilhantes, para outros bem compreensíveis), entendo que já vimos tudo isso em Skam Noruega e que não tem como mudar algumas coisas, mas exageraram na desconstrução da Liv que nos apresentaram até o sétimo episódio.

Mesmo após esse mar de observações, não considero Noah uma representação ruim de William (que por si só já e muito complicado e problemático), até gosto do rapaz e sinto nele uma leveza e uma rebeldia que não senti em outras versões desse mesmo personagem. Gostaria que os roteiristas tivessem nos proporcionado a chance de ver outras dimensões de Noah após o plot do assédio, isso meio que nos ajudaria a compreender melhor a sua perspectiva dos fatos. Logo, julgo que a grande falha não foi do personagem, mas dos roteiristas que não lhe deram a chance de expandir o seu universo. Nesse aspecto, o personagem ficou muito raso e simplista, tal qual a sua versão original. A propósito, gosto bastante de Liv e, independente dessa desconstrução a que me referi, ainda a considero uma boa versão de Noora. Afinal, estamos falando sobre dois adolescentes descobrindo as engrenagens do amor. Não devemos perder o foco que nessa idade estamos (estivemos) todos sujeitos a essas intercorrências, alternâncias e desconstruções. Liv não é um projeto pronto, nem nós somos. Liv não teria como prever as suas reações dentro de um relacionamento só por ter convicções muito severas sobre feminismo e empoderamento. Não somos a escolha entre o preto ou branco, o certo ou errado, o sim ou não. Não somos um binômio. Liv e Noah também são essa dualidade. Apesar de não concordar com a desconstrução de Liv e com a falta de profundidade de Noah, esse show soube trabalhar de forma eficiente essa dualidade que nos torna nada mais que seres humanos falíveis e imperfeitos.

O último episódio da segunda temporada foi refrescante demais. Para começo de conversa, tivemos o Eskild original fazendo a sua participação de luxo. Jurava que Druck/Skam Alemanha seria o primeiro remake a cruzar a fronteira desse universo paralelo e trazer um dos personagens originais para a sua narrativa, mas qual não foi a minha surpresa ao ver o carismático Carl Martin, lindo, falando inglês e todo cheio de purpurina no meio da festa de aniversário de Liv. O irônico da situação é que ele se encontrou com Ralph, a sua contraparte holandesa e a conversa não poderia ter sido mais engraçada. Meus amigos, que festa linda! Sempre gosto desses momentos em que qualquer versão de Skam reúne todo o seu elenco para uma celebração e, nessa festa de aniversário de Liv, não poderia ter sido diferente. Adorei ver as garotas dançando e se divertindo; amei cada minuto em que Eskild esteve interagindo com o elenco do remake, principalmente quando ele colocou a música “Forever Young” para tocar. Essa música, que é o título dessa crítica, representa muito do espírito desse remake e desse grupo, que conservam sempre esse espírito eternamente jovem.

A sequência do first time entre Liv e Noah também foi muito bem construída, principalmente por ter intercalado os momentos da festa, da alegria da comemoração, com a ausência de trilha sonora e a inserção da respiração ofegante de Liv como proposta sonora. Gostei muito dessa concepção, por nos mostrar como todas as coisas estão interligadas. Um dos momentos mais bonitos desse final de temporada foi o das garotas do squad esperando o ônibus. Pode parecer uma coisa simples demais, contudo, vê-las juntas, se apoiando, passando tempo de qualidade, distantes dos plots românticos e das corridas desenfreadas por esse ou aquele interesse amoroso é muito refrescante. É muito difícil encontrar séries voltadas para o público adolescente com garotas que são amigas, se amam, se respeitam e se protegem.

Pensei que o remake holandês iria explorar um pouco mais a carreira musical de Liv. Quase não vimos nada relacionado à gravadora ou ao pai da aspirante a cantora. Gostaria de ter visto um pouco mais desse plot, já que a atriz em questão também é uma eximia cantora. Imaginei que Lucas teria mais destaque na atual temporada, essa seria uma forma de preparar terreno para um possível protagonismo na terceira temporada. Senti falta de Esra no final do episódio, já que ela, de certa forma, acabou substituindo Imann.

Bem, pessoal, por enquanto é isso. Skam NL apresentou uma segunda temporada regular, com uma boa trilha sonora, um casal de protagonistas com bastante química e problemas pertinentes ao mundo dos adolescentes. Só nos resta aguardar pela renovação de Skam NL e por uma possível terceira temporada de Lucas ou de Engel.

REVISÃO GERAL
Nota:
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skam-nl-holanda-segunda-temporada-forever-youngSkam NL apresentou uma segunda temporada regular, com uma boa trilha sonora, um casal de protagonistas com bastante química e problemas pertinentes ao mundo dos adolescentes.