Quanto mais tento compreender porque sou fã de Sense8, mais percebo que os mistérios e a complexa mitologia da narrativa são meramente ilustrativos perto dos momentos de desconstrução que os protagonistas oferecem durante os episódios, como por exemplo: o karaokê coletivo de 4 Non Blondes, as cenas em que o cluster precisa trocar habilidades, as orgias, os belíssimos momentos em que os sensates trocam informações emocionantes uns com os outros e por aí vai. Basicamente o que faz de Sense8 uma experiência de simbologia glamurosa é criar um visual “sofisticado” para uma história acerca do poder das conexões mentais que uma virtude humana pode proporcionar: a empatia.
Exatamente! Uma palavra tão pequena mas que possui um poder tão grande! A empatia é capaz de nos fazer compreender não só o próximo, como gerar a capacidade de amá-lo instantaneamente. É a empatia que vem salvando e transformando pessoas ao redor mundo e sem ela não seríamos competentes suficiente para entender o sofrimento de quem possui menos liberdade pra conquistar sonhos e igualdade de direitos. Sem ela seríamos apenas homo-sapiens arcaicos e pragmáticos, longe da humanidade que nos fez evoluir rapidamente. É isso que Sense8 busca conquistar com seu roteiro. Apesar das falhas que teve no caminho até aqui, a série retornou para mostrar (mais uma vez) que o poder empático pode transformar/unir nosso planeta.
Who Am I? foi um episódio que desenvolveu a trama com uma rapidez necessária após o especial de Natal que serviu apenas para ambientar a temporada. Por outro lado, não foi um capítulo com momentos marcantes que fazem de Sense8 um ato distinto. É importante para a trama manter um conceito forte dentro dos plots, mas considero mais importante ainda gerar um equilíbrio emocional entre eles, que só foi bem articulado na cena das entrevista de Lito e Capheus, sendo interditada pelos demais sensates. A pergunta que dá título ao episódio e consequentemente dita o tema desta nova fase, exemplifica muito bem a busca que eles precisam realizar para conhecer quem/o que eles realmente são. E no meio dessa jornada homérica eles ainda têm que lidar com um caçador convicto a destruir qualquer possibilidade de crescimento do cluster.
Nomi, Will e Riley são os que mais estão focados em descobrir o paradeiro do Sussurros, enquanto que Lito, Wolfgang, Kala, Sun e Capheus estão ainda precisando aceitar a vida que possuem e enfrentar os impasses familiares/pessoais. Entretanto, todos eles estão buscando explicações para compreenderem melhor o que está acontecendo com eles. Nomi principalmente. Ela parte da teoria de que os sensates podem ser a herança genética de uma espécie pré-histórica chamada “homo sensorium”, uma teoria que lembra muito o plot de minoria que X-Men costuma encabeçar nos quadrinhos. Por outro lado a série acerta muito ao apresentar os sensates como os “evoluídos”, mesmo que eles sejam realmente mais evoluídos. Eles podem ser, se esta teoria que Nomi descobriu estive correta, apenas uma raça humana que herdou uma característica genética de outra espécie. Afinal, comunicação e linguagem são termos bem mais profundos do que se imagina, e misturar estas ideias dentro do nosso contexto histórico é bem interessante e revelador.

O plot sobre Sara retornou aos holofotes mais uma vez e foi interessante colocar Nomi e Amanita em evidência neste caso. A impressão que tenho é que além de ter sido uma história que inspirou Will a se tornar policial, ela também possui uma forte conexão com os antigos experimentos do Sussurros e como isso afetou o passado de muita gente. Que a garota foi uma sensate isso está bem óbvio, o que não ficou claro é em qual cluster ela pertenceu e qual o motivo de tantos sensates visitarem a mãe dela…
Em suma, todos os conceitos apresentados nesse retorno serviram para colocar as peça desse quebra-cabeça nos devidos lugares, para no futuro visualizar esse quadro por uma visão mais ampla. Por outro lado, foi lindo demais ver a união do grupo ao trabalhar para ficar um passo a frente de Sussurros. A cena em que Riley utiliza de truques para enganar o vilão sobre a localização deles foi divertida, e um tapa na cara de quem achava que ela não tinha muita importancia perto dos outros. Will continua sendo o personagem que mais se conecta com o mistério principal da série, e mesmo que sua participação neste primeiro episódio tenha sido levemente frustrante, tenho certeza de que ele será a peça chave para combater os futuros inimigos. A sequência em que ele, Riley e Nomi pesquisam a exata localização do cientista é o maior exemplo do que Sense8 sabe fazer tão bem. “Nós vamos pegar você!” declara Will para Sussurros, provando que a série voltou mais séria e centrada do que antes. Dessa vez os sensates não estão brincando de caça ao tesouro, mas caçando quem o escondeu.
PS1: Está aberta a cobertura oficial de Sense8 do Série Maníacos! Dessa vez fui convidado para cobrir a temporada completa, episódio por episódio. Será um prazer escrever diariamente sobre a série e espero que também seja prazeroso para vocês.
PS2: Também fui responsável por escrever a avaliação do Especial de Natal, lançado ano passado. Para ler acesse aqui.
PS3: A cena da entrevista foi um dos momentos mais gloriosos da série até agora. Mas fiquei com a impressão de que o show está abusando demais dessa conexão entre eles, criando um tempo de tela além do necessário.
PS4: Incrível como a relação familiar também pode ser compreendida como uma relação entre sensates. O pai de Riley se não fosse literalmente o pai dela, cairia facilmente como um integrante do cluster.
PS5: Toby Onwumere, apesar da ótima caracterização com Capheus, não conseguiu acompanhar o carisma que Ameen tinha com o personagem. Mas estou com a mente aberta para dar mais chances ao ator…















