Choro e ranger de dentes. Ainda condoídos pela tragédia grega exibida no episódio anterior, assistimos às agruras e debates de heróicos sobreviventes numa sala de reuniões inesquecível para muitos.

E acho que teve alguma coisa sobre cachorros. Mas não me culpe por esquecer esse detalhe sem importância: são tantas emoções.

10 minutos e 21 segundos. Lembra de quando a sua mãe dizia pra você tomar banho em vez de “dar um susto no chuveiro”? Pois é. O Aprendiz Universitário deu um susto na gente ontem. Eu venho sistematicamente apontando os erros formais do programa a cada terça e quinta: ora temos um nome errado na sequência de abertura, ora nos falta brainstorming, e mesmo algumas tarefas são repetidas ou adaptadas sem muita criatividade. É certo que o giz e a locutora, bem como o tempo dedicado à exibição da tarefa em si, não mudarão. Os próximos episódios, enquanto conversamos por aqui, já aguardam pronta e pacientemente o seu momento de glória na telinha. Mas isso não nos impede de manifestar toda a irritação desse mundo.

A título de comparação, dê uma olhada no quadro abaixo. Cada episódio teve, da contagem de sua duração, excluídos os segundos de abertura – na nossa temporada, aquelas cenas dignas de Alf: o ETeimoso que passam antes da segunda parte da sala de reuniões. Bocas abertas, queixos no chão:

Eu respeito a opinião da minha prima de vigésimo grau, mas tenho que discordar. Ainda que os debates antes da demissão sejam tremendamente chamativos para a audiência, é crucial fornecer ao telespectador o máximo de informações sobre o desempenho das equipes, sobre os erros estratégicos, até mesmo sobre as melhores e piores decisões de última hora – tudo antes de chegar à sala de reuniões. Com pouco mais de dez minutos de prova, não dá pra coletar todos esses dados satisfatoriamente. Na terça-feira, muita gente terminou de ver o programa se perguntando “mas que orçamento?”, uma das razões para a eliminação da Natália Nohra. Como a Maytê, muitos sustentariam que a última fatia do programa é a mais interessante do todo. Quer mudar esse cenário, Record? Da próxima vez, escolha o suprassumo dos universitários desse Brasil, com gente que seria disputada a tapa pelas maiores empresas do país. Crie provas inovadoras e invista na qualidade da edição. Além disso, pergunte ao Eike Batista se ele tem tempo disponível na agenda.

Um terço dos engradados de água com açúcar já se foi. Vamos agora à análise da tarefa em si. Calma, que o chá de camomila está quase pronto.

Qual era a tarefa? Organizar serviços ou vender itens para cachorros em quaisquer pontos da cidade de São Paulo, na atividade empresarial de um pet shop. A vitória seria dada à equipe que conseguisse maior faturamento no período de onze horas.

AVANT

Pouquíssimas idéias produtivas, zero de inspiração ou criatividade, nenhuma área de concentração das vendas: pode escolher qual das estampas você quer colocar na testa dos membros da equipe Avant. A Alessandra e o Danny só escaparam da sala de reuniões por uma combinação de deslizes do time adversário e de um acerto, qual seja a limitação a vender produtos e só produtos para cachorros (e levar aquele outro pro dono). Não tinha serviço, não tinha necessidade de know how dos membros e, mesmo de forma atabalhoada, o pessoal saiu com lucro de 369 reais. Gargalhemos, por gentileza.

UP

É difícil imaginar como um grupo de pessoas pode se dar pior que a Avant numa prova como essa, mas o Conrado e a Aimée não se deixaram abater. Queriam perder e ninguém os iria impedir. Esqueça o atraso do carro ou até as máscaras de cachorro, cortesia, em parte, do nosso querido gênio indomável Rodrigo Solano. Os três principais obstáculos enfrentados pela equipe foram, em ordem de importância, a falta de direção para uma atividade determinada, o descarte da sugestão de ponto oferecida pelo pet shop no Morumbi e o DRAMA do Conrado. Total de onze horas de esforço? 232 reais. Pedir esmola em sinal seria mais lucrativo.

Na sala de reuniões, toda a atenção se voltou para o líder. Ele já não estava numa posição muito confortável, e então o João Dória Jr. manda que exibam o vídeo em que ele perde completamente as estribeiras. Vi no rapaz, embora tenha detestado a fraqueza e a vulnerabilidade, um desejo enorme de ficar no programa. Quase que a Aimée entra na ciranda, mas depois de uma senhora discussão e do entra-e-sai dos candidatos, não era possível decidir de outro jeito: a derrota foi resultado de uma sucessão de más decisões e erros de julgamento, motivo pelo qual tinha que sair o Conrado.

Você concorda com a eliminação dessa quinta-feira? E sobre o tempo de exibição da tarefa, tem algo a dizer? Tô esperando seu comentário abaixo. E quem quiser pode me seguir no Twitter.

P.S.: Eu fiquei com uma pulga atrás da orelha quando o Barioni disse que a equipe tinha despesas de 1.056 reais e receita de 232 reais. Só mantive a descrição da tarefa como obtenção de lucro porque o João Dória Jr., quando da divulgação dos resultados, disse que a equipe vencedora tinha conseguido 369 reais líquidos.

P.S.2: Segundo o Cartas Para Bial, teremos a famosa prova do Quiz na terça-feira que vem, dia 4 de maio. Eu e a minha prima de vigésimo grau estaremos vidrados em cada suspiro dos participantes. E a review vai ser a melhor de todas.

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