Há um ano, falamos por aqui sobre a primeira temporada de Wynonna Earp e os rumos que a adaptação escolhera para narrar a saga da heroína na televisão. De lá para cá, a série chegou ao humilde catálogo nacional da Netflix, estreou um bem recebido segundo ano, encerrado no final de agosto, ganhou prêmio de melhor série dramática no Canadá, teve seu elenco e produção indicados a diversos outros prêmios e foi renovada para a terceira temporada. Nada disso por acaso: a série é a prova de que apostar no carisma de suas personagens é a melhor saída para desenvolver qualquer roteiro. É hora de voltarmos a Purgatory.
“Eu sou a minha própria arma”.
— Wynonna Earp.
A season finale anterior terminou com uma reviravolta esquisita e que nos deixaria inquietos caso a série não tivesse sido renovada para desenvolver o que teria sido seu final. A escolha, entretanto, não é esquecida e nos primeiros episódios lidamos com Waverly possuída e comportando-se diferente do usual. Destaco logo esse como um dos defeitos da temporada, afinal, gasta-se muito tempo nessa história e somente no quinto episódio que temos o desfecho para a situação. Há bons momentos, como Wynonna obcecada por doce por conta do demônio em seu corpo (!) no meu episódio favorito da temporada, mas a possessão dura mais do que deveria.

O maior destaque da temporada, sem dúvida, é a gravidez da protagonista, solução adotada pelo roteiro após a atriz Melanie Scrofano descobrir que estava grávida. O desdobramento dessa subtrama proporciona momentos sensíveis e delicados à série, que são bem aproveitados pelo elenco e que rendem impulso para diversas ações. A personagem em nenhum momento deixa de lado o seu jeito debochado, mas é evidente que a responsabilidade envolvendo um bebê lhe faz questionar as próprias escolhas.
Para a segunda temporada, o elenco foi reforçado com a adição de Varun Saranga como Jeremy. Este reforça o humor constante do seriado e serve de quebra (não que a série precisasse) para momentos mais tensos, adicionando comentários fora de hora e desajeitados. Tamara Duarte interpreta Rosita, fechando o grupo da maneira mais improvável possível. O desfecho para sua história dentro da série não me agradou. Ignorando isso para não caçar defeitos, foco-me em sua boa participação e na ajuda que oferece ao grupo.

Citando o bando que acompanha as Earps, reafirmo o carisma das personagens e elogio o trabalho da produção em conseguir desenvolvê-los para que todos consigam conquistar o público. Enquanto em algumas séries permanecemos porque gostamos de alguém ali dentro, aqui temos o elenco fixo aproveitando sua boa química e o roteiro explorando o potencial de cada um deles. São poucos os momentos (leia-se as brigas de Waverly e Nicole) que eles nos aborrecem.
Além da possessão das irmãs Earp e da gravidez de Wynonna, a temporada aborda a Black Badge e sua caça a Dolls, que não faz lá muito sentido. A associação é descrita como importante e grandiosa, mas é ignorada episódios depois, quando o foco muda. Conforme avança, encontramos as vilãs da temporada e reencontramos personagens que são trazidas de volta. Bobo faz um retorno desnecessário, mas as irmãs são antagonistas interessantes na série.
Destaco o já mencionado quinto episódio Let’s Pretend We’re Strangers, concorrente da série para o ranking dos 13 melhores episódios de horror do ano, no qual o demônio, herança da temporada anterior, faz um troca-troca com as irmãs Earp. O resultado é que Wynonna fica mais estranha do que o normal. Temos um prólogo que apresenta ao público um grupo de cidadãos entusiasmados em limpar a cidade das criaturas das trevas e forma, para esse fim, uma sociedade secreta que ganha importância nos episódios posteriores. Adiciona-se aos eventos o destino trágico de Lucado, na cena que nos fez lembrar (e ter saudades) de BrainDead.

Destaco também Whiskey Lullaby, sexto episódio, que traz uma solução criativa para a gravidez avançada de Melanie. Através de um delírio que brinca com o tempo, as personagens enfrentam as viúvas que lhes perseguirão nos outros episódios. Em No Future in the Past, oitavo, Wynonna volta no tempo e compreende melhor a história de Dolls e a própria história no processo. I See a Darkness, o décimo, tem momentos cruciais para a série e testa o relacionamento e confiança entre as irmãs ao colocar Nicole em perigo. O décimo-primeiro, Gone as a Girl Can Get, tem em sua maior parte a ausência da personagem principal, prova definitiva que não somente ela sustenta a boa química do elenco.
O filho de Wynonna gera diversas discussões quanto ao seu relacionamento com Dolls e Doc Holliday. Confesso que às vezes me perco tentando entender quem está com quem, mas acho interessante que a série aborde esses relacionamentos que não se fundamentam nos modelos tradicionais. Entendo, também, a confusão dela, afinal ambos têm suas qualidades, e o roteiro não se preocupa em vilanizar um deles para que a escolha seja facilitada.

Os episódios desta temporada estão mais divertidos e elaborados — se é que havia alguma reclamação sobre isso. As tramas que os costuram ainda precisam de refinamento, mas nada que comprometa o desenvolvimento. O humor tão presente em séries menores (no que diz respeito à produção) e característico do Syfy é o que possibilita o destaque de Wynonna Earp entre outras produções.
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Apontando novamente para a família dos Earp ao citar a mãe de Wynonna, a série se despede deste ano com uma coleção sólida de episódios. Para o próximo ano, mesmo que não saibamos o que ocorrerá, se tratando de tramas tão imprevisíveis, fica a certeza de que o elenco nos ganhará, semana após semana, ao comprometer-se com suas com personagens.

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Este post faz parte do segundo ano do #MêsDoHorror no Série Maníacos. O objetivo é falar, durante o mês de outubro, sobre séries de horror e mistério (ou que esbarram nesses dois gêneros) que não tiveram textos durante o ano — contemplado entre outubro de 2016 e setembro de 2017.
















