Depois de sermos apresentados ao caso dos Menendez em e às principais peças desse jogo, é hora de Law and Order nos apresentar o desenrolar dos fatos e responder: quem matou Jose e Kitty Menendez?

A resposta veio um pouco mais tarde do que o esperado. Eu sinceramente achava que, por se tratar de um caso notório, o roteiro iria utilizar isso ao seu favor e já de cara mostrar que foram sim Lyle e Erik quem mataram seus pais, sem tentar esconder isso do público. Ok, a revelação foi feita já no segundo episódio, o que é bom, mas os motivos para isso ter acontecido me preocupam um pouco.

Neste episódio e meio onde havia dúvida sobre quem havia cometido os crimes, ficou claro que a série tentou tratar Lyle como um indivíduo mais frio, que estava vivendo tranquilamente com tudo o que havia acontecido, enquanto Erik era uma mente perturbada sendo pressionado ainda mais pelo sentimento de culpa que agora sabemos que o corroía. O que tem de errado nisso? Em certo grau, parece que o roteiro tenta romantizar um pouco os fatos, aos nos fazer sentir alguma empatia por um dos assassinos. Isso é algo que não considero correto de se fazer. Além disso, vemos mais e mais uma vilanização do falecido José Menendez, como que tentando justificar os crimes de alguma forma. Sim, ele era exigente, é um fato indiscutível, mas as coisas não estão sendo mostrados de uma forma tão neutra quanto eu esperava.

Durante todo o episódio, vemos Lyle preocupado com algo mais se tornar de conhecimento de outras pessoas além do assassinato em si. Há algo ainda mais obscuro a ser revelado e que a série vai usar como twist em episódios futuros, isso é certo.

Além disso, outra coisa que incomodou neste segundo episódio foi todo o procedimento de investigação. Nada conseguiu construir tensão durante as cenas, que mais pareciam um conjunto de recortes de momentos sem ligação nenhuma. Em alguns pontos chegou a ficar maçante. São fatos que precisamos acompanhar, claro, mas a forma como foram apresentados poderia ter sido melhor.

Conhecemos melhor a vida do Dr. Oziel e seu relacionamento estranho com a bizarra Judalon Smyth. Já deu pra ver que o psiquiatra não é nenhum santo, pois além do caso, não pensou duas vezes em fazer dinheiro em cima dos Menendez após descobrir seu segredo. Josh Charles está bem no papel, porém a cena que deveria ser um grande momento para ele e para Gus Halper (Erik), ficou parecendo qualquer coisa menos a grande revelação que deveria ter sido. O problema maior foi do roteiro que dos atores, entretanto, pelo menos em minha visão.

E não tem como não achar muito ridículo a forma como o caso todo acabou descoberto pela policia. Tudo culpa de uma amante louca que descobriu por um psiquiatra canastrão que os pobres meninos ricos haviam feito tudo. Chega a ser surreal que isso realmente tenha acontecido de fato.

No meio desse monte de gente de caráter questionável, temos Leslie Abramson, sempre correta e pensando em seus clientes. Não esperava que ela cruzasse com os irmãos ainda neste episódio, mas foi bom isso acontecer logo, não precisamos de mais cenas para mostrar como Leslie é uma advogada fodona, com certeza poderemos ver isso no julgamento que vem por aí.

Outra grande discussão na qual certamente nos aprofundaremos nas próximas semanas é o limite da confidencialidade da relação entre paciente e médico. Será que a confissão de ambos é válida juridicamente ou não? Até onde um crime pode ficar sem punição por conta desses limites? Acredito que cedo ou tarde a série deverá se aprofundar nisso, pois toda a acusação depende da confissão dos irmão a Oziel.

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Apesar de ter dado um importante passo na história, a segunda parte de True Crime deixou um pouco a desejar, principalmente por não conseguir construir nenhum tipo de clímax em momentos tão importantes para o futuro da trama. O episódio poderia ter sido cheio de excelentes momentos se tornou algo que não conseguiu deixar uma marca no público. A série tem uma história boa jogando ao seu favor, só precisa conseguir usá-la melhor.

Anotações Finais:

  • A gastança dos irmãos continuou: mudaram-se cada um para um apartamento em Marina del Rey, Erik contratou um técnico de tênis particular começou a viajar pelo mundo participando de torneios. Estima-se que nos primeiros seis meses após a morte dos pais Erik e Lyle gastaram cerca de um milhão de dólares.
  • O caso no qual a Promotoria estava trabalhando e para o qual Pam Bozanich (Elizabeth Reaser) foi deslocada tratava de acusações de pedofilia e abuso em uma pré-escola na Califórnia. Informações sobre o caso estão disponíveis na Wikipedia.
  • O advogado que auxiliou Erik a se entregar ao voltar de Israel foi ninguém menos que Robert Shapiro, famoso advogado interpretado por John Travolta em The People v. OJ Simpson: American Crime Story. Dois mundos se cruzaram naquele momento.
REVISÃO GERAL
Nota:
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