Depois de um excelente “Live Show” inaugural, o The X Factor UK apresenta uma semana com apresentações apáticas e um “bottom” inesperado. Esta décima quinta temporada do programa tem sido o completo oposto do que vimos no ano passado. Se por um lado passei semanas daquela temporada dizendo que o programa estava previsível e que acompanhávamos uma jornada de cartas marcadas até a coroação dos eventuais vencedores, o mesmo não pode ser dito desta.

Embora a ausência da previsibilidade traga certo valor de entretenimento e faça da corrida pela vitória algo muito mais interessante de se acompanhar, preciso confidenciar que nunca estive tão confuso quanto os interesses da produção por conta de seu nítido desinteresse por sua própria competição. E explico: há uma certa preguiça e uma letargia sintomática que passa desde os valores criativos e de produção (cenografia, staging) e contaminam até mesmo escolhas de repertório pouco inventivas, que aparenta para quem assiste que nem os próprios produtores estejam satisfeitos com o que tem em mãos.

Por reflexo do desinteresse, temos um “Live Show” que saúda a mediocridade, onde nem mesmo quem é bom foi bem ou nem mesmo quem é ruim foi mal (salvo exceções à regra). Por conta disso, tem sido até difícil tentar colocar meus pensamentos em ordem e construir um texto que consiga, de certa forma, tentar elucidar uma semana com mensagens dúbias e encontrar uma justificativa razoável para validar o que estamos assistindo, e, por isso, abandonarei um pouco a minha estrutura habitual de escrita e irei propor um exercício de reflexão diferente esta semana.

Antes disso, precisamos falar sobre o que de fato fomos apresentados. Com “Guilty Pleasures” como tema decorativo (afinal, os jurados e os candidatos pareceram ignorá-lo), o programa de resultados contou com as participações convidadas de Kylie Minogue, cantando “A Lifetime to Repair”, e Little Mix, com seu mais recente hit singleWoman Like Me” (posso ou não ter ficado dançando que nem a Ayda e o Robbie estavam na bancada).

INCERTEZAS E PRESUNÇÕES

Apesar das incertezas e das confusões que tivemos, uma das conclusões que esperava que ocorreriam invariavelmente nesta semana era a eliminação precoce e previsível de Janice Robinson. Depois de ficar entre os menos votados no primeiro programa ao vivo, Janice precisaria de um retorno muito mais inspirado e com muito mais impacto do que conseguiu ao encerrar o programa de sábado no “pimp spot” com uma apresentação morna de “Show Me Love”. Com a maior produção de palco da semana, com direito a elementos cenográficos e balé a caráter, os vocais não corresponderam o esperado e Janice empurrou um discurso entreguista e exagerado de que “ama o Reino Unido” e que não tem apelo algum. Apesar dos interesses e esforços dos produtores de darem sobrevida à Janice, a estadunidense acabou sendo a menos votada da semana e deixou o programa automaticamente, repetindo o feito de Ashley McKenzie (2006), Katie Waissel (2010) e Melanie Masson (2012), que também foram eliminadas mesmo ao se apresentarem do “pimp spot”.

Se houve um esforço da produção em prolongar a estadia de Janice por mais uma ou outra semana, também houve algumas tentativas deliberadas de sabotagem para alcançar um resultado diferente do que tivemos, mas o tiro saiu pela culatra.

LMA Choir vs Brendan Murray

Nenhum dos alvos da produção foram atingidos e, assim, acabamos experienciando um “sing-off” que me aparentava não estar dentro dos planos ou expectativas do programa. Abrindo o episódio de sábado, eu não acreditava que o LMA Choir poderia estar em risco de eliminação depois de todos os elogios dos jurados (e a pequena crítica de Louis) e a repetição do apelo de votos de Robbie Williams para o demográfico de Liverpool. Tudo bem que se apresentaram no “death spot”, abriram o programa, foram ofuscados por Shan e poderiam ter ficado esquecidos no meio de todas as apresentações por consequência, mas sua apresentação de “Proud Mary” poderia facilmente ser qualificada como uma das poucas boas performances da noite. Dinâmica e bem estruturada, o começo à la coral de igreja e a explosão com direito até a troca de figurino no palco deu um contraste e uma diversidade para mais uma excelente apresentação do grupo, em mais um show vocal de Rachel Chambers.

E é até surpreendente o que eu vou dizer (porque pra mim é), mas não esperava nem mesmo que Brendan Murray seria a outra vítima deste final de semana atípico. Confesso que quando vazou a lista de músicas eu esperava que teríamos outra marcha fúnebre patrocinada por Ella Henderson, então fiquei surpreso com o arranjo e com a sua execução de “Believe”, hino de Cher. Não tem nada de espetacular ou fora de sua curva de apresentações, mas o fato de eu não ter odiado é chocante. Se você tem lido e acompanhado a cobertura desta temporada sabe o quão vocal sou sobre meu ódio pelo timbre de Brendan, ter achado a apresentação dele minimamente competente deveria ser um sinal do apocalipse. Tem alguns sinais de alerta emitidos pelo programa durante seu segmento de VT (a repetição massiva da preocupação de “não soar entediante”) e até mesmo nos comentários dos jurados (aqui é mais alarmante, aliás, Ayda Field disse que “nunca havia ficado depressiva com uma música da Cher antes”, em uma das críticas mais duras da semana), mas não esperava que isso poderia ser refletido na votação, ainda mais com uma competição ainda superlotada de competidores e com Brendan sendo homem, branco e irlandês, uma combinação que deu um segundo lugar ao Nicholas McDonald e um terceiro lugar ao Eoghan Quigg (e aqui estamos falando de influência de arquétipos em resultados no programa, paradigmas que podem finalmente estar sendo desconstruídos e que aprofundarei ainda mais adiante).

Com o confronto desenhado, tendo LMA Choir e Brendan Murray no “sing-off” de eliminação, eu já sabia do resultado independente de suas apresentações. Apesar de o coral ter sido superior com “A Change is Gonna Come”, mesmo com Brendan tendo sua melhor performance com “High and Dry”, eram previsíveis o empate (2-2) e a decisão por desempate do público levando o fim da participação do LMA Choir. Há algumas explicações óbvias para o desfecho: 1) Ayda não votaria com Robbie em resposta às críticas de parcialidade que recebeu semana passada; 2) a produção não permitiria Louis Tomlinson perder metade da categoria (como Ayda) no segundo “Live Show”; 3) é um daqueles “sing-off” que a produção obrigaria levar a decisão para desempate e Ayda e Simon, os jurados “imparciais”, funcionariam como fiéis da balança; 4) com os boatos de que Brendan é uma contrapartida do acordo de rescisão de Louis Walsh, era esperado uma tentativa da produção em estender sua permanência. Desculpa, eu teorizo mesmo. Por conta do resultado, é possível esperar um movimento de recuperação de Brendan na próxima semana (e aqui a circunstância é um pouco diferente a da Janice, acredito eu) e ele possa ganhar mais uma sobrevida, vai depender do rendimento de sua apresentação e da vontade de quem controla o programa.

Agora, fora os motivos subjetivos que podem ter influenciado no mal rendimento tanto de Brendan quanto do LMA Choir nos votos, existe uma variável notória que nunca esteve na equação de eliminação e que pode ter pesado no resultado: a alteração da estrutura de votação. Surpreendendo até mesmo o Simon Cowell (que ficou completamente confuso durante os primeiros minutos do programa de domingo e rendeu até uma piada de Dermot O’Leary dizendo que o criador do programa “só estava lá fisicamente”), houve um congelamento nos votos antes de anunciar o primeiro eliminado e uma reabertura destes após esta eliminação, o que pode ter causado um efeito de distorção nos votos. Com tanta gente na disputa e com o programa tendo cada vez menos audiência (e, portanto, menos gente votando), as diferenças de votos tendem a serem mínimas e qualquer marolinha tem potencial efeito de tsunami. Não estou afirmando que foi isso que aconteceu e tampouco acredito que sem isso os resultados teriam sido diferentes, mas esta alteração é um fato inédito e ainda incalculado na disputa, cabe a mim enquanto reviewer pontuar e trazer este ponto para discussão.

TIRO AO(S) ALVO(S)

Molly Scott

Mas se nem Brendan ou LMA Choir eram os alvos de abate da produção, quem seriam? Com pouquíssimo interesse de Simon Cowell e uma preguiça monstruosa por parte da produção, o momento mais surpreendente do programa foi quando Dermot anunciou que Molly Scott estava salva por mais uma semana. Alvo de uma sabotagem muito pouco velada, Molly acabou andando com um alvo em suas costas durante todo o final de semana. Ao cantar “Little Do You Know”, dos vencedores da terceira temporada da versão estadunidense da franquia Alex & Sierra (cuja única relevância na indústria foi sua recente separação), Molly fez uma apresentação decepcionante, contribuída por uma cenografia retirada de banco de imagens, um figurino de quem saiu de casa pra comprar pão na esquina e uma execução longe de seus melhores dias. Quanto a execução, no entanto, acredito que possa ter sido prejudicada pelo claro nervosismo, que levou a uma expressão de derrotismo, e da pouca conexão com a música, como bem apontou Robbie Williams.

Apesar da sensação de sabotagem, não sei quanto do que aconteceu com a Molly foi calculado, deliberado ou circunstancial. Ela teve problemas com sua escolha anterior, “Stop” das Spice Girls, e acabou trocando de música a véspera do programa, não podemos concluir se o que apresentaria originalmente teria um mesmo tratamento de indiferença ou se o alvo permaneceria em suas costas, mas a impressão que tive foi de que a intenção da produção era bastante clara: colocá-la entre os menos votados.

Molly não foi a única com mensagens dúbias e que me causou dúvida entre estar sendo sabotada proposital ou circunstancialmente, o mesmo também pode ser atribuído para a boyband United Vibe. Apesar de um lado acreditar que a produção não esperava criar um momento fazendo eles cantar “Party in the USA”, outro lado também duvida se o interesse era fazer deles o primeiro grupo eliminado da temporada, e não o LMA Choir. Simon Cowell foi bastante direto: “foi terrível”. Não há maneiras de suavizar as críticas, mas existe um certo exagero com tudo que aconteceu com os rapazes. A escolha da música foi equivocada, a execução vocal não foi das melhores (embora queira destacar Kieran Harrison, eu gosto muito do timbre dele) e o fato de terem ficados restringidos pelos pedestais acabou tirando energia da apresentação, o que só evidenciou ainda mais os problemas de harmonia e química entre eles. Agora, se eles sobreviveram com este “desastre”, terão de se preocupar com outra coisa no futuro, além do risco de serem novamente alvos de eliminação. Simon disse odiar o nome e sugeriu (mais para ordenou) uma troca, que poderemos esperar que ocorra na próxima semana (aliás, essa troca no meio de “Live Shows” não é inédita, a própria Little Mix passou por algo similar em 2011).

Se a ordem de apresentação e o vazamento de escolha de repertório da próxima semana forem verdadeiros, Molly e United Vibe podem se preocupar ainda mais, se as armas da produção já estavam apontadas para eles aqui, preparem-se para uma artilharia ainda mais pesada no próximo final de semana.

ESTEREÓTIPOS PARA A VITÓRIA

Uma coisa que tem confundido bastante o mercado de apostas é o, alegadamente, possível rendimento dos atuais “front-runners” da disputa. Sem a “Prize Fight” para corroborar a liderança da competição, estamos sendo mantidos sob esse véu de incerteza e o que achamos pode não necessariamente refletir no potencial resultado final da disputa. Os líderes das casas de apostas são pessoas que fogem dos arquétipos e dos estereótipos que historicamente são consagrados pelo programa e, ainda que arquétipos e estereótipos não definam um resultado, eles acabam definindo padrões. Padrões que podemos estar fugindo e, finalmente, desconstruindo paradigmas intrincados historicamente ao programa.

Por exemplo, o atual líder do mercado de apostas e favorito ao título Dalton Harris é a epítome do que tenho dito. Homem negro e estrangeiro, ele é um combo de arquétipos que historicamente fracassam na competição. Em contrapartida, podemos estar vendo o público britânico finalmente colocar em perspectiva a questão mitológica do mérito. É indiscutível que Dalton esteja há milhas de distância de seus demais concorrentes e sua apresentação com “I Have Nothing” sintetiza o seu favoritismo. Com excelente arranjo, é mais uma apresentação lindíssima, regada a um excelente controle vocal e uma perfeita inserção de seus belos falsetes. Com a maior reação do público presente no estúdio desde o início dos “Lives”, se há alguém que mereça vencer esse programa neste momento, este alguém é o Dalton.

Shan Ako

Logo atrás seguindo o crescimento do favoritismo de Dalton, presenciamos uma pequena queda no rendimento da líder anterior Shan Ako. Segunda a se apresentar em uma forma clara de testar sua capacidade de gerar votos, Shan segue sendo acompanhada por um positivismo muito grande e por até mesmo um certo favorecimento da produção. Não estou falando em favorecimento a nível de Louisa Johnson ou de Rak-Su, mas o programa tem dedicado a torná-la uma força ainda mais viável na competição – e não é de hoje. Com um VT que me lembrou o tratamento que era dado a Ben Haenow, com direito a presença do pai dela e enfoque à periferia londrina, o segmento de Shan ainda foi reforçado com um discurso da própria concorrente antes do início de sua apresentação. Francamente, por mais que as palavras de Shan tenham sentido e sejam de verdade genuínas, eu fiquei com uma grande sensação de acabou sendo um discurso eleitoreiro manufaturado e deslocado, tirando o enfoque do que seria uma excelente apresentação. Porque sim, a versão de Shan para “Sorry Seems to Be the Hardest Word” é muito bem feita, com outra performance vocal impecável e mais uma entrega completamente passional, refletida pelas palavras de Robbie Williams que disse que a voz dela não é algo que se ouve, mas que se sente. Dito isso, eu simplesmente amo a personalidade de Shan, ela exala uma humildade que vejo em gente como Alicia Keys e transmite uma verdade muito própria, só que este também não é um arquétipo que tradicionalmente se consagra vencedor do programa.

Agora, vamos supor que o público britânico ignore os méritos de Dalton e Shan e elejam alguém que perpetue aquilo que rejeitamos (qualquer semelhança com a realidade brasileira é mera coincidência), quem assumiria o posto de liderança e favoritismo? A maior parte diria Misunderstood, mas discordo. Se há alguém que oferece risco às chances de uma eventual vitória de Dalton ou Shan entre os outros candidatos, este alguém é Anthony Russell. Depois de toda aquela discussão de grandes personalidades que permeou parte da primeira metade da temporada, o “Rocky Balboa de Liverpool” tem sua história e passado no programa a seu favor, fora um dito carisma e sua conexão com Louis Tomlinson (e seus 33 milhões de seguidores no Twitter). Sua apresentação esta semana com “I Want to Know What Love Is” segue o nível que vinha apresentando anteriormente. Honestamente não me apetece e não consigo enxergar valor comercial nisso, entretanto, sua narrativa funciona para coroar um vencedor com uma jornada de redenção. Sem precisar dividir o demográfico de Liverpool, Anthony tende a crescer e ampliar sua base de votos, por conta disso o tratamento dele na semana que vem tende a ser esclarecedor. Fiquemos atentos.

À BEIRA DA ELIMINAÇÃO

Fora das discussões de possibilidade de título ou de eliminação na última semana, chegamos a um ponto que o programa precisa começar a queimar ainda mais de sua gordura. Com Molly e United Vibe servindo de alvos óbvios, não pensem que apenas eles estão em uma posição de perigo para a próxima semana. Depois de uma grave infecção de garganta durante a semana passada, Danny Tetley aparece em perigo nos mercados de aposta depois de sua apresentação com “Crazy for You”, da financiada pela Lei Rouanet Madonna. Por conta de ter perdido a voz, sua projeção acabou prejudicada e a apresentação de Danny não teve o impacto esperado, sendo resumida em um grande marasmo, soando ainda mais datado e cafona do que o normal, praticamente nos transportando para o cruzeiro do Roberto Carlos para se viver “emoções em alto mar”. Se depender única e exclusivamente de Danny, Ayda pode começar a contar as horas para ficar sem nenhum concorrente em sua categoria.

Giovanni Spano

Enquanto Danny começa a ficar em perigo, Giovanni Spano vai em uma direção oposta. Depois de surpreender semana passada e milagrosamente sobreviver à primeira eliminação, Giovanni foi a grande surpresa desta segunda semana de “Live Shows”. Um dos poucos a verdadeiramente abraçar a temática, Simon faz uma analogia entre o conceito do tema e a apresentação dele: não era para eu ter gostado, mas eu amei. Com uma versão em rock de “…Baby One More Time”, tudo pareceu funcionar a favor de Gio, com um arranjo bacana, com um bom desempenho vocal e até a simples composição cenográfica das vidraças quebrando nos telões se encaixando com a performance. Independentemente do que tem apresentado, no entanto, sigo duvidando de uma estadia a longo prazo pra ele na disputa, mas é possível que escape semana que vem considerando o tema e se ele surpreender mais uma vez.

Correndo um risco em menor escala, mas ainda assim aparecendo com certo perigo no mercado de apostas, Acacia & Aaliyah me parece como uma incógnita neste ponto da competição. Embora elas apresentem certo potencial, eu não sei se há muito a crescer competitivamente. Depois de uma semana com críticas, o mash-up apresentado pela dupla foi um pouco melhor. Como uma criança que cresceu nos anos 90 ouvindo R&B, o começo delas cantando “All My Life” foi de longe minha parte preferida da apresentação, com as garotas explorando um lado mais pop e tentando evidenciar melhor seu potencial vocal. Em relação à segunda parte com “Shutdown”, gosto que elas abraçaram o grime e o introduziram como resposta às críticas de Simon Cowell por terem sido “muito americanizadas” na última semana. Agora, avaliando a apresentação de forma geral, sinto que as escolhas não funcionaram com tanta coesão como esperava, parecendo duas performances completamente diferentes e desconexas ao invés de serem complementares entre si. Acho também que elas deveriam tomar um pouco mais de cuidado quando tão cantando algum trecho em rap simultaneamente, funcionou em “Shutdown” porque elas estavam no tempo certo, mas qualquer vacilo uma pode atravessar a outra e acabar desandando toda a apresentação.

NEM LÁ, NEM CÁ

Longe da linha de tiro de eliminação, mas também atrás em chances de vitória, temos um grupo de gente que não se encaixa em nenhuma das parcelas da disputa apresentadas até aqui. São aqueles que devem permanecer para a competição em longo prazo, mas que acredito que sofrerão revezes próximo a final.

Eu sei que Misunderstood é um grupo visto com certo favoritismo e até estiveram por certo tempo entre os líderes do mercado de apostas, mas seu desempenho nos “Lives” e o histórico recente no programa de grupos com o mesmo estilo artístico me fazem crer exatamente o oposto. Esta semana, por exemplo, Stephan e Jeffrey apresentaram seu primeiro cover na temporada, cantando a música “Close to You”, hit de 1990 de Maxi Priest, e não conseguiram me empolgar. Com um cenário neon tropical, que de certa forma me lembrou o que fizeram para Sean & Conor Price em “Cheap Thrills” no ano passado, foi uma apresentação que eu achei bem qualquer coisa, com pouca evolução e sendo linear demais, fora que a música evidenciou os quão limitados vocalmente eles são. Louis Tomlinson, inclusive, chega a apontar que o dance break havia sido a melhor parte da apresentação (e destaque para Ayda Field no melhor momento da semana fazendo um mic drop imaginário para Robbie Williams após este comentário), mas para ser sincero nem isso foi bom. Não sei se as escolhas ou se o material que os rapazes têm apresentado diminuíram em qualidade ou se eu aumentei as minhas expectativas por eles e me decepcionei por não as atingirem, mas é nítido o seu declínio na competição, perdendo o status de favoritos e passando a figurar somente como números. Apesar disso, eles são talentosos e podem reverter a situação, podendo a figurar entre os favoritos e abocanhar uma possível vaga à final.

Bella Penfold

Apesar de nunca ter figurado entre os favoritos como Misunderstood, Bella Penfold também me parece ser alguém que desempenhará este papel de disputar a competição em longo prazo, mas ser eliminada antes de uma final. A questão com a Bella é ainda um pouco diferente, ela traz uma certa controvérsia e a polarização em volta de sua figura pode ser um ponto chave para a sua manutenção ou não no programa. Deixando de lado a militância por uma semana, Bella trouxe uma versão de “Diamond Are Forever com versos de rap, desta vez não-originais, mas sim da canção “Diamonds from Sierra Leone”, de Kanye West. Foi uma performance interessante, o trecho em rap deu uma modernizada no clássico de 007, porém eu meio que concordo com Louis, foi uma boa canção, mas não foi ótima. Além da performance mediana, preciso criticar os dançarinos, que foram terríveis e, de fato, distrativos. Bella é um diamante bruto e com extremo potencial comercial pós-show se bem trabalhado, mas não sei se a produção viabilizará seu projeto ou se ela chegará a experienciar este futuro.

Por fim, a última pessoa a tratar nesta crítica é Scarlett Lee. Assim como Anthony, Scarlett tem um passado no programa e que pode acabar gerando uma certa influência e aumento em sua base de votos, mas não consigo enxergá-la como uma ameaça a Dalton, Shan ou até mesmo o próprio Anthony. Esta semana, Scarlett apresentou “Always on My Mind” tentando controlar e maneirar em seus exageros, mas alongando notas desnecessárias e forçando acrobacias descartáveis. Embora seja uma boa apresentação, tudo foi muito preguiçoso e com cara de baixo orçamento, sem muito brilho e abaixo do que apresentou na semana passada. Robbie Williams começou a questionar sua falta de versatilidade, mas acho difícil que Scarlett apresente algo muito diferente do que tem feito até aqui.

*

Com um “Live Show” apático e com performances medianas, o The X Factor apresenta uma semana com um “bottom” inesperado, mas com eliminações compreensíveis. Na próxima semana, o programa homenageia o Halloween e dá as boas-vindas ao retorno da “Fright Night”, um tema que já nos presentou com performances históricas (como “E.T.”, de Little Mix) e sabotagens épicas (como “I’m Love with a Monster”, de Gifty Louise). Como convidados, teremos o retorno do vencedor da nona temporada, James Arthur, e do ex-One Direction, Liam Payne. O programa também pediu pra avisar duas mudanças: a primeira é de que o “Live Show” não será ao vivo, por causa da viagem de Robbie Williams para um show no Chile, o programa será gravado antes e exibido no timeslot habitual, já no domingo, o ex-integrante da Take That será substituído por Nile Rodgers (que tem presença confirmada no programa de sábado e também já está confirmado para os “Live Shows” da semana do dia 10 e 11/11).

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Agora sim, a palavra é sua. Quais são as suas conclusões para este final de semana um tanto confuso? Alguma coisa que eu disse e teorizei faz algum sentido? Quem são seus favoritos? O que achou das eliminações? Me contem nos comentários e até semana que vem.

REVISÃO GERAL
Nota:
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