E vamos caminhando para outra dobradinha de Nicole Scherzinger.
A segunda semana de live shows do X Factor UK veio com o tema “Love & Heartache” e foi consideravelmente melhor que a primeira. E, no meio de uma melhora perceptível em vários candidatos, uma impressão vai ficando cada vez mais forte: Nicole tem tudo para ser a mentora a levar o título novamente, quizá também ser runner up.
O time das garotas vai se confirmando como o mais forte disparadamente, com uma diva negra de voz poderosíssima, uma cantora com mais apelo pop e comercial, e outra para manter a cota alternativa dos finalistas. Nicole continua desempenhando um bom trabalho, tirando a última de sua confort zone, com boas escolhas musicais e sendo, além disso, a jurada com comentários mais coerentes.
Sem maiores delongas, vamos ver como foram as apresentações dessa semana e quem bateu na ponta mais alta do cherômetro!
Sam Bailey – “Make You Feel My Love” (Billy Joel / Adele)

Se semana passada Sam não tivesse cantado algo tão emblemático como “Como Uma Deusa” (acho que o nome da música não é esse, mas pouco importa), eu certamente teria achado que tinham colocado um replay na apresentação do último live show. Sam é uma vocalista incrível e nessa música demonstrou um controle incrível, isso é absolutamente inegável. Mas quem assiste ao The X Factor espera mais. Quando questionada por Dermot, a candidata disse querer provar que não é cantora de um estilo só. O jeito é torcer para nãos ser mesmo e para sua mentora e a produção deixarem-na mostrar esse outro lado dela (ou lados), seja lá qual for.
Kingsland Road – “Marry You” (Bruno Mars)

Impressiono-me comigo mesmo ao não conseguir gostar de Kingsland Road, depois de ter torcido freneticamente por duas boybands em anos anteriores (2010 e 2012). Mas não acho que a culpa seja minha. Eles continuam extremamente datados, e Gary não ajuda em nada com as escolhas musicais, arranjos e produções de palco que escolhe. Não sei se a intenção em deixar todos cantando durante toda a música era provar que eles sabem harmonizar, mas, se era, foi desnecessário. E as noivinhas e a foto em preto e branco no fim da apresentação foi o cúmulo da cafonice. Pelo menos uma coisa se salvou no meio disso tudo:

HAHAHHAHAHAHHAHAHAHAHAAHAHAHHAHAHAHAHAH Louis <3
Nicholas McDonald – “She’s the One” (Robbie Williams)

Quero parabenizar o gênio que está construindo essa trajetória do Nicholas. O VT criando toda a relação da música com Nicole e a imagem de filhinho dos sonhos foi genial e é certeza que ajudou a pegar votos e mais votos de mamães e vovós que assistem o programa. Só fiquei um pouco confuso no final, com ele apontando para Nicole quando na verdade a “the one” deveria ser a loira que apareceu em meio às dançarinas zumbis, mas ok. Nicholas, assim como Sam Bailey, segue um caminho bem linear desde o começo da competição, e talvez chegue a me cansar daqui algum tempo. Mas por enquanto ainda não me incomoda a permanência dele, o que é bom já que ele já se tornou um nome quase certo na grande final.
Abi Alton – “Can’t Get You Out Of My Head” (Kylie Minogue)

Palmas para Nicole por tirar Abi da sua zona máxima de conforto tão rápido. Foi uma das melhores combinações song choice + arranjo + staging + figurino que eu já vi, realmente hipnotizante, e se Abi tivesse técnica suficiente para segurar o falsete do refrão teria talvez sido perfeito. Mas não foi, faltou fôlego e afinação nessa parte. O desfecho também ficou um pouco repentino demais, sem clímax. Mas, apesar disso tudo, confesso que foi uma apresentação que eu gostei muito de assistir e revi mais umas duas vezes. E o fato de que Nicole não está disposta a deixar sua pupila no piano toda semana é um alívio.
Shelley Smith – “Single Ladies (Put A Ring On It)” (Beyoncé)

ESSA MULHER, ESSA SONG CHOICE BRASIL, COMO NÃO AMAR? AHAHHAHAHAHAHHAHAHAHA Ai adoro Shelley, é uma espécie de joke act que canta. O problema é que parece que o público britânico está engolindo a cafonice de acts como Rough Copy e Sam Bailey numa boa, mas por algum motivo rejeita a de Shelley, que é bem mais divertida de assistir. Eu pelo menos me peguei rindo e curtindo horrores, principalmente no final com aquele carão de Shelley depois que a música acabou, apontando para o dedinho.
PS: Tapa na cara da semana: Shelley tem a mesma idade de Nicole Scherzinger.
Bom, daí que a gravidez de Sese começa a dar os primeiros sinais de que pode sim ser um problema para o Miss Dynamix durante a competição. A garota foi hospitalizada e não poderia subir ao palco, fazendo com que o grupo não se apresentasse e ganhasse passe livre para a semana seguinte. Não me julguem mal, não tenho coração de pedra e obviamente não quero que coisas assim voltem a acontecer. Mas, realmente, não poderia haver momento pior para Sese descobrir que estava grávida. Essa condição impõe limitações que um membro de um grupo como esse, especialmente não sendo um já consolidado no mercado e sim um competidor em um show de talentos, não pode ter. Dessa vez elas foram abençoadas pelo “given bye”, já usado anteriormente com Diana Vickers e Lucy Spraggan, mas se acontecer de novo, provavelmente outra atitude deverá ser tomada em relação ao grupo.
Sam Callahan – “I Won’t Give Up” (Jason Mraz)

Coitadinho, fiquei com a impressão que ele explodiria a qualquer momento tentando alcançar as notas altas, mais ou menos como aquele passarinho no primeiro filme do Shrek, sabe? Enfim, Sam continua fraco vocalmente, mas acho legal ver como ele é esforçado e não quer ficar se apoiando na sua imagem. E, aliás, é um perfeito exemplo da razão pela qual eu gosto tão do X Factor UK: aqui não há hipocrisia no que diz respeito ao universo pop. Sam está aí nesse top 11 porque é bonito, e não há nada de errado nisso, quando o mercado musical está inflado de gente bonita sem grandes vozes e a premissa do programa é lançar alguém no meio desse mercado. E Sam tem mostrado potencial para melhorar aos poucos vocalmente, o que é ótimo de ver. Fica a dica, Josiah Hawley: muda para o Reino Unido e vai tentar o X Factor, que lá nós poderemos te amar sem culpa ou hostilidade por gostar de gente bonita!
Tamera Foster – “Beneath Your Beautiful” (Labrinth feat. Emeli Sandé)

Tamera segue sendo o nome da temporada. Exalando star quality por cada poro do corpo, ela veio linda – muito parecida com a Rebecca Ferguson, aliás -, cheia de confiança e, mesmo cantando uma balada, dominou sozinha aquele palco como ninguém nesse top 11 consegue fazer. Parabéns para Nicole, que conseguiu provar que é possível escolher uma balada que não soe datada, antiquada, e passar longe daquelas song choices manjadas que ninguém aguenta mais, e mesmo assim demonstrar potência vocal. Tamera é tão boa e se sobressai tanto no meio desse time de finalistas que meu medo dela ser runner up só aumenta. Afinal, já vimos esse filme antes, certo?
Luke Friend – “Let Her Go” (Passenger)

“Let Her Go”? Quero um minuto de silêncio em luto por Tom Mann.
…
Ok, vamos prosseguir.
Cheguei nesse episódio não dando a mínima para Luke. Simples assim: não amo nem odeio, muito pelo contrário. Ou seja, não sinto absolutamente nada. Mas essa performance finalmente me levou para algum posicionamento, e devo dizer que foi positivo. Gostei muito do arranjo da música, o staging também ficou ótimo, essa vibe pescador combina com o estilo sujo e largado do candidato. Foi a primeira vez também que eu consegui prestar mais atenção nos vocais dele, que foram bons. Curti esse estilo folk e espero que Luke siga nele, e não aquela coisa desastrosa da semana passada.
Rough Copy – “I Want It That Way” (Backstreet Boys)

É sério isso? Gary está pagando o público para ovacionar e os jurados para elogiarem, só pode. Ou não, afinal eles estão passando ilesos pelas votações populares. Não consigo entender a proposta, não consigo entender a pimpação, não consigo entender a song choice, não consigo entender nada.
Hannah Barrett – “Beautiful” (Christina Aguilera)

Posso até ser acusado de heresia por não dar um cherômetro cheio para Hannah, mas não senti que a música combinou perfeitamente com o tom dela. Aliás, “Beautiful” nem mesmo se encaixa no tema dessa semana, mas tudo bem. Os vocais beiraram a perfeição, Hannah estava linda pela segunda semana seguida, e a interpretação dela está cada vez melhor, conseguindo passar emoção sem exageros e choradeira. Minha opinião sobre a cantora está se revertendo aos poucos e, se ela continuar nessa crescente, torcerei mesmo para que ela chegue à final e proporcione uma nova dobradinha de Nicole no pódio.
É, mais uma semana para torcer inutilmente pela saída do Rough Copy, que para mim continua sendo o pior act do Top 12. Sendo assim, torci pelo menos por Kingsland Road estar entre os menos votados.
RESULTS SHOW
Kingsland Road foi o menos votado no Flash Vote e Shelley foi novamente ao bottom no domingo. Nenhuma surpresa aí.
Kingsland Road – “Try” (P!nk)

Senhor amado, tá aí uma performance que me fez sentir saudades do ano passado, quando a única coisa boa do Union J parar no bottom tantas vezes era que eles entregavam performances incríveis no sing off. Arranjo terrível, vocais ruins, principalmente os do novo lead singer. Trainwreck.
Shelley Smith – “Stop!” (Sam Brown)

Vocalmente Shelley foi ótima, como de costume, mas depois do sábado bateu até uma falta do lado mais bagaceiro dela, que eu gosto muito mais do que quando ela tenta ser séria. Esse estilo diva datada já tem a Sam como representante e Shelley deveria parar de tentar seguir na mesma linha. Pelo menos, provou que merecia muito mais ficar do que a boyband.
ELIMINADO: SHELLEY SMITH
Infelizmente, o fato de Shelley estar pela segunda semana seguida no bottom, e também o de Kingsland Road ser o mais próximo que o programa tem daquela montagem clássica de boyband, devem ter pesado muito na decisão do júri e Shelley foi mandada para casa, com apenas Sharon votando em sua defesa. Uma pena. Segundo live show não é hora de perder joke act e, considerando a quantidade de gente boring que sobrou, é uma perda ainda mais pesada.
Semana que vem tem “Movie Week”. Alguma aposta de song choice? Eu já imagino Abi voltando para o piano para cantar “A Thousand Years” e Luke cantando “Accidentally In Love”.
Vejo vocês na semana que vem!















