Quão limitadas são as opções de “músicas para se demonstrar extensão vocal”?
Todo o ano é a mesma coisa. Sempre tem aquela galerinha que parece sentir um prazer em enfiar baladas extremamente manjadas goela abaixo do público que assiste realities musicais. Mas esse Top 24 do XF UK 2013 realmente se superou em fazer desses dois episódios uma verdadeira vitrola de músicas de divas. E quase ninguém fazendo algo de diferente e/ou interessante com elas.
Foi uma verdadeira cruzada passar por esses dois episódios. Como se o nível dos candidatos – especialmente nas categorias Boys e Groups – já não fosse relativamente desanimador, os acts pareceram se esforçar para tornar tudo um pouco menos tragável com suas apresentações que eram boas vocalmente, mas que não traziam absolutamente nada de novo.
Mas devo destacar uma mudança positiva: os results divididos entre sábado e domingo, sendo exibidos no mesmo dia das apresentações da respectiva categoria. Sempre me incomodou ter que esperar até o domingo para saber todos os resultados (já que assisto por stream sempre que possível) e eu me perguntava se não passava pela cabeça da edição dividi-los, deixando tudo até mais organizado. Aprovei a mudança e espero que eles apliquem-na também nas próximas temporadas.
Mesmo assim, a esperança de que tudo a partir dos live shows engrene e tenhamos uma boa temporada no fim das contas me levou adiante e completei a travessia. Vamos ver então, categoria por categoria, como os concorrentes se saíram e quem conseguiu chegar na tão desejada fase do programa: os live shows.
#OVERS
Os primeiros a performar foram os Over 25’s, que viajaram para Los Angeles para enfrentar o julgamento da fabulous Mrs. O e Robbie Williams, que é sempre divertidíssimo em suas participações no XF.
Sam é quase perfeita vocalmente, não desafina, não vacila, é sempre extremamente competente em acertar qualquer nota que se desafie a atingir. Meu problema como ela continua sendo o mesmo da audição: não existe mercado pra ela. É Mary Byrne all over again. Deve ir longe na competição, mas não ganha, e seis meses depois ninguém se lembra mais quem ela é.
Eu nem ia saber de onde Lorna saiu se não fosse o VT do bootcamp que me lembrou daquela roupa pavorosa que ela usou no bootcamp. Mas não é para menos, afinal, Lorna é super genérica e esquecível, ainda mais com essa escolha de música que esticou a setlist divônica. Mais uma ótima voz que gravaria um cd que ninguém ia comprar.
Shelley talvez se encaixaria na mesma categoria que as duas anteriores, não fosse por uma diferença: Shelley é divertida. É o perfeito retrato daquela sua tia quarentona que sobe na mesa e dança “Show das Poderosas” sem a menor inibição. Mesmo cantando outra diva song, “Girl On Fire”, a candidata deu uma rebolada, aplicou nuances diferentes da original, fazendo com que sua apresentação não fosse apenas um cover como qualquer outro.

Adoro a ITV facilitando nossa vida e já spoileando duas eliminações logo de cara. É assim desde sempre: se são mostradas cenas intercaladas da apresentação e da pessoa falando, ela está fora. Zoe Devlin tem realmente um dos timbres mais distintos da competição esse ano, mas não acho que só isso seja suficiente para aguentar a concorrência. Já Andrea Magee foi cortada desde o início pela edição, e acabou com qualquer chance que pudesse ter com aquele agudo catastrófico no final.
Achei a song choice estranha, mas Joseph conseguiu segurar porque tem uma voz muito boa. Porém, a cada apresentação dele, nas suas duas participações, ele se mostra mais unidimensional. O que Joseph faria se tivesse que cantar algo pop? Ou r&b? Não consigo imaginá-lo dentro desses estilos, e para o X Factor isso é um problema.
APROVADAS: SAM BAILEY, LORNA SIMPSON E SHELLEY SMITH
Tirando Sam, que era a única certeza absoluta de estar nos live shows, até que Sharon me surpreendeu com essas escolhas. Gostei do fato de Shelley estar dentro, mas realmente não consigo entender o que Lorna faz aí. Carisma zero, e duvido que alguém ainda lembrasse dela antes das judges’ houses. Só sinto mesmo por Joseph, que provavelmente não tentará de novo. O ano dele era 2012, mas infelizmente tivemos que aguentar Christopher Maloney nos live shows quando Joseph não passou sequer do bootcamp. Vai entender…
Previsões SM: Sam é a única chance de Sharon estar na final, até mesmo porque é a candidata mais pimpada até o momento. Mesmo assim, acredito que ela morra na praia da mesma maneira que Mary Byrne em 2012, chegando, no máximo, em quarto lugar. Não coloco minha mão no fogo pela aprovação de Shelley, e por isso aposto que ela saia antes do Top 8. Já Lorna tem jeitinho de first boot, e espero que seja isso mesmo.
#BOYS
Ainda no primeiro episódio, tivemos os Boys se apresentando para Louis e seu pelotão de jurados convidados: Nicole Appleton (All Saints), Shane Filan (Westlife) e, claro que não poderia faltar, <3Sinitta<3.
Continuo achando que, para quem foi a abertura da temporada, Luke é muito comum. O garoto tem uma boa voz, mas ainda não sabe explorá-la perfeitamente. Além do mais, é perceptível que ele ainda tem os cabelos mal lavados como maior atrativo, o que está longe de ser uma coisa boa.
Sam é outro que também não tem nada de espetacular, nem na voz, nem na postura, nem nada. Mas Sam destaca-se no meio de sua categoria por outra característica: é bonito. E não é preciso ser nenhum expert no universo pop para saber que beleza não é tudo, mas conta muito nesse meio. Dentro de um grupo sem nada fenomenal, ter alguém para pelo menos embelezar os live shows seria uma ideia muito aceitável.
Se Sam destaca-se por ser o mais bonito, Paul por outro lado destaca-se por ter a melhor voz entre os rapazes, mesmo que essa não seja “de outro mundo”. Até que foi bacana tentar diferenciar um pouco o repertório com algo mais atual, e eu acabei gostando de Paul pela primeira vez.

Ryan Mathie e Giles Potter foram as eliminações subliminarmente (ou nem tanto) reveladas com antecedência. Ambos erraram feio nas song choices e pagaram por esse deslize.
Nicholas é um tipo de candidato que já estamos cansados de ver no XF UK: Eoghan Quigg e Joe McElderry são dois exemplos desse estereótipo. Um garotinho com aparência meiga, bons vocais, e aquele jeitinho de “futuro genro dos sonhos”. Tinha gostado de Nicholas com “A Thousand Years”, mas nessa performance eu percebi algumas falhinhas, provavelmente causadas por nervosismo.
APROVADOS: SAM CALLAHAN, LUKE FRIEND E NICHOLAS MCDONALD
Com um grupo de concorrentes tão morno quanto esse, fica difícil criticar ou elogiar alguma decisão pelo simples fato de que eu não me importava tanto com quem passasse e quem voltasse para casa. Só torcia mesmo para Sam por um motivo que já citei antes: tem que ter alguém para preencher a cota de beleza masculina na temporada. De resto, não poderia ligar menos.
Previsões SM: Nicholas tem aquele jeitinho “neto dos sonhos” que vai fazer as vovós pegarem o telefone e arrastarem ele até o Top 4, no mínimo, mas com grandes chances de estar na final. Não consigo nem levar Luke a sério com aquele cabelo, mas acho que ele deve ser a primeira shocking elimination lá pelo terceiro live show. Já Sam vai depender muito do trabalho que Louis fizer com ele. Potencial para agarrar muitos votos motivados por seus atributos físicos ele tem, mas só isso garante apenas um Top 8. Se for bem trabalhado, pode ser até que chegue a final.
#GROUPS
Os grupos foram para New York, onde se apresentaram para Gary e seu jurado convidado que foi, sem dúvidas, uma das mais agradáveis surpresas no X Factor esse ano: Olly Murs. Assisti alguns episódios do Xtra Factor esse ano e Matt Richardson até que é bom como apresentador, mas mesmo assim é impossível não sentir falta da dupla Olly & Caroline. Foi bom pelo menos matar a saudade de Olly envolvido com o XF, mesmo que só nessa fase.
O Kingsland virou Kingsland Road mas as mudanças pararam por aí, porque eu não consigo ver nenhuma diferença do que eles fizeram até o bootcamp. Tudo muito normalzinho, sem apelo, sem um vocal que se destaque, morno, sem graça… Parece que os anos bons para boybands são apenas os pares: 2008 (JLS), 2010 (One Direction), 2012 (Union J). Em 2013 vamos ter que nos contentar com isso aí.
Gary, você jura que esse era seu grupo favorito até essa fase? Porque eu mal consigo me lembrar de um trechinho sequer deles cantando. É meio que um Black Eyed Peas se tivesse existido nos anos 70, sabe? Até gostei da voz da loira, as harmonias não eram ruins, mas faltou arriscar algo menos datado. Old fashion demais.
Ficou difícil me concentrar no que eles estavam cantando quando a pergunta “Por que diabos esse cidadão está com essa mochila nas costas?” não parava de ecoar na minha mente. Se para mim Rough Copy não funciona como trio, funciona menos ainda como dupla.

Se nos outros combos das judges’ houses dava para se avaliar os candidatos pelo seu histórico, com os grupos nem isso. As meninas do Xyra foram cortadíssimas pela edição desde a audição e elas já foram condenadas à eliminação sem nem mesmo descobrirmos como é uma apresentação completa delas. O Code 4 (que para a ocasião virou Code 3?) já me chamou um pouco mais de atenção por serem agitadinhos, dançarem, e parecerem um Rough Copy mais completo. Mas nem adiantava sonhar que eles passassem no lugar da dupla, afinal a edição já entregou o ultimado de Gary.
Bom, o melhor ficou mesmo para o final. Aliás, a única apresentação dos grupos que eu realmente gostei. Não dá para se esperar coisas fenomenais de um grupo recentemente formado, mas, dentro do nível da categoria, a qualidade foi altíssima. As meninas conseguiram construir uma química convincente, trabalhar bem a junção de suas vozes e entregar uma performance digna de garantir sua vaga nos live shows.
APROVADOS: KINGSLAND ROAD, MISS DYNAMIX E ROUGH COPY
Cota boyband preenchida, check. Miss Dynamix, como único grupo formado na temporada, também tinha a vaga praticamente certa, e só um completo desastre mudaria isso – o que não aconteceu. Quanto ao outro, era apenas uma questão de Gary escolher quem ele queria para estar no primeiro bottom 2.
Previsões SM: Rough Copy disputará a vaga de first boot com Lorna Simpson. Já o Kingsland irá para o bottom quatro vezes por não terem apelo popular, mas serão arrastados pelos jurados até o Top 7 para manterem a cota boyband, que não pode ser dizimada antes disso. A maior chance de Gary está com o Miss Dynamix, mas duvido muito que elas passem do Top 5. Gary é, de longe, o mentor mais ameaçado de não estar com um act na final.
PS: Daí que Sese Foster, membro do Miss Dynamix (aquela que se recusou da primeira vez a se separar do antigo grupo), anuncia que está grávida de 5 meses pouco antes do início dos live shows. É, a coisa não está nada fácil para os grupos esse ano.
#GIRLS
As garotas viajaram para Antigua, onde cantaram para sua mentora Nicole e a convidada Mary J. Blige.
Aprende aí, Hannah: dá para passar emoção ao cantar sem derramar um barril de lágrimas toda vez que abre a boca. Tamera segue sendo a candidata que mais se aproxima de uma artista pronta para estourar na cena musical. Ainda estou esperando vê-la fazendo algo mais atual e uptempo, porque o repertório que ela usou até aqui não ajudou muito; mas acredito no potencial.

É, para quem acredita(va) que Jade Richards mereça um dia chegar aos live shows, não foi dessa vez. Sigo não vendo-a com força suficiente para chegar lá e espero que depois de mais uma portada na cara, ela desista. Já a inserção da pimpadinha Abi Alton no mini-combo foi uma surpresa mesmo, mas, considerando que essa menina sentaria no piano no live show 1 e não sairia mais dali até onde fosse na competição, a eliminação dela assim, previamente anunciada, não me pareceu tão ruim no fim das contas.
Para quem passou praticamente despercebida no bootcamp, Relley C fez uma bela redenção. Foi forte, emocional e chegou até a superar a sua também ótima audição, fazendo com que eu até deixasse de considerá-la peso morto no meio desse Top 6. Mesmo assim, ainda não senti que ela teria chances de avançar contra Tamera, Melanie e Hannah.
Mas é incrível a capacidade dessa garota de fazer a M-E-S-M-A performance toda vez que aparece, mesmo com músicas diferentes. Nem a tentativa de variar no jeito de arrumar (ou não arrumar) o cabelo faz com que algo seja novidade ali. Eu até senti o desespero dela, a vontade, o sentimento de que se não fosse dessa vez, não seria nunca mais. Mas não adianta, Melanie serve – muito bem, por sinal – para musicais, seja no teatro ou na TV, mas não para o show business.
http://www.youtube.com/watch?v=QfLvxqdNzHY
Na primeira lágrima escorrendo pelo rosto eu quis pular, e não teria perdido nada porque já vi Hannah fazer isso duas vezes no programa. É ruim? De maneira nenhuma. Hannah tem uma voz incrível e eu jamais seria louco de negar isso. E é por isso mesmo que eu acho que ela deveria buscar uma vaguinha no Team Tom do The Voice que seria mais apropriado. Talvez quando ela parar de chorar e cantar baladas sofridas eu tente achar um lugar para ela na minha torcida. For now, it’s a no.
APROVADAS: ABI ALTON, HANNAH BARRETT E TAMERA FOSTER
Efeitos sonoros de bombas, por favor. A ITV me pregou uma bela de uma peça e me enganou direitinho, ao colocar Abi no combinho e ela acabar passando. Tamera era previsível. A tensão mesmo ficou por conta da torneira aberta Hannah Barrett e a alma de brasileira que não desiste nunca Melanie McCabe. Eu juro que, na hora de mostrar a decisão entre as duas, eu torci como nunca para Nicole anunciar a twist mais louca da história do programa, eliminando ambas e levando Lydia para os live shows. Não foi dessa vez, mas pelo menos quem sabe agora Melanie desiste de vez da atração.
Previsões SM: Para começar, Abi tem cheirinho de colônia de jasmim misturada com shocking elimination e deve sair no Top 6. Hannah Barrett tem um drama card dos fortes e, considerando que o público votou em Jahmene o suficiente para fazer dele runner-up, não duvido nada que a história se repita com Hannah. Já Tamera, nesse momento, é minha aposta para o título. Ela tem o pacote completo para ganhar, e só vai depender de uma boa sincronia com Nicole para colocar todo seu potencial para fora e vencer a bagaça.
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E, assim, está formado o Top 12. Semana que vem, finalmente, começam os live shows. Podia ser tudo lindo e muito animador até eu me deparar com o tema da semana… uma 80’s Week logo de cara! O que é isso, produção? Esse povo me dá uma aula de breguice nas escolhas musicais das judges’ houses e vocês ainda decidem incentivar a perpetuação da cafonice? Nada contra os anos 80, todo mundo sabe que essa década proporcionou verdadeiros hinos da música, tanto no rock quanto no pop, mas, avaliando esse repertório que a gente andou ouvindo nessa temporada, minhas expectativas não são as melhores. Mas vamos torcer para eu estar errado e essa galera me surpreender positivamente.
Vejo vocês nos live shows!















