Fabulous! Mrs. O. is back!

Décima temporada. Dez anos de X Factor. A introdução do primeiro episódio dessa nova fase logo deu destaque, como sempre, ao maior triunfo do programa: os artistas lançados por ele, em especial a boyband One Direction. Sim, foi uma década de bons artistas saídos do show, isso é inegável e, mesmo depois de tanto tempo, a atração ainda consegue segurar números relativamente bons de audiência. O que mais me preocupou nesses quatro primeiros episódios foi: será que a fonte de artistas surpreendentes está esgotando (ou “escorrendo” para outro programa)?

O nível dos candidatos parece alarmante. Apesar de termos algumas boas vozes, nada que realmente tenha me deixado impressionado de cara, como já aconteceu com Cher Lloyd, Ella Henderson, Diana Vickers ou mesmo Danyl Johnson. Como se não bastasse, a edição está dando um airtime exagerado e completamente desnecessário a acts ruins, que em nada acrescentam ao programa, nem mesmo no quesito diversão. Ver um candidato ruim para dar umas risadas por vergonha alheia às vezes é bom… mas tem uma hora que a coisa passa do limite e começa a encher o saco.

Mas, se os candidatos não estão ajudando muito, vamos falar de algo que está me surpreendendo positivamente: a bancada de jurados. Quando houve o anúncio oficial, não me senti nem um pouco empolgado, mas estou tomando um tapa na cara, principalmente de Sharon Osbourne. A jurada tem rendido ótimos momentos, desde sua postura maternal com vários concorrentes, até os momentos mais cômicos. Sem dúvidas, essa resposta do Xtra Factor (espécie de extensão do X Factor que vai ao ar pela ITV2) foi uma das melhores coisas que aconteceram até aqui:

HAHAHAHAHHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHA Sabemos que o Louis não gosta da fruta, Sharon, mas foi ótima!

Além de Sharon, Gary também está em uma boa fase. Aparentemente forçando menos a postura rude, mais relaxado, mais natural (e mais bonito do que nunca, acho importante ressaltar), o jurado está me dando alguma esperança de que ele deixe de ser o marrento insuportável dos dois últimos anos. Louis não muda nunca, então quem amava vai continuar amando, e quem odeia seguirá odiando. Já Nicole continua com uma emotividade exagerada que me incomoda, mas, julgando que ano passado a ex-pussycat dolls foi um dos grandes destaques positivos, prefiro me apegar à esperança de que ela não volte com o jeito insuportável que sustentou na sua participação na versão norte-americana. A única esperança da qual eu já me desapeguei é de que ela pare de me assustar de vez em quando com figurinos como esse:

Nesse ano, o esquema das audições mudou. Em uma primeira fase, os candidatos se apresentam apenas para os quatro jurados em uma salinha, semelhantemente ao que acontece no American Idol e acontecia até a quinta temporada do X Factor UK. Se por um lado esse novo método permite que os judges deem logo de cara um certo direcionamento para que os candidatos se saiam melhor perante o público, por outro tem tornado o ritmo um pouco mais arrastado que o normal. Outro lado negativo é que, dedicando o dobro de tempo a certos participantes, acabamos conhecendo menos deles do que o normal.

Para não causar mais confusão ainda do que a produção, que cuspiu dezenas de candidatos de uma vez e ainda fez uma bela mistureba na hora de mostrá-los na arena, vou comentar aqueles que se destacaram e já comentar ambas as audições, a da salinha e da arena.

Não se pode julgar uma temporada inteira pela primeira audição, mas normalmente o que se espera dela é que seja um convite, uma saudação de boas-vindas, algo que te instigue a continuar acompanhando o programa. Se era essa a intenção da edição ao abrir a season 10 com Luke Friend, não sei se foi a melhor escolha. Luke tem um bom timbre, bom controle vocal, é afinado e foi bem na sua audição. Mas o que me chocou foi ver o garoto ter sua audição na arena cortada e exibida só no quarto episódio. Embora eu ainda não tenha nada contra o garoto, essa áurea de Frankie Cocozza que paira sobre ele e sua cabeleira pavorosa me faz ficar com os dois pés atrás.

Quem também tem tomado uma sabotada bonita da edição é Tom Mann. Embora seu airtime cantando tenha somado medíocres um minuto e meio até agora, já assumo que o treinador de futebol de 19 anos é meu favorito até aqui. Adorei a voz do moço, e ele me traz uma vibe Olly Murs que me deixa muito animado para ver como ele pode se desenvolver ao longo da competição. O que desanima é que essa galera que tem suas apresentações muito cortadas costuma parar, no máximo, nas judges houses. Ou seja, acho que já posso preparar o lencinho.

Quem tem melhores chances é Alejandro Fernandez. O cara ganhou um pouco mais de destaque com sua performance de “Hero”, do Enrique Iglesias, onde ele até arriscou um spanenglish. Honestamente, tirando o tamanho das orelhas e o poder de deixar Nicole on fire, nada me chamou muito a atenção. Voz bem controlada, porém comum, e nenhum apelo comercial exorbitante.

Continuando com aqueles que devem ir mais longe, temos Tamera Foster, que inicialmente fazia parte do duo Silver Rock, mas, em uma sábia decisão dos judges, foi separada de sua companheira pela absurda falta de química entre as duas. Enquanto sua ex-parceira deixou a desejar na arena e acabou sendo cortada, Tamera se redimiu aos 45 do segundo tempo de um erro no começo da música e conseguiu passar para o bootcamp. A sua performance de “I Have Nothing” passou longe de ser perfeita; começando pela escolha da música – nunca vou deixar de pegar no pé de quem canta Whitney nesses programas -, além do esquecimento da letra logo no começo e a sucessão de falhas que veio a seguir, quando a garota finalmente conseguiu engatar de novo. Mesmo assim, o quarteto de jurados viu potencial… e eu vejo também. A jovem é bonita, canta bem, e, se trabalhar para ganhar mais confiança e parar de fazer song choices ruins, pode render coisa muito boa pela frente. O maior empecilho que eu vejo no caminho da garota são as notas que saíram na mídia britânica sobre problemas com drogas e agressão. Vamos torcer para o público não se virar contra ela por conta disso.

Uma premiere de X Factor não é premiere de X Factor sem um drama card. Dessa vez foi Hannah Barrett quem preencheu a cota, com uma historinha bem triste mas da qual eu não me lembro mais porque não sou obrigado. A personalidade da menina me faz ter uma verdadeira montanha russa de amor e ódio, pois tem horas que eu acho fofo o tom de voz rouco e arrastado, mas em outras horas aquilo parece super forçado e me irrita. Quanto ao que ela apresentou cantando… bom, vai agradar quem gosta de um vozeirão por vozeirão. Atitude, algo animador, diferente, nada disso tem ali. Pode até ser trabalhada e render alguma coisa mais pra frente, mas, por enquanto, longe de uma Misha B.

Sem dúvidas a candidata mais pimpada até então, Sam Bailey em nada se diferencia daquela tia que você encontra na feira comprando tomates. Isso acaba sendo uma grande vantagem nesse começo de competição, porque cria uma identificação enorme com o público logo de cara, quando ele ouve a poderosa voz que essa mulher tem. E, sim, a voz dela é realmente incrível, talvez a melhor que o programa mostrou nesses quatro episódios. Mas, falando sério, se nem Susan Boyle, que fez o alvoroço que fez, conseguiu sobreviver no showbusiness, imaginem Sam? Nem preciso dizer o programa que ela deveria tentar, né?…

… Britain’s Got Talent, claro!

Na maioria dos casos, os participantes mantiveram o desempenho da primeira audição na arena. Quem foi bem, continuou bem, e quem foi mal idem. Relley C e Barclay Beales foram exceções.

Relley é o tipo de candidata que eu considero bastante promissora, pois tem uma ótima voz dotada de um timbre não tão comum. Pode dar certo como foi com Rebecca Ferguson, ou pode ser uma tremenda decepção como foi com Jade Ellis.

Barclay é um caso perdido. Impeça-o de yodelar e o garoto perde o rumo. O yodel é legal para levantar a plateia na audição, mas o desespero em colocar esse estilo até em “What Makes You Beautiful” para não perder seu ponto forte só deixou evidente sem medo em expor seus vocais, que se mostraram fracos em ambas as audições. Nem pra ser encaixado em boyband serve, a não ser que decidam montar uma boyband country.

Pra quem está acompanhando o X Factor Australia, digam se Abi Alton não parece uma mistura de Jai Waetford com Jiordan Tolli? A guria é uma junção da voz infantil do garotinho de 14 anos com o modelito funeral/casamento da candidata de Redfoo. Ou melhor, na verdade ela parece mesmo é a Andrea Begley do The Voice UK. Tá, chega de falar das semelhanças físicas da menina. Meu único problema com ela é que no meio da primeira audição eu já estava enjoado do timbre dela, na segunda eu já estava agoniado e, se ela for aos lives, não deve mudar muito do que apresentou até agora. E, se o pimp se deve de alguma maneira à canção original, a dela não me causou 10% do impacto que “Missed” da Ella Henderson.

Em um começo de temporada bastante morno, uma das poucas coisas que me empolgou de verdade foi Shelley Smith. Quem acompanha minhas reviews sobre realities musicais já deve ter percebido que eu sou adepto de uma boa bagaceira, e Shelley é a maior promessa de boa bagaceira pra animar essa season 10. Se ano passado a reclamação contra Rylan eram seus vocais, não vai ser o caso com a loiraça. Canta demais, e o que dizer desse rebolado incrível, dessa capacidade de colocar toda essa jinga em “Feeling Good”? Ainda não conseguiu superar as inesquecíveis performances de Goldie Cheung e Kitty Brucknell dessa mesma música (e no mesmo ano!), mas, ao terminar de ver, eu já estava pensando: “Melanie who? Carly who?”

Por fim, vamos falar do bloco das repetentes:

A edição está tentando vender três histórias de coitadinhas em intensidades diferentes, meninas que tiveram seus sonhos massacrados pelo programa ao serem eliminadas. Nem preciso dizer que isso não cola, né? Duvido muito que alguém esteja obrigando essas gurias a se inscreverem ano após ano. Como se não bastasse, eu acredito que todas as três tiveram ótimos motivos para serem cortadas em suas respectivas temporadas, e em nada evoluíram para que mereçam que a história seja diferente dessa vez.

Começando por Amy Mottram, que foi eliminada ano passado nas judge’s houses por Tulisa. Mesmo a jurada não estando em um bom ano, pelo menos em não passar Amy ela acertou, já que seria concorrência direta para Ella, que era a front runner da temporada. A teatralidade exagerada e essa aparência de cantar pelo estômago de Amy não mudaram em nada em relação à 2012, e continuo vendo o mesmo star quality que via nela: zero.

Jade Richards vem de um histórico um pouco pior. Foi eliminada em 2011 também nas judge’s houses por Kelly Rownland, tentou de novo na nona temporada, mas não passou nem do bootcamp. Lembro do impacto que a primeira audição da menina teve e até eu tinha entrado na torcida naquela ocasião, mas uma reassistida foi suficiente para que eu começasse a me indagar se ela merecia mesmo todo esse oba oba. Se eu duvidava de todo esse potencial que enxergavam lá na season 8, hoje eu não tenho mais dúvidas: Jade é extremamente instável, tem um vocal bom, mas não espetacular ou excepcional, e não melhorou nada desde sua primeira tentativa. Pelo contrário, a cada nova performance sinto ela mais insossa e sem nada a acrescentar.

Mas, dentre todas, a dona da história mais “triste” e também da maior chance de chegar aos lives é Melanie McCabe. Sério, essa menina deve ter adotado “participante do X Factor” como profissão, pois só isso explica quatro tentativas. Ou ela é meio brasileira e não desiste nunca mesmo. Independentemente do que a motiva a continuar lutando mesmo depois de tantas portadas na cara, isso deveria a motivar a mudar alguma coisa nela mesma também. Imaginem: depois de receber três não’s, normal é se tocar de que alguma coisa está errada, tentar descobrir o que é e trabalhar em cima disso, certo? Certo, Melanie? Parece que ela não captou isso até agora. Para quem não se lembra (não deve ser pouca gente, já que a menina é a definição de “esquecível”), veja alguma performance dela em 2011 ou 2012. Dou um prêmio para quem conseguir achar uma diferença sequer entre essas duas e a desse ano, tirando a cor do cabelo. De nada adianta chorar (possivelmente de dó), Louis Walsh? Avisá-la de que algo tem que evoluir se ela quiser chegar em algum lugar seria bem melhor para a própria Melanie. Tudo leva a crer que eesse ano as coisas fiquem mais azuis para McCabe, mas, se for para seguir na mesmice, não vou sentir nem um pouco de pena caso ela rodopie pela quarta vez.

Considerando que foram quatro episódios e olhando o número de candidatos desse post, é uma quantidade baixa. A culpa? As double auditions, e, pior ainda, os desnecessários candidatos ruins que não foram poucos. X Factor tem gente ruim, principalmente nas audições, é verdade, mas quando o número deles começa a afetar na qualidade do show, é caso da edição talvez pensar em mudar essa abordagem. Assim não dá. Assim eu acabo tendo que falar pra todo mundo voltar só nos live shows.

Ainda faltam duas semanas de audições e eu estou tentando me manter otimista. Meu amor pelo programa e o brilho de Sharon Osbourne me manterão firme nas próximas etapas, não importa o que acontecer, mas, se alguém me pedisse um conselho, eu infelizmente teria que ser sincero e não recomendar esses quatro primeiros episódios. Fingers crossed pra essa temporada tomar um rumo mais semelhante aos das seasons 5, 7 e 8 e se afastar de buracos como a 4 ou a 9.

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Aleph Macaullay
Goiano que foi viver no caos de São Paulo mas não esconde as origens caipiras e chora quando ouve "Evidências". Radialista por formação e redator publicitário por profissão.