The Vampire Diaries finalmente chega ao tão aguardado futuro.
Sempre que analiso uma temporada em sua totalidade, eu meço a quantidade de tempo “mental” que ela representou. Séries que passam rápido demais, eu separo o nome e coloco no pacote de além de satisfatórias. Produções que parecem durar duas encarnações, no pacote de decepções do ano. The Vampire Diaries está em uma situação em que a própria edição do episódio precisa nos lembrar de fatos que foram apresentados no decorrer de 14 episódios atrás. Não é um “anteriormente em…” onde a introdução remete a um personagem que não vemos desde o ano de estreia da série, como Greys Anatomy fez ao trazer uma paciente de onze anos atrás. Não, a série dos vampiros de Mystic Falls ainda está no sétimo ano, mas optou por relembrar o recurso novo que ela começou a usar na atual temporada e que de tão mal aproveitado, não fez muito pela trama.
Quando uma produção opta por construir através de cenas futuras a trama base de seu ano, é necessário que o envolvimento emocional seja muito grande. Nós já sabemos exatamente o que vai acontecer, em alguns casos até como vai acontecer, logo as surpresas são limitadas. O que falta exatamente são lacunas de informações que nós não temos e que precisam ser preenchidas com explosões emocionais poderosas o suficiente para nos fazer esquecer que ninguém vai morrer e que nada do que está sendo planejado vai dar certo. Damon não vai matar a Rayna, porque a primeira cena exibida no futuro é a entrada triunfal da caçadora. O roteiro então necessita criar um laço profundo entre personagem e trama para que o recurso dê certo e capture a emoção do telespectador de outras formas.
Rayna não é uma vilã no sentido literal da palavra. Todos os vampiros, incluindo o Stefan, já cometeram diversos crimes contra a humanidade, mas nunca foram julgados por isso. Não é uma observação, é um fato dentro da série. Ninguém ali jamais precisará responder por um crime. A caçadora existe como uma forma de balancear a escala de justiça dentro deste mundo cheio de criaturas sobrenaturais. Um vampiro não é morto, mas aprisionado em uma realidade alternativa desenvolvida para expiar pecados. Resumindo: todo mundo ali merecia pelo menos alguns anos dentro da pedra fênix para pagar pelos incontáveis assassinatos que cometeram. Infelizmente a série decide esquecer a discussão filosófica e desenvolve o ápice emocional da Rayna em cima de um namorado vampiro que ela precisou matar. Não é a justiça. Não é o sacrifício do pai. Não é o sacrifício dos xamãs. É um namorado vampiro. É o padrão da série sendo repetido quando a oportunidade de quebrá-lo aparece. É difícil embasar o senso de missão da personagem quando a justificativa final é um “porque sim”.

Do lado oposto, onde as coisas realmente funcionaram e conseguiram capturar a minha atenção, temos Bonnie e Damon. Lembro-me de já ter comentado anteriormente em outra review que escrevi para a série, a respeito da importância da personagem após a saída da Elena. Pouco ou quase nenhum destaque havia sido direcionado para Bonnie até então. Ficamos confinados por muito tempo a trama dos vampiros hereges, uma história que parece ter acontecido duas temporadas atrás. Ao contrário do que estava sendo feito pelo roteiro, neste episódio a bruxa conseguiu passar exatamente o que estava fazendo falta para The Vampire Diaries. A amizade entre ela e Damon é especial porque modifica o padrão de ambas as personagens. Foi engraçado ouvir o quão próxima de Damon ela estava se tornando, mas que eu só reparei após o comentário do Enzo. Além de tudo ainda conseguimos uma espécie de despedida muito emocional para o casal de amigos. Damon evoluiu e amadureceu muito, mas ele permanece extremamente despreparado para lidar com emoções humanas diretamente. Seu mecanismo de defesa foi brilhantemente exposto pela fala da Bonnie. Ou seja, o objetivo de fazer da revelação da Rayna o ponto alto do episódio foi ofuscado pela cena entre o vampiro e a bruxa. Mas confesso que gostei da cena a lá Dexter Morgan, com o Damon todo ensanguentado e usando um avental de açougueiro enquanto a caçadora estava fatiada em sacos plásticos.
Já o outro irmão está submerso em um pântano chamado Caroline e bebês mágicos. Essa é uma trama que não me agradou desde o surgimento. Hoje, tendo os bebês já nascidos e com Caroline vivendo debaixo do mesmo teto que o professor, a situação só piorou. Absolutamente nada de interessante saiu desse plot. Nada. Stefan andando de um lado para o outro com a Valerie só teve uma utilidade: fazer o vampiro perceber que não existe espaço na vida da namorada para ele, não agora que ela é mãe. O problema é que também não existe espaço para o drama de Caroline na série. Ou vocês realmente querem assistir a sequências da personagem vivendo como esposa do Alaric e sendo chamada de mamãe? Eu prefiro não.
Terminando a review com o personagem que ilustrou a postagem da semana, Matt, eu já desisti do policial faz muito tempo, mas muito tempo mesmo. Dificilmente eu espero algum tipo de retorno do roteiro quando o vejo ganhando algum destaque. Fazer dele o cara que pede para que os seus amigos simplesmente saiam da cidade é de doer na alma. Que tipo de evolução é essa? Sim, ele sofreu muito por causa dos vampiros da cidade, mas colocar a nova namorada para ser a voz da razão só fez com que o personagem terminasse como um fantoche. Dois episódios atrás você nem conhecia a moça, cara. Vamos acordar. O que eu entendo hoje é que Matt é uma espécie de reflexo do texto da série e da sua presença na CW. Ele ainda existe, mas ninguém realmente se sabe o que fazer com ele, que só permanece vivo por um único motivo: primeiro humano a surgir e o último humano da série. Ou você vê outro?
No final, evolução é o grande problema de The Vampire Diaries. Tirando algumas exceções, ainda estamos presos a um padrão pouco interessante. Com a revelação de que a Rayna quer passar a marca para o Damon, só ficou mais óbvio ainda que estamos dentro da pedra fênix, fadados a assistir uma repetição sem fim em que um irmão precisa salvar o outro, sempre colocando a própria vida em risco. Como eu falei, existia uma possibilidade realmente interessante para a proposta da Caça Vampiros, mas tudo caiu no velho clichê das explicações que não farão sentido depois de alguns episódios. Cada vez que um elemento novo é adicionado a mitologia da caçadora, pior a história dela se torna. Então chegou a hora de revisitar a mesa de planejamento para a próxima temporada e aceitar o que funciona e o que já está saturado.















