O ódio também é uma forma de amor.

Como já era de se esperar – após tantos desconfortos que Mickey e Gus protagonizaram – o casal expurgou todos seus problemas numa espécie de lavanderia de roupa suja ao ar livre, com plateia e palavrões rolando soltos. Tudo começou quando Mickey stalkeou a vida do namorado até não poder mais e decidiu dar uma visitinha no trabalho dele, representando alguém super tranquilo com a relação e que somente aproveitou a ocasião para dar um simples “ola”. Acontece que esse jogo teatral dura pouco e, quando menos percebe, Mickey está gritando com Gus na frente de todos seus colegas e reafirmando que “não é louca”, quando na realidade toda a cena é recheada da mais pura e hilaria insanidade.  Porém, pela perspectiva de Gus o cenário não é muito diferente. Ao tentar sobreviver num relacionamento apenas por ser um rapaz bondoso (porém falso) e mascarando seus reais sentimentos com traição/grosseria, Gus investiu numa reação inesperada que veio como uma avalanche chamada Mickey. Todos nós, pelo menos aqueles que se apaixonaram por alguém tão complicado quanto Gus, tiveram (ou pensaram em ter) essa reação absurda de gritar para o mundo inteiro: O QUE VOCÊ QUER DA VIDA GAROTO(A)? E essa vontade é tão legítima quanto perguntar ao vendedor o preço de um sapato na vitrine. Afinal, quando você fica horas analisando alguma coisa, mas não obtém o real valor daquilo que deseja, nada mais plausível do que perguntar mesmo que isso venha em forma de surto na frente de todo mundo. O que também não é muito bonito…

Este episódio pode ser analisado por uma perspectiva mais ampla. O cenário midiático ainda insiste em exibir o chamado ~True Love~ e muitas pessoas (inclusive amigos próximos) acreditam fielmente que ele existe. Minha opinião é um pouco agnóstica. O amor verdadeiro não existe; o que existe é a vontade imensa de se tranquilizar num relacionamento estável com o menor conflito possível, e isso sim pode ser chamado de ~True love~ (por mais que o termo seja bobo e comercial). O que a série vem realizando com uma naturalidade genial é ser totalmente cética em relação ao chavão romântico presente nos filmes/livros do Nicholas Sparks, principalmente quando o tema dessa temporada seja a paixão incompreendida de um casal incompreendido. O ódio de Mickey também representa o ódio que temos quando vamos aplicar a representatividade desses filmes em nossas vidas, o que na realidade demonstra ser bem mais complicado e improvável.

E o mais legal é que a série deixa bem claro que esse caso expectativa vs realidade não se limita no casal principal. Bertie também enfrenta isso na sua simples visita aos estúdios com Mickey, ansiosa por se tratar de um momento amigável entre as duas e frustada por sair de lá comprando duas camisas por 5 dólares e sozinha. Gus empolgado com seu novo trabalho como roteirista, mas frustado com o tratamento que vem ganhando pelos colegas. O amor está presente em diversas situações, assim como a frustração de compreender os obstáculos para alcança-lo plenamente.

❤1: O’Doherty vem sendo a principal estrela da série, mesmo com um papel simples e secundário. 

❤2:Tenho vontade de matar todos os roteiristas de Wichita. Lentamente.

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