Quem assistiu a “First Born” deve ter tido a impressão de estar diante de uma outra série. De tão agradável em alguns momentos, o episódio passou velozmente, mesmo com toda aquela intenção de contar a origem do Quintus ou do Quinlan. A série continua insistindo em cometer alguns erros, especialmente de montagem, mas como nisso não há novidade, vamos detalhando os parágrafos narrativos que ela se impõe.
É bastante curioso que se o espectador for acompanhando os diálogos, vai se dar conta, que a direção / produção por ter incluído núcleos diferentes da mesma história, acaba sendo bastante improducente em alguns aspectos. Por exemplo: por onde anda Justine? Que tipo de relevância ou importância a personagem que assumiu ser a mais poderosa (politicamente) de Nova Iorque terá para o desfecho da série? Mesmo que uma melhora significativa tenha se mostrado nos dois primeiros episódios, é frustrante perceber que houve um erro crasso na condução do elenco. O mesmo pode valer para o até então para Eldtrich, que é interpretado por um excelente ator (Jonathan Hyde) mas que perdeu muito espaço durante a condução do roteiro. E daí somos “obrigados” a tolerarmos a atuação pra lá de burocrática de Corey Stoll, que definitivamente não era o cara para essa projeto. E se formos mais contundentes, após três episódios, o que dizer do “nazista” Eichorst? Suas cenas eram um dos pontos altos… Sem falar da Dutch. Bem, sigamos.
Mesmo assim, com tudo dito até aqui, Quinlan salvou o episódio, em um bom (e até comovente) desempenho do ator Rupert Penry-Jones. Não acredito que o que vimos ontem em “First Born” tenha esclarecido a relação dele com o Mestre, que apareceu em vários shapes. E nem muito menos este temor todo que o vilão sentira por seus descendentes ou mesmo pelo Lumen. Alguns leitores do SM na temporada passada deixaram bastante claro que Quinlan tinha um importante papel no livro. Aparentemente a história dele acabou ontem, após ter sido surpreendido por uma recepção nada agradável daqueles que estavam ali defendendo o Mestre. Em algum momento, nada do que ele (Quinlan) conversava com Eph no carro fazia sentido: o meio-strigoi deixou a entender que ele seria uma espécie de redentor; que sua morte poderia aniquilar o Mestre e todos os seus planos. Motivado pela informação dos leitores, reconhecendo seu poder, percepção e inteligência, achei que ele duraria mais do que 3 episódios na terceira temporada. Faltam apenas sete episódios.
Contudo isso, ver as mudanças de tomada e fotografia, a ingenuidade de Eph, a chegada de “reforço” com Fet e Setrakian, intensificaram o que eu penso sobre The Strain: a série é mal dirigida e concebida para TV. Um bom exemplo disso: logo no início do episódio o diálogo entre Zach e sua mãe já “espoliava” que não haveria trato entre as partes, o que seria apenas confirmado na cena final. Então a ceninha sentimentalóide entre mãe e filho nada corrobora com o contexto do episódio. Há um enorme “esforço” para tirar as boas sacadas, como conhecer o passado de Quinlan. Os flashbacks são pontos altos de The Strain desde o início.
Lá do outro lado do corner, no núcleo secundário (e ainda bem) não esquecido, Gus e Angel vão tentando sobreviver não apenas como vítimas, mas especialmente como caçadores de strigois. O desespero de Gus é emocionante, mas Angel é fundamental para trazê-lo à realidade. Cuidar da sua mãe sob as circunstâncias proporcionadas pelo latino é um suicídio lento. A disposição de Gus não tinha qualquer relação com a razão. Na sua residência fétida, ele não via nada além do que sua mãe e todo o sacrifício que ele próprio se impôs, em uma clara demonstração de amor. Poderiam ter impulsionado a sacarina? Sim, mas ao invés de acentuar o drama, propuseram uma perseguição que a gente sabia que não iria para lugar algum. Um plot mal trabalhado pra variar.
Voltando: ainda assim, Setrakian sempre é a linha que condutora que me anima nos episódios de The Strain. Seu olhar angustiado e ao mesmo tempo contido, deixou muito claro que – mais uma vez – uma chance foi desperdiçada e é certo que o perdão pelo roubo do Lumem será integrante do próximo episódio: o motivo era nobre. O que é imperdoável é Eph acreditar que o Mestre usaria de dignidade para com ele cumprindo um acordo. O vilão secular não trata os humanos com reverência, mesmo aqueles que tem algum tipo de protocolo com ele e especialmente naquele caso um dos motivos para ele manter Kelly como “parceira”.
Um parágrafo para ex-sra. Goodweather:
Me parece que foi uma “exigência” da atriz estar em sua aparência normal e não se submeter a nenhum tipo de maquiagem mais grotesca. Uma vaidade pessoal que pode ter interferido na maneira como vive sua personagem. Essa percepção passa por outra interpretação que tenho em relação como a narrativa foi construída até aqui: acredito que a atriz Mia Maestro “pediu” para ser morta na série. Salvo engano (por favor comentem se eles estão seguindo o livro), a atriz que se viu em alguns episódios de Scandal, não quis prosseguir no show. As atuações dão um cheirinho de insatisfação no ar.
“Gonne But Not Forgotten” deve trazer aquele episódio modorrento a qual já estamos acostumados. Os integrantes vão para seus lugares estratégicos, tratarem de um novo reencontro, para criarem a expectativa do embate. Sem Quinlan (caso a morte do Strigoi se confirme), não existe mais plano B na e aí voltamos à estaca zero da união de destinos e desejos e retornamos ao status quo da segunda temporada.
Há pouquíssimas notícias da série nos sites americanos. A falta de atenção dada ao show por parte da mídia explica um pouco da decepção de todos para com as expectativas criadas. Vamos seguindo a história e esperando que a resolução para o drama seja tão “incoerente” como tem sido a maneira como ela tem sido contada.






















