Normalmente as conclusões dos textos ficam para o final, mas eu gostaria de antecipar algumas percepções sobre o início da quarta e derradeira temporada de The Strain.
Esse início distópico e apocalíptico da série deduram algo muito claro, ao menos para mim: os produtores da série não esperavam que ela fosse renovada. Prepararam um final “surpreendente” (para os padrões da série) e foram pegos de calças curtas quando o canal FX pediu mais um ano de strigois.
Não faz qualquer sentido que por quatro anos consecutivos a série não tenha evoluído e tenha chegado a lugar algum. Meus queridos leitores (ansiosos por esse review), repararam que desde o início desta aventura há uma só premissa? Acabar com o domínio do Mestre e salvar a humanidade de se tornar zumbi/vampiro.
De maneira improvisada, The Strain vai tratando dos assuntos com bastante angústia.
Um dos problemas é que a quarta temporada apresentou uma ‘solução’. A mais agradável? Não, com certeza, mas louca como tudo que o show apresentou até aqui. Estamos em 2017, mais de 30 episódios depois e Setrakian, Dutch, Fet, Goodweather… não conseguiram nada além de destruírem com qualquer perspectiva de melhora. É uma série pessimista, angustiante. Flertou em se aproximar da linguagem de The Walking Dead, mas falta-lhe charme, sofisticação.

Em The Blood Tax descobrimos o paradeiro do bom velhinho e da ex-hacker que foi selecionada para ser barriga de aluguel da “Parceria”. O processo que levou a blondie até às mãos de maneira obrigatória foi das mais patéticas e burras, como quase tudo que acontece em The Strain. Há tantos furos que eu prefiro não cansar vocês. Sejamos objetivos.
Personagens vem e vão sem definição de seus destinos
Gus voltou. E para você perceber isso ele voltou de cabelo grande. O velho recurso capilar dos atores / personagens que assumem outros papeis e precisam de um renascimento diante das câmeras. Só foi o cabelo mesmo. Ele virou um traficante de coisas úteis. Porque na TV existem dois tipos de anti-heróis: o famoso profile de Robin Hood, auto-explicável e aquele na qual há potencial para o caminho do bem. Gus não é só um guarda-trecos. É um dos melhores no combate, mas transformaram o personagem latino numa válvula de escape do futuro. Em algum momento você sabe que ele será útil, sacou?
Goodweather é a razão pela qual Zach é chato. É uma questão genética. Impressionante como Corey Stoll não diz nada com seu personagem desde a terceira temporada. O cara parece que perdeu o tom da atuação, se entregou à indolência e à indiferença. Entrega ao telespectador qualquer coisa. Acho até desonesto que um protagonista (pela qual deve ter sido muito bem pago) seja tão fraco e não possamos ler as camadas (palavra da moda) que o médico de fato deseja. Em um episódio – o primeiro desta season – ele parece encucado com o que estão fazendo com o armazenamento de sangue. No outro – este – o cara mata strigois como se estivesse escovando os dentes, lavando a louça ou qualquer coisa que virara rotina. Dialoga com outros personagens, sem qualquer emoção, sem dar importância a cada palavra, realmente sem se importar. Tem pinta de desesperançado, mas precisa muito melhorar para comover, impressionar.

Em The Blood Tax quase toda a atenção foi dada à Dutch e claro que ela desperdiçou! Está óbvio que ela está planejando fugir daquele ambiente repleto de frutas e opressão, mas a dinâmica do capítulo não ajuda. Eles enrolam mais do que o necessário. Eles não desenvolvem o plot e muito menos os núcleos. É uma novela mexicana com orçamento maior, no entanto tudo fica até o próximo parágrafo. Um bom exemplo disso: Ela sacaneou o guardinha, mentindo para poder se safar e nem acredito que tenha sido de “todo errado”, a questão foi a forma escolhida e exibida no último domingo. Ela queria também safar a sua colega que ficara grávida, no entanto não resolveu nada. Ou seja: o único prejudicado foi o empregado da Parceria. Aí fica a pergunta mais importante deste texto: a prisão do rapaz muda o que na história de The Strain?
Não precisa responder.
Outro exemplo: alguém duvida que ela voltará à sala de um dos chefes da “Parceria” para aceitar o convite que recebeu? Então o mise en scene foi necessário mesmo?
Setrakian tem o discurso certo na série errada
Não teve nada que prestasse em The Blood Tax?
Teve sim. Gosto dos discursos de Setrakian, embora eu entenda que a personagem perdeu a relevância pela canseira dada na audiência. O bom velhinho (que teve melhor sorte do que em Game of Thrones como Walder Frey) mantem sua perseguição implacável ao Mestre e seus planos mórbidos, mas volta e meia tem um discurso muito “nada a ver” com o que tá rolando na telinha.
Ele manda mensagens muito coerentes com o mundo que vivemos, sobre a falta de fé e o quanto a humanidade está enterrada nos seus próprios desafios, mas não consegue sair deles com planos de salvação. No entanto, o cenário escolhido para sua retórica é o pior possível. Um discurso sensato ao lado do barulho dos absurdos não faz sentido porque a maioria não ouve ou não quer ouvir. Não há dúvida que o alter-ego do autor diz entre tiros, safanões e perseguições, que a opressão dos mais poderosos sobre a plebe parece cada dia mais insolúvel. No entanto, como disse acima, falta sofisticação para que isso chegue mais claramente a quem acompanha a série.
> O retorno de Game of Thrones pra 7ª temporada + teorias malucas!
O negócio agora é dar atenção à contagem regressiva. E lamentar.















![The Strain 4×01: The Worm Turns [Season Premiere] THE STRAIN -- Season Four - Pictured: Corey Stoll as Ephraim Goodweather. CR: Shane Mahood/FX](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2017/07/The-Strain-4x01-218x150.jpg)