Definitivamente, um episódio que não foi para morrer de rir.

Spoilers Abaixo:

The Middle nos apresenta mais um episódio temático e dessa vez preciso confessar que a série não foi exatamente hilária. O que não chega a ser uma coisa ruim. Acho muito importante, mesmo em comédias, esse tipo de episódio em que a história dá uma respirada e cria situações mais voltadas para o sentimentalismo do que para piadas. É o que “How I Met Your Mother” faz com maestria, apesar de vez ou outra cometer alguns deslizes.

Pois aqui funcionou. Em Valentine’s Day III, Frankie e Mike recuperam o posto de protagonistas da série. É que apesar de Frankie ser a personagem principal, Axl, Sue e Brick costumam roubar a cena e se destacar mais do que seus pais em alguns episódios.

Frankie e Mike decidem passar o “Dia dos Namorados” em casa, comendo frango e assistindo TV em quartos separados, até que durante uma conversa com Nancy Donahue os planos são alterados e eles saem para um encontro triplo com amigos. É uma situação que já foi vivenciada em Taking Back The House (S02E11), quando os patriarcas do clã Heck decidiram tomar de volta o controle da casa, que havia sido tomada pelos filhos e acabam influenciando os Donahue e o outro casal que não aprendi o sobrenome a fazerem o mesmo.

Frankie fica decepcionada com Mike porque ele não compra pra ela uma rosa, assim como os outros maridos fizeram. Foi só eu que fiquei com muita pena dela? É o tipo de coisa idiota, que se pararmos para analisar não altera em nada o que uma pessoa sente por você (até porque, o destino da flor é murchar e depois ir para o lixo), mas que faz muito sentido quando você recebe de quem ama, principalmente quando outros maridos fazem o mesmo por suas esposas bem na sua frente. Mas vamos confessar que qualquer outra reação da parte de Mike não combinaria nada com o personagem. Desde o começo da série ele tem essa coisa meio Sheldon Cooper de não conseguir entender porque as pessoas se preocupam com essas situações aparentemente banais.

Graças a Valentine’s Day descobri que beijo de língua nos Estados Unidos é chamado de “french kiss”. Mas não entendi porque a escolha da França para denominar este tipo de beijo, assim como a Grécia para um outro tipo… Mas deixa pra lá. Isso eu aprendi graças a Sue, que ficou espantada quando Matt apresenta a ela a novidade durante um beijo. Ela fica consternada com aquela situação e procura na internet ajuda para lidar com o fato de ter que contar para o namorado que prefere que ele beije no bom e velho estilo americano. É bom vê-la com um namorado este ano. Ela merece.

Brick e Axl precisam fazer trabalhos para a escola. O primeiro tem que escrever uma redação sobre o Dia dos Namorados, e o segundo precisa fazer um texto ou um vídeo sobre um evento que mudou sua vida. Axl é um bom personagem, mas ele se destaca mais quando sua história é acompanhada de um outro membro da família. Até tentaram fazer isso com Brick fingindo que estava morrendo para que ele gravasse um vídeo, mas engraçado mesmo foi quando Frankie e Mike, os protagonistas da série e do episódio, entraram na cozinha brigando e Axl ficou narrando como se fosse um apresentador de programa policial.

Por fim, a briga acabou inspirando Brick a escrever uma das coisas mais bonitinhas a respeito do amor que já vi em séries. Provavelmente, este foi um dos momentos mais emocionantes de The Middle, porque não forçaram a barra e mostraram exatamente aquilo que a gente percebe desde o começo da série: o relacionamento de Frankie e Mike, apesar das briguinhas, é construído tendo o amor, o respeito e o companheirismo como base. E quem não quer ter algo assim na vida? A redação de Brick é tão linda que Axl acabou copiando e arrancou da professora uma reação exatamente igual a minha ao assistir a cena. Prefiro não comentar a respeito e transcrever o texto:

“O que é amor? Shakespeare nos conta que ‘amor não se vê com os olhos, mas com a mente’. Só tenho dez anos e não tenho experiência com amor, então falarei do único amor que tenho familiaridade, o amor dos meus pais. Não é um amor novo, cheio de paixão ardente. Minha irmã diz que eles nem beijam mais de língua. Mas são as pequenas coisas que fazem um ao outro que me diz o que é amor. Como no carro, quando minha mãe põe a mão atrás do pescoço do meu pai e o massageia. Ou quando meu pai aquece o carro da minha mãe e tira o gelo do para-brisa em manhãs frias. E como eles aprenderam a se comunicar um com o outro usando uma linguagem especial. É verdade que não temos muito dinheiro, mas gosto de pensar que mesmo que tivéssemos, meus pais ainda continuariam em casa, se curtindo. Claro que seria em uma casa mais legal, com uma jacuzzi. Se perguntar para as pessoas quais são as maiores histórias de amor,  dirão Romeu e Julieta, Hermione e Ron Weasley, elas são boas. Mas se me perguntar, ótimas histórias de amor podem ser pequenas, como a da minha mãe e do meu pai.”

E eu concordo Frankie, foi maravilhoso.

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