
Valeu, Tia Ginny!
Spoilers Abaixo:
The Middle não é Glee, mas fez um episódio-homenagem que entra para o hall dos momentos mais marcantes da série. Não deve ser fácil lidar com a perda de alguém do elenco. Apesar de não fazer parte dos atores fixos, a atriz canadense Frances Bay, que interpretou a sempre quieta Tia Ginny, faleceu em setembro último com 92 anos, em decorrência de diversas infecções. Portanto, a notícia é velha. Mas o fato de que só Tia Edie aparecia e sua irmã ainda era citada, me fez pensar que a série ignoraria o fato, como ocorreu aqui no Brasil, em A Grande Família, quando do falecimento de Rogério Cardoso.
Houve tempo para preparar uma homenagem digna. E tudo funcionou neste episódio. Logo na cena inicial, dentro do carro, vimos o clã Heck filosofando a respeito de um ‘problema’ que é a nossa única certeza na vida (cof cof, clichê!): a morte. Enquanto Brick se desespera por pensar que também corre o risco de morrer dormindo, Axl rouba a cena graças a um momento meio Sheldon Cooper, planejando congelar sua mente e assim viver para sempre. Claro, que isso não teria graça sem Sue, e por isso foi feita a promessa de colocar a cabeça dela no corpo de um homem.
A partir daí, surgiram três histórias paralelas – como geralmente acontece em The Middle. Frankie lidou com o fardo de contar diariamente para Tia Edie que sua irmã havia falecido. Axl e Brick, numa historinha bobinha a respeito de um trabalho que o caçula deixou para entregar de última hora – como sempre!
Quando leio as reviews de outras séries cômicas aqui no Blog, como as de Modern Family, The Big Bang Theory e How I Met Your Mother, vejo meus colegas reclamando bastante da desconstrução que alguns personagens costumam sofrer à custa de algumas piadinhas no episódio. Fico feliz que isso ainda não acontece com The Middle. Seja chorando, rindo, dormindo, brigando, Sue, Frankie, Brick, Axl e Mike são sempre os mesmos. Há interação entre eles, mas sempre mantendo a fidelidade nas características inerentes de cada um, que são conhecidas do público e, principalmente, respeitadas pelos roteiristas. Isso é legal.
Assim como é legal ver que o roteiro finalmente está evoluindo, como alguns de nós vem desejando há algum tempo que aconteça. Apesar de sutis, as mudanças provocadas pela morte de um membro família e o primeiro sucesso amoroso de Sue, abrem um leque de oportunidades que pode ser muito bem explorado.
E então falemos dela. Sue. Ok, isso está ficando repetitivo. Mas eu tenho culpa se a personagem consegue sempre se destacar, mesmo quando a história indica que vai explorar outros rumos? Quando Brad diz a Sue que um garoto gosta dela, acaba gerando uma confusão na cabeça de Frankie e Mike, mas é uma piada que só funciona em inglês. Ela gosta automaticamente do menino, afinal de contas não é sempre que um boy se declara pra ela. Só que a sensatez de Frankie, potencializada por um conselho da Oprah, acaba fazendo com que a adolescente dispense Matt. Aí, pensei que o desencadear da história seria uma briga óbvia entre Sue e Frankie, onde a primeira jogaria na cara da mãe que ela a obrigou a fazer uma escolha errada, exageraria dizendo que perdeu sua única chance de se casar e que provavelmente ela não teria netos, porque Axl vai morrer embriagado num acidente de carro e o Brick… Bom, será para sempre Brick. Ok, viajei!
Matt provou que merece o coração de Sue, quando teve uma atitude que só ela seria capaz de ter: manifestar seu sentimento publicamente com algum tipo de performance – lembram-se quando ela se vestiu de Giz de Cera para que um garoto a reconhecesse, no S02E14? E foi ali que ele ganhou o meu coração e eu dei a benção para que ele e Sue ficassem juntos. Vez ou outra, The Middle dá uma forçada na barra para tentar criar um momento “own”. Acho que, pela primeira vez, eu soltei um “own” genuíno, quando Sue olhou para Frankie com uma carinha de “posso ficar com ele?”. Só achei forçada a presença dele no aniversário quíntuplo. Perdeu-se a chance de explorar a reação de Mike ao tomar conhecimento de que sua filha está namorando um garoto com necessidades reais de garotos.
Por fim, dedico esta review a memória de Frances Bay, que com sua Tia Ginny nos ensinou a ouvir mais e falar menos, a ver que não existe limite de idade para o consumido sadio de Vodka, e que também nos mostrou que é possível fumar até os 100 anos e morrer sem câncer, dormindo, tranquilamente. Sem apologia, ok?












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