
Finalmente as pontas começam a se juntar.
Spoilers Abaixo:
Chuck sempre foi uma série que, acima de tudo, prima pelo entretenimento de qualidade de seu espectador. Por esse motivo, mesmo jamais tendo sido um grande sucesso de audiência, atraiu uma imensa quantidade de fãs, principalmente pelo flerte da série com referências nerds, que dão a ela uma característica marcante de tornar-se uma história de espiões imersa no mundo geek. Dessa forma, é natural que, ao aproximar-se da despedida dos fãs, os responsáveis pela série intensifiquem cada vez mais os elementos que deixarão saudades, como se preparasse terreno para emocionar o espectador no momento do fim. Assim surge Chuck vs. Bo, indubitavelmente o melhor episódio da temporada.
O episódio inicia-se exatamente onde o anterior termina, com Jeff e Lester descobrindo a verdade sobre o que ocorre embaixo da Buy More. Casey toma providências para que a dupla de idiotas não se lembre de nada, utilizando o composto X-13, que apaga a memória recente de uma pessoa. Enquanto isso, Morgan recebe de volta seu celular, descobrindo que, na época que tinha o Intersect, se envolveu em um grande problema, precisando esconder outros óculos contendo o supercomputador em um lugar desconhecido. Por isso, o Team Bartowski investiga a situação, descobrindo que Morgan envolveu-se romanticamente com Bo Derek, que se mostra muito mais que uma simples atriz.
Diferente dos primeiros episódios da temporada, quando a presença do Intersect no cérebro de Morgan trouxe momentos ruins para a série, Chuck vs. Bo reaproveita o arco construindo uma história interessante, principalmente pelo fato de não insistir nos elementos que fracassaram à época. Além disso, o roteiro consegue utilizar muito bem o recurso do flashback, sem tornar a narrativa arrastada, contribuindo sempre para que as informações apareçam na velocidade correta e sem insistir em detalhar tudo, ao contrário do que ocorre na última vez que Chuck utilizou o recurso.
Além de retomar a história do princípio da temporada, o episódio ainda aproveita para construir o arco que encerrará a série, aproveitando praticamente todas as pontas que deixou soltas em todos os seus arcos. É verdade que a ligação entre FULCRUM, Aliança e Volkoff citada por Decker ainda nos primeiros episódios é fraca e terrivelmente conveniente, como se os roteiristas forçassem a barra para que houvesse uma conexão. Mas independente disso, é inegável que a forma que Josh Schwartz e Chris Fedak encontraram para concluir sua história seja interessante principalmente pelo fato de aproveitar todos os elementos que a série consagrou em suas cinco temporadas, iniciando um procedimento que deverá atingir seu clímax no próximo episódio para que encontre seu desfecho no series finale.
Embora seja extremamente eficaz em construir a rota de saída de Chuck, Chuck vs. Bo contribui para que a quinta temporada seja excessivamente picotada, mostrando-se como a mais heterogênea de todos os anos da série. Os acontecimentos deste episódio praticamente tornam desnecessários os acontecimentos de boa parte da temporada. Claramente essa estratégia é intencional, mas prejudica em parte a evolução das histórias, embora seja um mal necessário. A pequena aparição de Shaw, por exemplo, surge mais como uma homenagem à excelente terceira temporada da série do que como algo que de fato acrescente alguma coisa ao universo da série.
Mas isso de forma alguma prejudica o episódio, que se desenvolve com competência durante seus 40 minutos. A missão principal, além de introduzir o personagem de Nicholas Quinn, é feliz em trazer momentos de ação bem conduzida, aproveitando-se também para explorar o humor característico da série, pautado em trapalhadas precisamente inseridas, evitando que o episódio tenha um tom de deboche, sem jamais levar-se a sério. Assim, cenas como a estranha fuga de Morgan contribuem para que Chuck vs. Bo se torne deliciosamente agradável, assim como a descoberta de mais um espião famoso, Bo Derek, juntando-se a Stan Lee.
Assim como sua trama principal, o arco que envolve Jeff e Lester também se sai muitíssimo bem. Finalmente ganhando função na série além de simplesmente envolver-se em confusões não relacionadas às histórias do Team Bartowski, a dupla contribui não apenas como alívio cômico, mas também ajuda o roteiro a introduzir certos conceitos, como o composto X-13, que é lembrado em seguida quando Quinn o utiliza em Morgan. Isso evita que o vilão utilize o clichê de explicar detalhadamente o que fará com seu refém, apenas citando superficialmente o que fará, permitindo que o espectador já conheça exatamente o destino do personagem, por ter visto o funcionamento da substância poucos minutos antes.
Além disso, as duas histórias de Chuck vs. Bo se integram de maneira muito competente, jamais criando a sensação de dois episódios diferentes. Isso acontece por conta dos pontos em comum entre elas, além do envolvimento da Buy More (sempre ela) na trama principal. Mas é a maneira com que Kristin Newman decide conduzir seu roteiro que cria uma eficiente harmonia entre as histórias. Pautando-se sempre em fazer referências a Amnésia e MIB, o texto explora sempre a falta de confiabilidade da memória, tanto de Morgan, como de Jeff e Lester, criando a homogeneidade necessária para que o episódio funcione propriamente.
Eis que chegamos aos momentos finais do episódio, quando as coisas passam a ficar realmente sérias, criando um interessante momento de tensão para ser desenvolvido nas próximas semanas. É fato que o Intersect seja um elemento importantíssimo em toda a história de Chuck, por isso nada mais natural que o arco que encerre a série tenha participação importante do supercomputador. Além disso, a cena final do episódio, que conta com uma trilha sonora em um tom quase apocalíptico enquanto mostra a expressão de desespero nos rostos de Sarah e Casey, antes da primeira decidir inserir o Intersect em seu cérebro para salvar seu marido. Aliás, essa curiosa situação aproveita para responder a pergunta sobre o que acontece quando uma superespiã ganha um recurso que a transformaria em uma. Agora é preciso que Schwartz e Fedak evitem que essa condição se torne algo semelhante ao que aconteceu com Morgan.
Construindo um arco que prepara terreno para o final da série, Chuck vs. Bo ainda prossegue com a evolução de seus personagens, sempre cuidando para que esta seja coerente e interessante. Dessa forma, é impossível não dizer que este final promete muito.













