A tempestade Euron chegou à Westeros em Stormborn, um excelente episódio de Game of Thrones.

As referências aos eventos passados da série não ficaram apenas no nome do episódio, Stormborn, ao contrário, este deve ter sido um dos episódios em que mais vimos auto referências na série, seja com os personagens relembrando questões antigas, reencontros ou decisões pautadas em acontecimentos vividos… Um verdadeiro deleite para qualquer fã à cada referência notada, contemplando a série a valorizar o que ela mesma construiu. Isso é extremamente importante tanto para uma construção robusta dos personagens como para uma trama que após se expandir por anos, vem encontrando agora os alicerces para se fechar.

Enquanto a maioria dos fãs de GoT anseia por grandes batalhas e o rápido desenrolar dos acontecimentos, eu sempre gostei muito da forma que a série abordava o lento construir de estratégias, arcos e como o avançar de um simples espaço no tabuleiro poderia trazer grandes consequências para as próximas rodadas do jogo. Como imaginar que um casamento para selar uma aliança fosse desencadear-se no Casamento Vermelho?

Game of Thrones nunca foi exatamente sobre o destino, mas sobre o caminho percorrido… O efeito dominó de acontecimentos intrincados. Se a última temporada foi o início de uma transição para o fim, esse é o primeiro ano que vemos a série, de fato, mais voltada para o encerrar de seus caminhos.

Entendo que a 12 (agora, 11) episódios do final da série, a trama precisa (e está!)  avançar a passos largos. Mas fico feliz ao ver Stormborn resgatar bons diálogos, a construção de estratégias e sutilezas de roteiro como nas cenas vistas em Pedra do Dragão e com Arya.

(RE)NASCIDA NA TEMPESTADE

Game of Thrones 7x02: Stormborn
Game of Thrones 7×02: Stormborn

Tal como ocorrera na noite que Daenerys nasceu, uma tempestade em Pedra do Dragão também recepciona o retorno da khaleesi a seu lar. Lar que justificadamente ela não reconhece, afinal ela foi para o exílio nas cidades livres quando ainda era uma bebê. É provável que qualquer lugar em que ela tenha vivido adquira um significado mais próximo a ‘lar’ do que Pedra do Dragão. Depois de tanto tempo, sacrifícios, abnegações e energia despendida, deve ser um tanto quanto frustrante chegar ali e não poder avançar imediatamente em busca de seu objetivo final, o Trono de Ferro.

Como comentei no texto anterior, a figura de Tyrion é essencial para Daenerys nesse momento. O anão exerce sua função de Mão com maestria contrabalançando o impulso de ‘tomar tudo que é seu com fogo e sangue’ de Daenerys ao sensibilizar seu lado mais humano. Se Daenerys for apenas dragão, as chances de ela reinar em um continente destruído são enormes e como construir um lar a partir de cinzas? Ela precisa ser khaleesi, mhysa, quebradora de correntes, e o leão ao seu lado é essencial para ajudá-la a manter os pilares de Westeros sólidos para que ela possa construir sua casa.

Daenerys é mais do que aquela que faz promessas de queimar traidores vivos, ela também é quem se coloca disposta a ouvi-los criticando suas ações antes de agir. Em um mesmo episódio vemos Olenna estimulando seu dragão, enquanto Tyrion o freia. Olenna a aconselha a nem sempre ouvir o Lannister e nessa batalha interna  que assola Daenerys, haverá momentos apropriados para ser dragão, khaleesi e mhysa, resta a ela saber reconhecê-los.

O conhecimento que Tyrion tem sobre o continente e as grades casas também é crucial para qualquer estratégia que Dany venha montar. No entanto, vale lembrar que o anão sempre foi um grande estrategista político, mas lhe falta o conhecimento tático de batalhas. Ele liderou bons momentos na Batalha da Água Negra, mas aquele é sua única experiência nesse sentido. Dessa forma, a aliança com Yara Greyjoy, Ellaria Sand e o exército Tyrell também se torna essencial para os planos de Dany. E é por isso que quando ela perde duas dessas aliadas ao final do episódio, há uma drástica redução na superioridade que detinha em relação à Coroa em Porto Real.

Um dos auges do episódio ficou a cargo do embate entre Daenerys e Varys, em um daqueles ótimos momentos que a série resgata seu passado e aumenta a credibilidade de sua trama.  A Rainha dos Dragões é grata ao apoio de Varys, crucial para sua aliança com as casas Martell e Tyrell, mas sabe que se ele conspirou para ajudá-la a tomar o Reino, ele também pode fazer o mesmo contra ela.

Varys serviu Aerys Targaryen, mas ajoelhou-se àquele que tomou seu reinado. E enquanto Robert entediava-se sendo Rei, o eunuco já conspirava para trazer Targaryens de volta ao trono. Entendo que ele nunca servirá cegamente a nenhum monarca, mas é de extrema importância que Dany saiba que ele estará olhando para todos os lados. Em prol do povo? Um discurso bonito que ainda não me convence. Assim como Mindinho, Varys nunca servirá ninguém cegamente pois sempre estará focado na própria sombra. A diferença é que Mindinho sempre aspirou que sua sombra fosse projetada de cima do Trono de Ferro, algo que Varys nunca desejou.

O ‘Conselho de Guerra’ entre Dany e suas aliadas a respeito dos planos de Tyrion para cercar Porto Real e tomar Rochedo Casterly foi outro bom momento desse episódio. Tyrion e Ellaria evidenciam suas diferenças quando o anão a condena por assassinar uma menina, Myrcella, e ela expõe seu descontentamento por seu amado Oberyn ter perecido ao lutar por Tyrion. Mas ambos reconhecem que a hora é de se unir por inimigos em comum e, no caso, o inimigo atende pelo nome de Cersei.

A PRINCESA QUE FOI PROMETIDA?

Quando a estrela vermelha sangrar e as trevas aumentarem, Azor Ahai resnacerá entre fumaça e sal para despertar os dragões da pedra”.

No final da última temporada Jon Snow expulsa Melisandre de Winterfell após descobrir que a sacerdotisa vermelha queimara Shireen em sacrifício a R’hllor. A Mulher Vermelha deixa o Norte e retorna para o local onde toda sua glória e fracasso começou. Ali onde clamou que Stannis Baratheon era o Príncipe que foi prometido, ela agora acredita que é Daenerys a figura profética que combaterá a escuridão e trará de volta o Alvorecer.

De fato, a profecia foi difundida como a se a figura fosse um príncipe e, por isso, a incredulidade de Daenerys. A informação que Missandei traz, de que a tradução correta não limita um gênero específico, é novidade na série e aquece as discussões sobre quem de fato é essa figura profética.

A série já tinha plantado a semente dessa discussão na temporada passada, quando Jon renasceu e Melisandre acreditou que ele era o príncipe que foi prometido. Enquanto em Meereen, outros sacerdotes vermelhos já apontavam que era de Daenerys que a profecia falava. A Rainha dos Dragões inclusive recebe Melisandre relembrando-se do papel que os servos do Senhor da Luz tiveram em Meeren ao difundir boas coisas sobre seu nome.

Com a chegada do Inverno e a iminente aproximação do exército dos WW, essa discussão estará cada vez mais em alta na série e, enquanto tantos discutem se é Jon ou Daenerys (ou outro personagem), Melisandre chega com a crença que tanto sobrinho quanto tia desempenharão um importante papel nesse contexto.

Vale notar que Melisandre ainda não é mais a mesma de anos atrás e por mais que tenha testemunhado um homem renascer por suas preces, sua fé ainda não está recomposta e ela permanece menos segura de si, menos altiva, mais cuidadosa e sutil em sua abordagem a Dany.

É bastante interessante ver Tyrion surpreso com a posição que o bastardo de Ned Stark alcançou, uma surpresa positiva, um certo orgulho de ver que o jovem conseguiu sobreviver e prosperar. Ele gosta e respeita Jon, além de ter tido um bom relacionamento com ele quando estiveram juntos na 1ª temporada. Tyrion está feliz de ser Jon o Rei do Norte a quem ele deve pedir que encontre sua Rainha. A recíproca é verdadeira e a cumplicidade que tiveram há tanto tempo atrás reflete-se no respeito mútuo, na força da emblemática frase de Tyrion ‘Todo anão é um bastardo aos olhos do pai’ falada em Winterfell quando os dois, rejeitados, não sonhavam em ser Rei do Norte ou Mão de uma Rainha Targaryen. Independente dos interesses por trás desse reencontro, o elo criado entre os dois é uma importante ponte para facilitar a decisão de Jon ir a Pedra do Dragão.

Eu não havia percebido como ansiava pelo reencontro dos dois até esse episódio.

THAT’S NOT YOU

Quando a neve cai e os ventos brancos sopram, o lobo solitário morre, mas a matilha sobrevive.

Game of Thrones 7x02: Stormborn

Uma das minhas tramas preferidas nesse episódio foi mais uma vez a de Arya.

O inesperado, mas crucial reencontro de Arry de Winterhell e seu amigo Torta-Quente trouxe mais algumas referências a eventos passados da série e definiu o futuro imediato de Arya.

É muito interessante ver a forma como Torta-Quente narra os últimos acontecimentos de Westeros à menina, refletindo o que certamente é propagado pelos Sete Reinos: a Rainha Cersei explodiu o Septo de Baelor e Jon Snow e seu exército de selvagens venceu a Batalha dos Bastardos contra Ramsay Bolton. Não há qualquer menção a Sansa, Mindinho ou os Cavaleiros do Vale. A história é escrita pelos vencedores e a narrativa do bastardo que venceu e foi coroado Rei do Norte parece ter mais força quando esconde alguns detalhes.

Arya parecia bastante indiferente à conversa até ouvir sobre a vitória de seu irmão. O brilho em seu olhar foi imediato e as feições duras da loba que aspira vingança deram lugar a loba que deseja acima de tudo se reunir a sua matilha. O inverno chegou e os lobos devem se reunir, ela não é Ninguém, ela sabe disso.

Stormborn ainda reservava um reencontro mais impactante para Arya. Em sua caminhada de volta a Winterfell, a menina reencontra seu passado. Arya se vê cercada por uma matilha de lobos, mas o medo em seu olhar e o frio na sua expiração dão lugar a emoção de reencontrar sua loba, Nymeria.

Para quem não se recorda, ainda na primeira temporada, quando estavam a caminho de Porto Real, a loba gigante de Arya mordeu Joffrey para protegê-la. Temendo pela punição que dariam a Nymeria por ferir o Príncipe, Arya a ‘abandona’ e a força a deixá-la em uma cena bastante emocionante.

Tantos anos depois elas voltam a ficar cara a cara, tão diferentes do que eram, sobreviventes a suas maneiras. Nymeria não é mais uma loba gigante Stark que segue sua dona protegendo-a. Ela é a líder de uma matilha de lobos que a seguem. Como explicado posteriormente pelos criadores da série, quando Arya diz ‘Não é você’, não é porque aquela não é sua loba. Nesse momento só existem dois lobos gigantes em Westeros, Fantasma (de Jon) e Nymeria. Aquela loba só podia ser Nymeria. Arya diz aquilo com um sorriso no rosto pois se vê refletida no animal.

Quando Ned, ainda na 1ª temporada, fala que Arya casará com um lorde, terá filhos e comandará um castelo, ela lhe responde ‘Não. Essa não sou eu’. Agora é sua loba quem recusa seu convite de se juntar a ela, simplesmente porque se ela fosse com Arya, ‘não seria ela’. Relembre aqui

É claro que Nymeria identificou ali sua antiga dona. No início houve um estranhamento, mas aos poucos a agressividade deu lugar ao reconhecimento. A loba selvagem partir sem feri-la é mais do que uma prova da sua ligação com a menina. Ela só não é mais a loba que já foi, assim como Arya está longe de ser a mesma menina da última vez em que haviam se visto.

Maisie Williams esteve sensacional nesse episódio, transitando entre a raiva, indiferença, felicidade, medo e alívio, diversas camadas, apenas com o olhar. Difícil não se emocionar com o reencontro dela e Nymeria, principalmente quando refletimos sobre o significado por trás de cada ação e gesto.

Game of Thrones 7x02: Stormborn

Um reencontro que fortalece ainda mais seu desejo de reunir-se aos seus irmãos no Norte. E não há reencontro Stark que eu mais anseie do que Jon e Arya, mas infelizmente Jon terá partido antes dela chegar. 

LOBOS EM WINTERFELL

Game of Thrones 7x02: Stormborn
Game of Thrones 7×02: Stormborn

O correio de Winterfell nunca esteve tão requisitado e as cartas de Tyrion e Sam chegam para definir os próximos passos do Rei do Norte.

Se em um primeiro momento Jon ficou reticente em aceitar a proposta de ir à Pedra do Dragão, a informação que Sam envia sobre o local ser uma mina de obsidiana cai como uma luva para convencê-lo a partir.

Em mais um Conselho com os lordes do Norte e os cavaleiros do Vale, Jon resiste a todas as opiniões e clamores contrários – incluindo mais uma vez as objeções de sua irmã – e reitera que vale a pena correr o risco de ir ao encontro de um Lannister e uma Targaryen, pois é com eles que ele tem as maiores chances de conseguir as armas para combater o exército dos WW: o fogo dos dragões que mata as criaturas e o vidro de dragão que mata os White Walkers.

Todas as decisões de Jon são coerentes com seu discurso de priorizar a Grande Guerra acima de qualquer coisa. Foi importante vermos, pela 1ª vez, Lyanna Mormont também se colocando contra a decisão de Jon, afastando – ao menos um pouco – o risco da personagem ser estereotipada como aquela que sempre dá a última palavra em prol dos desejos do Rei do Norte.

Volto a criticar os embates em público de Sansa e Jon, sem desmerecer a opinião de qualquer um. São pontos de vista válidos que refletem o que eles viveram e temem, mas que deveriam ser trabalhados nos bastidores. A dinâmica lembra muito o que víamos com Catelyn e Robb Stark.

É importante ressaltar que o receio que Sansa sente é absolutamente compreensível. A última vez que dois Starks foram convocados a presença de um Rei Targaryen – seu avô, Rickard, e seu tio, Brandon – foram brutalmente torturados e assassinados pelo pai de Daenerys. Agora Sansa vê seu irmão sendo convocado por membros das famílias que mais destruíram os Starks, tornando extremamente justificável seu receio.

Ela só cala sua objeção quando Jon lhe entrega o Norte na sua ausência. Não acredito que essa atitude reflete certa ganância da menina, mas a satisfação de comprovar que Jon respeita suas palavras e atitudes. Ele discorda de muitas de suas visões, mas é nela quem ele confia Winterfell.

CRIPTAS DE WINTERFELL

Nas criptas de Winterfell revisitamos o passado ao vislumbrarmos a estátua do falecido Ned Stark e revivermos um embate entre o líder do Norte e Mindinho. Uma nova dinâmica em uma cena extremamente semelhante a que vimos na 1ª temporada quando Ned confronta Petyr.

Game of Thrones 7x02: Stormborn

Jon não poderia desgostar mais do fato de sua vitória na Batalha dos Bastardos ter dependido de Mindinho e ouvi-lo declamando seu amor a Sansa, a irmã que tanto sofreu nas mãos dos homens que a desejaram (Joffrey, Ramsay, mesmo o casamento com Tyrion) o desestabiliza.

Jon erra ao deixar Mindinho em Winterfell justamente após ouvi-lo dizer que deseja sua irmã. Acredito que a melhor escolha teria sido levá-lo consigo a Pedra do Dragão de forma a manter-se com os olhos em um potencial inimigo enquanto o afasta de qualquer poder que possa exercer sobre sua irmã na sua ausência. Se Mindinho ‘ajoelhou-se’ com os Cavaleiros do Vale ao Rei do Norte, ele não poderia negar o pedido de seu Rei e Jon poderia alegar que Petyr seria de extrema importância em um diálogo com Tyrion e Varys.

Fica a torcida para que Sansa não seja envolvida por suas palavras, mas acho que a série caminha justamente (e infelizmente) para esse cenário.

  1. SAM HOUSE

Quis o destino (ou os roteiristas da série) que os caminhos de Sam se cruzassem com outro Mormont.

Game of Thrones 7x02: Stormborn
Game of Thrones 7×02: Stormborn

Para quem não se recorda, quando Sam e Jon chegaram à Muralha, o Comandante da Patrulha da Noite era Jeor Mormont, pai do exilado Ser Jorah Mormont e tio da pequena Lyanna. Na distante 3ª temporada quando os membros da Patrulha da Noite retornavam de sua missão no extremo norte e Sam titubeava, foi Jeor Mormont quem lhe falou ‘Eu te proíbo de morrer’. Em Stormborn é Sam quem ‘proíbe’ o filho de Jeor de morrer.

Jorah está tomado pelo escamagris e o Arquimeistre Elborse não traz qualquer palavra de esperança, sugerindo implicitamente que o Cavaleiro se mate antes de enlouquecer em razão da doença. Mas Sam decide arriscar o tratamento estudado por Meistre Pyllos. Em uma das cenas mais angustiantes e asquerosas da série, vemos Sam conduzindo a extração da pele endurecida de Jorah da forma mais verossímil que podia ter sido mostrada.

Vale mencionar que se o tratamento funcionar, não foi Sam – aprendiz recém-chegado da Cidadela – que descobriu a cura de uma doença que assola pessoas há séculos. Ele ‘apenas’ confiou em um protocolo estudado que teria funcionado duas vezes, falhado outras centenas e por ser de extremo risco, foi deixado de lado. Há certo aspecto Deus Ex Machina em Sam, sem qualquer experiência, conseguir conduzir o tratamento sem se infectar e ter o resultado esperado. Mas antes de entrar nesse mérito, prefiro ver o desenrolar da série e confirmar se Jorah será realmente curado ou apenas terá um atraso na progressão da doença.

LEÕES E DRAGÕES EM PORTO REAL

Stormborn nos reservou um interessante discurso de Cersei sobre Daenerys. Sem qualquer mentira, mas direcionando os fatos para ilustrar a imagem perversa da khaleesi, Cersei discursa para os lordes da Campina sobre as crueldades de Dany na Baía dos Escravos e como os dothraki vão invadir Westeros, saqueando suas casas e violentando suas mulheres. É muito interessante quando vemos a mesma história sendo contada com outro viés, algo semelhante ao que comentei anteriormente sobre a narrativa de Torta-Quente sobre a vitória de Jon.

As pessoas contam as histórias que querem contar, “negando aparências e disfarçando evidências”, direcionando-as para o que desejam que os outros enxerguem.

As memórias mais recentes do povo de Westeros a um Rei Targaryen são justamente da loucura e crueldade de Aerys Targaryen. Dito isso, não é difícil imaginar que as pessoas sejam facilmente envolvidas pelo discurso de Cersei quando a figura de Daenerys representa filha do Rei Louco, uma mulher que devastou cidades em Essos e agora invade Westeros com três dragões, um exército de dothraki e eunucos, e como Mão, tem o homem que julgam responsável pela morte do Rei Jofrrey Baratheon.

Dentre os lordes presentes destaca-se a figura de Randyll Tarly, o pai de Sam, que já havíamos visto na temporada passada (lembram que Sam roubou a espada de aço valiriano do pai? Porque Randyl não parece lembrar).

Randyll foi representado como um homem ainda fiel a casa Tyrell (julgando todas as traições dos Lannister), mas que busca alternativas. Em um contexto no qual as rosas foram dizimadas e com promessas que massageiam seu ego, Tarly parece convencido que Cersei representa um perigo menor do que Daenerys e uma aliada mais oportuna que Olenna, dadas as atuais circunstâncias.

O desafio de enfrentar dragões não é exatamente uma novidade em Westeros, mas passados tantos anos desde a última vez que dragões dos portes dos de Daenerys voaram sobre Porto Real, é aceitável que Cersei e Qyburn precisem repensar e reinventar as melhores estratégias de defesa contra as criaturas.

Que linda a imagem de Cersei e o crânio de Balerion, o maior de todos os dragões Targaryen, o dragão que auxiliou na conquista de Westeros e cujo fogo ajudou a forjar o Trono de Ferro. Dado o importante valor histórico, foi triste ver Cersei mirando em seu crânio e me vejo contraditoriamente empolgada e apreensiva em vê-los mirando em um dos filhos de Daenerys.

A TEMPESTADE EURON GREYJOY

O ápice de Stormborn se deu no Mar Estreito. Antes de assassinar seu irmão, Balon Greyjoy, na temporada passada, Euron afirmou que era a própria tempestade e nesse episódio ele provou isso. Se os Homens de Ferro são navegantes exímios o suficiente para não se perderem em tempestades naturais, a tempestade Euron Greyjoy prova que é capaz de destruí-los.

Game of Thrones 7x02: Stormborn
Game of Thrones 7×02: Stormborn

Enquanto mais uma cena desnecessária das Serpentes de Areia acontecia, quando Ellaria metaforizava uma invasão estrangeira às terras Greyjoy, perguntando – ironicamente – se Theon protegeria a irmã, Euron Greyjoy aproximava-se silenciosamente da frota marítima dos sobrinhos reduzindo-a a cinzas.

Em uma cena intensa de batalha, confusa e escura, o sadismo de Euron se faz evidente em sua risada maléfica, seu rosto pintado de sangue e na forma como assassina duas das Serpentes, Nymeria e Obara, finalizando suas vidas justamente com as armas que elas finalizaram tantas outras.

O personagem Euron chega para ocupar o espaço deixado por Ramsay, a cota de vilões psicopatas que já pertenceu a Joffrey e nos desperta o mais genuíno ódio e desprezo. Personagens que talvez destoem um pouco da composição em múltiplas camadas dos demais personagens de GRRM, não cinzas, mas que transpiram sadismo.

Não acho que GoT funcionaria apenas com vilões construídos dessa forma, mas eles são peças importantes para trazer ainda mais imprevisibilidade para o destino do jogo. Importante que existam também personagens vilanescos que contrabalanceiem esses estereótipos, tal como Tywin Lannister, Roose Bolton e mesmo, Cersei, que não precisam de risadas maléficas, feições loucas e sangue nas mãos para evidenciar sua vilania.

Um personagem como Euron surge em um bom momento na série, agindo de forma a reduzir drasticamente a superioridade da Daenerys e trazendo assim mais emoção para o embate entre as Rainhas Lannister e Targaryen, que parecia tão desproporcional.

Agora ele tem em mãos a assassina da filha de Cersei, Ellaria Sand, e outra inimiga que conspira contra seu reinado, Yara Greyjoy. Resta saber se esses presentes serão suficientes para conquistar os desejos ambiciosos de Cersei, mas é indiscutível que a Rainha já deve e muito a Euron.

THEON – LUTA OU FUGA

O que falar de Theon? Poucos atores são tão subestimados em GoT como Alfie Allen e ele mais uma vez nos entrega uma linda atuação, a melhor do episódio.

Se Euron é um personagem de única camada, Theon é justamente o contrário. Acompanhamos diversas nuances do personagem desde o jovem ressentido e ambicioso até um homem quebrado, amedrontado e que aos poucos busca sua redenção. Theon é um dos personagens mais complexos mostrados na série e essa sua atitude em Stormborn, essa fuga desesperada, é extremamente condizente com tudo que seu personagem viveu.

Theon é um homem quebrado. Um sobrevivente a torturas físicas e psicológicas, à culpa que carrega e que aos poucos tem conseguido se reconstruir. Seu olhar ainda é apático e dificilmente voltará a ter o brilho de antes e as imagens de violência que presenciou na invasão de Euron despertaram seus medos mais profundos, gatilhos de seus traumas ainda recentes e não superados. Ali Theon voltou a ser Fedor.

Diante de algo aterrorizante sua resposta biológica podia ser lutar ou fugir, e o homem quebrado fugiu. Ponto para o roteiro que respeita todo o histórico do personagem, ainda que seja justamente o contrário do que o público desejava.

SUSPIROS FINAIS

– Missandei e Verme Cinzento protagonizaram uma cena bem legal de uma intensa cumplicidade que ligou meu alerta para a provável morte de um dos dois. O eunuco provou que nem só de rol* vive o homem!

– Será que Theon à deriva vai encontrar Gendry que está remando desde a 3ª temporada?

– Nós já havíamos visto o local em que Qyburn e Cersei visitam os crânios dos dragões, lá na distante 1ª temporada. Arya esconde-se no crânio de Balerion enquanto escuta Varys e Illyrio conspirando contra o reinado de Robert. Recordação bastante pertinente aos eventos que vimos em Stormborn, não?

O navio de Euron Greyjoy chama-se Silêncio e toda sua tripulação é muda pois teve as línguas arrancadas pelo próprio Greyjoy. A cena em que vemos um homem tendo uma língua arrancada durante a batalha é uma referência a isso.

– Cersei e Jaime estão rindo de todos vocês que os julgavam, mas estão aí torcendo para sobrinho e tia ficarem juntos! O fandom de Jon e Daenerys vai a loucura na próxima semana.

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REVISÃO GERAL
Nota:
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