E se eu disser que gostei bastante da estreia de The 100, vocês me batem?

Esta é uma situação bem inusitada, já que fui um dos primeiros a criticar a série, desde que ela tinha sido apresentada no último upfront da CW. Já naquela época tinha certeza que não teria como sair algo bom desta proposta – opinião que ratifiquei recentemente em um dos últimos Podmaníacos, quando comentamos sobre a péssima Star-Crossed e fizemos previsões igualmente ruins para The 100. Mas daí os dias se passaram, o episódio saiu, eu assisti e achei tudo muito bom… Não no nível de Breaking Bad e Mad Men, como havia nos adiantado o fofíssimo do Isaiah Washington em uma entrevista recente, mas sim algo potencialmente bom, com uma trama interessante a ser explorada.

The 100 é a nova aposta da CW para as noites de quarta-feira, ganhando inclusive o lead-in de Arrow para impulsioná-la. Criada por Jason Rothenberg, que também assume a produção executiva da série, inspirada a partir do livro de mesmo nome escrito por Kass Morgan, e traz Bharat Nalluri (Emily Owens, MD) dirigindo esse episódio piloto, a série traz no elenco nomes como Henry Ian Cusick (Lost), Isaiah Washington (Grey’s Anatomy) e Paige Turco (Person of Interest, Damages), a série também traz atores recorrentes de séries da CW e novos rostos, como Kelly Hu (Arrow, The Vampire Diaries), Marie Avgeropoulos (Cult), Bob Morley (que eu não sei o que fez, mas tem um nome pica pra caralho) e a protagonista Eliza Taylor. A estréia da série foi muito boa para os padrões CW, com 2.73 milhões de expectadores e 0.9 na Demo, tendo vencido inclusive sua própria lead-in, ohit Arrow. Agora é esperar pra ver quanto desse público a série conseguirá manter nas próximas semanas.

Verdade seja dita, a premissa da série é muito boa, e toda a dúvida que existia em torno de seu lançamento era em razão da sua emissora e não de sua trama. A grande maioria não acreditava ser possível a CW fazer um Sci-Fi com essa proposta com grande qualidade. E aqui devo dizer que, pelo menos num primeiro momento, a série foi muito competente ao se estabelecer e seus pontos fracos não comprometeram esse primeiro episódio. Não estou dizendo que vai ser um hit, e muito menos que é a nova maravilha televisiva, estou dizendo apenas que fez um piloto competente, o que já é bem mais que a grande maioria fez na última Fall Season.

Outro ponto a se destacar é que cresci assistindo CW e sou um membro clássico dessa linda família, então quando qualquer pessoa está criticando o texto da série, eu sou daqueles que dou um pulo de alegria quando a primeira frase da menininha canastríssima ao pisar na Terra pela primeira vez em 100 anos é “WE’RE BACK, BITCHEEEEES”… Isso sem falar na genialidade da CW em nos apresentar uma fauna tão rica que conta, inclusive, com um veado-siamês e a ANACONDA de 50 metros que só causa pequenos arranhões (e produz o mesmo som que o Lostzilla). Isso é a demonstração clara de que mesmo investindo em outras áreas, a CW JAMAIS deixará a crocância de lado.

Mas para aquele que não entende a genialidade escondida entre as linhas do texto de uma série da CW e está lendo essa review só para se certificar de que a série é realmente o lixo que pintaram antes da estreia, sinto muito por te frustrar. Claro que um bom piloto não traz a certeza de uma boa série e The Tomorrow People está aí para mostrar isso, tendo se perdido completamente mesmo depois de ter feito uma boa estreia. O que estou colocando aqui é que um piloto deve introduzir a trama e seus personagens e ainda ser capaz de te deixar curioso em continuar vendo aquela história, e The 100 é bem competente neste quesito. É uma série que consegue se estabelecer de forma rápida e eficiente.

Quanto aos fatores técnicos, o que mais me impressionou foram os efeitos especiais, que estão de bom para ótimo, e isso já dá uma enorme veracidade a sua premissa, principalmente quando a primeira cena do episódio já é uma visão do planeta Terra a partir da Arca. Foi igualmente bem feita a sequência da queda da nave e a composição do “novo” planeta Terra, sobretudo a criação virtual do veado e da anaconda (já citados) e as flores fluorescentes. Ou seja, tecnicamente, The 100 conseguiu facilmente uma nota 8/10.

A introdução da trama também merece destaque, pois conseguiu explicar o essencial em pouco mais de quarenta minutos de episódio. Já descobrimos toda a trama central, a motivação do envio dos jovens para a Terra, o segredo que causou a “prisão” de Clarke e a morte do seu pai, a história envolvendo Octavia e seu irmão e, sobretudo, o funcionamento da vida na Arca, desde sua hierarquia – liderados pelo Chanceler Jaha (Isaiah Washington), seguido de perto pelo Conselheiro Kane (Henry Ian Cusick) – até o seu respeito às regras estabelecidas, que demonstra o nível de temporariedade da vida naquela estação e, consequentemente, a necessidade de se retornar à Terra. Com isso já temos material suficiente para entender que diante da escassez do necessário para prosseguir vivendo na estação, enviar os jovens à Terra era o melhor caminho.

No entanto, o fato de a apresentação da trama ter sido bem sucedido não esconde os deveres que a própria trama tem com sua própria premissa, o que, em longo prazo, podem se tornar um problema, se não abordarem certos temas, ou o fazerem de forma artificial. Acho que o trabalho da natureza humana é o principal ponto que o roteiro vai ter que lidar, e vai sofrer muito por estar em um canal jovem como a CW, que exige textos mais simples de suas séries.

O texto do piloto já não foi muito primoroso, mas acabou não prejudicando muito em razão de ter somente a função introdutória. Mas quando a série tiver que enfrentar temas mais profundos, como a hipocrisia e falta de humanidade que cerca a Arca – onde todo crime é punível com morte (inclusive “crimes” como ter um segundo filho) a não ser que você seja menor de idade, situação em que você esperará sua maior idade para poder morrer. Ou seja, é de uma hipocrisia sem tamanhos manter esses jovens como se fossem porcos para o abate, já que mais cedo ou mais tarde eles morrerão. – e os efeitos dessas regras absolutas nas gerações mais jovens que, criada como se fossem criminosos e “fora do sistema”, já começam a estabelecer uma própria cadeia de comando no planeta que agora é deles. As regras e condutas morais que guiam uma sociedade, juntamente com a ideia de poder e hierarquia é algo tão profundo no estudo social, que fico bastante temeroso quando a série tiver que lidar com esses pontos, uma vez que sendo exibida na CW, terá de se adaptar ao público da mesma.

E se a direção do episódio foi bem segura e traz mais um ponto positivo para o aspecto técnico desta première, por outro lado o elenco, como já era de se esperar, deixa a desejar. Gostei bastante das atuações de Paige Turco (Abgail Griffin) e de Henry Ian Cusick (Kane) e até mesmo a mocinha vivida por Eliza Taylor (Clarke Griffin) teve seus bons momentos no episódio e segurou bem a onde de ser o centro dramático deste piloto. Mas tirando eles, todos os outros atores me incomodaram bastante, inclusive alguns com papeis importantes como Thomas McDonell (Finn), e os irmãos Blake, vividos por Marie Avgeropoulos (Octavia) e Bob Morley (Bellamy). No geral, a trama flui bem melhor quando focada nos atores mais experientes na Arca, do que na Terra, com o elenco mais jovem.

Vale também uma leve menção à fotografia que não deve em nada a nenhuma série espacial quando mostra as instalações da Arca e faz um trabalho ainda melhor ao estabelecer a Terra como um território virgem e misterioso – o que é de se imaginar que ocorreria sem a interferência do ser humano por quase um século -. Isso sem falar a trilha sonora que, apesar do anacronismo necessário, faz bom uso do pop que as séries do canal precisam ter para serem vendidas… Grande exemplo disso é o desembarque na Terra ao som de Imagine Dragons. Essa cena ocorreria desta mesma forma em outro canal? Provavelmente não. Mas nem por isso deixou de ser bem feita, e até acho que Radioactive caiu bem para aquele momento.

Desta forma, concluímos que apesar de alguns deslizes de atuação, The 100 consegue fazer uma boa estreia pelo seu capricho técnico, pela boa apresentação de suas tramas centrais e por uma preocupação em ser clara sem ser excessivamente didática. São características mais do que suficientes para fazer deste um episódio piloto acima da média, o que somado a uma trama interessante, praticamente me obriga a ver o segundo episódio. Só fica aqui minha torcida que a série não tenha os problemas que já adiantai ante as tramas mais complexas que sua premissa nos promete abordar.

The 100 é a nova aposta da CW para as noites de quarta-feira, ganhando inclusive o lead-in de Arrow para impulsioná-la. Criada por Jason Rothenberg, que também assume a produção executiva da série, e Bharat Nalluri (Emily Owens, MD) dirigindo esse episódio piloto, a série traz no elenco nomes como Henry Ian Cusick (Lost), Isaiah Washington (Grey’s Anatomy) e Paige Turco (Person of Interest, Damages), a série também traz atores recorrentes de séries da CW e novos rostos, como Kelly Hu (Arrow, The Vampire Diaries), Marie Avgeropoulos (Cult), Bob Morley (que eu não sei o que fez, mas tem um nome pica pra caralho) e a protagonista Eliza Taylor. A estréia da série foi muito boa para os padrões CW, com 2.73 milhões de expectadores e 0.9 na Demo, tendo vencido inclusive sua própria lead-in, o hit Arrow. Agora é esperar pra ver quanto desse público a série conseguirá manter nas próximas semanas.

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