Caros amigos e amigas, chegamos ao final desta turbulenta jornada. Nunca é fácil se despedir e no mundo das séries, isso não é diferente. Quando uma delas termina, ficamos com sentimentos distintos, entre eles, perda, vazio ou alívio. Para citar séries que acompanhei, posso dizer com imenso orgulho, o prazer que foi ver o final de Agents of Shield, Black Sails, Person of Interest, Spartacus e The Leftovers. O capítulo final honrou com maestria aqueles personagens e suas histórias. Não posso dizer o mesmo de Game of Thrones ou Penny Dreadful, mas não se enganem, apesar do caminho tortuoso que essas séries percorreram em seu capítulo final (ou temporada), o legado construído por elas, permanece. Dito isso, The 100 se aproxima mais do segundo grupo. Seu episódio final não chega nem perto daquilo que imaginei para série quando esta temporada começou. À medida que os episódios foram passando o sentimento era que a série havia se perdido.

Assisti The Last War com expectativas baixíssimas e para minha surpresa, pasmem, terminei o episódio com certa satisfação. Depois de algumas horas, comecei a analisar com mais frieza o que tinha acabado de ver e percebi que a série apostou suas fichas naquilo que ainda era possível: a emoção. Acompanhamos estes personagens por 7 anos e tudo o que desejávamos era vê-los em paz após tanta dor e sofrimento. Sabendo disso, os roteiristas nos entregaram exatamente isso. Jogada extremamente inteligente, pois era isso que boa parte dos fãs desejava, no entanto, ficamos sem respostas. O que era a Transcendência? Quem eram aqueles seres? Quantas espécies foram dizimadas por eles? Por que eles se sentiam no direito de fazer um julgamento para determinar se uma espécie era merecedora ou não de transcender? O que acontece com os seres que transcendem? Quem eram os Bardanos? Como o Pastor conseguiu todas aquelas informações? E a tecnologia? Como a Terra se recuperou? Poderia ficar aqui o dia inteiro listando as perguntas não respondidas pela série, mas percebo que isso não fará mais diferença. No restante do texto, tentarei focar naquilo que foi positivo desse final e da temporada, quiçá da série: os nossos queridos personagens.

John Murphy

Comecei por ele, pois sem dúvida nenhuma, ele foi o grande destaque desta temporada. Apesar de tudo o que ele fez para sobreviver, seu amadurecimento permitiu que ele enxergasse além de si e passasse a pensar nos outros. Parte desse crescimento deve-se a sua parceria com Emori. Chegamos em um certo ponto do show que era impossível ver um sem o outro. Inicialmente, aliados para sobreviver, o amor entre eles cresceu genuinamente, transformando-os em um casal poderoso e disposto a tudo para ficar juntos. Dito isso, ver ela morrendo em uma maca foi extremamente doloroso para ele (e para nós). Richard Harmon deu o tom preciso em sua atuação, foi possível sentir a dor de Murphy naquele momento.

Na review passada, já havia manifestado minha insatisfação com a série por cogitar a morte de Emori, pois além de perder um tempo precioso para outras explicações, isso desmancharia a grande evolução dos personagens. Para salientar isso, Emori recuperou seu corpo com a transcendência, ou seja, tempo perdido sem necessidade; porém, para minha grata surpresa, os roteiristas nos presentearam com o último grande ato de altruísmo de Murphy depois da “morte” de Emori: ele colocou o drive mental dela, mesmo sabendo que isso causaria sua morte. Esse ato é belo e extremamente simbólico. Murphy sempre foi visto como uma “barata”, disposto a tudo para sobreviver, mas seu amor por ela era tão profundo que ele preferiu a morte certa do que uma vida inteira sozinha. De egoísta a homem apaixonado. Esta foi uma das construções mais bacanas do show.

Raven Reyes

Colocada no show apenas para fazer uma pequena participação, Raven cresceu tanto que se tornou essencial para The 100. Suas habilidades mecânicas, coragem, determinação e inteligência impar a tornaram um dos pilares da série. Sua trajetória é marcada por muita dor e sofrimento, mas ela superou tudo e sempre esteve disposta a ajudar aqueles que ama. Vê-la lutar para garantir a sobrevivência de Emori e de toda a raça humana foi a escolha perfeita para encerrar a trajetória da personagem, pois essa é sua marca registrada. Quando ela percebeu que Clarke falhou no teste final, ela não desistiu. De peito aberto, ela enfrentou a “entidade”, como chamarei aqueles seres da Transcendência, ganhando tempo para a humanidade. Tenho que dizer, esse encontro me emocionou muito. O retorno de “Abby” foi emocionante, apesar de ter tido uma reta final difícil de acompanhar, sua relação com Raven sempre foi marcada por muita admiração e respeito, provando que ela via Abby como uma mãe. Reyes ser a escolhida condiz com a trajetória da personagem, sempre disposta a lutar, mesmo diante das maiores adversidades.

Octavia Blake

A jornada da garota que cresceu embaixo do assoalho para sobreviver logo ganhou o coração dos telespectadores. Se Murphy tem uma transformação impressionante na série, podemos dizer o mesmo de Octavia. A Blake mais nova passou por tantas fases e em cada uma delas seu crescimento foi notável: menina ingênua, guerreira, Bloodreina. A morte de Lincoln a marcou profundamente, mas Octavia conseguiu superar. Ela aprendeu a duras penas com seus próprios erros chegando a sua redenção nesta temporada. Após receber uma segunda chance, ela construiu uma nova relação familiar com Hope e Diyoza. Este foi um dos poucos acertos da temporada, pois essa vivência permitiu que ela se perdoasse e reencontrasse seu caminho e este caminho a fez reconhecer que todos somos um – Wonkru – e que a única forma de vencer é não lutar. Raven ganhou tempo, mas quem conseguiu salvar a humanidade da extinção foi ela. Excelente escolha dos roteiristas. O seu discurso final coroou sua jornada e a possibilidade de reencontrar paz no amor ao lado de Levitt entrega um final aceitável para personagem.

Clarke Griffin

Para o final, como não poderia ser diferente, deixei nossa protagonista. Clarke é minha personagem favorita e essa finale reafirmou minha preferência. Depois de perder sua filha, apesar de todos os seus esforços, seu desejo de vingança a fez caçar Cadogan e matá-lo. Como desconfiava, coube a ela representar a raça humana no teste final. Ao ser questionada pela entidade, Clarke mantém sua postura firme de enfrentamento. Esta cena foi a melhor do episódio, me senti representada pela Griffin. Quem são aqueles seres que se julgam melhores e superiores? Quem são eles para decidir qual espécie transcende ou é extinta? Como não poderia ser diferente, ela falhou no teste, mas manteve a cabeça erguida. Sorte que Raven apareceu para salvar o dia. Resignada com seu destino, Clarke se despede de Madi e se prepara para viver sozinha, depois da transcendência da humanidade. Mesmo quando a entidade retorna, ela se mantém firme ao dizer: “Eu suporto isso, para que eles não suportem”. Sua coragem e poder de decisão são as razões pelas quais admiro tanto a personagem. Sua trajetória é marcada por muitos erros, mas sua lealdade inabalável por aqueles que ama a tornou uma das protagonistas que mais tive prazer de acompanhar nos últimos anos. Sei que o fandom não morre de amores por ela, mas sua força é algo inegável e o final reafirmou isso.

O Episódio

Os personagens foram o ponto alto da série. Aprendemos a amá-los e odiá-los. Esse foi o seu grande trunfo e nesta temporada isso ficou ainda mais evidente. Isto não seria um problema, se o roteiro da série tivesse sido coerente. Apesar de ter visto coisas positivas no episódio é inegável que tudo foi corrido e sem explicação. Os Discípulos passaram a vida inteira se preparando para Guerra Final, mas foram facilmente abatidos por Clarke e Octavia, sem falar dos episódios anteriores. A trama de Sanctum se provou sem relevância nenhuma. O episódio final só provou que tudo aquilo era apenas filler. Sheidheda foi arrastado para o episódio final para ser o agente do caos, mas isso poderia ter sido feito por outro personagem qualquer. E senhoras e senhores, a grande questão é: o que é a Transcendência? Por que os roteiristas não gastaram um tempo melhor explicando o que seria isso? Confesso que se pelo menos isso tivesse sido respondido, minha reação seria diferente. Como ficarei satisfeita, e acredito que muitos fãs pensam o mesmo, se nem sabemos o que isso significou? Ao invés de perder todo aquele tempo com os Filhos de Gabriel, Primes e Sanctum, os roteiristas deveriam ter nos entregado respostas para que o final fizesse mais sentido.

Quero dedicar as últimas linhas dessa review para cena final. Ela foi emocionante? Sim. Perceber que Clarke não ficaria sozinha, encheu meu coração de alegria, até porque considerava sua morte algo certo. Ver que seus amigos resolveram ficar ao seu lado, mesmo que isso significasse não transcender foi incrível, porém, eles ficarão sozinhos, não terão contato com outros seres humanos e morrerão sem poder ter filhos. Isso deixou um gosto amargo na boca. Inicialmente, parecia que eles alcançaram a paz, mas sinto que isso foi uma punição cruel, diga-se de passagem. Por mais que a série tenha explicado que Clarke nunca transcenderia por causa do assassinato de Cadogan, volto a bater na tecla: quem são eles e que poder é esse? A falta de explicação ficará martelando na minha cabeça, não sei qual era realmente a mensagem que os produtores queriam passar, mas depois de 100 episódios, posso dizer que foi um prazer acompanhar tantos personagens incríveis.

Agradeço a todos que me acompanharam nesta cobertura semanal e compartilharam comigo angústias e teorias, sempre com muito respeito. Agradeço ao Michel por me proporcionar este espaço e a minha querida amiga Vera Tocantins por todo apoio e dicas valiosas. Espero encontra-los por aí. Até breve!

May meet we again!

Admirando o novo mundo e outras curiosidades

– Lexa voltou! Saída elegante dos roteiristas trazendo de volta uma personagem tão querida pelos fãs.

– Emori retornou, mas Madi não. A menina relutou em transcender e simplesmente, não retornou? A explicação não me convenceu.

– Sheidheda morreu pelas mãos da Indra. Foi eu que pedi isso sim.

– Jordan e Hope são o casal mais forçado que The 100 já produziu.

– Bellamy, Diyoza e Gabriel morreram por nada. Sem mais!

– A Transcendência parece a Cidade da Luz. Escolha, sei…

REVISÃO GERAL
Nota:
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the-100-7x16-the-last-war-series-finaleAcompanhamos estes personagens por 7 anos e tudo o que desejávamos era vê-los em paz após tanta dor e sofrimento. Sabendo disso, os roteiristas nos entregaram exatamente isso. Jogada extremamente inteligente, pois era isso que boa parte dos fãs desejava, no entanto, ficamos sem respostas.