Há alguns anos eu bem que poderia recomendar para vocês nesta coluna a série da trupe do Monty Python. Não que ela tenha deixado de ser alternativa em sua forma de humor, nunca deixará, mas hoje em dia ela já é suficientemente conhecida para que você tenha vergonha de nunca ter assistido se está lendo isso e assim não o fez. Vamos então tratar de uma série que é herdeira espiritual dos Pythons, e que, arrisco dizer, é quase ou tão boa quanto.
The Mighty Boosh é mais uma das várias séries da BBC que vieram do rádio (teremos outras nesta coluna em breve, então atentem para esta categoria), e que encontraram no audiovisual uma luva perfeita para o que emulavam sonoramente já com perfeição. O surrealismo desta obra é tanto que o auxílio de imagens foi a cereja de um bolo bizarro que já antes existia.
Sobre o que é a série, você, cansado das minhas exaltações, pergunta. Bem, é sobre um cara estiloso (Vince Noir, ou Noel Fielding) que tem um amigo antiquado (Howard Moon, ou Julian Barratt), e os dois convivem com um mago irônico (Naboo, ou Michael Fielding) que tem por mascote um macaco (Bollo, ou Dave Brown) e todos eles têm como chefe ou inimigo ou amigo estranho (depende da temporada e do momento da temporada) um cara de múltiplas personalidades (Bob Fossil, ou Rich Fulcher). É basicamente isso.
Tal como num filme surreal, o roteiro não importa muito. Cada episódio pega uma premissa que normalmente envolve arrependimento & fama (e a lua, e musiquinhas, e fogo no chapéu) para criar uma série degags que se unem através de pequenas histórias que formam um panorama enorme que você eventualmente descobrirá que está interligado por… TSC! Assista, meu caro. É impossível de explicar adequadamente a premissa desta série, pois ela em si só é a sua premissa.
Um quebra cabeça de referências culturais que vão desde ópera rocks britânicas até fantasmas de um passado distante se juntam em algo que vai agradar a quem gosta deste tempero continental em sua torta de bom humor. É hilário, inventivo, e o melhor, cada temporada é embalada em poucos episódios, o que poderá ser uma boa forma de fazer pequenas maratonas em feriados, finais de semana sem sol, ou madrugadas sem sono.
Recomendo que escolham uma temporada qualquer, e vejam se o absurdismo dela agrada. Se agradar, vocês com certeza estarão já baixando o resto da série. Se não agradar, não será aceita a devolução do papagaio, pois ele não está morto – ou, no caso, do macaco, pois você já sabia que ele gostava de macarronada com creme na hora que decidiu levar ele para casa, ZING!
PS: Esta série é uma criação de humor de Noel Fielding e nenhum sentido de realidade foi prejudicado durante a sua realização. Se você gosta de humor britânico, bom para você. Se você não gosta, bem, sempre existirá umTil’ Death na esquina mais próxima para o mundo real voltar a ser inofensivo tal qual lhe parece, meu amiguinho!












