Sobre mulheres e mães.
Teremos uma finale dupla semana que vem. Tivemos um promo no fim deste episódio arrebatador. E temos a promessa dos produtores de que teremos a revelação de quem matou Lila e um último minuto de episódio que nos chocará na semana que vem. Então para que serviria o episódio 13? O que foi este episódio? Um episódio em que tivemos a presença de Cicely Tyson como uma mãe espirituosa, cheia de quotes para autoajudas, e uma grande ameaça a qualquer outra atriz que venha a concorrer ao Emmy de melhor atriz convidada numa série de drama no meio desse ano. Um episódio que ficamos sabendo por causa dessa mulher – Ophelia –, que reinou absoluto no episódio, porque Anna Mae não existe mais, e agora ela toma vodka pura pra curar a ressaca e responde por um nome de rica. Um episódio que vimos a falta que Annalise faz para a vida profissional daqueles que povoam o escritório, e que ela está longe de ser substituível. Um episódio mais calmo para a história principal, mas perturbador. Um episódio necessário para conhecermos essa mulher que a gente aprendeu a amar e a odiar nestes últimos meses.
O início do episódio já nos mostrava que ele nos guardava coisas boas. Logo no início, fora complexa a cena onde Nate ao passar pelos procedimentos da prisão, que ele bem sabia, fica olhando para a sua aliança. (Ele lembra, ou por algum motivo, a gente deveria pensar que Annalise lembra ou tem remorso, que ele tem uma esposa doente? E que precisaria dele enquanto ele tossindo agachado, no auge da humilhação para um detetive inocente?). Daí já passamos para Ophelia chegando à casa/escritório (que eu nunca vou conseguir entender isso) sem ser reconhecida como uma Very Importante Person. Já adorei essa mulher aí. E quando ela chama Annalise de Rainha de Sabá então, abrindo todas as janelas e mandando a filha viver, a gente para e pensa: “Mães… Elas só mudam de endereço”.
A interpretação de Viola e Cicely (já vista no filme Histórias Cruazdas) juntas mostra a potência que teremos neste passado misterioso de ambas. As duas em combate – um combate mais denso que Annalise mostra no tribunal, mas tão complexo quanto e cheio de rancor e ódio – nem parecem mãe e filha. A justiça pela qual as duas lutam é pelo direito de falar, pelo direito de ser amada, pelo direito de ser mulher. E isso é incrível que quando a gente descobre que Annalise, na verdade chamava Anna Mae, e isso guarda uma tristeza no coração de sua mãe, a gente sente que tem mais por trás dessa relação – a vergonha apenas do passado não traduz somente no nome de “pobre”. É Annalise quem liga para a mãe vir passar um tempo em casa quando ela não consegue mais suportar toda a história de Sam e Hannah (que não teve espaço essa semana). Ela precisa, apesar de negar, desse seu pilar do passado. Ela precisa do colo da mãe. Ela precisa levar um tapinha na mão da mãe enquanto tenta roubar o almoço antes da hora. Ela precisa de carinho.
A vergonha do passado tem mesmo a ver com o Tio Clyde, este tentou abusar de Annalise quando adolescente. E a filha indefesa, até então, achara que a mãe não tinha feito nada para defendê-la. Mas, uma conversa franca faz com que a filha agora descubra dois fatos chocantes: as mulheres de sua família, em sua maioria foram abusadas, e nada podiam fazer pra se defender, e a mãe dela – sim! – fez Clyde pagar pelo que fez. Fez justiça com suas próprias mãos, visto que ela mesma acredita que Deus é o único juiz. E tivemos uma definição de Ophelia bem pontual sobre homens e mulheres, e o que aqueles levam dessas. Foi bonito, emocionante, como nunca tinha visto ainda em HTGAWM.
Para não dizer que o episódio foi só isso, tivemos um caso da semana bem fraco, que só serviu para dar destaque para Bonnie e mostrar que ela ainda precisa estudar mais para ser Annalise. Falar no tribunal que a cliente é culpada, e pedir desculpas? Isso Annalise nunca faria, meu amor. Apesar de ter ganhado o caso com um insight daqueles (mas acho que já tivemos um caso de clientes gays com aplicativos de celular nesta série, não?), ela se negou a conversar com a “mamãe do escritório” antes (já que ela não quis contar-lhe a verdade sobre Sam antes), e tudo poderia ter sido mais facilmente resolvido. Mas, não, precisávamos mesmo de tudo o que aconteceu para ter um revival entre a loira e o pupilo chato, bem encarado por Frank. Será que virará chantagem? Não vejo motivo aparente, mas já percebemos que Frank é aqueles que usam umas três camisas só pra caber várias cartas nas diversas mangas… De resto, este caso só serviu para entrarmos na metáfora do estupro de todas as formas.
Semana passada, falei que Rebecca era do mal. E essa semana ela inventou que Nate queria implantar uma evidencia na casa. Ou seja, ela está comprometendo Nate, mesmo sabendo que ele é inocente. Talvez numa tentativa de defender Wes, mas este mesmo a tinha pedido para não falar nada além daquilo que perguntassem para ela. Teimosia ou estratégia? Amor ou quer desviar a atenção do caso? Porque ela mentiu pro namoradinho e o fica seguindo por onde ele vai? Rebecca também continua escondendo a verdade sobre Rudy Walters… Porque o menino (totalmente atordoado) na clínica de reabilitação ao ver Rebecca só consegue falar “molhado”? E o crime fora numa caixa d’água, estranho, muito estranho. Sim, estou gostando dessa inserção misteriosa de Rudy, bem como sua tara por paredes-na-altura-da-cabeceira-arranhadas-por-suas-unhas.
Para semana que vem, e a season finale de duas horas temos muitos mistérios para resolver. Como Nate vai se safar dessa? O que Rudy Walters tem a ver com tudo isso? O que Rebecca esconde? Quem matou Lila? Como Annalise vai defender seus pupilos e se defender daqui pra frente? Quais são suas maiores dúvidas para semana que vem? É, meus amigos, HTGAWM mostrou que veio pra ficar. E pra arrebentar!
Que venha semana que vem, com mais dúvidas e mais segredos. E mais cenas chocantes.
Alegações finais
– Ophelia também acha que pode acontecer uma love story entre Annalise e Wes. #nãoestamossozinhos
– Asher é chato. Bonnie é chata. Mas, gosto dos dois juntos. Acho que negativo vezes negativo, nesse caso, confirmou a matemática, e deu positivo.
– Impressão minha ou quem parecia ter problemas com drogas na mesa do bar era Laurel e Michaela. Porque tanta animação ao ver Oliver? (confesso que eu ri).
– Sobre os comentários da semana passada, preciso comentar sobre dois: primeiro, adorei a teoria de que Frank matou Lila, pra mim já vejo como verdade absoluta. Olhar atento de “sorayaestrela”. E, segundo, peço desculpas por ter errado nas palavras em inglês e em português, semana passada (talvez meu corretor ortográfico estava atrás de algum bloco de carnaval). Quanto ao assassinato das línguas, eu já fui chamado ao júri, e contratei Annalise pra me defender (tomara que eu saia impune desse homicídio, #badumtss). Espero que Bonnie não a substitua. Ademais, que venha meu perdão judicial (e de vocês).













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