Uma viagem através do tempo e espaço.

Não, essa não é uma série de ficção cientifica. Trata-se de uma comédia. E só para mencionar, comédia da mais alta qualidade, no estilo nosense, tipicamente inglês. Quando digo inglês, não quero dizer que apenas os ingleses são capazes de entender, mas sim, que possui características comuns ao humor produzido nas terras da rainha. Caracterizado pelas altas doses de ironia a capacidade incrível de sempre ter uma boa sacada de humor nas mais diversas situações, sejam elas banais ou trágicas.

The Mighty Boosh é uma série criada pelos comediantes Julien Baratt e Noel Fielding, além de criadores, os dois também protagonizam a série. Vale dizer que antes de chegar à televisão, The Mighty Boosh já circulava pelas terras da rainha em forma de stand up.

Na versão televisiva, a série acompanha as peripécias de Vince Noir (Noel Fielding) e Howard Moon (Julien Barratt), dois amigos que trabalham em um zoológico. Vince Noir, um amante da moda, fashionista natural dotado de um otimismo sem fim, tem a capacidade de falar com os animais e adora trabalhar no zoológico. Já Howard Moon, o cérebro da dupla, mal-humorado por natureza é um aspirante músico de jazz, trabalha no zoológico apenas até conseguir decolar sua carreira como músico de sucesso. A série ainda conta com a presença de um sábio macaco falante, um vidente pra lá de Bagdá e o excêntrico chefe do zoológico.

Mas engana-se quem pensa que a série segue essa linha de comédia de situações. Todos os episódios são viagens totais, beirando ao surrealismo.  Para começar, a série não parece ajustar-se a algum um tempo especifico. Em certos momentos, a série parece remeter aos anos 70, outros aos anos 80 ou 90. Sem contar os números musicais, no final de cada episódio.

No primeiro episódio, Howard é obrigado pelo diretor do zoológico a entrar em luta de boxe. A desculpa do chefe, é que o zoológico está passando por problemas financeiros.  Sem muitas ideias do quefazer, ele dá um ultimato para Howard, apelando para um dos artifícios mais utilizados pela humanidade, a chantagem. Ou Howard luta ou ele, o chefe, irá divulgar fotos de Howard nu.  O único problema é que o adversário de Howard será um canguru.

Parte dos momentos impagáveis dos episódios vem dos números musicais.  Já no primeiro episódio, Howard narra seu dilema em uma canção ao estilo Simon e Garfunkel. Depois já quase ao fim, outro número surge em forma de sonho para Noel no estilo Rock psicodélico dos anos 70.

Outro ponto forte são as inúmeras referências à cultura pop, desde literatura com citações Shakespearianas a alusões a grandes cenas do cinema como a luta de Rock, o lutador. Basicamente Mighty Boosh é uma verdadeira salada mista. Em muitos momentos não tem como não comparar com Monty Python.  Posso até dizer que essa foi uma das razões que me levou a assistir a série, já que sou muito fã de Monty Python.

Sem dúvida um dos pontos mais altos da série é a química entre Julien Barrat e Noel Fieldman.  Os dois não parecem que estão encenando, tamanha a naturalidade e fica quase impossível diferenciar se eles estão atuando ou não. Parecem duas velhas comadres conversando.  Em minha simples opinião, Noel rouba a cena. Sinceramente, aposto nele e acredito que o comediante tem talento de sobra, para conquistar o mercado americano também.

Comecei dizendo que The Mighty Boosh é no estilo nosense. Lembram aquele ditado “parece até samba de crioulo louco”? É mais ou menos por aí. Em um mesmo episódio tem referências pop, número musical, citações filosóficas e temas comuns a outras séries de relacionamento. Misturando tudo isso, o resultado é The Mighty Boosh, uma série difícil de rotular, em que no fim a falta de sentido faz todo o sentido.

As 3 temporadas da comédia foram exibidas pela BBC entre 2004 e 2007.

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