Qual seria sua reação se uma mulher chegasse em você numa festa e perguntasse se gostaria de transar com ela?

Pois bem, foi por essa atitude que Sonya Cross despertou meu interesse. Assistindo Diane Kruger mergulhando de cabeça num até então estranho papel de uma detetive com alguns aspectos de autismo, eu suspeitava que eu estava testemunhando a última de sua espécie. Sonya Cross pode muito bem ser a personagem final com essa nova condição que vai se propagando na nova era da televisão americana. Podemos pegar um exemplo de Alphas, onde um dos personagens era autista, assim como em Touch. Na verdade, segundo minha pesquisa, Sonya Cross possuí Síndrome de Asperger, um transtorno do espectro autista, diferenciando-se do autismo clássico pelo fato de que portador possui uma fala mais compreensível. O ponto de inflexão na integração de Asperger chegou em 2007 com o físico arrogante e hilariante Sheldon Cooper, de The Big Bang Theory.

Há aqueles que rotulam o desempenho de Diane Kruger como excepcional, outros, porém acha que ela ficou como um rap vagabundo. Alguns escritores se queixaram da falta de explicação da condição da personagem. Enquanto as notas do canal FX afirmavam que Sonya possuía Síndrome de Asperger, as palavras autismo e Síndrome de Asperger nunca foram faladas na série.

Apesar de toda a crítica sobre o caráter da detetive, é sempre bom assistir uma série cujo personagem possui um diferencial. Divirto-me a cada episódio só de observar o comportamento de Cross. Ela possui uma capacidade imensa de se concentrar e realmente olhar para as coisas de um ponto de vista diferente.

As pessoas com Asperger possuem empatia e sentimentos, é claro, mas eles só não sabem quando mostrar essas emoções. Há um atraso. Eles entendem quando alguém está chateado, ou que seu comportamento fez com que as pessoas interpretassem mal suas intenções. Existe uma enorme escuridão e solidão em torno de Sonya. Todavia, porém, Cross é surpreendentemente sincera e genuína e trata o mundo como ela o vê, o que por vezes poderá ser bastante desagradável para os seus colegas de trabalho. No entanto, ela é extremamente eficaz no desempenho de suas funções.

O veredicto sobre Sonya Cross é que ela, certamente, é uma espécie de representações típicas do autismo. Enquanto qualquer tipo de deficiência ou necessidades especiais muitas vezes pode fazer um episódio de televisão ser como uma tigela estranhamente reconfortante de sacarina, The Bridge faz de Sonya uma autista, mas dificilmente dominada pelo elemento de uma trama complexa sobre dois países diferentes trabalhando juntos para resolver uma cadeia de assassinatos. Sua falta de empatia é impressionante, mas não se destaca como uma grande bandeira vermelha para o autismo; em vez disso, ilustra o modo como ela é inexoravelmente comprometida com o trabalho. Como diria Marco Ruiz: ‘Eu não posso dizer se é porque ela é louca ou porque ela é uma gringa’.

Considerações finais

– Podemos considerar sua mania de usar fones de ouvido toda hora como um hábito de seu autismo. Pena que nunca sabemos o que ela está ouvindo.

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