A balada do demônio que não vai mais correr. 

Se por duas temporadas, The Bridge tratou de dar cada vez mais ênfase a Galvan, nada mais justo que encaminhar o fim de sua temporada com o grande vilão no centro das atenções. Mas, como The Bridge nunca é uma série fácil, percebe-se através de ambos episódios uma série de conexões entre os personagens que fizeram parte da temporada, seja o DEA e a CIA, Eleanor Nacht, e até mesmo o onipresente Monte. Ainda assim, fica clara a pretensão da série em tentar ser grandiosa, e em alguns momentos, ela realmente é. Infelizmente, em outros, é apenas confusa e cansativa. A chance de cancelamento de The Bridge é grande, espera-se, então, que a reta final da segunda temporada satisfaça o espectador dando-o um senso de conclusão. Tudo parece estar se encaminhando: o inevitável confronto entre Galvan e Marco e o fim do legado sombrio de Nacht. The Bridge parece disposta a cumprir tudo o que prometeu nessa temporada, e isso só faz com que tenhamos cada vez mais respeito pela produção.

A competência de Diane Kruger e Demian Bichir ao se tratar de atuação é altíssima, apesar de que nesses últimos episódios, Bichir teve mais espaço, e consequentemente, brilhou mais. Em Quetzalcoatl (mais um nome de episódio que é referência a um ser místico) existe uma sequência entre Marco e Fausto Galvan que merece destaque. Ao ser conduzida inteiramente em espanhol, a conversa mostra o respeito mútuo entre os dois (apesar de que Marco está capturado e amarrado feito um animal), além de mostrar como um é capaz de entender o outro, devido aos anos de convivência. O relacionamento dos dois é conturbado, mas parece que no fundo existe uma vontade (por parte dos dois) de retomar uma amizade perdida no momento em que caminhos se separaram.

Quanto ao plot twist mais inesperado da temporada, Steven Linder teve um fim trágico. Ao iniciar com Eva uma caminhada de vingança, esperava-se que a dupla conseguisse cumprir todas as etapas do plano. Ledo engano. Todo o arco não funciona muito bem, porque parece que The Bridge tenta segurar-se a algum elemento de sua primeira temporada, enquanto o resto mudou drasticamente. A morte de Linder (se é que ele realmente morrerá), junto da morte de Charlotte, marcam um desligamento maior entre as duas temporadas de The Bridge, e isso só prova o crescimento e desejo de ousar e inovar.

Por fim, Sonya, muito menos expressiva que Marco na reta final da temporada, parece perdida e desmotivada com o trabalho policial que vem fazendo. A série começa a dar sinais de cansaço quando coloca um jogo de gato e rato, com Sonya perseguindo Nacht e Nacht fugindo e deixando seu rastro de destruição em grande parte de sua trajetória. Faltando apenas um episódio para o fim da temporada, The Bridge precisa muito deixar toda a sua história mastigada o suficiente para que todos consigamos compreender essa longa jornada de crimes, aventuras e desilusões que tomaram conta da temporada.

Quanto a Fausto e ameaça de parar de fugir, vimos claramente um personagem cansado da vida que leva, mas que quase por instinto foge para as colinas com seus reféns, não ouso chuta uma adivinhação para o arco. Do outro lado do barco, Nacht e seus companheiros da CIA não podem acabar ilesos depois de tantas complicações. São tantas questões para resolver que The Bridge precisará de um season finale de três horas, ou tudo será extremamente apressado, e isso seria uma péssima maneira de encerrar uma temporada (ou uma série) tão acima da média.

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