Nem tudo é o que parece ser.
Depois de terminar Dirty, episódio que encerra a primeira metade da terceira temporada de Perception, não poderia iniciar essa review com uma frase mais adequada. Principalmente quando coloco minhas reações e impressões com Silence em perspectiva. Deixei que o clima em torno da última cena e dos temores demonstrados por Kate me levassem a tirar certas conclusões, que foram modificadas nessa summer finale.
E é com alegria que celebro meu engano. Afinal, esse 10º episódio não só entregou uma trama redonda, envolvente e empolgante, como fechou com chave de ouro uma temporada que apenas trouxe largos sorrisos que dominaram os nossos rostos.
Que mergulhemos então de cabeça nas questões apresentadas em Dirty, que confrontou bem as diferenças entre a aparência e a essência.
Desde a cena que encerrou Silence – que condenei, mas agora celebro – e mesmo antes do episódio em questão, vimos os roteiristas nos mostrando que talvez Donnie pudesse ceder ao erro cometido no passado. Conhecemos Shelby e seu jeito de femme fatale, e era quase como ter a certeza de que ela seria a garota que faria o promotor escorregar e trair novamente a mulher amada. Isso se somou à insegurança de Kate, que acabou por explodir bem na cara dos dois no momento em que a moça tirou satisfações.
Entretanto, afirmo que em Dirty consegui não duvidar em momento algum da fidelidade do rapaz, mesmo quando contava como certo que seria esse o rumo a ser tomado. Foi tão fácil duvidar dele – inclusive Daniel – que era quase como uma armadilha pronta para distrair a nossa atenção, quando o roteiro tomaria outro caminho. Mesmo assim, celebrei que a questão fosse esclarecida totalmente, deixando claro que Donnie tinha sofrido uma cilada política, armada pela própria Shelby e por McGrath, que tencionava chantageá-lo.
Aliás, os roteiristas fizeram um trabalho interessante nessa questão da confiança. A conversa final entre Kate e Donnie explorou algumas coisas legais para o casal. Nesse momento nem me coloco desejosa de um retorno ou rompimento definitivo, pois tenho certeza que a melhor decisão para a série será tomada. Mas afirmo que eles passaram por um desenvolvimento ímpar, tanto para o relacionamento quanto para cada um dos personagens. Temos duas pessoas que são falhas e vulneráveis dentro de suas próprias inseguranças, mas que amadurecem a cada episódio. É possível empatizar e entender a ambos. E torcer para que tudo dê certo, do jeito que tiver de ser. Claro que agora teremos que esperar para que o retorno da série esclareça o que acontecerá com essa storyline.
E não só tivemos Kate e Donnie maduros, mas também Daniel. Mesmo quando ele estava coberto de desconfianças com relação ao amigo – dizendo-as a Kate – ele não deixou de buscar a verdade. Até quando sua alucinação o provocou ao máximo.
Inclusive, tivemos também uma evolução para James Pierce. Essa era uma presença que não esperava para esse episódio e que fiquei feliz em ter. Pudemos ver que ele começa a se adaptar bem ao tratamento para o Alzheimer e até encontrou uma namorada. Incomodei-me um pouco com o fato dele estar se passando pelo marido de Ruby, que parece uma tremenda sacanagem com alguém que só deu mostras de ser absolutamente adorável.
A partir daí tivemos a abertura de uma trama que promete para o retorno da série. A história de Ruby sobre o tal Sonny Coonan parecia fantasiosa demais para ter algum fundo de verdade, até pelo fato de sabermos que a nova namorada de James também tem Alzheimer. Só me dei conta que tal conversa poderia render mais frutos quando sua investigação foi deixada para os minutos finais de Dirty, culminando em uma explosão – literal e figurativa – que realmente não era esperada àquelas alturas do campeonato. Digo isso até pelo costume que Perception tem de apresentar histórias fechadas para os episódios que antecedem o hiato.
Sabemos bem que Daniel escapará do cliff do final do episódio, e com uma explicação coerente. Mas também temos a certeza de que uma boa história virá para o retorno da série. Afinal essa temporada está com um baita crédito. As expectativas estão em alta.
Dirty encerrou com méritos a primeira parte da 3ª temporada que, até aqui – mesmo quando essa que vos escreve mostrou certos temores, que felizmente se mostraram desnecessários – conseguiu não decepcionar. E que venha a continuação!
Desde já quero agradecer a todas as leituras, comentários e interações que tivemos nesses 10 episódios. Tivemos uma troca muito interessante, que fez com que eu me empenhasse ainda mais em meus textos. Podem ter a certeza que cada comentário e colaboração não só fez minha alegria, como fez parte dos textos que escrevi. E foi muito bom compartilhar cada impressão com vocês. Espero que tenham apreciado essa jornada no mesmo tanto que eu.
A gente se vê no retorno da série!
Anotações da aula:
– Eu sabia que não tinha sido Donnie, mas jamais poderia suspeitar do vizinho. Ele parecia bonzinho, mas era um stalker;
– Entre as várias histórias contadas por Ruby, ela disse que foi coelhinha da Playboy ;
– Lewicki comparado a Will Smith;
– E, claro, ele fez a melhor referência de todas, falando que Daniel era Tommy Lee Jones e que o deixava no carro (referência a MIB, filme de 1997, estrelado pelos dois astros mencionados);
Alucinação da semana:
As escolhas de elenco para as alucinações são sempre bem cuidadosas, embora eu as destaque com menos frequência que gostaria. Dessa vez tivemos Jude Ciccolella interpretando um policial meio paranoico que forçou a barra para que Daniel entrasse na mesma paranoia. Atuação brilhante e papel sensacional.












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