O BBB19 está na metade e já é possível afirmar que essa não é sua edição mais bem sucedida. Mas, por que estamos diante de uma edição tão cheia de conformidade?
O Big Brother Brasil, tal qual qualquer reality show com muitos anos de história, não acerta sempre. Temporadas equivocadas são normais em trajetórias como essa até mesmo quando falamos de gigantes como Survivor e RuPaul’s Drag Race. São 19 edições… Em se tratando de BBB os equívocos começaram já na temporada 2. Mesmo que diante de um grande sucesso, a narrativa da segunda edição foi truncada, pobre e muitas vezes questionável. O programa se recuperou na edição 3, caiu um pouco na 4, alcançou apogeu na 5 (a de Jean e Grazi) e afundou de novo na 6. O caminho foi seguindo assim, entre altos e baixos, com altos que recuperavam o fôlego e baixos que nunca eram baixos o suficiente para tirarem a atração do ar.
Contudo, a saída de Pedro Bial aconteceu num momento em que o programa passava por mudanças na sua seleção de casting. Saíram os ratos de academia e candidatos a capa de revistas eróticas e entraram tipos diversos que movimentavam o jogo com mais intensidade. A entrada de Thiago Leifert coincidiu com duas edições de muito apelo midiático. O BBB17 era dominado por uma protagonista das mais controversas da história do show. Emily era uma pessoa questionável em muitos níveis, mas sua presença na casa levou o público a presenciar uma série de contrapontos sócio-políticos que enriqueceram muito o programa. A edição seguinte, o BBB18, manteve o nível de popularidade e não só encontrou uma vencedora especialíssima (Gleici) como também teve uma série de narrativas paralelas interessantes. Contando com o fato de que a última edição de Bial, a 16, foi aquela com Ana Paula Renault, temos uma trilogia de edições para nenhum fã de reality colocar defeito.
Era natural, então, que as expectativas para o BBB19 fossem grandes; e mais natural ainda que qualquer queda de representatividade fosse ser duramente sentida. Estamos vivendo aquele momento em que o programa continua sendo assunto na internet, mas pelos motivos errados. As matérias sobre o como o programa está chato pipocam por toda a parte. Qualquer comentário sobre ele é acompanhado da frase “não acontece nada”, o que confirma, é claro, que somos todos um bando de hipócritas. Quando as edições mostram um barraco por semana os “superiores” aparecem dizendo que o programa tem baixaria demais. Quando os participantes dão a volta nas tensões e agem com inteligência emocional, fica tudo chato. Assim, se revela o quadro maior a respeito do BBB19: essa é uma edição que se recusa a ser tensionada e há, definitivamente, uma certa beleza nisso.
BBB: Stress Free
Estamos vindo de muitas semanas em que a produção tentou arduamente provocar os participantes e coloca-los uns contra os outros. O jogo da discórdia foi pesado em várias ocasiões, eles foram acorrentados uns nos outros e nada disso adiantou. Qualquer problema que surge entre eles até vem à tona, mas após uma turbulência inicial eles fazem o que a gente não costuma ver nas edições: eles conversam. E se resolvem. A produção começou, também, a compreender essa natureza do elenco e chamar o jogo deles de “jogo afetivo”. Estão certos. O mais interessante é que CLARAMENTE esse jogo baseado em afeto não se faz por causa do público, mas porque, genuinamente, eles preferem uma convivência pacífica que de forma alguma desconsidera diferenças. Eles apenas contornam essas diferenças e se esforçam para se afetarem de forma positiva ou neutra por elas.
Essa não é uma situação que pode ser desvendada. Estamos lidando com pessoas diferentes a cada edição e como elas vão reagir é uma completa incógnita. Nas três edições anteriores houve sempre um participante que serviu como catalisador e os outros passavam os dias lutando contra ou a favor deles. O BBB19 ensaiou, ensaiou, mas não encontrou – ainda – seu “protagonista”. Além disso, colocaram para fora todos os possíveis pontos de tensão… Hana, Gustavo, Diego, todos os possíveis jogadores dominantes que poderiam conseguir construir essa narrativa de combate. Hana, aliás, tinha tanto potencial que virou o tipo de participante que torceria para ver no All Stars. Então, essa “lavagem” dos jogadores que causavam desequilíbrio é um dos pontos importantes a respeito de como a edição chegou até onde está agora. É um ciclo interessante, porque os “vilões” são eliminados porque o público não gosta de seus modos confrontativos, enquanto ao mesmo tempo não quer uma edição onde “não acontece nada”, sendo esse “nada” um eufemismo exato para confronto.
Talvez por isso os twists que estão surgindo não estejam mais buscando tensão e sim emoção. O paredão fake foi um exemplo disso. Quando aconteceu com Ana Paula, Emily e com Gleici o paredão fake tinha propósitos de revanche e funcionaram PERFEITAMENTE. Dessa vez, o propósito não era “ver a cara de alguém quando o fulano voltar”, mas rastrear as emoções que isso vai causar. A produção do programa parou de brigar para fazer eles brigarem. Os desentendimentos acontecerão, mas acho bastante improvável que veremos até o final uma rivalidade clara aparecer. Paula é uma mulher cheia de preconceitos, mas ela não tem uma postura conflitiva e por isso, vê-la dando declarações chocantes só vai causar ruído depois que ela sair. E se causar, visto que a imagem que ela tem perante a maioria do público não é essa, uma vez que muitos dos preconceitos que ela revela não são, para ela, preconceitos, como não são para a maioria dos que a assistem.
Enfim, acredito que para aproveitar o BBB19 daqui para frente o melhor será encarar que esse elenco é diferente e que o valor emocional dos episódios será a pauta de todos os dias. Por isso as famílias entrarão lá na próxima semana. Claro que tudo pode mudar, mas me pergunto sinceramente se é disso realmente que a edição precisa ou porque raios isso tem que ser o que a gente quer.
![]()
Danrlei: Encontrou um equilíbrio interessante entre jogar e manter o afeto em primeiro plano.
Rodrigo: É um pouco menos calculista que Danrlei e por isso para mim ficaria com o segundo lugar.
![]()
Paula: Me preocupa que possa acabar vencendo justamente porque seus preconceitos vazam na forma de conversas cotidianas. Muitas vezes o público aqui nem percebe que está concordando com algo hediondo.
Hariany: Ela é só um eco, não merece a vitória. E aquele jeito de falar igual ao Sassá Mutema me deixa nervoso. Outro dia soltou um “Ela vai votar em eu”. Não dá.
Teresa: Única que ensaia um jogo para o público, mas acaba chata pra caramba justamente por causa disso.
Alan: Tirem ele de lá, gente. Ele só faz fotossíntese mesmo.






















